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Jornal Folha Regional

IMA investiga morte em massa de abelhas em São José da Barra; Secretaria de Agropecuária acompanha o caso

Abelhas morrem dias após aplicação de agrotóxicos em São José da Barra – Foto: Reprodução

Um cenário preocupante foi registrado na zona rural de São José da Barra (MG), onde milhares de abelhas foram encontradas mortas. Diante da gravidade, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) acionou protocolo de emergência e iniciou uma investigação para apurar as causas da mortalidade.

A Secretaria Municipal de Agropecuária acompanha de perto o caso e atua em conjunto com os órgãos responsáveis, tendo em vista que seria o IMA na sede da prefeitura.

Equipes técnicas do órgão realizaram vistorias nos apiários afetados e coletaram amostras para análise laboratorial. A principal hipótese é a intoxicação por defensivos agrícolas, possivelmente causada por aplicação irregular em lavouras próximas.

De acordo com o secretário Romulo Leandro, todas as medidas estão sendo adotadas por meio dos órgãos competentes. “O município está acompanhando a situação de perto e trabalhará para evitar que casos como este, que vêm se tornando recorrentes, voltem a acontecer”, destacou.

De acordo com o IMA, alguns fatores técnicos ajudam a explicar o ocorrido:

  • Ação de neurotóxicos: o comportamento das abelhas antes da morte, como tremores e língua exposta, indica comprometimento do sistema nervoso por substâncias químicas.
  • Efeito da deriva: o vento pode ter transportado os produtos para fora da área de aplicação, atingindo flores visitadas pelas abelhas.
  • Falta de comunicação: a legislação exige que produtores informem previamente vizinhos sobre a aplicação de defensivos, permitindo medidas de proteção às colmeias.

Casos semelhantes já foram registrados anteriormente na região. Em situações passadas, análises confirmaram a presença de substâncias como o Fipronil, altamente tóxico para polinizadores e com uso restrito.

Para os apicultores, o impacto vai além do prejuízo financeiro. “É como perder parte da família”, relatou um produtor que teve grande parte de suas colmeias destruídas.

Próximos passos

O Instituto Mineiro de Agropecuária seguirá com as análises técnicas. Caso seja constatado uso irregular de produtos ou crime ambiental, os laudos serão encaminhados ao Ministério Público.

O órgão reforça que apicultores devem comunicar imediatamente qualquer mortalidade anormal, garantindo a coleta adequada de material para investigação.

Homem morre ao ter veículo atacado por enxame de abelhas em MG

Homem morre ao ter veículo atacado por enxame de abelhas em MG – Foto: Corpo de Bombeiros/redes sociais

Um enxame de abelhas matou um homem e deixou outras três pessoas feridas em Jordânia, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, na última segunda-feira (16). A prefeitura informou que o veículo em que a vítima estava foi atacado na estrada que liga o município ao distrito de Estrela de Jordânia, entre os kms 6 e 8. Há uma semana, outro ataque de abelhas provocou uma morte e deixou três feridos na região do Alto Paranaíba.

André de Souza Freitas foi encontrado desacordado, mas com vida. Ele estava inconsciente no banco do passageiro do veículo atacado, um carro modelo Volkswagen Gol, segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas (CBMMG), que foi acionado para a ocorrência.

A corporação informou que ele e as outras três pessoas que sofreram picadas foram levadas ao hospital pelos bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em nota publicada por volta das 16h desta segunda-feira, a Prefeitura de Jordânia informou que as outras vítimas estavam estáveis e recebendo atendimento médico. Além do carro em que André estava, havia uma motocicleta caída, segundo o CBMMG.

O Executivo municipal também orientou a população a não utilizar a estrada onde o ataque ocorreu até novo aviso, que, até as 21h30 desta segunda, não havia sido publicado. A prefeitura informou ainda que o Corpo de Bombeiros e as polícias Ambiental e Militar se encontravam no local, controlando a situação.

A Prefeitura de Jordânia também manifestou solidariedade à família e aos amigos de André.

Outro ataque 

Há uma semana, segunda-feira (9/3), um caso semelhante aconteceu: uma pessoa morreu e três ficaram feridas por um enxame de abelhas. O caso ocorreu em uma fazenda na zona rural de Rio Paranaíba, na região do Alto Paranaíba. Um homem de 42 anos morreu e três mulheres, de 44, 48 e 50, ficaram feridas.

De acordo com o gerente da propriedade onde o ataque aconteceu, cerca de 18 trabalhadores realizavam a capina em uma área próxima a um cafezal quando foram surpreendidos pelo enxame. Quatro deles foram atacados e precisaram ser socorridos por funcionários da fazenda. Segundo boletim da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o homem que morreu foi levado ao hospital em estado de parada cardiorrespiratória e não resistiu.

Homem sofre mais de 100 ferroadas em ataque de abelhas na zona rural de Três Corações

Homem sofre mais de 100 ferroadas em ataque de abelhas na zona rural de Três Corações – Foto: divulgação/Corpo de Bombeiros

Um trabalhador foi vítima de um ataque de abelhas e sofreu mais de cem ferroadas na tarde de quarta-feira (14), em uma área rural de Três Corações, no Sul de Minas. O caso ocorreu em uma localidade conhecida como Pedra Preta.

De acordo com as informações apuradas, o homem realizava um serviço de topografia no local, acompanhado por outras duas pessoas, quando o grupo foi surpreendido por um enxame. Devido à grande quantidade de picadas, ele precisou de resgate imediato.

A região onde ocorreu o ataque é de difícil acesso, o que mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A vítima foi encontrada consciente e recebeu os primeiros atendimentos ainda no local.

Em seguida, o homem foi encaminhado ao Hospital São Sebastião, em Três Corações. Ele permaneceu em observação durante a noite e recebeu alta médica na manhã desta quinta-feira (15).

Idoso morre após capotar caminhonete e ser atacado por abelhas em Delfinópolis

Idoso morre após capotar caminhonete e ser atacado por abelhas em Delfinópolis - Foto: Helder Almeida
Idoso morre após capotar caminhonete e ser atacado por abelhas em Delfinópolis – Foto: Helder Almeida

Um idoso de 70 anos morreu após capotar a caminhonete que dirigia e ser atacado por um enxame de abelhas em uma estrada rural, na tarde do último domingo (18), em Delfinópolis (MG).

Segundo o registro da ocorrência, durante o capotamento uma das rodas da caminhonete se soltou e atingiu uma caixa de abelhas em uma grota próxima. Com o impacto, o enxame – da espécie europeia – foi agitado e atacou a vítima, que ficou presa debaixo do veículo.

A vítima foi identificada como José dos Reis de Paula. Ele estava na casa de um amigo e teria deixado o local em sua caminhonete, por volta das 13h30. Durante o trajeto, José perdeu o controle da direção, transpassou dois colchetes (passagens com cercas), colidiu de raspão em uma árvore nativa e arrancou outra. Em seguida, o veículo capotou por cerca de 50 metros em um barranco.

Ainda conforme o registro, o amigo da vítima precisou usar roupas de apicultor para conseguir desvirar a caminhonete e prestar socorro. A ambulância do distrito de Ponte Alta foi acionada e encaminhou o idoso ao Hospital Municipal Dona Chiquita, em São João Batista do Glória, mas a vítima chegou sem vida.

A perícia esteve no local para fazer os trabalhos de praxe. O corpo de José dos Reis de Paula foi levado ao IML, onde exames irão apurar a causa exata da morte. A Polícia informou que a vítima era portadora de diabetes.

Idoso morre após capotar caminhonete e ser atacado por abelhas em Delfinópolis - Foto: Helder Almeida
Idoso morre após capotar caminhonete e ser atacado por abelhas em Delfinópolis – Foto: Helder Almeida

Via: G1

Apicultores denunciam a mortandade de abelhas causada por agrotóxicos, em São José da Barra e região

Apicultores denunciam a mortandade de abelhas causada por agrotóxicos, em São José da Barra e região - Foto: divulgação
Apicultores denunciam a mortandade de abelhas causada por agrotóxicos, em São José da Barra e região – Foto: divulgação

Apicultores de São José da Barra (MG) e região tiveram uma surpresa nada agradável ao chegarem aos apiários, na última semana. Milhares de abelhas foram encontradas mortas pelos profissionais. Eles relatam que as mortes foram causadas pelo uso irregular de agrotóxicos, usados em canaviais.

O defensivo foi pulverizado nas plantações, utilizando uma aeronave de pequeno porte, no último dia 15 de fevereiro.

Segundo Fabinho, um dos apicultores afetados, o defensivo dizimou 160 colmeias do seu apiário, além de 160 a 200 em Passos (MG), 40 em Alpinópolis (MG) e muito mais em outras localidades da região.

Os apicultores cobram uma providência das autoridades pelo prejuízo causado.

‘’Outros apicultores ainda não foram em seus apiários ainda, para constatar o que já vimos aqui: só destruição e prejuízo. O nosso prejuízo, vendo assim, visível, apenas com o material em colmeias, chega a R$ 100 mil. O que vamos deixar de produzir até setembro, outubro, para refazer isso, não tem estimativa. É uma tristeza muito grande, isso aqui são anos de serviços dedicados, para chegarmos dentro do apiário e vermos uma situação dessa’’, relatou Fabinho.

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) esteve nos locais para coletar amostras e analisar, a fim de descobrir qual tipo de defensivo foi usado.

Importância das abelhas e mortes por agrotóxicos

Produtoras de mel, as abelhas desempenham o fundamental serviço ambiental de polinização, que tem papel importante na biodiversidade das plantas e na produtividade agrícola. Porém, também têm sido alvo das mudanças climáticas e, sobretudo, de agrotóxicos que enfraquecem o sistema imunológico, atrofiam as glândulas produtoras de proteína da geleia real e destroem colônias inteiras.

Nos últimos seis anos, segundo estimativas de associações de apicultura, secretarias de agricultura e pesquisas realizadas por universidades, mais de 600 milhões de abelhas morreram no país e o principal motivo é o uso alarmante de veneno. É importante ressaltar que as abelhas são cruciais para os ecossistemas e para a segurança alimentar em todo mundo, sendo responsáveis por polinizar a maioria das plantas e dos vegetais que nutrem todas as espécies: “As abelhas prestam um serviço fundamental para a humanidade, são elas e outros insetos polinizadores que garantem a produção de alimentos e contribuem para a manutenção das florestas. Colocá-las sob ameaça é um tiro no pé da produção da nossa própria sobrevivência”, afirma Marina Lacôrte, porta-voz do Greenpeace Brasil.

Apicultores denunciam a mortandade de abelhas causada por agrotóxicos, em São José da Barra e região - Foto: divulgação
Apicultores denunciam a mortandade de abelhas causada por agrotóxicos, em São José da Barra e região – Foto: divulgação
Apicultores denunciam a mortandade de abelhas causada por agrotóxicos, em São José da Barra e região - Foto: divulgação
Apicultores denunciam a mortandade de abelhas causada por agrotóxicos, em São José da Barra e região – Foto: divulgação

Laudo aponta que envenenamento por agrotóxicos matou milhões de abelhas em São Sebastião do Paraíso

Apicultores de São Sebastião do Paraíso (MG) convivem com as mortes de milhões de abelhas desde setembro do ano passado. Pelo menos dez apicultores da região registraram o problema. Um laudo apontou que as abelhas morreram de envenenamento por agrotóxicos.

“Essas abelhas estão nesse apiário de 4 pra 5 anos e nunca teve problema né, de uns 2 anos pra cá mais ou menos, com a introdução de alguma cultura aqui em volta, a gente veio percebendo que veio morrendo abelha, mas não era nessa quantidade, morria as campeiras, mas o enxame continuava forte, com dois, três meses recuperava, mas desta vez não, desta vez morreram as abelhas tudo”, disse o apicultor Marcelo Francisco Ribeiro.

Só em uma propriedade, mais de 850 mil abelhas foram encontradas mortas. O prejuízo ainda não foi calculado.

“É um prejuízo grande, porque você vem montar desde caixa, até você por melgueira, até que você põe cera e vai levantando o exame, e tem alimentação também, você tem um gasto enorme sobre esses enxames, a gente fica meio constrangido às vezes e pensa em até abandonar a profissão”, disse o apicultor Valdivino Augusto Alvim.

Para tentar entender o que aconteceu na propriedade, o produtor procurou um laboratório no interior de São Paulo para que os insetos mortos fossem examinados. O teste apontou que as abelhas morreram por envenenamento devido ao alto índice de agrotóxicos.

“Eu fiz análise e constou veneno proibido e constou inclusive “Aldicarbe”, que é conhecido como chumbinho, que pode matar uma pessoa e isso saiu na análise das minhas abelhas”, disse o apicultor Marcelo Francisco Ribeiro.

O exame revelou que pelo menos cinco agrotóxicos foram encontrados em quantidades elevadas nas abelhas mortas, entre eles Glifosato, Clorpirifós, Permetrina, Propanil e Trifluralina, agrotóxicos utilizados para controle de pragas.

Segundo o doutor em Ecologia, Hipólito Ferreira Paulino Neto, alguns desses inseticidas já foram banidos em outros países, mas ainda são usados no Brasil.

“Se a toxicidade é alta e está sendo alta no Brasil, é bem comum isso, especialmente agora que teve uma liberação de quase 1,6 mil agrotóxicos que são banidos na União Europeia, nos Estados Unidos e aqui no Brasil é utilizado e até muito comercializado, elas intoxicam, começam a morrer e afetam todo um sistema, que é de comportamento das abelhas, por exemplo, o comportamento higiênico, de limpeza da colônia, de tirar pragas que afetam a colônia internamente ou de detectar abelhas doentes para não espalharem para a colônia inteira, afetam o comportamento defensivo daquela colmeia, ela fica vulnerável, o mel e o pólen, estão contaminados”, disse o professor.

As abelhas são agentes polinizadores, ou seja, garantem a reprodução das plantas. A morte ou desaparecimento desses insetos são prejudiciais à humanidade, segundo o professor.

“As abelhas correspondem a 75% da polinização e da produção dos alimentos que o ser humano utiliza para viver. É muito surreal, o Homo sapiens, a nossa espécie chama Homo sapiens e sapiens, de sabedoria, a gente está agindo de forma totalmente ao contrário disso, não sábia e matando os polinizadores, matando quem produz a comida pra gente”, completou o professor. (G1)

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