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Jornal Folha Regional

Produtores do Sul de Minas antecipam planejamento para a safra de soja 2024/25

Mercado instável, logística e clima reforçam necessidade de organização antecipada

Produtores do Sul de Minas antecipam planejamento para a safra de soja 2024/25 – Foto: reprodução

Produtores do Sul de Minas já iniciam o planejamento para a safra de soja 2024/25, mesmo com o encerramento recente do ciclo anterior. A antecipação tem sido estratégica diante de incertezas no mercado, dificuldades logísticas e riscos climáticos.

Segundo Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, o ritmo ainda lento nas decisões de compra pode gerar atrasos e pressionar os custos. “Quando os pedidos se concentram em um curto período, aumentam os riscos de gargalos na entrega e prejuízos na janela ideal de plantio”, explica.

O cenário global também exige atenção. Estoques elevados e a indefinição nas relações comerciais entre China e Estados Unidos podem impactar a demanda pela soja brasileira. Além disso, conflitos recentes como a escalada de tensão entre Irã e Israel reforçam o quanto a economia mundial é sensível a fatores geopolíticos. Situações como essa impactam o preço do petróleo, elevam custos logísticos e aumentam a volatilidade nas bolsas de commodities, o que pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro.

Para minimizar riscos, Castelli recomenda que produtores aproveitem boas oportunidades de troca e considerem operações de hedge para garantir, ao menos, a cobertura dos custos de produção.

Mesmo com avanço em tecnologia e profissionalização, os produtores ainda enfrentam fatores fora do controle. Por isso, planejamento e gestão de riscos continuam sendo fundamentais para a sustentabilidade do setor.

Qualificação estratégica fortalece a cafeicultura no Sul de Minas cursos do Sistema Faemg Senar em Paraguaçu e Botelhos preparam trabalhadores para a safra

Colheita eficiente e pós-colheita de qualidade: Sistema Faemg Senar promove capacitações em municípios mineiros com foco na excelência da produção de café

Qualificação estratégica fortalece a cafeicultura no Sul de Minas cursos do Sistema Faemg Senar em Paraguaçu e Botelhos preparam trabalhadores para a safra – Foto: divulgação

Com a colheita de café nos estágios iniciais no Sul de Minas – um momento decisivo para a produtividade e a qualidade da safra 2024/25 –, a qualificação técnica dos trabalhadores se torna uma ferramenta estratégica nas propriedades. Atento a essa demanda, o Sistema Faemg Senar, por meio do Escritório Regional de Passos e em parceria com os Sindicatos dos Produtores Rurais, vem promovendo cursos que atendem diferentes etapas da produção de café. Os municípios de Paraguaçu e Botelhos são exemplos recentes dessa atuação que reforça o compromisso com a eficiência no campo, a valorização do trabalhador rural e a qualidade do café.

Em Paraguaçu, o curso TAP (Treinamento de Aperfeiçoamento Profissional) Colhedora de Café de Arrasto – Operação de Colheita foi realizado na Fazenda Santa Cruz, referência em cafés especiais na região. A formação, ministrada pelo doutor em Agronomia Rodrigo Elias Batista Almeida Dias, capacitou 10 trabalhadores da fazenda para operar corretamente e fazer a regulagem adequada das colhedoras.

“Este curso é muito importante, pois melhora a forma dos funcionários trabalharem e a eficiência da colheita. Ele aconteceu agora, no início da colheita do café, que vai de maio a setembro, todos os anos. Nele, ensinamos a regulagem da colhedora, de acordo com o foco do Sistema Faemg Senar, que é o aluno aprender a fazer fazendo”, destacou o instrutor.

O conteúdo abordou temas como avaliação da lavoura, definição do tipo de colheita, regulagem dos equipamentos e estratégias para evitar perdas e otimizar resultados no campo. A ação integra a programação de capacitações do Sistema Faemg Senar, com o objetivo de garantir uma colheita mais segura, produtiva e tecnicamente bem executada.
Já no município de Botelhos, a atenção se voltou para a etapa seguinte: a pós-colheita, com foco na produção de cafés especiais. O curso de Pós-Colheita do Café via Seca foi ministrado por João Mateus Ferreira, tecnólogo em cafeicultura, produtor em Poço Fundo e técnico de campo no programa ATeG (Assistência Técnica e Gerencial) na região. A capacitação reuniu nove colaboradores da Fazenda São Carlos, localizada no distrito de Palmeiral.

“O foco foi ensinar técnicas para alcançar cafés de alta qualidade e também orientar sobre boas práticas no terreiro, evitando perdas que possam comprometer o resultado final”, explicou João Mateus.

Além de abordar o mapeamento dos talhões com maior potencial produtivo, o curso percorreu todas as fases do pós-colheita: terreiro, secador, estrutura de beneficiamento, com orientações práticas e aplicáveis.

“Nesse curso a gente orienta muita coisa, detalhes sobre o pós-colheita. Trabalhamos tanto o mapeamento dos talhões quanto detalhes da colheita e o processo de pós-colheita completo. A gente passa em todos os setores, orientando o produtor como fazer da melhor forma”, complementou o instrutor.

A capacitação é fundamental neste momento do ano, pois as decisões técnicas tomadas após a colheita impactam diretamente na qualidade da bebida entregue ao consumidor final.

Esses dois cursos exemplificam o esforço contínuo do Sistema Faemg Senar em promover capacitações que atendem a todas as fases da produção cafeeira — do pé à xícara. Por meio do Escritório Regional de Passos, que atende 75 municípios, são oferecidas mais de 300 modalidades de cursos para o agro, com uma média de 50 turmas por semana e mais de 20 mil pessoas capacitadas por ano. São formações técnicas que fazem a diferença levando mais conhecimento, segurança e eficiência. Paraguaçu e Botelhos são exemplos do quanto a qualificação é estratégica para o sucesso da cafeicultura mineira.

Área plantada com maçãs no Sul de Minas deve crescer mais de 40% este ano

Área plantada com maçãs no Sul de Minas deve crescer mais de 40% este ano - Foto: reprodução
Área plantada com maçãs no Sul de Minas deve crescer mais de 40% este ano – Foto: reprodução

Produzir maçãs no Sul de Minas é uma atividade recente, mas que está chamando cada vez mais a atenção dos produtores. A área plantada, que atualmente é de 7,2 hectares, deve expandir para 10,2 hectares no segundo semestre – o que representa um crescimento de quase 42%.

O aumento é explicado pela recente aquisição de 2 mil mudas de maçãs, feita em conjunto por um grupo de 20 produtores dos municípios de Arceburgo, Areado, Alfenas, Botelhos, Bom Jesus da Penha, Carvalhópolis, Cássia, Guaranésia, Guaxupé, Itamogi, Machado, Monte Santo de Minas, Paraguaçu, Poço Fundo e São Pedro da União.

As mudas, provenientes de viveiros do sul do país, chegam em julho e levarão dois anos para começar a produzir. Somente com essa nova área plantada de três hectares, é esperada uma produção de até 60 toneladas de maçã por ano, quando as árvores estiverem em pleno desenvolvimento.

O crescente interesse por frutas de clima temperado começou após a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) implantar, a partir de 2022, unidades demonstrativas em propriedades da região. A cultura da maçã chamou a atenção dos produtores pelo bom desenvolvimento que apresentou, além de possuir um amplo mercado consumidor.

Somente nas primeiras colheitas, com as plantas ainda jovens, foram produzidas 30 toneladas de maçã nas unidades demonstrativas. As variedades cultivadas – Eva e Princesa – foram desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e escolhidas por sua adaptabilidade ao clima local, com inverno menos rigoroso que o de regiões tradicionalmente produtoras de fruta, no sul do Brasil.

O projeto busca abastecer o mercado regional com o fornecimento de frutas frescas sem a necessidade de estocar com refrigeração. Uma boa opção é o atendimento a programas institucionais, voltados para a compra de produtos da agricultura familiar.

“Esses municípios têm uma grande demanda da fruta pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Então, é uma boa oportunidade para os produtores de Minas conquistarem este mercado que ainda depende da maçã vinda de outros estados”, afirma o coordenador estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio.

O técnico da Emater-MG de Guaranésia, Geraldo José Rodrigues, aponta outra vantagem da cultura. “A maçã produz fora da época da safra de café. É uma alternativa para diversificação de fonte de renda, inclusive em áreas onde não se planta café, devido às geadas. Mas é uma cultura extremamente técnica e demanda atenção especial para condução, como podas e outros tratos culturais”, explica.

Capacitação dos técnicos

De olho no aumento da área plantada na região, a Emater-MG irá promover, na próxima quinta-feira (12/6), uma capacitação para os técnicos da empresa que atuam nos municípios onde o plantio de maçãs está em expansão. O curso será ministrado por coordenadores técnicos da instituição especializados em fruticultura, Deny Sanábio e Kleso Júnior.

“Iremos orientar sobre as covas para plantio de mudas, podas iniciais e os cuidados necessários com essas plantas durante o desenvolvimento dos frutos. Vamos capacitar nossos técnicos para que possam atender esses produtores, com todas as informações necessárias sobre a cultura na região”, explica Deny Sanábio.

A capacitação abrange informações teóricas na parte da manhã e uma visita técnica a uma propriedade de Guaranésia, às 13 horas.

Brasil anuncia abertura de mercado agropecuário para 6 países

Brasil anuncia abertura de mercado agropecuário para 6 países - Foto: reprodução
Brasil anuncia abertura de mercado agropecuário para 6 países – Foto: reprodução

O governo brasileiro concluiu nesta semana dez negociações na área agrícola com seis parceiros comerciais: Bahamas, Camarões, Coreia do Sul, Costa Rica, Japão e Peru.

Segundo o Ministério a Agricultura e Pecuária (Mapa), nas Bahamas, as autoridades locais aprovaram o certificado sanitário para que o Brasil exporte carne bovina, carne suína, carne de aves e seus produtos.

Já em Camarões, foram chanceladas as compras de bois vivos para reprodução e material genético bovino pelo Brasil. De acordo com a pasta, o objetivo é que o acordo permita o fortalecimento da pecuária local, além de oferecer aos produtores brasileiros oportunidades futuras para ampliação de negócios na África.

Para a Coreia do Sul, por sua vez, foi autorizado o embarque de material genético avícola (ovos férteis e pintos de um dia). “[Essa abertura de mercado] reforça a liderança do Brasil nessa área e o reconhecimento internacional sobre a qualidade, a sanidade e a rastreabilidade do plantel brasileiro”, diz o Mapa, em nota.

Na Costa Rica, as autoridades locais autorizaram as exportações brasileiras de grãos secos de destilaria (DDG e DDGS, na sigla em inglês). Trata-se de um subproduto do etanol de milho que constitui fonte valiosa de proteína para alimentação animal.

Já para o Japão, o Brasil passará a exportar óleo de peixe e para o Peru, filé de tilápia refrigerado ou congelado. “Essa abertura poderá ampliar as oportunidades de negócio para a piscicultura brasileira, uma vez que o país andino é grande importador de pescados.”

Exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total de MG

Exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total de MG - Foto: reprodução
Exportações de produtos agropecuários atingem 46,8% do total de MG – Foto: reprodução

As exportações do agronegócio de Minas Gerais continuam registrando recordes e mantendo o setor cada vez mais à frente da mineração em termos de vendas para o exterior. No primeiro quadrimestre deste ano, o agro representou 46,8% do total das exportações do estado.

A receita gerada pela comercialização de produtos agropecuários atingiu US$ 6,5 bilhões, com um volume exportado de 5 milhões de toneladas, conforme levantamento organizado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa).

Esse resultado consolida o melhor resultado para o período da série histórica, iniciada em 1997. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, observou-se um crescimento de 26% na receita, embora o volume tenha registrado uma leve redução de 6,2%.

O governador em exercício, Mateus Simões, destaca que o desempenho do agro demonstra o tamanho do papel do campo no desenvolvimento da economia mineira e do apoio do Governo de Minas ao setor.

“Fechar o primeiro quadrimestre de 2025 com quase 47% do total das exportações vindas do setor agropecuário é um marco muito relevante para o estado, que reforça o papel do campo na geração de emprego, renda e oportunidades”, disse Mateus Simões.

Projeções em 2025

Com base nos dados do primeiro quadrimestre, e considerando o comportamento sazonal e as tendências de preço, Minas Gerais pode encerrar 2025 com exportações entre US$ 19,5 e US$ 20,5 bilhões, o que consolida o estado como um dos maiores pólos agroexportadores do Brasil. 

“Teremos uma melhor estimativa a partir do fechamento do primeiro semestre, em julho. Esse ponto de inflexão do calendário agrícola é decisivo para avaliar o comportamento das culturas durante a entressafra, bem como os impactos de variações climáticas extremas, logística portuária, conflitos geopolíticos e oscilações nos preços de insumos e de fretes internacionais”, detalhou o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes.

Minas segue como o terceiro maior estado exportador de produtos agropecuários do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo. A produção mineira foi embarcada para 160 países, com destaque para China (23%), Estados Unidos (13%), Alemanha (9%), Itália (6%) e Japão (5%).

Destaques

O café segue como o principal ator das exportações, alcançando US$ 3,9 bilhões em receita e um volume de 10 milhões de sacas comercializadas. Houve um aumento de 70% no valor e redução de 3% no volume, em relação ao quadrimestre do ano anterior. A commodity foi responsável por 60% da receita total do agronegócio mineiro.

A soja, representada pelos grãos, farelo e óleo, registrou receita de US$ 1,1 bilhão e volume de 2,9 milhão de toneladas.

As carnes tiveram aumento de receita e de volume de exportação nas três frentes: bovina, suína e de frango. Ao todo, houve um aumento de 21,4% na receita, totalizando US$ 533 milhões e 158 mil toneladas enviadas para o exterior.

A carne bovina somou US$ 374 milhões e 78 mil toneladas embarcadas, com acréscimos de 19% e 8%, na receita e volume, respectivamente. As vendas de carne suína somaram US$ 24 milhões, com um volume de 11 mil toneladas, sendo que todos os países aumentaram suas compras. O frango totalizou US$ 128 milhões, com um volume de 66 mil toneladas.

Outros produtos

Nesse quadrimestre, os produtos florestais (composto por celulose, papel e madeira) ultrapassaram a receita do complexo sucroalcooleiro e firmaram-se como o quarto principal grupo de produtos exportados do agronegócio.

A receita foi de US$ 339 milhões e volume de 559 mil toneladas. A mudança se deu pela retração dos produtos sucroalcooleiros no período, com queda de 42,5% na receita e de 38% no volume embarcado, totalizando US$ 334 milhões e 711 mil toneladas. 

Clima ajuda e colheita do café começa adiantada no Sul de Minas

Clima ajuda e colheita do café começa adiantada no Sul de Minas - Foto: reprodução
Clima ajuda e colheita do café começa adiantada no Sul de Minas – Foto: reprodução

Agricultores do Sul de Minas aproveitaram a maturação dos grãos de café que aconteceu adiantada para antecipar a colheita do café. O grande volume da safra é colhido a partir da segunda quinzena de maio, mas há propriedades que começaram o trabalho em abril.

Na propriedade do cafeicultor José Carlos Mendonça, em São Sebastião do Paraíso (MG), 20% dos 10 mil pés de café já foram colhidos.

“Devido a algumas quadra terem dado menos café, por ter dado uma seca forte no ano passado, a gente resolveu colher um pouco adiantado e aproveitar porque a mão de obra fica mais em conta nesse momento”, disse.

Apesar de alguns pé com pouca produção, ele espera colher 30% a mais que na safra passada.

“Está correndo tudo bem, está dando tudo certinho e para o ano que vem, se Deus quiser, vai ser melhor ainda”, afirmou.

Em outra fazenda, foi iniciada a colheita manual, que dá base para saber como está a maturação dos grãos.

“Primeiro a gente colhe um pouquinho para ver a maturação do café, se está no ponto da colheita. Porque nós temos café seco, temos café maduro e temos café verde. Então, essa quantidade de verde que vai me estabelecer quando que eu devo começar a colheita”, afirma o produtor Carlos Alberto Ferreira.

Este ano, ele espera colher 1,6 mil sacas de café, o dobro de 2024. A lavoura dele, plantada em uma área de 80 hectares, passa por um processo de renovação por conta da seca enfrentada no ano passado.

De acordo com o engenheiro agrônomo Ramiro Machado Rezende, vários fatores influenciam na maturação dos grãos.

“Em uma região com altitude maior, com um clima mais ameno, essa maturação é um pouco mais uniforme e mais tardia também. Quando a gente pega regiões mais quentes, mesmo no Sul de Minas, você pode acelerar um pouquinho esse processo de maturação e adiantar a colheita. O [tipo de café] mundo novo, acaiá, os catucaís têm uma maturação um pouquinho mais precoce, de precoce à média. E um exemplo de uma variedade que a gente tem plantado muito na região recentemente é o arara, que é um material mais tardio, vai demorar um pouquinho mais para chegar no ponto ideal de colheita”, explicou.

Um levantamento mostra que as regiões produtoras de café no Sul de Minas já começaram a colheita. Apenas a região da Mantiqueira deve iniciar no final de maio e começo de junho. A colheita deve seguir até setembro.

Colheita menor

Em 2024, Minas Gerais colheu 28,1 milhões de sacas de café. O Sul e o Centro-Oeste mineiros foram responsáveis por 48% desta produção.

A projeção para este ano é de uma redução de 11,7%, o que significa uma colheita de 24,8 milhões de sacas de café, das quais o Sul e o Centro-Oeste deverão produzir 46,8%.

Mesmo com participação maior no total, essas regiões deverão colher quase 2 milhões de sacas a menos do que na safra passada.

Via: G1

Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira

Como encontros de produtoras rurais tem fortalecido lideranças femininas no Agro. Em Guaxupé, mais de 600 mulheres se reuniram para debater o tema

Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira - Foto: divulgação
Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira – Foto: divulgação

A cafeicultura brasileira está sendo protagonista de uma transformação importante: o fortalecimento da presença feminina na gestão e nas decisões estratégicas. Em regiões tradicionalmente reconhecidas pela produção de café, as mulheres não apenas contribuem com a lida diária, mas assumem papéis cada vez mais centrais na condução das propriedades e no futuro do setor.

Quando falamos de agronegócio em geral, ou seja, todas as atividades relacionadas à agricultura, pecuária e agroindústria no país, vemos um cenário de crescente protagonismo feminino. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres administram cerca de 30 milhões de hectares no Brasil – o equivalente a 8,5% da área total ocupada por sítios e fazendas. Além disso, elas estão à frente de quase 1 milhão de estabelecimentos rurais (exatamente 947 mil, segundo o IBGE), o que representa aproximadamente 19% do total nacional.

Já quando olhamos especificamente para a cafeicultura, o Censo Agropecuário do IBGE de 2017 aponta que as mulheres estão à frente de mais de 40 mil estabelecimentos agrícolas dedicados ao café, representando 13,2% do total de propriedades cafeeiras do país.

Em Minas Gerais, esse protagonismo feminino é mais evidente na cafeicultura. Embora não haja um número oficial específico para a cafeicultura no estado, análises do IBGE, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) mostram que, dos 594 mil hectares cultivados por mulheres no Sudeste, 65,7% estão localizados em Minas Gerais. Esses números consolidam o estado como referência nacional no protagonismo feminino na cafeicultura.

Assim, enquanto o agronegócio brasileiro avança com a liderança das mulheres em diferentes cadeias produtivas, a cafeicultura se destaca como um dos setores em que essa presença feminina é especialmente forte e transformadora.

A valorização e o fortalecimento das mulheres no agronegócio mineiro vêm sendo impulsionados por uma série de eventos realizados em todo o estado, que estimulam capacitação, proporcionam networking e o reconhecimento das produtoras rurais, especialmente das cafeicultoras de Minas Gerais.

No Sudoeste de Minas, um exemplo marcante é o Encontro de Produtoras Rurais de Guaxupé, São Pedro da União e região, que, pelo terceiro ano consecutivo, tem sido um sucesso de público e um exemplo inspirador de valorização da mulher no campo. A edição de 2025, realizada no último dia 26 de abril, no Sítio Jaboti, reuniu mais de 600 mulheres do campo, consolidando o evento como uma verdadeira rede de apoio, troca de experiências e fortalecimento da liderança feminina no agro.

Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira - Foto: divulgação
Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira – Foto: divulgação

A programação diversificada incluiu palestras sobre liderança, gestão rural, sustentabilidade e inovações no agronegócio, além de estandes com produtos e serviços voltados ao público feminino rural, proporcionando um ambiente de aprendizado e acolhimento.

Realizado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Guaxupé, com apoio do Sistema Faemg Senar, Emater, Cooxupé, prefeituras de Guaxupé e São Pedro da União, além de instituições financeiras e entidades ligadas ao agronegócio, o evento contou com a presença de diversas de lideranças do agro e autoridades políticas: o prefeito de Guaxupé, Jarbas Corrêa Filho, e do prefeito de São Pedro da União, Ronaldo Tijolo; a deputada federal Greyce Elias; e dos deputados estaduais Antônio Carlos Arantes, Carol Caran e Cássio Soares.

A Agente de Desenvolvimento Rural Maria José Cyrino, responsável pela organização do evento e mobilização das produtoras, destacou o compromisso em dar visibilidade e suporte às mulheres do agro: “Nosso objetivo é sempre mostra o valor das produtoras rurais, mostrando a elas que não são invisíveis e suas funções dentro da propriedade fazem toda diferença”.

A proprietária do Sítio Jaboti, Alice Fukumoto Queiroz, que é cafeicultora, ressaltou: “Nós já estamos no terceiro encontro das produtoras rurais, e eu acho esse encontro muito importante para valorizar as mulheres do campo. Todas são produtoras, todas ajudam na colheita, no terreirão. Temos que valorizar as mulheres.”

O presidente do Sindicato, Mário Guilherme Perocco Ribeiro do Valle, o Maé, também reforçou a importância de criar espaços de valorização feminina: “O papel do sindicato rural é promover essa experiência, é fazer esse congraçamento, é trazê-las para perto da gente, é mostrar para as mulheres a sua importância. E isso é um trabalho que nós, os sindicatos, junto com a Faemg e o Senar, já estamos fazendo há muito tempo. É importantíssimo nesse mundo de hoje.”

A capacitação como alavanca para o avanço das mulheres no agro

Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira - Foto: divulgação
Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira – Foto: divulgação

Embora o protagonismo feminino no campo não seja mais novidade, a capacitação continua sendo a chave para garantir que as mulheres conquistem visibilidade, autonomia e segurança em suas atividades. A engenheira agrônoma Silvana Novaes, do Sistema Faemg Senar, sublinha a importância da formação contínua: “Escutamos muito que o lugar da mulher é onde ela quiser, mas ela só vai conseguir estar onde ela quiser se ela se capacitar para isso.”

Por meio de programas como o Faemg Mulher, o Sistema Faemg Senar tem criado oportunidades de qualificação e fortalecido redes de apoio para as mulheres do agro. Segundo Silvana, a força do programa está na conexão entre as participantes e nas possibilidades de desenvolvimento com suporte institucional do Sistema Faemg Senar, que, através dos Sindicatos dos Produtores Rurais, oferece gratuitamente e durante todo o ano, cursos importantes para capacitar produtoras rurais nas mais diversas cadeias produtivas do agro, entre elas, a cafeicultura: “É uma rede viva e crescente de lideranças para que o agro se torne cada vez mais forte e competitivo.”

A segurança das mulheres rurais foi tema de destaque com a presença da delegada Mireli Léa Mafra, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Guaxupé, que ressaltou o compromisso da Polícia Civil: “A Polícia Civil, a Delegacia Rural e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher estão juntas com a mulher do campo, para que haja segurança em todos os ambientes. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher cuida da mulher no âmbito doméstico e familiar e a Delegacia Rural dos crimes relacionados a furtos e roubos na zona rural. É preciso fortalecer a mulher, para que ela possa trabalhar na terra e com segurança em todos os ambientes. É muito importante que a polícia e as forças de segurança estejam presentes nesses eventos”

A presença da mulher no agro é um caminho sem volta. Com capacitação, valorização e redes de apoio, elas ocupam cada vez mais espaços no campo. O lugar da mulher é onde ela quiser – e cada vez mais, elas sabem onde devem estar: na liderança da cafeicultura, fortes, competentes e cheias de futuro.

Depoimentos das participantes do 3º Encontro das Mulheres da Zona Rural de Guaxupé, São Pedro da União e Região:

Durante o 3º Encontro de Produtoras Rurais de Guaxupé, São Pedro da União e região, participantes de diferentes realidades compartilharam experiências, ideias e perspectivas:

Letícia Helena de Oliveira Faria – São Pedro da União: 

“Eu sou produtora rural e acho muito importante. Deveria ter mais vezes em outra cidade também, porque é uma forma das mulheres aparecerem mais no negócio. A mulher sempre está presente, mas sempre está esquecida também. Então eu espero que isso aí seja exemplo para outra cidade, fazer um evento assim, mostrando a importância da mulher na agricultura.”

Flávia Ananias – Guaxupé:

“Esse evento é maravilhoso para nós, mulheres. Mesmo não sendo agricultora, me sinto acolhida e inspirada. Já é o terceiro ano que participo e espero continuar vindo sempre. Os temas abordados são incríveis, nos fazem refletir e aprender. Quem sabe, no futuro, eu também não me torne agricultora.”

Regina dos Reis Salles – São Pedro da União:

“É muito bom estar com o pessoal, escutar o que falam. Minha filha trabalha na roça, então entende um pouco dessas coisas que foram faladas. Eu acho muito bom.”

Melhoramento genético impulsiona qualidade e produtividade do café de Minas Gerais

Melhoramento genético impulsiona qualidade e produtividade do café de Minas Gerais - Foto: reprodução
Melhoramento genético impulsiona qualidade e produtividade do café de Minas Gerais – Foto: reprodução

Minas Gerais se destaca na produção de café do Brasil, e o segredo do sucesso está na combinação de clima favorável, dedicação dos produtores e aplicação da ciência.

Pesquisas conduzidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e universidades, mostram que o desenvolvimento de novas cultivares é responsável por saltos de produção e sabores particulares. Entre elas, destacam-se os estudos em melhoramento genético do cafeeiro, que desenvolveram cultivares adaptadas para os diferentes sistemas de produção da cafeicultura mineira.

O pesquisador em cafeicultura da Epamig, Gladyston Carvalho, explica que as pesquisas buscam gerar conhecimento para o cafeicultor e oferecer, por meio da genética do café, aumento de produtividade e transformação no sistema produtivo.

“São 587 municípios cultivando café, somos o maior produtor de café do Brasil, detemos média de 50% da área cafeeira e 40% da produção nacional. São muitos produtores que dependem da cultura e da pesquisa agropecuária”, justifica.

​Também pesquisador da Epamig, Vinícius Andrade relembra que a área de plantio de café no Brasil não registrava grande crescimento. No entanto, a produtividade aumentou significativamente desde a década de 1980.

“A média, que era de sete sacas por hectare, agora atinge de 25 a 30 sacas por hectare”, compara. Ele complementa que as pesquisas também têm por objetivo manter o cafeicultor na atividade, bem remunerado, além de criar condições para a sucessão familiar, mantendo a tradição de uma das culturas mais relevantes para o Brasil.

Pesquisas em genética

Décadas de pesquisas científicas alçaram Minas Gerais ao patamar de maior produtor de café do Brasil. Topázio MG1190, MGS Paraíso 2, MGS EPAMIG 1194, MGS Aranãs e MGS Ametista são nomes de algumas das cultivares desenvolvidas para as condições do estado e que vêm potencializando a produtividade, o vigor e a qualidade do café mineiro. Ao todo, a Epamig já registrou mais de 20 cultivares.

Como nasce uma cultivar

O processo de desenvolvimento de uma nova cultivar leva de 20 a 30 anos. A técnica envolve a hibridação, que cruza características desejadas de diferentes plantas. Nos primeiros 12 anos, as pesquisas ocorrem em campos experimentais, e só depois de testadas em diversos ambientes as cultivares são registradas e recomendadas para uso.

A Epamig desenvolveu um projeto robusto de avaliação de cultivares de café na região do cerrado mineiro entre 2016 e 2022. Com o apoio da Federação dos Cafeicultores do Cerrado e do Consórcio Pesquisa Café, foram instaladas unidades demonstrativas em propriedades de produtores parceiros.

Pelos resultados obtidos, foram identificadas cultivares com maior potencial para a região. “Com essa experiência de sucesso, avançamos para o projeto de validação de cultivares de cafeeiros e transferência de tecnologias para as regiões cafeeiras de Minas Gerais”, conta Gladyston.

Atualmente, os estudos continuam em todo o estado, subsidiando tecnicamente a renovação do parque cafeeiro mineiro. Com o avanço da ciência e da tecnologia, Minas segue consolidando sua posição como referência mundial na produção de café de excelência.

Produção na prática

Alexandre Vilela é a quarta geração de produtores de café na família. No Sítio Refazenda, em Nepomuceno, Sul de Minas, ele apostou na reestruturação das lavouras com a introdução de novos materiais genéticos.

“Nós acreditamos na ciência e, quando a gente observa as pesquisas, os materiais da Epamig têm entregado bastante. Dentre essas renovações que temos aqui, Catiguá MG2, MGS Aranãs e MGS Paraíso 2 entraram para nossa realidade com maior produtividade e qualidade”, relata.

Safra de soja e milho sofre impacto de seca inesperada e calor extremo

Condições climáticas fora das previsões afetam produtividade e preocupam setor agrícola

Safra de soja e milho sofre impacto de seca inesperada e calor extremo - Foto: reprodução
Safra de soja e milho sofre impacto de seca inesperada e calor extremo – Foto: reprodução

A reta final da safra de soja e o plantio do milho safrinha enfrentam desafios significativos devido à seca intensa e temperaturas elevadas, não previstas pelos principais órgãos meteorológicos. Esse cenário tem gerado perdas inesperadas para os produtores, especialmente na região do Sul de Minas.

A principal consequência desse clima adverso tem sido o prejuízo na fase de enchimento de grãos da soja, momento crucial para a definição da produtividade. Segundo Castelli, a falta de umidade e o calor excessivo fazem com que as plantas abortem algumas vagens e reduzam o tamanho dos grãos, o que impacta diretamente no rendimento das lavouras.

O diretor comercial da Agrobom, Marco Castelli, destaca os impactos que já estão sendo sentidos no campo. “Já observamos perdas de 20% a 25% em áreas nessa fase. Além disso, as lavouras que já estão sendo colhidas enfrentam outro problema: a umidade dos grãos está muito abaixo do ideal, que seria 14%. Temos áreas sendo colhidas com 10%, até 8% de umidade, o que torna os grãos mais leves e compromete a produtividade final”, explica.

Além da soja, o milho safrinha também está sendo afetado. Como essa cultura está na fase de implantação, as áreas plantadas antes do período de estiagem já demonstram sinais de perda de produtividade. Outro fator preocupante é que, em muitas regiões, o plantio foi interrompido devido à seca, comprometendo a chamada “janela ideal” para o cultivo.

“Cada dia de atraso no plantio do milho safrinha significa perda de produtividade futura. Com a seca, muitas áreas tiveram que paralisar o plantio, e isso pode impactar significativamente o resultado da safra”, alerta Castelli.

A situação exige atenção dos produtores e acompanhamento contínuo das condições climáticas para avaliar possíveis estratégias de mitigação dos danos. Com as perdas já constatadas, o setor agrícola segue atento aos próximos desdobramentos dessa safra desafiadora.

Após 18 anos, doença da banana é identificada em plantação no interior de Minas

Secretaria de Agricultura prevê adoção de medidas rigorosas de controle sanitário, mas diz que ressurgimento da doença não representa um risco imediato para a produção

Doença da banana é identificada em plantação no interior de Minas - Foto: reprodução
Doença da banana é identificada em plantação no interior de Minas – Foto: reprodução

Um foco de Sigatoka Negra, doença provocada por fungos que compromete a produtividade das plantações de banana, foi identificado em uma propriedade em Jaíba, no Norte de Minas Gerais, informou a Secretaria de Agricultura do Estado na terça-feira. Não existe risco para a população relacionada ao consumo da fruta.

A descoberta foi realizada durante uma fiscalização de rotina do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O maior dano provocado pela praga, se não for controlada adequadamente, é a morte prematura das folhas, que causa redução da área foliar, e leva a perdas na produtividade e qualidade do plantio.

A consequência para a planta acometida pela doença é a diminuição do número de pencas por cacho, redução do tamanho do cacho e maturação precoce dos frutos no campo ou mesmo durante o transporte. O último caso de Sigatoka Negra em áreas de grande produção de bananas em Minas havia sido registrado em 2007.

Segundo a Secretaria de Agricultura, todas as medidas de contenção já foram definidas em parceria com o IMA, além da pasta de Pecuária e Abastecimento (Seapa), com anuência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e serão implementadas imediatamente.

“O surgimento deste foco reforça a necessidade de medidas rigorosas de controle sanitário, mas não representa um risco imediato para a produção de banana no estado”, diz o comunicado da Secretaria.

Eles acrescentam que todos os produtores de banana do município deverão aderir ao protocolo de mitigação de riscos disponível no site do IMA ou nos escritórios regionais. Aqueles que não o fizerem, sofrerão restrições sanitárias, e serão impedidos de comercializar as frutas. Também haverá fiscalização de trânsito de cargas.

Veja outras medidas sanitárias que estão sendo adotadas:

  • Levantamento fitossanitário no raio de 1 km da propriedade afetada, com inspeção de 100% das áreas produtivas;
  • Monitoramento ampliado em um raio de até 10 km, abrangendo pelo menos 50% das propriedades bananicultoras;
  • Notificação dos produtores da região, que devem aderir ao Sistema de Mitigação de Riscos da Sigatoka Negra;
  • Verificação e atualização dos cadastros das Unidades de Produção (UPs) para garantir o mapeamento das áreas de cultivo;
  • Reunião com responsáveis técnicos (RTs) que emitem Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) para reforçar os protocolos de segurança sanitária;
  • Fiscalização intensificada no trânsito de cargas e caixarias, a fim de evitar a propagação da doença para outras regiões;
  • Toda e qualquer plantação de banana abandonada na região será eliminada, conforme prevê a legislação sanitária vigente;
Jornal Folha Regional
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