
A rotina de quem utiliza a travessia por balsa entre Cássia e Delfinópolis, no Sul de Minas, continua sendo marcada por longas filas, atrasos e prejuízos financeiros. A expectativa, porém, é de que esse cenário comece a mudar após o avanço do projeto para a construção de uma ponte sobre o Rio Grande.
Durante a Feira da Banana, realizada nesta quarta-feira (10) em Delfinópolis, o governador de Minas Gerais, Matheus Simões (PSD), assinou o documento que formaliza o início da concessão para a implantação da estrutura que substituirá as atuais balsas.
A dimensão do problema pode ser observada diariamente no local, onde extensas filas de carros e caminhões se formam à espera da travessia. Para os veículos de carga, o processo costuma ser ainda mais lento devido à necessidade de organização do embarque conforme o peso transportado.
Os impactos são sentidos principalmente pelos profissionais que dependem da rodovia para trabalhar. Caminhoneiros relatam que, em percursos que normalmente permitiriam realizar até quatro viagens por dia, conseguem completar apenas uma devido ao tempo gasto na fila. Segundo eles, a espera frequentemente ultrapassa seis horas e, em alguns casos, chega a cerca de dez horas até a travessia ser concluída.
A demora também afeta o setor comercial e compromissos profissionais. Representantes de empresas e prestadores de serviço relatam atrasos em entregas e necessidade de reagendar atendimentos, situação que, segundo eles, prejudica não apenas quem trabalha na região, mas também produtores rurais e moradores que dependem da ligação para o escoamento da produção agrícola e deslocamentos diários.
Nesta quarta-feira, apenas duas balsas estavam operando. De acordo com a prefeitura, outras duas embarcações precisaram ser retiradas temporariamente de serviço para manutenção após apresentarem problemas mecânicos.
Atualmente, cerca de 500 veículos utilizam a travessia todos os dias. O deslocamento no sentido de Cássia é gratuito, enquanto os motoristas que deixam Delfinópolis pagam tarifa de R$ 35 para veículos com placas de fora do município, havendo desconto para moradores da cidade.
A construção da ponte ganhou força em abril deste ano, quando o Consórcio Ponte Delfinópolis venceu o leilão de concessão com uma proposta de R$ 851 mil. A futura estrutura será erguida no mesmo ponto onde hoje funcionam as balsas e contará com pista de mão dupla, sistema de drenagem por canaletas laterais e passagem destinada aos pedestres.
O contrato de concessão terá validade de 30 anos e prevê investimentos estimados em R$ 221,4 milhões. Com a conclusão da obra, a previsão é que a travessia passe a custar cerca de R$ 15 em ambos os sentidos e que o tempo de deslocamento seja reduzido para aproximadamente dois minutos.
A expectativa do Governo de Minas é de que a ponte esteja pronta até 2030. Até lá, usuários da travessia seguem enfrentando horas de espera e aguardam que a obra finalmente coloque fim aos transtornos registrados há anos na região.