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Jornal Folha Regional

Minas está em alerta de alto risco para disparada de doenças respiratórias, aponta Fiocruz

Minas está em alerta de alto risco para disparada de doenças respiratórias, aponta Fiocruz – Foto: reprodução

Minas Gerais está entre os cinco estados brasileiros em nível de alerta para alto risco de aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O dado consta na nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (16), pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta tendência de crescimento da doença no estado, na contramão da maior parte do país.

No cenário nacional, os casos de SRAG apresentam sinal de queda nas tendências de longo prazo – das últimas seis semanas – e de curto prazo – das últimas três semanas. Contudo, em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os casos seguem em crescimento.

Entre as principais causas está a alta de diagnósticos do vírus sincicial respiratório (VSR), que atinge principalmente crianças de até 2 anos e ainda se mantém em níveis elevados nesses estados. O aumento também é observado em relação à influenza A. Segundo o InfoGripe, embora o período sazonal já tenha se encerrado em boa parte do país, os casos graves provocados pelo vírus continuam altos em Minas Gerais, Paraná e Roraima.

Já os casos graves por influenza B continuam aumentando em alguns estados da região Centro-Sul, entre eles Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Belo Horizonte confirmou nessa quarta-feira (15/7) que o atendimento para adultos também “opera sob status de alerta, seguindo os critérios do plano de contingência”. De acordo com a pasta municipal, foram cerca de 29 mil atendimentos no mês, apenas até o dia 13 de julho. Em 2026, de janeiro até o momento, as UPAs e os centros de saúde já registraram cerca de 356 mil atendimentos por doenças respiratórias.

Diante desse contexto, os especialistas da Fiocruz destacam a importância da adoção de medidas preventivas, como manter a higiene respiratória, lavar as mãos, cobrir o nariz e a boca com o braço ou um lenço de papel ao tossir ou espirrar e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando máscara. Além disso, é fundamental manter a vacinação em dia.

Incidência e mortalidade

O estudo da Fiocruz revela ainda que a incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm no país o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias. Enquanto a incidência de SRAG é mais elevada entre crianças de até 2 anos, a mortalidade é maior na população com 65 anos ou mais.

A incidência de SRAG nessa faixa etária está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade entre os idosos tem como principal causa a influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. Já a influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos.

O que é a SGRA?

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é uma infecção respiratória grave que compromete os pulmões e provoca dificuldade para respirar. A doença pode causar lesões nos alvéolos pulmonares, estruturas responsáveis pelas trocas gasosas, e, em muitos casos, está associada à pneumonia, o que agrava o quadro clínico e pode exigir atendimento médico especializado.

Anvisa aprova medicamento não hormonal contra sintomas da menopausa

Anvisa autoriza novo medicamento para menopausa sem uso de hormônios – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para os sintomas vasomotores da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos. A novidade é que o medicamento, chamado fezolinetanto, é o primeiro desenvolvido especificamente para essa finalidade sem utilizar hormônios.

O produto será comercializado no Brasil pela farmacêutica Astellas sob o nome Veoza e será disponibilizado em comprimidos de uso diário.

A aprovação representa uma nova possibilidade terapêutica para mulheres que não podem fazer reposição hormonal ou que optam por não utilizar esse tipo de tratamento. Entre os casos mais comuns estão pacientes com histórico de câncer de mama, contraindicações cardiovasculares ou simplesmente aquelas que preferem alternativas não hormonais.

Como o medicamento funciona

Diferentemente da terapia hormonal, que busca compensar a redução dos níveis de estrogênio, o fezolinetanto atua diretamente em um mecanismo cerebral relacionado ao surgimento dos fogachos.

No organismo feminino, o hipotálamo — região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal — funciona como um verdadeiro termostato. Antes da menopausa, os hormônios estrogênicos ajudam a manter o equilíbrio de uma substância chamada neurocinina B, que participa da regulação térmica.

Com a diminuição da produção de estrogênio pelos ovários, esse equilíbrio é alterado. A neurocinina B passa a estimular excessivamente determinados neurônios do hipotálamo, provocando sinais equivocados de aumento de temperatura. Como consequência, surgem as ondas de calor repentinas, vermelhidão na pele e episódios de suor intenso, especialmente durante a noite.

O fezolinetanto bloqueia justamente o receptor utilizado pela neurocinina B para agir nesses neurônios. Ao impedir essa ligação, o medicamento ajuda a estabilizar o controle da temperatura corporal, reduzindo a frequência e a intensidade dos sintomas.

Quando o remédio estará disponível?

Embora tenha recebido aprovação da Anvisa na última segunda-feira (22), o medicamento ainda não pode ser comercializado imediatamente no país.

Antes de chegar às farmácias, o produto precisa passar pela análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por definir o preço de venda ao consumidor. Até o momento, não há previsão para a conclusão dessa etapa nem para o início da comercialização no Brasil.

Anvisa aprova novo remédio oral para câncer de mama avançado

Anvisa aprova novo remédio oral para câncer de mama avançado – Foto: reprodução

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o registro do medicamento Inluriyo (tosilato de inlunestranto), na última segunda-feira (22), destinado ao tratamento de pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático. A autorização foi publicada no DOU (Diário Oficial da União).

O medicamento será utilizado em casos específicos da doença, em pacientes que já passaram por terapia endócrina. A indicação contempla tumores positivos para receptor de estrogênio (ER+), negativos para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2-) e com mutação no receptor de estrogênio 1 (ESR1m).

Desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil Ltda., o tratamento é administrado por via oral e é indicado como monoterapia. Segundo a Anvisa, a recomendação também inclui situações em que o tumor não pôde ser retirado por cirurgia ou quando a doença já atingiu outras partes do organismo.

ÍNDICES DO CÂNCER DE MAMA 

O câncer de mama permanece como o tipo de neoplasia maligna com maior incidência entre mulheres no Brasil. Estimativas do Inca (Instituto Nacional do Câncer) apontam cerca de 73.610 novos casos anuais entre 2023 e 2025, o equivalente a 30,1% dos diagnósticos de câncer na população feminina.

A doença é a mais incidente em mulheres na maioria das regiões brasileiras, com taxas mais altas no Sul e no Sudeste. Só é superada por outro câncer, o de colo de útero, no Norte.

Dados do Ministério da Saúde também indicam que a doença representa a principal causa de morte por câncer entre mulheres no país. A pasta informa que o risco aumenta com a idade, sobretudo a partir dos 40 anos, enquanto a média de idade para o diagnóstico no Brasil e de 54 anos.

OUTUBRO ROSA

Nas últimas décadas, os avanços terapêuticos e o maior acesso ao tratamento e às ações de detecção precoce resultaram em ganhos na sobrevida das mulheres e tornaram o câncer de mama uma doença de bom prognóstico, quando diagnosticada e tratada oportunamente.

Iniciativas como o Outubro Rosa e o Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, celebrado em 19 de outubro, pretendem alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença por meio de ações educativas e exames como a mamografia.

Com o diagnóstico precoce a taxa de cura e sobrevida é de 95%.

Referência em emagrecimento e saúde metabólica, Dr. Victor Freitas participa de um dos maiores congressos de cardiologia do Brasil

Referência em emagrecimento e saúde metabólica, Dr. Victor Freitas participa de um dos maiores congressos de cardiologia do Brasil – Foto: arquivo pessoal

Entre os dias 4 e 6 de junho, o médico Dr. Victor Freitas participou do 46º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

Reconhecido como um dos mais importantes eventos científicos da cardiologia brasileira, o congresso reuniu milhares de especialistas, pesquisadores e profissionais da saúde para discutir os principais avanços da medicina, com destaque para temas como obesidade, inflamação crônica, saúde metabólica, prevenção cardiovascular, longevidade e novas estratégias terapêuticas para doenças cardiometabólicas.

A participação no evento reforça o compromisso de Dr. Victor com a atualização científica constante e com a busca pelas melhores evidências para oferecer tratamentos cada vez mais seguros, modernos e individualizados aos seus pacientes.

Durante o congresso, Dr. Victor teve a oportunidade de reencontrar um de seus mentores, o cardiologista Dr. Pedro Schwartzmann, uma das principais referências nacionais em cardiologia, prevenção cardiovascular e educação médica.

Formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), onde também concluiu seu doutorado (PhD), Dr. Pedro atua como médico assistente e preceptor do Hospital das Clínicas da FMRP-USP, sendo reconhecido nacionalmente por sua atuação na assistência, pesquisa científica, formação de médicos e mentoria profissional. Sua contribuição para a medicina vai além da prática clínica, influenciando a formação de centenas de profissionais e promovendo uma visão moderna, ética e baseada em evidências da medicina.

Segundo Dr. Victor Freitas, um dos pontos mais marcantes do congresso foi observar como a obesidade tem sido cada vez mais discutida dentro da cardiologia moderna.

“Hoje sabemos que a obesidade não é apenas uma questão de peso. Ela está diretamente relacionada à inflamação crônica, diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e redução da expectativa de vida. Participar de eventos como a SOCESP permite trazer aos pacientes o que existe de mais atual na medicina baseada em evidências”, destacou.

Para o médico, o contato com grandes nomes da medicina brasileira e a participação frequente em congressos, cursos e programas de aperfeiçoamento são fundamentais para oferecer um atendimento de excelência.

“A busca contínua por conhecimento é uma forma de cuidar melhor das pessoas. Quando estudamos mais, conseguimos tomar decisões mais seguras, individualizar tratamentos e proporcionar mais saúde, qualidade de vida e longevidade aos nossos pacientes.”

A presença de Dr. Victor Freitas no congresso reforça seu compromisso com a atualização científica permanente e com a promoção de uma medicina focada não apenas no emagrecimento, mas também na prevenção de doenças, na saúde metabólica e na construção de uma vida mais saudável e longeva para seus pacientes.

Hospital registra três mortes por SRAG após ampliação de leitos de UTI em Três Corações

Hospital São Sebastião, em Três Corações — Foto: Reprodução

O Hospital São Sebastião, em Três Corações (MG), confirmou três mortes de pacientes diagnosticados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) desde a implantação de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados ao atendimento desses casos. As vítimas são um homem de 75 anos, morador de Ouro Fino, uma mulher de 62 anos, de Itanhandu, e um homem de 39 anos, que faleceu na madrugada desta segunda-feira (8).

A ampliação da estrutura faz parte de uma estratégia de apoio à rede estadual de saúde. Ao todo, foram disponibilizados 33 novos leitos de UTI para pacientes com SRAG, sendo 19 destinados ao público adulto e 14 à pediatria. Atualmente, dez vagas estão ocupadas, principalmente por pacientes com diagnóstico de influenza.

A unidade também informou que continua recebendo pacientes encaminhados pelo sistema estadual de regulação. Novas transferências vindas de Muriaé já foram confirmadas, o que poderá aumentar a taxa de ocupação nos próximos dias.

Entre os pacientes internados atualmente estão moradores de diferentes cidades do Sul de Minas. Segundo o hospital, há dois pacientes de Varginha, dois de Três Corações e dois de Carmo da Cachoeira. Também estão em tratamento pacientes de Boa Esperança, Lambari, Carmo de Minas e Ipuiúna, com um representante de cada município.

Na ala pediátrica, uma criança que chegou a necessitar de cuidados intensivos apresentou melhora clínica e foi transferida para a enfermaria.

A médica responsável pelo setor de internação, Lavínia Vanoni Toledo, explicou que os três pacientes que morreram deram entrada na unidade em condições graves, exigindo atendimento intensivo imediato.

“São pacientes que chegam com um comprometimento respiratório muito importante, já necessitando de suporte intensivo. Infelizmente, mesmo com toda a assistência, alguns quadros evoluem de forma muito rápida”, explicou a médica.

Conforme a profissional, os pacientes atendidos chegam ao hospital por meio da Central de Regulação do Estado (CORE) ou pelo pronto-socorro da própria instituição, desde que apresentem sintomas compatíveis com síndrome respiratória aguda grave.

“A gente reforça a importância de procurar atendimento logo no início dos sintomas, principalmente em casos de falta de ar, febre persistente e piora rápida do quadro. Chegar precocemente pode fazer toda a diferença”, alertou.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais apontam que, somente em 2026, já foram registradas 1.160 notificações de SRAG em todo o estado, com 51 mortes confirmadas. Considerando apenas as quatro semanas epidemiológicas mais recentes, foram contabilizadas 319 notificações e seis óbitos.

Diante do aumento dos casos, a direção do hospital orienta que pessoas com sintomas respiratórios adotem medidas preventivas, como o uso de máscaras, evitar ambientes com aglomeração e manter a vacinação atualizada, especialmente contra a gripe.

Bom Jesus da Penha suspende aulas presenciais após aumento de casos de Influenza

Bom Jesus da Penha suspende aulas presenciais após aumento de casos de Influenza – Foto: reprodução

A Prefeitura de Bom Jesus da Penha (MG) anunciou a suspensão temporária das atividades presenciais em parte da rede municipal de ensino como medida para conter o avanço de vírus respiratórios no município. A decisão passa a valer nesta sexta-feira (22) e foi oficializada por meio do Decreto nº 035/2026.

A medida terá duração inicial de sete dias e envolve alunos e servidores do Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Dona Tuniquinha e da Escola Municipal F. M. de Paula Rodrigues.

Segundo a administração municipal, a iniciativa foi definida em conjunto pela Secretaria Municipal de Saúde, Vigilância Epidemiológica Municipal, Regional de Saúde e Secretaria Municipal de Educação, diante do crescimento no número de casos positivos de Influenza registrados nos últimos dias.

Dados divulgados pela Vigilância Epidemiológica apontam que, desde 15 de maio, o município confirmou 29 diagnósticos da doença. A maior concentração de casos está entre crianças de 0 a 5 anos, faixa etária que soma 13 ocorrências. Entre pessoas de 6 a 14 anos foram registrados quatro casos, enquanto outras 12 infecções atingiram moradores acima de 15 anos.

Apesar do aumento nas confirmações, a Secretaria Municipal de Saúde informou que todos os pacientes apresentam quadros leves da doença. Até o momento, não houve registros de internações nem de complicações mais graves relacionadas à Influenza.

As autoridades de saúde também orientaram a população sobre os cuidados dentro de casa. Conforme o alerta emitido pelo município, pessoas que convivem com pacientes diagnosticados devem ser consideradas potencialmente infectadas, sendo recomendado reforçar medidas preventivas para evitar a disseminação do vírus no ambiente familiar.

Novo medicamento para Alzheimer chega ao Brasil, mas preço preocupa

Novo medicamento para Alzheimer chega ao Brasil, mas preço preocupa – Foto: reprodução

A aprovação do medicamento intravenoso Lecanemabe pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) traz nova esperança para pacientes e familiares que vivem com o Alzheimer no Brasil. O medicamento, indicado para os primeiros sinais da doença, deve chegar às farmácias no fim de junho com o nome comercial de Leqembi e é uma das principais apostas da ciência para atrasar o avanço dos sintomas.

O Lecanemabe é um tipo de anticorpo feito em laboratório que age direto sobre a beta-amiloide, uma proteína ligada ao desenvolvimento do Alzheimer. Segundo o professor Júlio César Moriguti, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, “a beta-amiloide é uma substância patológica que deposita no cérebro e que é o gatilho para iniciar a doença”.

Os estudos com o anticorpo foram publicados no fim de 2023 na revista científica New England Journal of Medicine e mediram principalmente a capacidade mental dos pacientes durante 18 meses. De acordo com Moriguti, os pesquisadores compararam pacientes que usaram o medicamento com outros que receberam placebo (substância sem propriedades medicinais ativas) usando escalas específicas de avaliação clínica.

“O grupo que usou a droga e o grupo que usou placebo tiveram uma diferença de menos 0,45 numa escala de 18 pontos. Isso aparentemente não se traduziu em benefícios perceptíveis para o paciente e/ou para os cuidadores”, explica. Ainda assim, o especialista destaca que os resultados chamam atenção porque o medicamento consegue tirar a amiloide do cérebro. “Essas drogas reduzem muito essa carga de amiloide, de tal forma que passa a ter uma carga semelhante a quem não tem doença”, afirma.

Para o professor, o medicamento é um grande avanço da ciência, mas ainda tem limites. “Eu entendo que representa um avanço real por ter conseguido remover a amiloide, mas há de se entender qual seria o melhor momento de se utilizar essa droga e para quais pacientes. A adoção ampla dessas terapias ainda deve ser muito cautelosa.”

Além de uma eficácia abrangente ainda ser discutida, os efeitos colaterais também preocupam os especialistas. Segundo Moriguti, os principais riscos vistos nos estudos foram inchaço e sangramentos no cérebro. “O principal risco é de sangramento. As hemorragias cerebrais ou micro-hemorragias podem ser sintomáticas ou não”, ressalta. Ele completa que as complicações ligadas a problemas neurológicos aconteceram em cerca de 27% dos pacientes que usaram o medicamento.

Outro ponto que o pesquisador destaca é que os testes foram feitos em um ambiente muito controlado e com pacientes bem específicos. “Quando popularizar essa droga, ela não vai ser usada dessa forma, porque vamos ter pacientes com várias comorbidades”, afirma.

Acesso ao medicamento

Apesar de a Anvisa já ter aprovado o medicamento, a discussão agora é sobre o acesso ao tratamento. O Lecanemabe deve custar cerca de R$ 20 mil por mês, um valor que a maior parte da população brasileira não tem condições de pagar.

Segundo Moriguti, o SUS ou os planos de saúde ainda estão longe de incluir esse medicamento. “A população que poderia ser beneficiada com isso é bastante grande, tanto no Brasil quanto no mundo inteiro. Eu creio que, para o SUS incorporar um tratamento desse e para os planos de saúde pagarem, eles precisam ter um pouco mais de certeza dessa melhora.”

Além do preço alto, o tratamento exige uma estrutura médica complicada. Antes de receber o medicamento na veia, os pacientes precisam fazer exames como PET-CT (um tipo de tomografia), ressonância magnética, testes de biomarcadores e testes genéticos. Depois, ainda é preciso acompanhamento constante em centros especializados.

“Precisa ter um centro de infusão, precisa de ressonância, PET-CT e até neurocirurgião de prontidão para intervir em casos de hemorragia ou grande edema”, explica o professor. “Ou seja, é para lugares bastante restritos.”

Mesmo cuidando de pacientes com Alzheimer e pesquisando a doença na USP, Moriguti diz que ainda não receitou esse tipo de tratamento. “Eu ainda não tive o convencimento de que, ao aplicar essas drogas, vou trazer mais benefícios do que malefícios para o paciente. Isso sem pensar em preço. Quando você coloca o preço na jogada, a restrição vai ser ainda maior.”

Cientistas criam lentes de contato para tratar a depressão

Cientistas criam lentes de contato para tratar a depressão – Foto: reprodução

Nada de comprimidos. O tratamento para depressão proposto por um grupo de cientistas da Universidade de Yonsei, na Coreia do Sul, utiliza lentes de contato. Testadas ao longo de três semanas com camundongos com depressão induzida, as lentes foram capazes de produzir melhorias equivalentes às obtidas com a fluoxetina. 

Transparentes e flexíveis, os dispositivos possuem eletrodos integrados fabricados com camadas ultrafinas de óxido de gálio e platina. Através desses eletrodos, as lentes transmitem sinais elétricos leves para regiões cerebrais específicas relacionadas à depressão. Esse método utilizado pela tecnologia é chamado de interferência temporal.

A técnica funciona porque a retina se conecta a regiões cerebrais associadas ao humor. Foi justamente por isso que os cientistas testaram os olhos como vias para estimular o cérebro. Nos tratamentos já disponíveis para depressão, que incluem medicamentos, terapia eletroconvulsiva e implantes cerebrais, as mesmas regiões e circuitos cerebrais são atingidos. 

“Como o olho é anatomicamente parte do cérebro, nos perguntamos se uma simples lente de contato poderia servir como uma porta de entrada suave e não invasiva para os circuitos cerebrais que controlam o humor”, afirmou Jang-Ung Park, cientista de materiais da Universidade Yonsei e autor sênior do estudo, ao Medical Express. 

Como a tecnologia funciona?

Segundo o cientista, os sinais enviados podem ser comparados a duas lanternas. “Cada feixe sozinho é fraco, mas onde eles se sobrepõem, um ponto brilhante aparece, e esse ponto brilhante pode ser criado longe das próprias lanternas. Nossa lente de contato faz o mesmo com dois sinais elétricos inofensivos”, explicou. “Mesmo que os eletrodos fiquem na superfície do olho, os sinais só se tornam ativos onde se encontram na retina, no fundo do olho, ativando suavemente a fiação natural que transporta o sinal para regiões cerebrais relacionadas ao humor”, acrescentou o pesquisador.

Como a pesquisa foi feita?

Os experimentos envolveram tratamento diário de 30 minutos durante três semanas. Os pesquisadores compararam quatro grupos de camundongos: animais de controle não deprimidos, animais deprimidos sem tratamento, animais deprimidos que receberam interferência temporal e animais deprimidos tratados com fluoxetina.

A equipe utilizou ensaios comportamentais, registros eletrofisiológicos cerebrais e mediu biomarcadores sanguíneos e cerebrais associados à depressão. Após as análises, os cientistas notaram que o tratamento com as lentes de contato reduziu os sinais da doença nas três categorias avaliadas.

Registros da atividade cerebral também revelaram que o tratamento restaurou a conectividade entre o hipocampo e o córtex pré-frontal, uma  conexão que havia sido perdida devido à depressão.

Os animais que receberam estimulação por interferência temporal ainda apresentaram redução nos níveis de moléculas inflamatórias no cérebro. A corticosterona sanguínea diminuiu 48% em comparação aos camundongos deprimidos não tratados. Os níveis de serotonina aumentaram 47% quando comparados ao grupo de animais deprimidos sem tratamento.

Um modelo de aprendizado de máquina agrupou os camundongos com base em seu comportamento, atividade cerebral e níveis de biomarcadores. O modelo consistentemente agrupou os camundongos do grupo de tratamento com lentes de contato junto aos camundongos de controle não deprimidos.

“Ficamos impressionados que as melhorias apareceram juntas em comportamento, atividade cerebral e biologia e que o efeito foi comparável a um medicamento antidepressivo amplamente utilizado”, afirmou Park.

Esta foi a primeira vez que lentes de contato inteligentes foram utilizadas para tratar um distúrbio cerebral. Anteriormente, esses dispositivos haviam sido usados para monitorar distúrbios oculares e metabólicos, medindo a pressão ocular ou níveis de glicose.

“Como qualquer nova tecnologia médica, nossas lentes de contato precisarão passar por avaliação clínica rigorosa em pacientes antes de chegar ao mercado”, ressalta Park. “A seguir, planejamos tornar a lente totalmente sem fio, testá-la para segurança de longo prazo em animais maiores e personalizar a estimulação para cada usuário antes de avançar para ensaios clínicos em pacientes”, complementou o pesquisador.

“Nosso trabalho abre uma fronteira inteiramente nova de tratamento de distúrbios cerebrais através do olho. Acreditamos que essa abordagem vestível e livre de medicamentos tem um tremendo potencial para transformar como a depressão e outras condições cerebrais são tratadas, incluindo ansiedade, dependência de drogas e declínio cognitivo”, conclui. 

Médico ganha destaque com abordagem personalizada no emagrecimento e saúde metabólica em Passos

Médico ganha destaque com abordagem personalizada no emagrecimento e saúde metabólica em Passos – arquivo pessoal

O aumento da obesidade tem preocupado profissionais de saúde em todo o mundo. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de metade da população adulta poderá estar acima do peso até 2030.

Em meio a esse cenário, cresce também a procura por tratamentos mais seguros, individualizados e baseados em evidências científicas.

Em Passos (MG), o Dr. Victor Freitas vem chamando atenção pela atuação voltada ao emagrecimento saudável, saúde metabólica, qualidade de vida e longevidade.

Segundo o médico, o emagrecimento precisa ser tratado de forma individualizada, respeitando metabolismo, rotina, hábitos, composição corporal e histórico clínico de cada paciente.

“Cada corpo responde de uma forma. O emagrecimento vai muito além de dieta. Existem fatores hormonais, metabólicos, comportamentais e inflamatórios que precisam ser avaliados com precisão”, explica.

ESTRATÉGIAS PERSONALIZADAS

Com a popularização de protocolos prontos nas redes sociais, o médico alerta para os riscos de abordagens genéricas e sem acompanhamento adequado.

“Muitas pessoas tentam métodos extremos, fazem restrições exageradas ou usam medicações sem critério. Isso pode gerar perda de massa muscular, efeito sanfona e prejuízos à saúde”, destaca.

Além da avaliação clínica, Dr. Victor utiliza ferramentas como bioimpedância e análise metabólica para acompanhar composição corporal, evolução e resposta individual ao tratamento.

Segundo ele, fatores como sono, alimentação, energia, nível de atividade física, histórico de tentativas frustradas e saúde emocional também influenciam diretamente os resultados.

CIÊNCIA, HÁBITOS E LONGEVIDADE

Para o médico, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, assim como hipertensão e diabetes, exigindo acompanhamento adequado e estratégias sustentáveis a longo prazo.

“A obesidade não é falta de força de vontade. É uma condição complexa, que precisa ser tratada com ciência, responsabilidade e acompanhamento individualizado”, afirma.

A proposta do acompanhamento, segundo ele, é unir medicina baseada em evidência, mudança de hábitos e melhora da composição corporal, sempre priorizando saúde e qualidade de vida.

ALERTA SOBRE AUTOMEDICAÇÃO E DIETAS RADICAIS

Dr. Victor Freitas também alerta sobre o crescimento da automedicação e do uso indiscriminado de substâncias para emagrecimento.

“Hoje existe muita informação superficial nas redes sociais. O problema é quando as pessoas começam tratamentos sem avaliação adequada, sem acompanhamento e sem entender os riscos envolvidos”, ressalta.

Segundo ele, o objetivo do tratamento não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas construir resultados sustentáveis e preservar saúde, disposição e massa muscular.

📍Passos – MG
📲 Instagram: @drvictorafreitas

Secretaria de Estado de Saúde esclarece risco de hantavirose e reforça prevenção em Minas

Secretaria de Estado de Saúde esclarece risco de hantavirose e reforça prevenção em Minas – Foto: divulgação

A investigação de possível transmissão de hantavírus entre passageiros de um navio de cruzeiro, no Atlântico Sul, acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), trouxe o assunto de volta ao debate. No Brasil, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) esclarece que o cenário é diferente, a hantavirose está associada ao contato direto com roedores silvestres, principalmente em áreas rurais, e a cepa identificada no país não é transmitida de pessoa para pessoa. 

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, não há motivo para alarme. “Muitas pessoas ficaram preocupadas, mas é importante esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus circula em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais. São casos isolados, como já ocorreram em outros anos no estado”, afirmou. 

A doença tem ocorrência pontual no estado e exige vigilância contínua, especialmente em regiões rurais. Minas tem atuação reconhecida nessa área e investe na capacitação de equipes. Em 2024, foi o primeiro estado do país a sediar treinamento prático em investigação de doenças zoonóticas, com foco em hantavirose e peste. 

“As ações de vigilância e prevenção são contínuas. Isso leva à consolidação de estratégias permanentes pelos municípios com apoio do Estado, incluindo atividades educativas e monitoramento epidemiológico”, comenta o subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi.  

Casos no estado  

Até o momento, Minas tem um caso confirmado de hantavirose em 2026, notificado ainda em fevereiro deste ano. O caso evoluiu para óbito e teve diagnóstico confirmado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) no mesmo período. O paciente, um homem de 46 anos, era residente de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, e tinha histórico de contato com roedores silvestres em ambiente de lavoura e paiol. 

De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), base oficial do Governo Federal, Minas registrou seis casos confirmados da doença em 2025, com quatro óbitos. Em 2024, foram oito casos confirmados, também com quatro óbitos. 

Prevenção 

Mesmo sem risco de transmissão entre pessoas, a SES-MG reforça cuidados para quem vive ou trabalha em áreas rurais. 

“A principal orientação é evitar varrer locais com poeira seca, onde possa haver fezes ou urina de roedores. O ideal é ventilar o ambiente, umedecer o piso antes da limpeza e manter alimentos e resíduos bem protegidos”, destacou Baccheretti. 

 As principais medidas são guardar alimentos em recipientes fechados, dar destino adequado ao lixo e entulhos, manter terrenos limpos, não deixar ração animal exposta e retirar restos de alimentos de animais domésticos. 

Também é importante evitar plantações muito próximas das casas, ventilar locais fechados antes de entrar e umedecer o chão antes da limpeza. A orientação é não varrer a seco. 

 Sintomas 

Os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo, cefaleia (dor de cabeça), dor lombar e dor abdominal. Nos casos mais graves, pode haver dificuldade respiratória, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial. 

Não há vacina nem tratamento específico. Pessoas com sintomas após contato com roedores silvestres ou ambientes rurais com sinais desses animais devem procurar atendimento de saúde. 

Jornal Folha Regional
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