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Jornal Folha Regional

Ministério da Saúde deve anunciar nesta quinta verba milionária para reduzir filas no SUS em 90 dias

Fachada do Ministério da Saúde na Esplanada dos Ministérios

O Ministério da Saúde deve anunciar nesta quinta-feira (26), aporte milionário para Estados e municípios aumentarem o número de cirurgias, exames e consultas e, assim, reduzirem a fila de espera por procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), ação que deve ser uma das bandeiras dos primeiros cem dias da gestão Lula.

Segundo Wilames Freire, presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais da Saúde (Conasems), o valor acordado nas reuniões até agora entre ministério e representantes das secretariais estaduais e municipais de saúde é de um aporte federal de R$ 600 milhões nos próximos 90 dias e mais R$ 3 bilhões para o restante dos quatro anos.

O valor do investimento e outros detalhes estarão definidos na portaria que instituirá o Programa Nacional de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas, Exames Complementares e Consultas Especializadas, a ser apresentada e aprovada pelas três instâncias governamentais na primeira reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do SUS sob a nova gestão ministerial, marcada para a manhã desta quinta.

“Estamos trabalhando com uma portaria para 90 dias. A proposta apresentada é para, nesse primeiro momento, ter algo em torno de R$ 600 milhões para os Estados e municípios trabalharem. Isso é o que foi acertado e o que o ministério deve anunciar. Posteriormente aos 100 primeiros dias de governo, vamos trabalhar uma proposta para os quatro anos. A ideia é que tenhamos R$ 3,5 bilhões para, em quatro anos, executarmos e acabarmos com a fila”, disse o presidente do Conasems ao Estadão.

Ele afirmou que, pelo que vem sendo combinado entre ministério, Estados e municípios, a portaria dará liberdade para os governos locais usarem o valor para ampliar o número de procedimentos feitos na sua própria rede ou firmar parcerias com a iniciativa privada ou instituições filantrópicas como as Santas Casas para aumentar o número de procedimentos ofertados.

“A portaria dá liberdade aos Estados para, junto com os municípios, debaterem as prioridades. Se a secretaria quiser conveniar com a iniciativa privada, cabe a ele definir isso. O Ministério, junto com Conass (conselho dos secretários estaduais de Saúde) e Conasems, vai destinar os recursos financeiros e dar as diretrizes nacionais para os Estados e municípios fazerem”, diz Freire.

Ele afirma que uma das diretrizes nacionais discutida e que deverá constar na portaria é a de pagamento de até três vezes o valor da tabela SUS (dinheiro pago pelo governo para que uma instituição privada ou filantrópica faça um procedimento) para algumas cirurgias. “A cirurgia de catarata vai ser o valor único da tabela do SUS. Para as demais cirurgias, poderá ser pago uma, duas ou três vezes a tabela do SUS”, afirmou. A defasagem dos valores da tabela SUS é uma das principais críticas de gestores do setor.

Os municípios defendem que parte do valor repassado possa ser usado não só para o custeio direto dos procedimentos, mas para a estruturação de unidades de saúde que possam realizá-los. “Grande parte das cirurgias eletivas é nos municípios, em especial nas capitais e nos municípios de médio porte. Estamos discutindo com o ministério para que, nesse primeiro momento, tenhamos recursos também para implementar os serviços. Precisamos adquirir insumos, recrutar nossos trabalhadores, formar equipes, preparar as salas de cirurgia porque muitos centros cirúrgicos estão desativados”, afirma Freire.

O Conasems não tem estimativa de quantas pessoas estão na fila de espera por procedimentos eletivos no SUS nem quantos procedimentos deverão ser realizados com o aporte de R$ 600 milhões. “Isso vai depender da capacidade instalada de cada Estado”, afirma. Conforme informações reveladas em dezembro, o Conass estima que, durante a pandemia, cerca de 13 milhões de exames e cirurgias (hospitalares e ambulatoriais) deixaram de ser feitas, o que dá um indicativo do tamanho da demanda reprimida.

Questionada sobre detalhes da portaria, a ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima, afirmou que eles serão apresentados durante a reunião da CIT.

Vacina contra Covid-19 será anual para grupos de risco

A nova secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, afirma que a vacina contra a Covid-19 será incorporada ao calendário anual do governo para pessoas do grupo prioritário —como idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde.

No governo de Jair Bolsonaro (PL), a vacina não fazia parte do calendário anual de vacinação e foi incorporada apenas ao PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19).

A população deve ser convocada para receber as doses junto com a imunização contra a gripe. A intenção é que isso ocorra a partir de abril, dando prazo para organizar a estratégia do governo nos primeiros 100 dias.

“Agora, efetivamente, a Covid entra no nosso Departamento de Imunização. O ministério acabou de receber uma compra grande de doses que, a princípio, daria para cobrir esses grupos prioritários”.

“A ideia é que a campanha siga os mesmos grupos prioritários da gripe, que são os mais vulneráveis, como os profissionais de saúde, imunossuprimidos, idosos. A princípio, será uma dose de reforço com a vacina bivalente”, afirma.

Ethel diz que a pasta terá entre as prioridades o aumento da cobertura de todas as imunizações, e que a comunicação terá papel central para reverter a resistência da população. O ceticismo em relação às doses cresceu nos últimos anos, estimulado também pelo então presidente Bolsonaro.

“A gente tem o maior programa de imunização do mundo e sempre fomos exemplo. Infelizmente, estamos saindo dessa pandemia com essa imagem… acho que dizer ‘arranhada’ é muito pouco. A comunicação, sem dúvidas, vai ser central neste governo para que a gente possa recuperar a confiança [na vacinação]”, disse.

A imunização infantil estava em queda antes da gestão de Bolsonaro, mas o quadro se agravou. Levantamento do Observatório de Saúde na Infância mostra que a vacina contra a poliomielite, por exemplo, foi aplicada em 74,84% da população-alvo em 2021, sendo que o percentual em 2018 era de 88,33%. Até novembro de 2022, ficou em 71,97%.

A estratégia do Ministério da Saúde é fazer parceria com outras pastas para conseguir atingir os índices necessários. Por exemplo, trabalhando em escolas e colocando a imunização novamente como um condicionante para receber recursos de programas sociais.

Além disso, a nova ministra da Saúde, Nísia Trindade, já determinou que o PNI (Programa Nacional de Imunização) se tornará um departamento, ganhando mais relevância no novo governo.

Outra medida é restabelecer o diálogo com os municípios e os estados para que a vacinação caminhe junto em todos os estados.

Ethel é a primeira mulher a ocupar essa secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.

Professora do Departamento de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), Ethel era a primeira da lista tríplice para ocupar o cargo de reitora da instituição—mas Bolsonaro escolheu outro nome para o cargo.

Assim como Ethel, Nísia é a primeira mulher a chefiar o ministério da Saúde e ingressa no momento em que o governo de transição vê um desmonte histórico no SUS, com perda de recursos, queda na cobertura vacinal e falta de coordenação com estados e municípios.

Saúde estadual repassa mais de R$ 230 milhões para Unidades de Pronto Atendimento de Minas

De janeiro a dezembro de 2022, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Minas Gerais absorveram 39% da demanda de urgência e emergência no estado. Esse dado, extraído do Sistema de Informação Tabwin, demonstra a importância desse serviço para os atendimentos de média complexidade.

Tendo esse contexto por base e para qualificar ainda mais o atendimento resolutivo nas UPAs do estado, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) aumentou, por meio da resolução 8.348/2022, o valor do repasse destinado ao custeio e manutenção das unidades.

O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, explica que “a ideia é pensar à frente, para que os municípios possam se preparar para o período sazonal de doenças respiratórias, que costuma se iniciar em março. Por isso, serão repassados mensalmente R$ 19.378.000,00, totalizando R$ 232.536.000,00 por ano. Ou seja, até quatro vezes o valor historicamente enviado pelo estado, para o custeio das UPAs”, destaca.

O recurso para custeio das UPAs, que começou a ser repassado aos municípios já em novembro, será liberado quadrimestralmente e poderá ser destinado, por exemplo, à contratação de pediatras e médicos clínicos.
 

UPAs em Minas

Fábio Baccheretti explica, ainda, que “atualmente há 67 UPAs 24 horas em Minas Gerais e todas elas recebem incentivo financeiro do estado. A gestão dessas unidades prevê financiamento compartilhado com recursos dos governos federal, estaduais e municipais”, detalha.

A Unidade de Pronto Atendimento é um serviço de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), de complexidade intermediária, que conta com equipes multiprofissionais para atendimento aos usuários. E para possibilitar o bom funcionamento de toda a rede assistencial, a sua atuação acontece de forma articulada a outros serviços, como o Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), a Atenção Domiciliar e a Atenção Hospitalar.

Dentre as diretrizes da UPA, estão o funcionamento 24 horas e em todos os dias da semana, incluindo feriados, e o acolhimento aos pacientes e seus familiares em situação de urgência e emergência, com a prestação de atendimento resolutivo e qualificado sempre que buscarem o serviço.

Brasil bate recorde anual de mortes por dengue em 2022

O Brasil chegou a 987 mortes por dengue este ano, segundo boletim divulgado na última segunda-feira (26) pelo Ministério da Saúde. O número é o novo recorde anual de óbitos pela doença, superando o maior patamar anterior, de 986 mortes, registrado em 2015.

Desde a década de 1980, quando a dengue ressurgiu no País, não se registraram tantas mortes em um único ano.

Como o levantamento considerou os casos registrados até o último dia 17 e ainda há 100 óbitos em investigação, o País ainda pode fechar o ano de 2022 com mais de mil mortes por dengue.

Total de mortes por dengue no Brasil

  • 2008: 561
  • 2009: 341
  • 2010: 656
  • 2011: 482
  • 2012: 327
  • 2013: 674
  • 2014: 475
  • 2015: 986
  • 2016: 701
  • 2017: 185
  • 2018: 201
  • 2019: 840
  • 2020: 574
  • 2021: 246
  • 2022: 978

As mortes este ano já superam em mais de 400% as registradas em todo o ano de 2021, quando houve 244 óbitos.

O Estado de São Paulo se mantém à frente em número de mortes, com 278 óbitos registrados, seguido por Goiás, com 154.

Os cinco estados com mais mortes por dengue em 2022

  • São Paulo: 278
  • Goiás: 154
  • Paraná: 108
  • Santa Catarina: 88
  • Rio Grande do Sul: 66

Em uma evidência de que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, está se adaptando aos climas mais frios, os Estados da Região Sul aparecem na sequência, completando a lista dos cinco com maior número de mortes: Paraná (108), Santa Catarina (88) e Rio Grande do Sul (66).

Mais casos de dengue

O número de casos prováveis de dengue chegou a 1.414.797, com taxa de incidência de 663,2 por 100 mil habitantes. Houve aumento de 163,8% em relação aos casos do mesmo período de 2021. A região Centro-Oeste teve a maior incidência até agora, com 2.028,4 por 100 mil habitantes. O município brasileiro com mais registros é Araraquara, no interior de São Paulo, com 8.716,1 casos por 100 mil moradores. Já em número absoluto, Brasília lidera com 68.654.

Pouca prevenção

Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), os números indicam que houve descuido com a prevenção da doença. “Ainda nem acabou a contagem, pois tem dados represados e 100 óbitos em investigação, e já batemos o recorde histórico de mortes por dengue em um ano. Ultrapassamos também 1,4 milhão de casos. Com certeza é o pior ano da dengue em todos os aspectos e isso não aconteceu por acaso. Faltou ação do governo federal em prevenção”, disse.

O número baixo de casos no ano passado, segundo ele, pode ter contribuído para que a população relaxasse nos cuidados básicos, como a eliminação de criadouros do Aedes aegypti, o mosquito transmissor.

“Dengue é uma luta contínua, é preciso mostrar que a doença mata e isso se faz com campanhas. Em abril deste ano, nós da Sociedade Brasileira de Infectologia fizemos o primeiro alerta para o grande número de óbitos e a necessidade de retomar as campanhas. Não foi por falta de aviso.”

Segundo ele, a condição climática também contribuiu para o aumento de transmissão.

“Estamos vivendo um ano mais chuvoso por conta do fenômeno La Nina e o mosquito Aedes aegypti precisa de água e calor para se reproduzir. Outra questão é que, por conta do aquecimento global, o mosquito vai expandindo suas fronteiras, reproduzindo onde antes não aparecia. Não é à toa que temos um grande número de casos e de óbitos nos estados da Região Sul.”

Mais chikungunya

O infectologista chamou a atenção para o aumento de casos e mortes por chikungunya, doença também transmitida pelo mosquito. “Isso indica que o Aedes ficou livre e solto para se reproduzir por falta de uma ação mais efetiva de controle.”

Até 17 de dezembro, foram confirmados 93 óbitos por chikungunya no Brasil, quase sete vezes mais que as 14 mortes de todo ano de 2021. O País já registrou 172.082 casos prováveis, 78% a mais do que no mesmo período de 2021.

O Ministério da Saúde informou que monitora de forma constante a situação epidemiológica da dengue e das demais arboviroses no Brasil.

A pasta destacou que investe em ações de combate ao mosquito de forma permanente, como a promoção de campanhas que ajudam a orientar a população sobre a prevenção da doença, distribuição de inseticidas e larvicidas aos Estados e municípios, bem como a realização periódica de reuniões com gestores para avaliação do cenário nacional e estratégias de combate.

Com verão, prevenção ao Aedes aegypti deve ser reforçada

A transmissão de doenças como dengue, Zika e chikungunya ganha impulso no período do verão, que começou na quarta-feira (21). A combinação de calor e chuvas promove o ambiente ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor das doenças.

Os ovos do inseto podem permanecer em ambientes secos por mais de um ano. Quando entram em contato com a água, dão continuidade ao ciclo de vida do mosquito que inclui as fases de larva, pupa e adulto, quando ele é capaz de voar e transmitir os vírus.

Do ovo à fase adulta, o ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti leva de sete a dez dias. Por isso, a intervenção semanal pode interromper esse processo e diminuir significativamente a incidência das doenças.

“Cada fêmea pode colocar até 1.500 ovos, por isso é importante olhar a casa com ‘olhos de mosquito’, procurando todo e qualquer local que acumule água e possa ser usado para reprodução do vetor”, afirma Denise Valle, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Qualquer recipiente que permita o acúmulo de água parada pode se tornar um foco em potencial para a reprodução do Aedes aegypti. Pneus, vasos de planta, caixa d’água, bandeja da geladeira, calhas, galões, baldes, garrafas e entulho estão entre os principais criadouros do mosquito.

‘Desvacinação’: tratamento falso é vendido para reverter efeitos da vacina contra a Covid-19

“Paciente contou que na cidade dela, interior de Minas, tem médico fazendo ‘desvacinação’. Isso mesmo.O foco é gente rica que foi obrigada a se vacinar pra viajar pra fora”. O relato apareceu no consultório da médica Júlia Rocha, que compartilhou a denúncia em seu perfil no Twitter.

A receita para reverter o efeito da vacina contra Covid-19 seria uma alta dosagem de vitamina D3, 100.000 UI por dia, durante três dias, mais uso de ivermectina. Porém, segundo especialistas ouvidos pelo O Tempo, a promessa é falsa. “Isso simplesmente não existe. Não existe qualquer evidência de que algo assim possa anular o efeito da vacina. É puro charlatanismo”, afirma Júlia. A médica explica que a resposta imunológica é gravada como uma memória das células de defesa, sendo, portanto, impossível reverter.

“O que pode ocorrer é que com o tempo a gente venha a precisar de doses de reforço. As novas doses funcionam como um novo estímulo ao sistema imune para que ele se mantenha capaz de reagir de forma eficiente caso ele detecte a presença do vírus. Um outro ponto são as mutações que podem fazer com que o vírus escape da imunidade conferida pela vacina, mas esta história de desvacinar simplesmente não existe”, afirma a médica.

O infectologista Estevão Urbano também rejeita a hipótese. “É um procedimento absolutamente sem qualquer embasamento científico, que não tem qualquer reação sobre a ação da vacina. E se tivesse seria péssimo. Porque as pessoas estariam voltando ao estágio de não vacinação que é o grande problema ”, afirma o médico.

Urbano destaca que esta é só mais uma informação falsa de remédio que não funciona e ressalta a importância da vacinação no controle da pandemia. “Se a gente comparar os índices de morte antes e depois da vacinação, vamos ver que a vacina salvou aí milhões de pessoas”, comenta.

Alerta de riscos

Para os especialistas, além de não ter efeito reverso para a vacina, a alta dosagem de vitamina e qualquer outro  medicamento pode trazer sérios riscos à saúde. “A ivermectina pode gerar comprometimento do fígado a depender da dose e da frequência de uso”, adverte Júlia. 

A médica explica que a dose de vitamina D considerada tolerável para adultos saudáveis é de cerca de 4.000 UI por dia, mesmo assim, com o paciente sendo monitorado de perto. “Os relatos documentados mostram que mais de 60.000 UI diárias podem ocorrer aumento das taxas de cálcio no sangue, confusão mental, entre outras coisas. Se esse uso se mantém por muitos dias, os riscos aumentam ainda mais”, alerta a profissional de saúde.

“Há que se considerar que, quando há uma doença a ser tratada, muitas vezes nos mantemos a prescrição mesmo sabendo da possibilidade de reação adversa porque o risco de obter aquele benefício valendo risco de alguma possível reação. Mas quando se toma uma medição desta sem nenhuma necessidade, o que sobra é o risco de dano à saúde”, ressalta Rocha.

Estevão Urbano destaca ainda que, do ponto de vista médico, a prescrição de tratamentos sem embasamento científico é proibida.“Se isso for escrito por médico, com carimbo e com esse objetivo pode gerar até processo disciplinar no conselho regulador da profissão”, afirma Urbano.

Recém-nascidos e prematuros da UTI Neonatal do Hospital da Mulher e da Criança na Santa Casa de Passos já estão no clima festivo para o Natal

Foto: Ascom Santa Casa de Passos

Atualmente a UTI Neonatal integra a estrutura multidisciplinar do Hospital da Mulher e da Criança (HMC), uma estratégia da Santa Casa de Passos (MG), para oferecer um alto nível de qualidade em saúde do grupo materno-infantil, e abranger pilares como o pré-natal, aleitamento materno e, por fim, saúde da mulher e da criança.

A ação de mobilização busca chamar atenção para a questão da prematuridade, além de que esses momentos de humanização tornam o internamento mais leve, criando um vínculo afetivo e de acolhimento das mamães e seus bebês com a equipe multiprofissional.

Filho de dr. Walter Alvarenga é o novo membro da equipe de cardiologia da Santa Casa de Passos

Foto: Arquivo pessoal

Um dos mais respeitados médicos cardiologistas do Brasil é o dr. Walter Alvarenga, que há anos atua como médico do coração em Passos e toda região.

Walter, que é o Diretor de Cardiologia da Santa Casa de Passos (MG), recentemente foi homenageado e recebeu seu no na UTI Coronária na instituição de saúde.

O médico é casado e tem um casal de filhos, sendo a dra. Tassiane Alvarenga, que é uma endocrinologista conhecida nacionalmente e Renan Cintra Alvarenga Oliveira que é cardiologista e durante esta semana foi anunciado pelo diretor clínico da Santa Casa dr. José Ronaldo, como o mais novo membro da equipe de cardiologia.

Renan estudou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), atuou por anos como clínico geral e fez residência em cardiologia. O médico chega com uma vasta experiência adquirida ao longo de sua formação e trabalhos.

Profissionais da saúde e figuras publicas serão homenageados no evento “Expoente da Saúde” em Passos

Dr. José Hernani Silveira
Foto: Reprodução

Na próxima quinta-feira (22), o anfiteatro da Faculdade Atenas de Passos (MG), receberá profissionais e figuras públicas da cidade que prestaram e prestam relevantes serviços na área da saúde, para serem homenageados com a medalha Dr. José Hernani Silveira no evento “Expoente da Saúde”.

Sobre Dr. José Hernani Silveira

Ele nasceu em Passos no dia 11 de abril de 1942, filho do casal Francisco Machado da Silveira e Lucia Jabace da Silveira. Casou-se com Maria da Penha Freire Silveira em 10 de julho de 1972, com quem teve 3 filhos.

Ao longo da vida estudou na Escola Estadual Abraão Lincoln e no Colégio de Passos. Formou-se em Medicina pela FMTM, atual UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro).

Ocupou o cargo de Secretário Municipal de Saúde na gestão de Jose Figueiredo e de Cóssimo Baltazar de Freitas, quando implantou a rede de ambulatórios pelos bairros da cidade. Foi Diretor Regional de Saúde durante o período de 1985/1992 e de 1999/2000, além de médico do antigo Inamps (Instituto Nacional de Previdência Social) por 36 anos.

Prefeito de Passos por três gestões, 1993/1996, 2001/2004 e assumindo a de 2009/2012. Foi o primeiro presidente da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de Passos durante 4 anos, além de presidente da Sociedade São Vicente de Paulo, sendo responsável pela construção do asilo na avenida Arlindo Figueiredo e do primeiro velório da entidade, em frente ao Cemitério Municipal.

Criou o curso de gestantes e promoveu a ampliação da rede de saúde do município, com a criação do posto de saúde Dr. Antônio Faria Reis, dos primeiros ambulatórios de bairros da Policlínica Municipal e implantação do Núcleo Regional do Hemominas. Implantou a Casa de Assistência do Menor, extinguiu o lixão com a construção do aterro sanitário e construiu a praça de esportes Baru de Pádua.
Foi responsável por conseguir a aprovação junto à Caixa Econômica Federal do financiamento para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) e início da implantação da rede da nova ETA (Estação de Tratamento de Água) do Saae, com a captação de água do Rio Grande, calçamento de 48km de ruas e a construção de 3 escolas municipais: Jalile Calixto Barbosa, Professor Ananias Emerenciano Campos e Professor Silas Roberto Figueiredo.

Faleceu em Passos no dia 25 de setembro de 2016, aos 74 anos.

Fumantes de cigarro eletrônico podem ter câncer mais cedo, aponta estudo

O uso de cigarros eletrônicos aumenta o risco de câncer e, além disso, o diagnóstico da doença ocorre quase 20 anos antes do que nos fumantes convencionais. Isso é o que sugere um estudo retrospectivo conduzido por universidades americanas a partir de informações de 154.856 pacientes coletadas entre 2015 e 2018.

A pesquisa inédita, publicada no periódico World Journal of Oncology, cruzou dados sobre o histórico de câncer e de consumo do vape (nome em inglês utilizado para o dispositivo). Com o cigarro eletrônico, o diagnóstico de câncer aconteceu em média aos 45 anos, contra 63 nos fumantes tradicionais.

Os adeptos do novo modelo também apresentaram tumores diferentes dos que costumam ser associados ao tabaco: os mais comuns foram câncer cervical, leucemia, câncer de pele e de tireoide.

Por serem relativamente novos, os dados sobre o impacto na saúde do cigarro eletrônico a longo prazo ainda são limitados. “Mas já se sabe que não são inofensivos e que também podem causar doenças como asma e enfisema pulmonar, assim como o cigarro convencional”, diz a pneumologista Luiza Helena Degani Costa, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Além disso, o uso do dispositivo pode gerar lesões agudas no pulmão e também está associado a alterações nos vasos sanguíneos, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares. “Há tempos já sabemos que existem substâncias cancerígenas no vapor dos cigarros eletrônicos, substâncias que são inaladas pelo usuário. Embora esse estudo americano tenha uma série de limitações metodológicas, existe, portanto, um racional biológico para os resultados encontrados. Estamos só começando a conhecer a história natural da doença”.

Risco de retrocesso

Os cigarros eletrônicos foram anunciados como uma alternativa segura e ganharam popularidade, especialmente entre os mais jovens. Segundo os autores, este é o primeiro grande estudo populacional a apontar uma possível associação entre uso dos eletrônicos e câncer em humanos.

Nas últimas décadas, a comprovação de que o cigarro comum causa vários tipos de câncer levou a bem-sucedidas campanhas de conscientização e quedas nas taxas de tabagismo no mundo. No Brasil, medidas como educação da população, proibição do consumo e taxação reduziram drasticamente o número de fumantes nos últimos 30 anos — hoje apenas 11% dos homens e 7% das mulheres fumam.

“O consumo do vape vem aumentando e, sem conscientização, podemos colocar anos de combate ao tabagismo em risco”, alerta a especialista.

Secretaria de Estado de Saúde destaca investimento recorde e marco histórico de cirurgias eletivas

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) foi a segunda participante, na última segunda-feira (12), data de estreia da nova rodada de reuniões programadas do Assembleia Fiscaliza. Na oportunidade, foram detalhadas ações, investimentos, projetos e políticas públicas na prestação de contas semestral do Executivo estadual ao Legislativo, com apresentação das estratégias de gestão e aplicação de recursos da saúde durante o ano de 2022.

O secretário de Estado de Saúde, o médico Fábio Baccheretti, enfatizou aos parlamentares que, logo quando assumiu a pasta em março de 2021, foram elaborados e implementados projetos importantes para a saúde. Na época, o estado registrava o maior número de óbitos desde o início da pandemia de coronavírus, diante da variante ômicron, e quase todos os leitos estavam ocupados com pacientes em tratamento contra a covid. Em 2022, mesmo com o novo pico de casos positivos no início do ano, o número de internações e mortes foi bem menor, principalmente devido ao avanço da vacinação.

De acordo com o secretário, um legado importante deve ser ressaltado: o investimento recorde em saúde pública.

“Em 2021, pela primeira vez, ultrapassamos a linha de execução financeira por exercício. No ano passado, o valor total foi de R$ 9,5 bilhões. Pagamos o nosso mínimo e fizemos o maior investimento em saúde pública da história de Minas. Neste ano de 2022, em todos os bimestres temos conseguido acrescentar valores em relação ao valor estipulado e vamos fechar com R$ 9,4 bilhões de investimento na saúde pública de Minas”, ressaltou.

Avanços em Saúde

Durante a reunião, Baccheretti também exaltou a Atenção Primária e disse que, além de o Estado ter conseguido um recurso histórico de investimento para o Sistema Único de Saúde (SUS), a SES-MG está desenvolvendo políticas para o atendimento à população negra, quilombola e LGBTQIA+, para promover uma saúde de qualidade para todos.

São R$ 254 milhões para a reforma de todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do estado, R$ 59 milhões para a retomada de 99 obras que estão paralisadas e R$47,5 milhões para 39 novas obras.

Na Atenção Secundária, Fábio Baccheretti destacou o custeio de R$ 230 milhões para o Transporta SUS, que viabiliza o transporte regionalizado nos 853 municípios mineiros e o investimento de R$ 80 milhões para os consórcios públicos, para a compra de 188 micro-ônibus.

Também no âmbito da Atenção Secundária, a SES-MG inaugurou, em agosto último, a nova unidade da Farmácia de Minas, em Belo Horizonte, com renovação do parque tecnológico, espaço amplo para o atendimento aos usuários, novo canal de atendimento e política de gestão de desempenho. Além disso, foram destinados R$ 90,3 milhões para os atendimentos de saúde bucal de 460 municípios, e R$ 259 milhões para a ampliação da média complexidade, que contempla consultas com especialistas e exames.

Neste ano, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) está sendo implementado em todas as regiões de Minas para atendimento terrestre. Destaque, ainda, para a aquisição de mais três aeronaves para o atendimento aéreo.

“Os próximos passos são finalizar implantação na macrorregião Triangulo do Sul e ter cobertura de 100% em todo o estado. Daqui a pouco, em todos os municípios, a população terá o atendimento de urgência e emergência do Samu”, disse Baccheretti.

Fortalecimento hospitalar e cirurgias eletivas

Na Atenção Terciária, o secretário enfatizou que o programa Valora Minas vem fortalecendo os hospitais do estado. O total investido este ano foi de R$ 1,3 bilhões, o que viabilizou a realização de 142.103 cirurgias eletivas por meio do Programa Opera Mais, Minas Gerais, um aumento de 15% em relação a 2019, ano anterior à pandemia.

“Em 2020 e 2021, houve redução do número de cirurgias, em função da pandemia. E no início de 2022 também, por causa da ômicron. Mas, depois disso, estamos batendo marcos históricos na realização de cirurgias no estado. Estamos fazendo o nosso papel junto aos municípios e hospitais do estado”, destacou.

Ainda de acordo com o secretário, foram investidos R$ 154 milhões na compra de cem tomógrafos e R$ 9,3 milhões para a implementação de 204 novos leitos de UTI Neonatal. Como legado da pandemia, o Estado conseguiu agregar 590 leitos de UTI em hospitais estaduais, para o atendimento da população mineira.

“Sinto-me privilegiado de estar à frente desta pasta, pois tivemos autonomia para criar novas políticas. O governador me exige entregar resultados, o que só é possível com a equipe competente que temos na secretaria”, comentou.

Hospitais Regionais

Durante a reunião do Assembleia Fiscaliza, Baccheretti também falou sobre o andamento das obras dos hospitais regionais do estado.

De acordo com o secretário, os vazios assistenciais foram pactuados, os editais de obras foram publicados, exceto o do Hospital Regional de Juiz de Fora, e o recurso está garantido, dentro dos acordos firmados com a Fundação Renova e com a mineradora Vale, em reparação pelas perdas causadas pelas tragédias em Mariana e Brumadinho.

“Todos os seis hospitais regionais, com exceção de Juiz de Fora, estarão com as obras concluídas em até 24 meses. Iniciaremos a compra dos materiais em janeiro e fevereiro de 2023, e é preciso fazer um grande planejamento para saber qual o tomógrafo e quantos equipamentos cada um vai precisar, a partir de agora, para viabilizar o funcionamento desses hospitais”, pontuou.

Além dos deputados da Comissão da Saúde, que conduziu a reunião, estiveram presentes o secretário adjunto de Saúde, André Luiz Moreira dos Anjos, e gerentes de alguns projetos em implantação pela SES-MG.

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