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Jornal Folha Regional

Crise no agronegócio impulsiona alta nos pedidos de recuperação judicial e desafia regulamentação no Brasil

Crescimento de 56,4% nas solicitações em 2025 evidencia pressão financeira sobre produtores e reforça necessidade de maior transparência no setor

Crise no agronegócio impulsiona alta nos pedidos de recuperação judicial e desafia regulamentação no Brasil – Foto: reprodução

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário desafiador, marcado pelo aumento das taxas de juros desde 2020 e pela volatilidade nos preços das commodities. Esse contexto tem pressionado produtores rurais e contribuído para um avanço significativo nos pedidos de recuperação judicial no setor.

De acordo com dados recentes, 2025 registrou 1.990 solicitações de recuperação judicial de empresas do agronegócio, representando um crescimento de 56,4% em relação a 2024. Entre esses pedidos, 217 foram feitos por produtores de soja, uma das culturas mais impactadas pela queda nos preços desde 2022, apesar de leve recuperação no último ano.

Estudos conduzidos pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Cepea, indicam que a margem bruta desses produtores pode ter recuado até 47,6% na safra 2025/2026, mesmo em propriedades próprias — cenário que tende a se agravar quando considerados custos adicionais, como o arrendamento de terras.

A crise não afeta apenas os produtores, mas toda a cadeia do agronegócio. A redução na comercialização de máquinas agrícolas, fertilizantes e insumos reflete um setor mais endividado e cauteloso. Ao mesmo tempo, instituições financeiras têm adotado uma postura mais restritiva na concessão de crédito, diante do aumento no risco de inadimplência.

“Estamos diante de um cenário em que o produtor rural enfrenta uma combinação perigosa: aumento do custo do crédito, queda no valor das commodities e restrição no acesso a novos financiamentos. Isso compromete diretamente a capacidade de planejamento e execução das safras”, afirma Claudio Montoro, advogado especialista em recuperação judicial.

Diante desse contexto, o Poder Judiciário tem buscado equilibrar a relação entre devedores e credores, promovendo maior segurança jurídica nos processos de recuperação judicial. Em março de 2026, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou o Provimento 216, que estabelece diretrizes para ampliar a transparência e uniformizar procedimentos envolvendo produtores rurais.

A nova regulamentação reforça a necessidade de clareza sobre a situação financeira dos devedores, permitindo aos credores avaliar com maior precisão a viabilidade de recuperação. Entre as medidas previstas, estão o acompanhamento técnico das safras por administradores judiciais e a exigência de perícia especializada para validar a capacidade produtiva e os resultados esperados.

“O Provimento 216 representa um avanço importante ao trazer mais transparência e previsibilidade para os processos. Por outro lado, também exige maior rigor por parte dos produtores, que precisam demonstrar de forma clara a viabilidade da atividade e a real necessidade da recuperação judicial”, explica Montoro.

Além disso, o normativo estabelece critérios mais rigorosos para o acesso à recuperação judicial, como a comprovação de que o produtor exerce diretamente a atividade rural e a demonstração efetiva da incapacidade de pagamento.

“Nem todos os casos são elegíveis para recuperação judicial. Quando há ativos ou fluxo de caixa suficientes, a prioridade deve ser a quitação das dívidas. Um pedido mal estruturado pode, inclusive, agravar a situação do produtor”, alerta o advogado.

Nesse cenário, o especialista reforça a importância do planejamento estratégico e da avaliação criteriosa antes de recorrer ao Judiciário. Em alguns casos, a negociação direta com credores pode ser uma alternativa mais eficiente para a reestruturação financeira.

Café do Sul de Minas impulsiona exportações, cresce 41,6% e avança US$ 3 bilhões no ano

Café do Sul de Minas impulsiona exportações, cresce 41,6% e avança US$ 3 bilhões no ano – Foto: reprodução

A recuperação da força exportadora de Minas Gerais em 2025 tem um protagonista bem definido: o café produzido no Sul do estado. Entre janeiro e novembro, o produto apresentou um avanço robusto de 41,6% nas vendas ao exterior, o que representa US$ 3 bilhões a mais que no mesmo período de 2024. Em seguida aparecem o ouro, com incremento de US$ 1,2 bilhão, e as ferro-ligas, que registraram alta de US$ 241,2 milhões.

Municípios tradicionalmente ligados à cafeicultura, como Varginha, Guaxupé, Três Pontas e Alfenas, puxaram o ritmo do setor e recolocaram a região sul-mineira no centro da agenda exportadora estadual. Esse movimento contribuiu diretamente para o desempenho expressivo de novembro.

Exportações em alta e superávit histórico

Com o impulso do café, Minas Gerais acumulou, de janeiro a novembro, US$ 41,4 bilhões exportados, crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior. Somente em novembro, o estado alcançou US$ 3,9 bilhões em exportações e se firmou como o segundo maior exportador do país no mês, além de registrar pelo terceiro mês seguido o maior superávit nacional, somando US$ 2,3 bilhões.

No recorte mensal, o café respondeu por 30,4% das vendas mineiras ao exterior, seguido pelos minérios de ferro (26,8%) e pelo ouro (8,2%). Varginha se destacou como o município com maior participação nas exportações de novembro, responsável por 9% do total estadual — desempenho diretamente ligado ao setor cafeeiro. Guaxupé também teve relevância, representando 6% das vendas externas.

A ampliação da presença mineira no comércio internacional também se refletiu na diversificação de destinos: em 2025, Minas passou a exportar para dez novos mercados em comparação com 2024 e apresentou crescimento nas vendas para 105 países, incluindo Canadá, Argentina, Reino Unido, Japão e Itália.

Importações também crescem

No campo das importações, Minas Gerais registrou US$ 17 bilhões entre janeiro e novembro, alta de 9,1% frente ao período anterior. Em novembro, Extrema liderou as compras internacionais, seguida por Betim, Uberaba, Belo Horizonte e Varginha. Entre os produtos mais adquiridos pelo estado estão turborreatores, automóveis, produtos imunológicos e fertilizantes.

Impulsionadas pelo café, exportações do agro em Minas lideram ranking nacional

Impulsionadas pelo café, exportações do agro em Minas lideram ranking nacional – Foto: reprodução

As exportações do agronegócio mineiro alcançaram US$ 14,5 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2025, com crescimento de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

No ranking nacional dos principais estados exportadores do agro, Minas foi o que apresentou o maior crescimento no período. O café lidera a pauta exportadora, seguido pelo complexo soja e sucroalcooleiro, carnes e produtos florestais.

Já o volume embarcado somou 13 milhões de toneladas, com redução de 7,6%, na comparação com os meses de janeiro a setembro do ano anterior. Minas é o terceiro estado que mais exporta produtos do agro, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo, e responde por quase 13% da receita do agro nacional.

Ao todo 615 diferentes produtos agropecuários mineiros foram enviados para 175 países, com destaque para a China (25%), Estados Unidos (11%), Alemanha (8%), Itália e Japão (5%).

Na avaliação da assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Manoela Teixeira, o expressivo crescimento na pauta exportadora mineira deve-se, principalmente, ao bom momento do café, que mantém suas cotações em alta desde o ano passado, sendo favorecido pela baixa oferta no mercado internacional e aumento do consumo mundial.

O grão alcançou US$ 7,77 bilhões, representando pouco mais da metade da receita do agro. O aumento foi de 48% em relação ao mesmo período de 2024.

O estado responde, sozinho, por cerca de 70% das exportações brasileiras de café, o que confirma sua liderança absoluta. Os principais destinos continuam sendo os Estados Unidos, Alemanha e Itália, que demandam a alta qualidade do café mineiro.

Ainda segundo a assessora, a expectativa para o fim do ano é superar, mais uma vez, o recorde de vendas dos produtos agropecuários do estado, que alcançaram US$ 17 bilhões no ano passado.

“Esse cenário positivo vem sendo influenciado pela valorização do preço médio dos produtos. Além disso, Minas Gerais mostra capacidade de adaptação com tecnologia no campo e diversidade produtiva, consolidando-se como referência de qualidade, sustentabilidade e competitividade”, complementa.

Soja

O complexo soja (grãos, óleo e farelo) registrou US$ 2,6 bilhões com o embarque de 6,5 milhões de toneladas e queda de 15% e 7% respectivamente.

Sucroalcooleiro

O volume chegou a 3,3 milhões de toneladas, totalizando US$ 1,5 bilhão com queda de 19,9% na receita. A produção de etanol no mercado interno tem se mostrado mais atrativa para os produtores.

Carnes

A receita do setor de carnes (bovina, suína e frango) alcançou US$ 1,3 bilhão no período, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024. Já o volume total ficou em 368,8 mil toneladas.

Produtos florestais

Os produtos florestais (celulose, madeira e papel) alcançaram aproximadamente US$ 765 milhões. O volume embarcado ficou em 1,3 milhão de toneladas.

Emater e Cecafé firmam parceria para promover a sustentabilidade na cafeicultura

Emater e Cecafé firmam parceria para promover a sustentabilidade na cafeicultura – Foto: reprodução

No Dia Internacional do Café, celebrado em 1 de outubro, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) anunciam uma nova parceria em prol da sustentabilidade da cafeicultura mineira. A união das instituições irá fortalecer o programa Construindo Solos Saudáveis, criado pela Emater-MG.

A iniciativa está alinhada ao tema definido pela Organização Internacional do Café (OIC) para a data em 2025: “Abraçando a colaboração mais do que nunca”. O lema ressalta o valor da cooperação em toda a cadeia produtiva do café para garantir meios de vida sustentáveis e resiliência ambiental — princípios que estão na base do acordo entre Cecafé e Emater-MG.

O programa Construindo Solos Saudáveis se baseia no uso de plantas de cobertura cultivadas em consórcio com lavouras comerciais, como café. Essas plantas, entre elas crotalárias, milheto, nabo forrageiro e feijão-guandu, contribuem para a fertilidade da terra, reduzem a erosão, aumentam a infiltração de água e melhoram a estrutura do solo. Após roçadas, as plantas de cobertura permanecem sobre o terreno como palhada, formando uma camada protetora que ajuda a preservar a umidade e a matéria orgânica, além de diminuir a temperatura do solo.

O sistema também traz outros resultados ambientais expressivos. O estudo Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais, conduzido pelo Imaflora e pela Esalq/USP, a pedido do Cecafé, mostrou que a manutenção do solo coberto, combinada a práticas conservacionistas, pode gerar um balanço de carbono negativo de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café arábica ao ano. Esse dado reforça o papel da cafeicultura regenerativa na mitigação das mudanças climáticas.

Na prática, a parceria entre Emater-MG e Cecafé prevê, nesta primeira etapa, a instalação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro, onde serão avaliados os benefícios das plantas de cobertura para o café.

“Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para a melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, afirma a diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, Silvia Pizzol, para quem a cooperação entre as duas instituições representa um marco.

Os técnicos da Emater-MG e cafeicultores poderão observar de perto os efeitos das práticas no solo e na produtividade, além de compartilhar experiências em dias de campo. Estão incluídas ainda ações como assistência técnica especializada, análises de solo, avaliação de biomassa e mobilização de produtores com o apoio dos exportadores vinculados ao Cecafé.

Coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Cangussu destaca que a união de esforços é fundamental para promover a sustentabilidade na atividade. “Ao unir conhecimento, engajamento dos exportadores, produtores, técnicos da Emater e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa, que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura. Além disso, estamos respondendo aos anseios do mercado consumidor por produtos ambientalmente responsáveis”, declara.

Produtores do Sul de MG têm até sexta-feira para se inscrever em concurso estadual de qualidade de cafés

Produtores do Sul de MG têm até sexta-feira para se inscrever em concurso estadual de qualidade de cafés – Foto: reprodução

Os cafeicultores do Sul de Minas têm até a próxima sexta-feira, 5 de setembro, para garantir presença no 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, evento reconhecido como o mais tradicional do estado dedicado exclusivamente aos cafés especiais.

Organizado pela Emater-MG, o concurso é considerado uma vitrine de excelência para a produção mineira — responsável por alguns dos grãos mais valorizados do Brasil.

Como se inscrever

A participação é gratuita. O produtor deve preencher a ficha disponível no site da Emater-MG, imprimir o formulário e entregá-lo no escritório local da instituição, acompanhado da amostra de café que será avaliada. O regulamento completo está publicado no portal da empresa.

Cada participante pode inscrever apenas uma amostra, em uma das duas categorias disponíveis:

  • Café Natural
  • Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado

Somente cafés Arábica da safra 2025 podem concorrer, desde que atendam aos critérios técnicos: tipo 2 (máximo de quatro defeitos), peneira 15 ou maior e teor de umidade entre 10% e 12%.

Avaliação e etapas

As amostras passam por análises físicas e sensoriais conduzidas por uma comissão de especialistas em competições nacionais e internacionais. Apenas os cafés que alcançarem 85 pontos ou mais na escala da Specialty Coffee Association (SCA) seguirão para as fases finais.

Premiação

Os vencedores serão definidos por região produtora — Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Chapada de Minas. Haverá ainda prêmios especiais para:

  • a cafeicultora mais bem pontuada;
  • o produtor certificado pelo Certifica Minas Café com melhor desempenho;
  • os primeiros colocados correntistas de cooperativas parceiras.

O título de campeão estadual será concedido ao produtor com a maior nota geral. A cerimônia de premiação está prevista para dezembro.

Histórico

Na edição de 2024, o concurso recebeu 1.406 amostras de 146 municípios mineiros. O destaque foi o agricultor familiar Onofre Alves Lacerda, de Espera Feliz (Matas de Minas), que obteve 92,7 pontos na categoria Café Natural e tornou-se o primeiro bicampeão do evento.

📞 Mais informações: (31) 3349-8075 / 8091 / 8173 | ✉️ [email protected]

Colheita de café no Sul de MG tem grãos menores devido ao clima e preço da saca pode ser impactado

Colheita de café no Sul de MG tem grãos menores devido ao clima e preço da saca pode ser impactado – Foto: reprodução

A colheita de café avança para os últimos dias no Sul de Minas Gerais, mas o cenário preocupa produtores e especialistas. Apesar de grande parte da safra já ter sido retirada do campo, o rendimento dos grãos ficou abaixo do esperado, exigindo maior volume para compor uma saca de 60 quilos.

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o café colhido nesta temporada apresenta peso inferior à média histórica, o que força os agricultores a utilizarem mais grãos beneficiados. Normalmente, são necessários de 7 a 8 “saquinhos” para fechar uma saca. Em 2025, no entanto, há relatos de produtores que precisaram de até 12.

A Fundação Procafé estima que 86% dos cafeicultores já finalizaram a colheita no país. Na Cooxupé, a maior cooperativa de café do mundo, o índice chega a 83,9% no Sul de Minas. Neste momento, a maior parte dos trabalhadores está dedicada à varrição, etapa em que são recolhidos os grãos que permaneceram no chão da lavoura.

Pesquisadores explicam que o baixo volume de chuvas e as temperaturas acima da média durante o outono e o inverno de 2024 enfraqueceram as lavouras. A situação se agravou com a escassez de precipitações registrada entre fevereiro e março de 2025, período crucial de granação e maturação dos frutos.

No mercado, os reflexos já são percebidos. A avaliação de analistas é de que a quebra é concreta, mesmo que os números oficiais ainda não tenham sido divulgados. A justificativa é climática: a seca e outros fatores ambientais comprometeram diretamente o peso do grão.

Além disso, há incertezas em relação ao futuro. Especialistas alertam que os efeitos desta safra podem se prolongar, atingindo a produtividade de 2026. O preço do café, por sua vez, já apresenta tendência de alta nas últimas semanas, movimento atribuído justamente à percepção de quebra de safra e às projeções incertas sobre a próxima produção.

Governo e agro se reunirão para discutir apoio a quem está sob tarifaço

Ministro Carlos Fávaro e vice-presidente Geraldo Alckmin devem se reunir com representantes do agro na segunda-feira — Foto: Divulgação/Mapa

Governo federal e setores do agronegócio sujeitos ao tarifaço dos Estados Unidos se reunião na segunda-feira (4/8) para discutir medidas de apoio e redução de eventuais danos. Do Poder Executivo, devem participar o vice-presidente e ministro o Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

Executivos de quatro segmentos foram chamados para um encontro “reservado e estratégico”. Foi convidado um representante de cada área para o encontro presencial com os ministros: café, pescados, frutas e carne bovina, confirmou a reportagem. Algumas lideranças receberam o convvite diretamente de Alckmin.

Quem ficou de fora da lista de exceções e será taxado em 50% a partir do dia 6 de agosto espera por medidas de socorro. O pacote pode incluir crédito para exportação, conforme mencionado por representantes do agronegócio durante a semana. O setor de pescados foi o primeiro a solicitar, formalmente, R$ 900 milhões em financiamentos subsidiados para capital de giro das empresas.

Exportadores de café mantêm a expectativa de o produto passar para a lista de exceções. A intenção é buscar a negociação bilateral com “senso em urgência” e foco na pauta econômica, disse uma fonte do setor.

Frutas podem ser isentas de tarifa

Nesta sexta-feira (1/8), exportadores de frutas foram avisados que alguns itens também poderão ficar isentos. Informações de pessoas a par das tratativas nos EUA dão conta de que a manga, principal produto do setor exportado para lá, pode ser excluída das sobretaxas de forma geral, não apenas para o Brasil. O cacau também pode ser contemplado pela medida.

Entre produtores brasileiros ainda há dúvidas se a exceção, se confirmada, vai abranger apenas a manga ou demais “frutas tropicais”. Nesse caso, o mamão, segundo item mais embarcado para lá, também poderia ser beneficiado. A uva, no entanto, ficaria fora.

Mais de 37% do valor das exportações brasileiras (US$ 14,5 bilhões, em 2024) diretamente afetado pela sobretaxa dos EUA vem de dos embarques produtos do agronegócio, de acordo com dados do MDIC sobre os 30 principais itens da pauta exportadora nacional para lá. Cerca de US$ 5,4 bilhões são de itens agropecuários ou da indústria alimentícia.

Foram US$ 1,9 bilhão em café, chá, mate e especiarias; US$ 418,8 milhões em preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas; US$ 1 bilhão em carnes e miudezas; US$ 678 milhões em açúcar; US$ 397,2 milhões de preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos; US$ 386,2 milhões de gorduras e óleos animais ou vegetais; US$ 329 milhões de preparações alimentícias diversas; e US$ 255 milhões de tabaco.

Procurados, os ministérios ainda não se manifestaram.

Mulheres no Sul de Minas se destacam na cafeicultura

Mulheres no Sul de Minas se destacam na cafeicultura – Foto: divulgação

Pioneirismo, desafios, sucessão familiar e premiações marcam a trajetória da produtora Maria José Vilela Rezende Bernardes. O conhecimento sobre os cuidados com a lavoura, ela aprendeu com o pai, quando o acompanhava ainda pequena, na Fazenda dos Tachos, no município de Varginha.

Com a morte do patriarca e posteriormente do irmão, ela tomou a frente da lavoura, sendo a primeira mulher no município a exercer a cafeicultura. “Há 33 anos tinha só eu de mulher nas reuniões de associação, nos eventos da área . Aos poucos fui conquistando espaço e reconhecimento. Aprimorei o cultivo por meio de cursos, palestras, Dias de Campo e hoje nosso café é certificado pelo Certifica Minas e já ganhou vários concursos estaduais e regionais”, conta.

O marido, o filho e três funcionários auxiliam a produtora a cuidar dos 50 hectares de lavoura. A comercialização do café torrado e do especial é realizada para cooperativas e parceiros. A família ainda investe no turismo rural, recebendo visitantes para um café da manhã.

Já Lucélia de Carvalho Araújo aprendeu a cultivar café com o marido, Klayton Paiva de Araújo. Ele deu continuidade na plantação que o pai havia feito, no Sítio Santa Cruz, em Campos Gerais. A produção era pequena, mas a oportunidade de ampliar surgiu em meio a adversidades financeiras e desafios na gestão da lavoura.

“Meu cunhado sugeriu que investíssemos em cafés especiais. Mesmo com a resistência inicial, mergulhei na pesquisa e na aprendizagem sobre o assunto. Quando nosso primeiro lote foi avaliado com excelentes pontuações, percebemos o potencial e decidimos investir na criação da nossa própria marca”, conta a cafeicultora.

Mulheres no Sul de Minas se destacam na cafeicultura – Foto: divulgação

Desde então, a paixão pelo café especial tem sustentado a família e já trouxe premiações. A comercialização é realizada em cafeterias, empórios, cooperativas, supermercados e lojas on-line. A atividade na cafeicultura é compartilhada com o marido e um funcionário. A família ainda se dedica a uma cafeteria e um restaurante.

Para Lucélia de Carvalho, conciliar as atividades profissionais com as demandas da vida doméstica e familiar são um dos maiores desafios para as mulheres que trabalham na agricultura.

Segundo a coordenadora técnica regional da Emater-MG, Adalise Dayane Vieira da Silveira, a cafeicultura desempenha um papel importante na economia do Sul de Minas e a presença feminina vem se destacando. “A história das duas produtoras é um recorte de tantas outras da região”, conta.

A coordenadora destaca ainda que a presença das mulheres é fundamental para a melhoria dos grãos, o bem-estar nas comunidades rurais, a gestão familiar e a transmissão do conhecimento entre as gerações.

Panorama da cafeicultura feminina e assistência técnica

Desigualdade de gênero, sobrecarga de trabalho, baixa representatividade em associações e cooperativas são algumas das limitações que Adalise Dayane cita para que o protagonismo das mulheres tanto na cafeicultura quanto no setor rural se concretize.

Ela ressalta que a Emater-MG, em parceria com diversas instituições, tem realizado trabalhos para garantir assistência técnica e extensão rural, capacitações, encontros e concursos específicos para as produtoras da região.

Agronegócio mineiro bate recorde e alcança PIB de R$ 235 bilhões em 2024

Agronegócio mineiro bate recorde e alcança PIB de R$ 235 bilhões em 2024 – Foto: reprodução

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Minas Gerais somou R$ 235,0 bilhões em 2024, um crescimento nominal de R$ 20,5 bilhões em relação ao ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pela valorização média de 10,2% nos preços dos produtos agropecuários, compensando a leve queda de 0,5% no volume real de produção.

Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (30/6), em coletiva realizada pela Fundação João Pinheiro (FJP), Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e Sistema Faemg Senar, e já estão disponíveis no site da FJP.

A retração no volume produzido concentrou-se no núcleo das atividades primárias. Por outro lado, a agroindústria e os serviços relacionados ao agronegócio registraram crescimento real de 1,7%, demonstrando a força da cadeia produtiva como um todo.

O Valor Adicionado Bruto (VAB) das atividades agrícolas, pecuárias e florestais passou de R$ 61,8 bilhões em 2023 para R$ 70,0 bilhões em 2024. Já os demais elos do agronegócio — como agroindústria, comercialização, serviços e distribuição — evoluíram de R$ 152,7 bilhões para R$ 165,0 bilhões no mesmo período.

“Chamou nossa atenção a forte elevação dos preços de commodities agrícolas importantes para a economia de Minas Gerais”, afirmou o pesquisador Raimundo Leal, da FJP.

Na agroindústria, os destaques foram os segmentos de alimentos, bebidas, produtos do fumo, biocombustíveis, fertilizantes fosfatados e móveis, além de insumos como eletricidade e derivados de petróleo. Nos serviços, tiveram maior impacto as áreas de comercialização, alimentação fora do lar, alojamento e serviços financeiros.

“Esse resultado reforça a resiliência da agropecuária mineira. Mesmo com intempéries climáticas e oscilações na produção primária, o setor cresceu em valor graças à integração da cadeia produtiva — dos insumos ao consumidor. Isso reafirma o agro como um dos grandes motores da nossa economia”, destacou Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, também celebrou o desempenho:

“Os números mostram que 22,2% do PIB mineiro vêm do agro, setor que gera empregos, movimenta o comércio e fortalece a balança comercial. A FJP tem papel estratégico ao mensurar, com rigor, essa participação.”

Evolução histórica

As estimativas preliminares da FJP mostram a trajetória de crescimento do agronegócio no Estado:

2022: R$ 203,1 bilhões (22,4% do PIB estadual de R$ 906,7 bilhões)

2023: R$ 214,5 bilhões (22,1% do PIB estadual de R$ 969,2 bilhões)

2024: R$ 235,0 bilhões (22,2% do PIB estadual de R$ 1,058 trilhão)

Exportações do agronegócio mantêm Minas Gerais em destaque no cenário global

Exportações do agronegócio mantêm Minas Gerais em destaque no cenário global – Foto: reprodução

Minas Gerais segue como uma das principais potências do agronegócio brasileiro. Entre janeiro e maio de 2025, o estado registrou exportações no valor de US$ 8,4 bilhões, um crescimento expressivo de 24% em relação ao mesmo período de 2024, quando o total alcançou US$ 6,7 bilhões. Apesar de o volume exportado ter recuado 5,2%, somando 6,9 milhões de toneladas, o resultado financeiro revela uma importante valorização dos preços médios internacionais.

“O desempenho das exportações mineiras no agronegócio, especialmente com a forte valorização do café e a diversificação de destinos, demonstra a capacidade de adaptação do setor frente aos desafios logísticos e ao cenário internacional instável. Conseguimos ampliar a receita e abrir novos mercados estratégicos, o que é fundamental para manter a competitividade do estado no comércio global”, avalia a assessora Técnica da Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), Manoela Teixeira. 

Líderes de exportação

O principal motor dessa expansão foi o café, que manteve a liderança nas exportações estaduais. O produto atingiu US$ 4,8 bilhões em vendas externas, o que representa um crescimento de 67,2%. Mesmo com uma queda de 5,5% no volume embarcado, causada por menor oferta interna e gargalos logísticos, os preços praticamente dobraram no mercado internacional, compensando a redução na quantidade exportada.

Outro setor de destaque foi o de carnes, com crescimento de 17,1% em valor, totalizando US$ 680,4 milhões e o volume exportado subiu 7,1%. A carne bovina foi a principal responsável por esse desempenho, com alta de 17,2% em valor e 5,1% em volume. A carne de frango, que respondeu por 23,5% da receita das carnes exportadas, somou US$ 159,7 milhões, com alta de 8,6% no valor e 3,9% no volume.

O complexo soja teve um desempenho misto. As exportações atingiram US$ 1,6 bilhão, um recuo de 9,2% em valor, enquanto o volume permaneceu estável em 4 milhões de toneladas. A queda nos preços da soja foi influenciada pelo aumento global dos estoques e pela redução dos prêmios de exportação. A oferta mundial vem crescendo mais rápido que a demanda, o que pressiona as cotações.

Entre os produtos que mais cresceram estão os ovos, cujas exportações subiram 674,8% em valor, seguidos por produtos apícolas (crescimento de 90,5%), cereais (aumento de 89,4%, com destaque para o milho) e queijos (mais 25,4%). Esses números evidenciam tanto a valorização de preços, quanto a ampliação da presença de Minas Gerais em novos mercados consumidores.

Quedas

Já o setor sucroalcooleiro enfrentou uma retração significativa. As exportações somaram US$ 487,1 milhões, com queda de 35,4% em valor e de 29,7% em volume. O açúcar de cana respondeu por US$ 461,2 milhões (recuo de 36,1%), enquanto o álcool caiu 22,3% em receita. Já os produtos florestais fecharam o período com US$ 465,7 milhões exportados, queda de 3% em valor.

Novos destinos importadores  

A diversificação de destinos também foi um fator-chave para o bom desempenho do agronegócio mineiro. Com perdas nos mercados tradicionais, como China e México, o estado encontrou alternativas e ampliou significativamente suas exportações para países como Rússia (crescimento de 232% em valor e 200% em volume), Iêmen (aumento de 143% e 128%, respectivamente), Líbia (aumento de 77% em valor) e Guiné, que registrou um crescimento expressivo de 1.021% em valor e 653% em volume.

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