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Possível retorno do El Niño liga alerta para alta na conta de luz, impactos na indústria e no setor cafeeiro em MG

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Possível retorno do El Niño liga alerta para alta na conta de luz, impactos na indústria e no setor cafeeiro em MG – Foto: reprodução

A possibilidade de um novo episódio do El Niño se formar nos próximos meses já acende o alerta em diversos setores da economia mineira. Especialistas apontam que o fenômeno climático pode provocar temperaturas acima da média, alterações no padrão das chuvas e aumento dos custos de energia elétrica, impactando diretamente a indústria, o agronegócio e o bolso dos consumidores.

A preocupação é reforçada pelas projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), que indicam mais de 90% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno até novembro. Em Minas Gerais, os principais receios estão relacionados ao aumento do calor, à irregularidade das precipitações e aos reflexos sobre o sistema elétrico nacional.

Coordenador do mercado de energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pacata destaca que o aumento das temperaturas pode elevar significativamente o consumo de energia, especialmente na região Sudeste, que concentra a maior demanda elétrica do país.

“Cada grau que a temperatura sobe significa milhões de aparelhos de ar-condicionado ligados ao mesmo tempo. Isso aumenta muito a demanda por energia elétrica no Brasil. Se você tem uma demanda maior e reservatórios pressionados, o preço da energia sobe e o sistema elétrico fica mais estressado”, afirma.

Segundo Pacata, o cenário se torna ainda mais delicado porque o sistema elétrico brasileiro já depende do acionamento de usinas termelétricas, que possuem custos de geração mais elevados.

“Toda vez que isso acontece, alguém paga essa conta. O custo da geração fica mais elevado e esse impacto chega tanto para a indústria quanto para o consumidor comum, por meio das bandeiras tarifárias e do aumento do preço da energia”.

Diante desse contexto, o setor industrial acompanha com atenção a possibilidade de acionamento da bandeira vermelha nos próximos meses, medida adotada quando as condições para geração de energia se tornam menos favoráveis.

Os segmentos mais sensíveis a esse cenário são aqueles que dependem fortemente da eletricidade em seus processos produtivos, como as indústrias de alumínio, borracha e outros setores eletrointensivos.

“Quando a energia sobe, o custo do produto sobe junto. Não é um impacto isolado na conta de luz. Isso afeta toda a cadeia produtiva, aumenta o custo operacional das empresas e acaba chegando ao preço final pago pelo consumidor”, destaca.

Setor cafeeiro também acompanha cenário com atenção

Além da indústria, a possível chegada do El Niño preocupa produtores de café, uma das principais atividades econômicas de Minas Gerais. A combinação de temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.

Presidente do Sindicato das Indústrias de Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG), Sérgio Meirelles afirma que o fenômeno aumenta os riscos climáticos para as lavouras mineiras.

“A intensificação do El Niño tende a elevar o risco climático para o café mineiro, principalmente por provocar temperaturas acima da média e chuvas mais irregulares. Isso pode gerar estresse hídrico, abortamento floral e menor enchimento dos grãos”, afirma.

De acordo com ele, os efeitos podem atingir diferentes fases da produção cafeeira e causar prejuízos importantes.

“A falta de chuva durante a florada reduz a produtividade, enquanto o calor excessivo acelera a maturação e pode comprometer a qualidade da bebida. Já o excesso de chuva próximo à colheita aumenta o risco de fermentação, fungos e perdas na produção”.

Outro ponto de atenção é o impacto do aumento dos custos de energia sobre atividades como irrigação, secagem, armazenagem e beneficiamento dos grãos.

“Em regiões com irrigação intensiva, a energia já está entre os principais custos operacionais da atividade. Em um cenário de menor produtividade e custos mais elevados, os impactos acabam se espalhando por toda a cadeia do café”, diz.

Fenômeno pode trazer calor intenso e chuvas irregulares

Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Anete Fernandes explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno que altera a circulação atmosférica e influencia diretamente o clima em diversas regiões do planeta.

“No Brasil, normalmente você tem aumento das chuvas no Sul e temperaturas mais elevadas no Sudeste e Centro-Oeste”, afirma.

Segundo a especialista, Minas Gerais costuma sentir principalmente os efeitos relacionados às altas temperaturas e à má distribuição das chuvas.

“O problema não é necessariamente a falta de chuva, mas a má distribuição dela. Em anos de El Niño, as precipitações costumam ocorrer em pancadas isoladas. Então, pode chover o esperado para o mês inteiro em poucos dias e depois ficar um longo período sem chuva”.

A meteorologista lembra ainda que o último episódio do fenômeno, registrado em 2023, provocou diversas ondas de calor no estado, inclusive durante o inverno.

“Tivemos ondas de calor em agosto, setembro, outubro e novembro. O El Niño favorece justamente esse cenário de temperaturas acima da média por períodos prolongados. Dependendo da intensidade do fenômeno, esses eventos podem acontecer com mais frequência”.

Apesar dos alertas, especialistas ressaltam que ainda não é possível determinar a intensidade do próximo episódio nem estimar com precisão seus impactos econômicos. A dimensão dos efeitos dependerá do comportamento das temperaturas e das chuvas ao longo dos próximos meses.

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