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Jornal Folha Regional

Algumas residências ficam sem água em São José da Barra

Neste domingo (17), algumas residências no centro de São José da Barra (MG), estão sem água.


De acordo com Osiel, a adutora que fornece a água para a sede do município e que fica no bairro de Furnas, foi rompida na entrada de São José da Barra.


“Consertamos, mas ao ligar a água veio romper novamente. Nesse momento a água já está sendo normalizada”. Disse Osiel.


A adutora é um sistema de transporte de água que parte de um ponto de coleta até um reservatório, ou mesmo entre reservatórios.


Foto: imagem ilustrativa

Vacinação contra Covid-19 começa na quarta, às 10h, diz Pazuello

Pazuello afirma que vacinação começará simultaneamente no país e diz que aplicação da primeira dose em São Paulo está ‘em desacordo com a lei.

O Ministério da Saúde anunciou neste domingo, 17, que a vacinação contra a Covid-19 no Brasil terá início na quarta-feira, 20, às 10h. Para isso, a distribuição da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan com a Sinovac, começará a ser distribuída aos estados às 7h da segunda-feira, 18.

“Está dado o primeiro passo para o início da maior campanha de vacinação do mundo contra o coronavírus”, afirmou o ministro da Saúde , Eduardo Pazuello.

O anúncio foi feito logo após a aprovação do uso emergencial da CoronaVac e da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca pela Anvisa.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ressaltou que a imunização começará simultaneamente em todo o Brasil e criticou a aplicação da primeira dose em São Paulo. Segundo Pazuello, a aplicação da vacina na enfermeira Mônica Calazans, está “em desacordo com a lei”.

 “Poderíamos num ato simbólico ou numa jogada de marketing iniciar a primeira dose em uma pessoa, mas em respeito a todos os governadores, prefeitos e todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não fará isso”, acrescentou o ministro.

Primeira vacinada é enfermeira do Emílio Ribas em SP

Mônica Calazans, de 54 anos, é diabética, obesa e hipertensa e trabalha há oito meses no hospital


A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, se tornou neste domingo, 17, a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no Brasil. Ela foi imunizada com a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.


Com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) neste domingo, do uso emergencial do fármaco, Calazans e outros profissionais de saúde indicados por hospitais públicos e que trabalham na linha de frente do combate à Covid-19 estão sendo vacinados pelo governo de São Paulo.


Diabética, obesa e hipertensa, a enfermeira faz parte de grupo de risco e trabalha na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Emílio Ribas, em São Paulo. A instituição é referência no tratamento de doenças infecciosas.


– Agora vamos começar a voltar à vida normal. Todo mundo vacinado. Estou feliz. Me sinto representante dos profissionais da saúde e da população brasileira – declarou Calazans.
Doria destacou a importância do momento.
– A emoção de fazer aquilo que é necessário para salvar vidas. Mônica e outras milhões de profissionais de saúde salvaram vidas. Esse é o exemplo que o Brasil precisa. A Mônica representa isso, o valor da vida – afirmou o governador.


Em maio, quando a pandemia atingia alguns de seus maiores picos, Mônica Calazans se inscreveu para trabalhar no Emílio Ribas, mesmo ciente de que a unidade estaria no epicentro do combate à pandemia. A vocação falou mais alto, diz. A informação foi antecipada pela Folha de S.Paulo.


Mônica Calazans trabalhou como auxiliar de enfermagem durante 26 anos. O diploma universitário veio mais tarde, aos 47. Viúva e mãe, nem ela nem o filho de 30 anos se infectaram com a Covid-19. A família, entretanto, não passou isenta pela pandemia. Seu irmão caçula, auxiliar de enfermagem de 44 anos, ficou internado por 20 dias com a doença.

Mônica foi vacinada pela enfermeira Jéssica Pires de Camargo, de 30 anos, mestre de Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo. Na sequência, ela recebeu do governador um selo simbólico com os dizeres “Estou vacinado pelo Butantan” e uma pulseira com a frase “Eu me vacinei”.


Entrega de vacinas


O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou neste domingo que determinou ao Instituto Butantan a entrega das doses de CoronaVac ao Ministério da Saúde para que sejam distribuídas a outros estados brasileiros logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial. “O Brasil tem pressa para salvar vidas”, escreveu, no Twitter. Ele não detalhou a quantidade de doses que serão entregues ao governo federal.

Prefeito de Alpinópolis é o primeiro executivo manifestar na região após aprovação da vacina pela Anvisa e anuncia criação da “Casa da Vacina”

“Informo que Alpinópolis (MG), está pronta para receber as doses do Governo Federal e que temos um bom estoque de seringas, agulhas e demais insumos necessários para a aplicação. Nosso plano de vacinação também foi elaborado e estamos providenciando a criação da Casa da Vacina que será num espaço maior para melhor atender a população”. Informou Rafael Freire.

Por unanimidade, Anvisa aprova o uso emergencial das vacinas de Oxford e Coronavac

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial das vacinas contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca e da chinesa Sinovac (CoronaVac), cujos pedidos foram feitos, respectivamente, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Instituto Butantan.


Os cinco diretores da Anvisa votaram a favor do uso emergencial das vacinas contra Covid-19. Os diretores acompanharam o voto de Meiruze Freitas, relatora dos pedidos.

Anvisa autoriza o uso emergencial das vacinas Coronavac e da AstraZeneca/Oxford contra a covid-19

Três diretores da agência concluem que os imunizantes cumprem os requisitos básicos de segurança e eficácia e podem ser usados na campanha de vacinação contra o coronavírus


Caminho livre para a largada da vacinação contra a covid-19 no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste domingo a autorização para o uso emergencial da Coronovac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan (com condicionante de assinatura de um termo de compromisso); e do imunizante da AstraZeneca/Oxford, que será produzido pela Fiocruz. A decisão da diretoria colegiada da agência, transmitida ao vivo, se deu por 3 votos a 0 (parcial). Agora, um plano nacional de imunização recheado de dúvidas e obstáculos, a começar pelo próprio Governo Jair Bolsonaro, está previsto para começar no próximo dia 20 de janeiro. Promete ser o início do fim da pandemia de coronavírus no Brasil.


Aberta com 10 minutos de atraso, a reunião extraordinária da Diretoria Colegiada da Anvisa ocorreu sem o uso de máscaras de proteção, “uma vez que estamos protegidos pelo regramento de distanciamento social”, justificou Antonio Barra, diretor-presidente da agência reguladora. A transmissão ao vivo da reunião chegou a ter mais de 20.000 espectadores simultâneos no canal oficial da Anvisa no Youtube. “O inimigo é um só. Nossa melhor chance nessa guerra passa, necessariamente, pela mudança de comportamento social. Sem a qual, mesmo com vacinas, a vitória não será alcançada”, observou Barra em seu discurso de abertura.


Primeiro, três áreas técnicas da Anvisa deram aval à aprovação das vacinas. De acordo com o gerente geral de Medicamentos e Produtos Biológicos, Gustavo Mendes, o panorama de “muita tensão pela falta de insumos necessários para o enfrentamento da doença” no Brasil, justifica a autorização para o início de aplicação do imunizante, condicionada ao “monitoramento e reavaliação periódica [dos dados de eficácia]. Olhar com cuidado, de maneira muito próxima, como vai ser o desempenho dessa vacina”. Embora tenha recomendado a aprovação, Mendes salientou que a Anvisa não conseguiu obter acesso a algumas informações sobre dados de ambas as vacinas.

No caso da Coronavac, as pendências se referem à lacuna de dados a respeito da eficácia em pessoas com comorbidades ou idosas, quantidade de pacientes sintomáticos que tiveram PCR negativo e de participantes do estudo que precisaram de atendimento em UTI. A relatora Meiruze Freitas ainda salientou um “ponto crítico” em relação ao imunizante.

“Por quanto tempo perdura no organismo dos indivíduos a proteção conferida pela vacina?”, questionou. Em seu voto favorável à aprovação, ela condicionou a autorização do uso emergencial da Coronavac à assinatura de um termo em que o Butantan se compromete a reportar dados sobre a resposta imunológica da vacina. “Os benefícios conhecidos das vacinas superam seus riscos. Mas é preciso um monitoramento contínuo sobre efeitos adversos. Uma vacina só é eficaz se as pessoas estiverem dispostas a tomá-la. Vacinação contra covid-19 ajudará na proteção individual e coletiva”, disse a relatora.
O país conta inicialmente com oito milhões de doses para iniciar o plano de imunização.

Seis milhões são da Coronavac, importada pelo Butantan e requisitada de forma imediata pelo Ministério da Saúde na última sexta. As outras duas milhões doses são do imunizante da Astrazeneca/Oxford e foram adquiridas pelo Governo brasileiro da fábrica da Serum Institute, na Índia. Porém, o Governo indiano barrou a exportação de vacinas produzidas em seu território. Um avião estava previsto para decolar do Brasil na sexta-feira, mas teve que adiar seu voo porque o chanceler Ernesto Araújo não conseguiu chegar a um acordo para a liberação da remessa.


Após o revés com o Governo indiano, o Ministério da Saúde, por meio de seu departamento de logística, mandou um ofício ao Butantan, ligado ao Governo de São Paulo, solicitando a entrega imediata de 6 milhões de doses da Coronavac. O Butantan, por sua vez, avisou que só vai disponibilizar o estoque se a pasta esclarecer quanto do contingente já ficará em São Paulo. Mas, no início da tarde deste domingo o governador de São Paulo, João Doria, garantiu que enviará imediatamente o estoque reivindicado pelo Ministério.


Com a aprovação de uso emergencial dos imunizantes, o Governo brasileiro deverá começar a vacinar os chamados grupos prioritários. Em primeiro lugar estão os profissionais da saúde, por considerar que são as pessoas mais expostas ao vírus, idosos acima de 75 anos e a população indígena. Nas fases seguintes estão idosos das demais faixas etárias, pessoas com comorbidades, professores, trabalhadores de segurança e funcionários do sistema prisional —a população carcerária foi excluída.


As oito milhões de doses iniciais não são suficientes para imunizar todos os integrantes desse grupo prioritário. Tanto a Fiocruz como o Instituto Butantan devem produzir os imunizantes em território nacional, mas primeiro devem passar por outras etapas dentro da Anvisa. Entre elas, devem conseguir a autorização de uso permanente da vacina —a autorização que foi dada neste domingo é temporária de uso emergencial, em caráter experimental. Superadas essas etapas, o Butantan deve produzir 100 milhões de doses de seu imunizante e a Fiocruz outras 254 milhões de doses.

Havia dúvidas quanto a data exata do da vacinação. O ministro Eduardo Pazuello chegou a cravar o dia 20 de janeiro como início da execução do plano, mas existe a possibilidade de ocorrer uma primeira aplicação em evento no Palácio do Planalto um dia antes. De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, a vacinação deve começar de forma simultânea em todas as capitais dos Estados ao mesmo tempo que os imunizantes vão sendo escoados para os demais municípios, uma operação logística complexa que envolve diferentes modais de transporte.

Os Estados e municípios se consideram prontos para iniciar a vacinação a qualquer momento. Mas detalhes dessa complexa operação logística não estão claros nem mesmo dentro do Governo. Em suma, não se sabe quando serão transportados nem quanto.


Além disso, Franco informou que o Brasil conta com 80 milhões de seringas espalhadas por Estados e municípios para iniciar a campanha de imunização. O Ministério também garante que se reuniu com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo), que se comprometeu a disponibilizar outras 30 milhões de seringas até o fim de janeiro. Além disso, houve a requisição administrativa de 60 milhões de seringas excedentes em estoques. A pasta também anunciou a redução da taxa de importação de seringas e a restrição de exportações.

O Governo orienta que os cidadãos atualizem, preferencialmente, o número do CPF ou do Cartão Nacional de Vacinação ou se cadastrem no aplicativo Conecte SUS Cidadão, de modo a facilitar a identificação no momento de vacinação e agilizar o fluxo de atendimento. Mas, na última quarta-feira, o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) divulgaram uma nota esclarecendo que o acesso à vacina não está condicionada ao cadastramento no aplicativo ou à apresentação do Cartão Nacional de Vacinação.

“Se no momento da imunização contra a covid-19 o cidadão não esteja de posse de nenhuma identificação, o estabelecimento de saúde, em sua plataforma CadSus, poderá efetuar o devido cadastro e o processo de imunização ocorrerá normalmente. Ninguém que pertence ao público prioritário da campanha, definido naquele momento, deixará de ser vacinado”, destaca a nota.


O Plano Nacional de Imunização foi concebido em 1973 e, a partir dele, o Brasil conseguiu combater a meningite e o sarampo e erradicar doenças como pólio. É a partir dessas expertise de décadas que Estados e municípios estão se preparando para o início da vacinação contra a covid-19.


Obstáculos para a vacinação

A campanha agora esbarra no atraso do Ministério da Saúde em conceber um plano.

Enquanto outros países começavam a se vacinar em dezembro, a pasta ainda não havia sequer apresentado um esboço. O Governo também foi pressionado pelos planos do governador de São Paulo, João Doria, de iniciar a imunização em 25 de janeiro no Estado e de fazer a primeira foto da vacinação no Brasil. No final, após meses menosprezando publicamente a Coronavac, acabou anunciando sua compra e distribuição no plano de imunização. O governador pretende se lançar candidato à Presidência em 2022 e é rival político de Bolsonaro.


O presidente vem apostando no “tratamento precoce” —e ineficaz, segundo a comunidade científica— contra a covid-19. Um exemplo disso ocorreu na última semana durante a visita de Pazuello a Manaus, onde lançou um aplicativo que prescreve hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina para pacientes —medicamentos não possuem eficácia comprovada contra a doença e foram rejeitados pela Organização Mundial da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Infectologia.


A campanha também esbarra nas dúvidas da população de se vacinar. Uma pesquisa Datafolha de dezembro mostrou que metade da população rejeita a Coronavac, pejorativamente chamada de “vacina chinesa”. Esse descrédito foi estimulado inclusive por Bolsonaro. O mandatário também disse em outras ocasiões que não será obrigatório se vacinar e diz que todos os imunizantes são “experimentais” e, portanto, arriscados. Na última terça, quando o Butantan anunciou a eficácia geral de seu imunizante, boa parte da tropa bolsonarista, incluindo os filhos do presidente, foram às redes sociais criticar Doria e fazer ilações sobre a vacina.

Primeira pessoa vacinada no Brasil será mulher negra e enfermeira do Emílio Ribas

A primeira pessoa escolhida para tomar a Coronavac, vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria, no Brasil, com o Instituto Butantan, é Mônica Calazans, de 54 anos. Ela é mulher, negra e enfermeira. As informações são de Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo.


Ela receberá a CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, em ato simbólico. Enfermeira do hospital Emílio Ribas, Mônica é integrante do grupo de risco da covid-19, ela é obesa, hipertensa e diabética.


Mônica mora em Itaquera, na zona leste da capital paulista, e trabalha na UTI em dias alternados, em escalas de 12 horas. O setor tem 60 leitos exclusivos para pacientes de Covid-19.


A enfermeira trabalhou como auxiliar de enfermagem por 26 anos e decidiu fazer faculdade numa fase já madura, se formando aos 47 anos.

O que é a CoronaVac?

A CoronaVac é uma vacina contra a Covid-19 que funciona a partir da utilização de vírus expostos a uma técnica que os coloca em exposição ao calor e produtos químicos para que eles não sejam capazes de evoluir. Não existe presença do vírus Sars-Cov-2 vivo na solução e, por isso, os riscos desse tipo de imunizante são menores.

Qual foi a eficácia da CoronaVac? O que isso significa?


A CoronaVac atingiu uma eficácia global de 50,38%.


Este dado não havia sido revelado até então. Na prática, ele significa que quem for imunizado tem 50,38% de chance de não ser infectado pela Covid-19.


O índice mínimo recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aprovação é 50%.

A taxa de eficácia representa a proporção de redução de casos entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado.

Para o Butantan obter esse dado, foi preciso analisar o número de casos entre os voluntários que receberam a CoronaVac e comparar com o número de infectados no grupo que recebeu um placebo — uma substância salina sem efeito no organismo.

Foram 9.242 voluntários ao todo: 4.653 receberam a CoronaVac, e outros 4.599 receberam o placebo.

Durante os testes, o grupo da vacina apresentou 85 infecções por Covid-19, correspondendo a 1,8% (85 infectados / 4.653 voluntários).


Enquanto isso, o grupo da substância salina manifestou 167 casos positivos, equivalendo a 3,6% (167 casos / 4.599 voluntários).


Portanto, ao confrontar os percentuais, chega-se ao patamar de 50,38%.

Por que a eficácia da CoronaVac foi menor no Brasil do que em outros países?
Esse ponto foi fortemente comentado pelos diretores do Butantan durante a coletiva.

Testada também em outros países além do Brasil, a CoronaVac apresentou uma eficácia global de 91,25% na Turquia, e de 65,3% na Indonésia.


A explicação para a diferença, segundo o Butantan, está no grupo selecionado para servir como voluntários. No Brasil, apenas profissionais de saúde puderam se inscrever para os testes da CoronaVac, tanto para o grupo do placebo quanto para o da vacina.

Na coletiva, Palacios explicou que a seleção dos profissionais de saúde foi proposital visto que essa população está muito mais exposta ao vírus do que outras pessoas no geral.


“O teste não é a vida real exatamente. É um teste artificial, no qual selecionamos dentro das populações possíveis, selecionamos aquela população que a vacina poderia ser testada com a barra mais alta”, afirmou Palacios. “Fizemos deliberadamente para colocar o teste mais difícil para essa vacina, porque se a vacina resistir a esse teste, iria se comportar infinitamente melhor em níveis comunitários”, completou.


O presidente do Butantan, Dimas Covas, estima que a chance de infecção nos profissionais de saúde chega a ser 5 vezes maior do que em outras classes.

Portanto, quanto mais exposta à Covid-19 está a população, mais ela tem chance de ser contaminada e, consequentemente, menor será o percentual da eficácia do teste.


Outro ponto destacado por Covas na coletiva foi o parâmetro adotado pelo Butantan para considerar a definição de caso positivo de Covid-19. Os voluntários que apresentassem os seguintes sintomas por 2 dias ou mais eram selecionados para fazer o teste de RT-PCR:

Febre ou calafrios; tosse; falta de ar; fadiga; dor muscular; dor de cabeça; perda do olfato e paladar; dor de garganta; coriza; náusea; ou diarreia.


Na avaliação de Dimas Covas, o mesmo critério para submeter o voluntário ao teste não foi adotado por outros estudos clínicos.


Como comparar a eficácia da CoronaVac com as outras vacinas?


O anúncio de um percentual pouco acima dos 50% mínimos pode levantar uma desconfiança quanto à segurança e eficácia da CoronaVac na comparação com as demais vacinas pelo mundo.


Os pesquisadores alertam, no entanto, para a imprecisão que se obtém ao comparar dois estudos diferentes.


“A gente quer comparar os diferentes estudos, mas é o mesmo que comparar uma pessoa que faz uma corrida de 1km em um trecho plano e uma pessoa que faz uma corrida de 1 km em um trecho íngreme e cheio de obstáculos”, relatou Palacios, diretor do Butantan.


Os 50,38% são abaixo dos dados acima de 90% de eficácia divulgados, por exemplo, pelas vacinas que utilizam a nova tecnologia de RNA, na qual material genético é usado para levar proteína estimulante do sistema imune ao paciente.

Contudo, a “lupa” também parece ser maior no estudo do Butantan, enquanto os demais testes também apresentaram dados que estão sendo contestados.


No caso da vacina da Pfizer-BioNTech, com 95% de eficácia geral, houve 162 infectados com Covid-19 entre quem tomou placebo e apenas 8 entre vacinados, entre 44 mil voluntários.

Só que o relatório da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aponta a exclusão de 3.410 pessoas que sofreram sintomas de Covid-19, mas não foram testados. Desses casos suspeitos, 1.594 faziam parte do grupo vacinado e 1.816, do que recebeu placebo.


A discrepância foi ressaltada em postagem de Peter Doshi, editor associado do prestigioso British Medical Journal.


A diferença entre as duas publicações é que a Pfizer fez uma exposição detalhada de seus dados, enquanto o Butantan alega que é preciso esperar a análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para tornar público um relatório com mais de 10 mil páginas.


CoronaVac: quantas doses serão produzidas para o Brasil?

Não se tem um número preciso de quantas doses da CoronaVac estarão disponíveis para o Brasil. Em setembro de 2020, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que receberia 46 milhões de doses após pagamento de US$ 90 milhões.


O número não é preciso, no entanto, porque não se sabe se o acordo citado pelo governador paulista envolve ou não os R$ 85 milhões que o governo de São Paulo afirmou, em junho de 2020, ter pago ao laboratório.


Os dois acordos não foram divulgados na íntegra para a imprensa e o grande público.

Em clima de Copa do Mundo, brasileiros vibram nas redes acompanhando votação da Anvisa

Memes proliferam no Twitter em clima de torcida durante votação técnica da Anvisa; confira os melhores


Um dos assuntos do momento no Twitter no início da tarde deste domingo, 17, é a palavra “aprovou”. O País acostumado a parar para assistir grandes finais de futebol parece ter virado todas as suas atenções neste domingo para a reunião da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que delibera, desde às 10h10, se libera o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford com a AstraZeneca. Ao menos essa é a sensação para quem entra agora na rede social.


Não está muito claro se todo mundo está entendendo todas as informações técnicas que estão sendo divulgadas, mas o pessoal está acompanhando com afinco. Logo depois que o o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, disse que recomendava a Coronavac, ato que seria repetido minutos depois para a vacina da Oxford, começaram a pipocar memes comemorativos.


Veja bem: as vacinas ainda não foram aprovadas! A decisão só será tomada após votação de todos os diretores da Anvisa. Mas imediatamente a palavra “aprovou” foi parar nos trendings topics. Parece até final de Copa do Mundo, ou apuração de notas de escolas de samba, como lembraram alguns internautas.

Voto de relatora da Anvisa aprova uso emergencial da CoronaVac

O primeiro voto da diretoria colegiada da Anvisa, da relatora Meiruze Freitas aprovou neste domingo (17) o uso emergencial da CoronaVac. O uso emergencial é considerado um experimental e temporário, até que a vacina receba o registro definitivo no país. Outros quatro votos serão declarados ainda nesta tarde.


Freitas afirmou que a Anvisa revisou seu marco regulatório e flexibilizou requisitos técnicos de maneira alinhada às recomendações internacionais e afirmou que, na avaliação do uso emergência, os benefícios devem superar seus potenciais riscos. “No contexto da pandemia e dos eventuais benefícios desta vacinação, entendo que a Anvisa deve prosseguir com o processo”, afirmou.


Esta é a primeira vez que uma reunião pública da Diretoria Colegiada da Anvisa acontece num domingo.

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