
A morte de uma jovem de 23 anos em Passos, ocorrida na última segunda-feira (28), passou a ser alvo de questionamentos sobre o atendimento prestado na rede municipal de saúde. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e motivou manifestações públicas durante o sepultamento, realizado na tarde de quarta-feira (30), no Cemitério Senhor Bom Jesus dos Passos.
De acordo com informações da família, os primeiros sintomas surgiram na quinta-feira anterior, quando a jovem apresentou dores intensas no peito, tontura e chegou a desmaiar em via pública. A partir desse episódio, ela procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e em outras unidades do município ao longo do fim de semana.
Ainda segundo os relatos, mesmo após sucessivas idas aos serviços de saúde, a paciente continuava apresentando sintomas como taquicardia, vômitos e mal-estar persistente. A família afirma que, nas consultas, ela foi medicada e liberada, com indicação de que o quadro poderia estar relacionado à ansiedade.
Os familiares alegam que não teriam sido realizados exames mais aprofundados para investigação de possíveis causas orgânicas, o que, na avaliação deles, pode ter contribuído para o agravamento do quadro clínico.
Na segunda-feira, a jovem sofreu uma parada cardíaca em casa. Ela foi socorrida e encaminhada novamente à UPA, onde chegou a ser reanimada. No entanto, sofreu novas paradas cardiorrespiratórias e não resistiu, vindo a óbito na unidade.
Em nota oficial, a Prefeitura de Passos informou que todas as medidas assistenciais consideradas necessárias foram adotadas pelas equipes de plantão e que o atendimento seguiu os protocolos vigentes para casos de urgência e emergência. A administração também declarou solidariedade à família e comunicou que o caso será apurado por comissões internas e pelos órgãos competentes.
Até o momento, não há divulgação do laudo da necropsia, que deverá indicar a causa da morte. A Polícia Civil e o Conselho Regional de Medicina podem ser acionados para avaliar a conduta adotada durante os atendimentos.
O episódio também traz à discussão um tema recorrente na área da saúde: a possibilidade de sintomas físicos em pacientes jovens serem associados inicialmente a fatores emocionais, sem a exclusão completa de causas clínicas.