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Jornal Folha Regional

Novo medicamento para Alzheimer chega ao Brasil, mas preço preocupa

Novo medicamento para Alzheimer chega ao Brasil, mas preço preocupa – Foto: reprodução

A aprovação do medicamento intravenoso Lecanemabe pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) traz nova esperança para pacientes e familiares que vivem com o Alzheimer no Brasil. O medicamento, indicado para os primeiros sinais da doença, deve chegar às farmácias no fim de junho com o nome comercial de Leqembi e é uma das principais apostas da ciência para atrasar o avanço dos sintomas.

O Lecanemabe é um tipo de anticorpo feito em laboratório que age direto sobre a beta-amiloide, uma proteína ligada ao desenvolvimento do Alzheimer. Segundo o professor Júlio César Moriguti, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, “a beta-amiloide é uma substância patológica que deposita no cérebro e que é o gatilho para iniciar a doença”.

Os estudos com o anticorpo foram publicados no fim de 2023 na revista científica New England Journal of Medicine e mediram principalmente a capacidade mental dos pacientes durante 18 meses. De acordo com Moriguti, os pesquisadores compararam pacientes que usaram o medicamento com outros que receberam placebo (substância sem propriedades medicinais ativas) usando escalas específicas de avaliação clínica.

“O grupo que usou a droga e o grupo que usou placebo tiveram uma diferença de menos 0,45 numa escala de 18 pontos. Isso aparentemente não se traduziu em benefícios perceptíveis para o paciente e/ou para os cuidadores”, explica. Ainda assim, o especialista destaca que os resultados chamam atenção porque o medicamento consegue tirar a amiloide do cérebro. “Essas drogas reduzem muito essa carga de amiloide, de tal forma que passa a ter uma carga semelhante a quem não tem doença”, afirma.

Para o professor, o medicamento é um grande avanço da ciência, mas ainda tem limites. “Eu entendo que representa um avanço real por ter conseguido remover a amiloide, mas há de se entender qual seria o melhor momento de se utilizar essa droga e para quais pacientes. A adoção ampla dessas terapias ainda deve ser muito cautelosa.”

Além de uma eficácia abrangente ainda ser discutida, os efeitos colaterais também preocupam os especialistas. Segundo Moriguti, os principais riscos vistos nos estudos foram inchaço e sangramentos no cérebro. “O principal risco é de sangramento. As hemorragias cerebrais ou micro-hemorragias podem ser sintomáticas ou não”, ressalta. Ele completa que as complicações ligadas a problemas neurológicos aconteceram em cerca de 27% dos pacientes que usaram o medicamento.

Outro ponto que o pesquisador destaca é que os testes foram feitos em um ambiente muito controlado e com pacientes bem específicos. “Quando popularizar essa droga, ela não vai ser usada dessa forma, porque vamos ter pacientes com várias comorbidades”, afirma.

Acesso ao medicamento

Apesar de a Anvisa já ter aprovado o medicamento, a discussão agora é sobre o acesso ao tratamento. O Lecanemabe deve custar cerca de R$ 20 mil por mês, um valor que a maior parte da população brasileira não tem condições de pagar.

Segundo Moriguti, o SUS ou os planos de saúde ainda estão longe de incluir esse medicamento. “A população que poderia ser beneficiada com isso é bastante grande, tanto no Brasil quanto no mundo inteiro. Eu creio que, para o SUS incorporar um tratamento desse e para os planos de saúde pagarem, eles precisam ter um pouco mais de certeza dessa melhora.”

Além do preço alto, o tratamento exige uma estrutura médica complicada. Antes de receber o medicamento na veia, os pacientes precisam fazer exames como PET-CT (um tipo de tomografia), ressonância magnética, testes de biomarcadores e testes genéticos. Depois, ainda é preciso acompanhamento constante em centros especializados.

“Precisa ter um centro de infusão, precisa de ressonância, PET-CT e até neurocirurgião de prontidão para intervir em casos de hemorragia ou grande edema”, explica o professor. “Ou seja, é para lugares bastante restritos.”

Mesmo cuidando de pacientes com Alzheimer e pesquisando a doença na USP, Moriguti diz que ainda não receitou esse tipo de tratamento. “Eu ainda não tive o convencimento de que, ao aplicar essas drogas, vou trazer mais benefícios do que malefícios para o paciente. Isso sem pensar em preço. Quando você coloca o preço na jogada, a restrição vai ser ainda maior.”

Cientistas brasileiros são premiados por pesquisas sobre Alzheimer

Cientistas brasileiros são premiados por pesquisas sobre Alzheimer – Foto: Fernando Frazão

Cientistas de todo o mundo tentam encontrar novas abordagens para a doença de Alzheimer, e dois laboratórios brasileiros têm se destacado nessa corrida. Recentemente, os pesquisadores Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por organizações internacionais por suas contribuições ao tema. 

Lourenço foi contemplado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, oferecido pela organização Alba a cientistas em meio de carreira que já alcançaram conquistas excepcionais. Já Brum foi escolhido como o Next “One to Watch” (“O próximo para ficar de olho”, em tradução livre), prêmio concedido pela organização americana Alzheimer’s Association a jovens cientistas promissores. 

A doença de Alzheimer é considerada um dos grandes desafios da medicina, já que até hoje poucos tratamentos se mostraram eficazes para retardar a sua evolução, e nenhuma cura foi encontrada.

O sintoma mais reconhecido é a perda de memória recente, mas, conforme a doença progride, o paciente adquire dificuldades de raciocínio, comunicação e até de movimentação, se tornando completamente dependente. 

Dados sobre os brasileiros

O professor da UFRJ Mychael Lourenço estuda o Alzheimer desde a sua graduação em Biologia, e foi apurando esse interesse durante o mestrado, doutorado e pós-doutorado, até assumir a docência e fundar o Lourenço Lab, grupo de pesquisa dedicado às demências.

“Eu sempre me interessei por coisas misteriosas. Por exemplo: ‘como é que o cérebro funciona?’. Não tenho resposta até hoje, mas continua sendo um objeto de interesse bastante grande”, ele brinca. 

Mas Lourenço não é movido apenas pela curiosidade.

“Nós temos hoje no mundo em torno de 40 milhões de pessoas com doença de Alzheimer. Dessas, umas 2 milhões devem estar no Brasil, um número que pode ser subestimado por causa de problemas de acesso à saúde e diagnóstico. E nós temos uma população que está envelhecendo cada vez mais, mas a maior parte dos estudos são feitos no Norte global. Nós precisamos de dados para entender a doença no Brasil” 

O pesquisador explica que, desde quando Alois Alzheimer descreveu a doença, em 1906, já se sabia que ela causava placas no cérebro, mas somente na década de 80 cientistas descobriram que essas placas são compostas por beta-amiloide, fragmentos de proteína que se acumulam por alguma razão.

Contudo, drogas eficazes na remoção dessas placas não conseguiram reverter a doença, mostrando que há um hiato entre causa e efeito que a ciência ainda precisa preencher. 

“A gente continua tentando entender o que faz com que o cérebro se torne vulnerável e desenvolva a doença, inclusive olhando para o que a gente chama de resiliência para o Alzheimer. Tem pessoas como a Fernanda Montenegro, por exemplo, com 96 anos, e completamente lúcida e ativa. E tem pessoas que desenvolvem a placa de beta-amiloide no cérebro e não apresentam sintoma cognitivo. O que elas têm de diferente?”

Em paralelo, o Lourenço Lab também está testando em animais substâncias que podem evitar o acúmulo da beta-amiloide e de outra proteína, chamada tau, que também está envolvida na formação das placas.

“Possivelmente, essas proteínas têm tendência a se acumular, mas as células têm um sistema natural de degradação que a gente chama de proteassoma. Mas, no Alzheimer, é como se a companhia de lixo parasse de funcionar. Então, aumentar a atividade desse sistema seria uma forma de tentar melhorar esse fluxo”.

Rio de Janeiro (RJ), 12/03/2026 – Entrevista com o pesquisador da UFRJ Mychael Lourenço, que estuda Alzheimer e recebeu o prêmio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Reserach em 2026. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Entrevista com o pesquisador da UFRJ Mychael Lourenço, que estuda Alzheimer e recebeu o prêmio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Reserach em 2026 – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Diagnóstico precoce

Outra linha de pesquisa é voltada para o diagnóstico precoce da doença, o que pode possibilitar que ela seja controlada antes de causar danos irreversíveis ao cérebro.

Lourenço coordena uma pesquisa que busca identificar se marcadores biológicos encontrados no sangue de pessoas com Alzheimer em outros países também são válidos para os brasileiros, e se a nossa população apresenta algum marcador específico. 

“A doença de Alzheimer não aparece quando os sintomas aparecem: ela começa a se desenvolver muito tempo antes. Então, a gente está tentando pegar essa janela, em que a doença está se desenvolvendo, mas os sintomas ainda não apareceram tão claramente”.

“Talvez a gente nunca vai conseguir curar o paciente que já está num estágio muito avançado. Mas a gente pode conseguir interromper a doença antes disso”, ele acrescenta.

As pesquisas com biomarcadores também foram responsáveis por colocar o médico Wagner Brum sob os holofotes. Hoje, ele faz doutorado na UFRGS e é pesquisador do Zimmer Lab, grupo de pesquisa sobre Alzheimer. Sua verve científica se manifestou desde cedo. 

“Eu estudei numa escola pública bem tradicional do Rio Grande do Sul, chamada Fundação Liberato, que organiza uma feira de ciências que é a maior da América Latina. Eu cresci com a minha mãe me levando nessa feira, então, quando eu entrei no ensino médio, eu já comecei a trabalhar com pesquisa. Na faculdade, eu escolhi a UFRGS por ser uma faculdade com muita tradição em pesquisa, onde eu ia poder me desenvolver como médico pesquisador”.

Rio de janeiro (RJ), 20/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO -  O pesquisador de Alzheimer, Wagner Brum. Foto: AAIC/Divulgação
O pesquisador Wagner Brum foi premiado pela organização americana Alzheimer’s Association – Foto: AAIC/Divulgação

O trabalho de maior projeção de Brum foi o desenvolvimento de protocolos para a implementação clínica de um exame de sangue que consegue diagnosticar a doença de Alzheimer, a partir da presença da proteína p-tau217, um dos principais biomarcadores da doença. 

Apesar de o teste ter se mostrado preciso durante as pesquisas, era preciso criar os padrões de leitura para que ele fosse adotado na rotina diagnóstica. E foi isso que Brum fez. 

“Em pacientes com medição muito alta ou muito baixa, claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou não a doença. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermediária, e esses precisam de um exame adicional”.

Do laboratório para o SUS

De acordo com Brum, o protocolo aumenta a confiabilidade do exame, e já está sendo usado por laboratórios na Europa e Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, apenas poucos laboratórios privados já incorporaram a tecnologia. Mas o Zimmer Lab continua suas pesquisas, almejando facilitar o diagnóstico da doença em larga escala. 

“Para ele ser implementado no SUS, que é o nosso grande objetivo, são necessários estudos mostrando que a introdução desses exames pode melhorar tanto a confiança diagnóstica quanto mudar o tratamento do paciente. O que se tem visto em outros países é que esses exames fazem isso”

Testes com essa pretensão já estão sendo feitos no Rio Grande do Sul e depois serão expandidos para outras cidades do Brasil. Brum ressalta que, atualmente, o diagnóstico do Alzheimer é feito principalmente a partir dos sintomas, com a análise clínica feita pelo médico e o auxílio de exames não totalmente precisos.

“O que se acaba fazendo, mais comumente, são exames de imagem estrutural, tomografia ou ressonância, que conseguem informar quais partes do cérebro já apresentam uma atrofia. Mas até o processo do envelhecimento causa atrofia natural, assim como outras doenças neurodegenerativas. Existem padrões mais típicos ao Alzheimer, mas esses exames não são específicos” 

Os dois testes precisos já existentes são o exame de líquor, que examina material retirado da coluna vertebral, e a Tomografia por Emissão de Positrons (PET-CT), mas ambos são caros e pouco acessíveis. 

Brum acredita que a adoção do exame de sangue poderia não só facilitar o diagnóstico, como aumentar a confiança dos médicos em suas condutas. No futuro, exames de biomarcadores também podem detectar a doença, antes que os sintomas apareçam.

“É muito bom ver que a comunidade de pesquisa internacional presta atenção no que a gente faz e valoriza o que a gente faz. Tem muita gente fazendo pesquisa de excelência no Brasil, em muitas áreas diferentes, e que merece visibilidade.”

Os dois pesquisadores premiados trabalham com recursos de instituições de pesquisa como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Instituto Serrapilheira e Idor Ciência Pioneira.  

Leqembi: Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer

Leqembi: Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a utilização, no Brasil, de um novo medicamento voltado diretamente ao tratamento da doença de Alzheimer. Trata-se do Leqembi, terapia que atua na desaceleração do processo de degeneração cerebral provocado pela enfermidade e é considerada um avanço relevante no enfrentamento da doença.

O Alzheimer é a principal causa de demência neurodegenerativa no mundo. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de um milhão de brasileiros vivem atualmente com o diagnóstico. Até então, os tratamentos disponíveis se limitavam a aliviar sintomas, sem interferir diretamente na progressão da doença. A liberação do novo medicamento ocorreu em 22 de dezembro de 2025.

Como funciona o Leqembi

O Leqembi é produzido a partir do anticorpo monoclonal lecanemabe e é indicado para pacientes que já apresentam demência leve associada ao Alzheimer, ou seja, nos estágios iniciais da doença.

Esse anticorpo foi desenvolvido para estimular o sistema imunológico a eliminar o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro — uma substância pegajosa que forma placas e está diretamente relacionada ao desenvolvimento do Alzheimer. O depósito dessas placas é uma das principais marcas da doença.

O medicamento é administrado por infusão intravenosa, seguindo um protocolo contínuo de tratamento.

Evidências científicas

A eficácia do lecanemabe foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na revista científica New England Journal of Medicine. A pesquisa, considerada de grande porte, envolveu 1.795 voluntários diagnosticados com Alzheimer em fase inicial.

Durante o estudo, os participantes receberam infusões do medicamento a cada duas semanas. Após 18 meses de acompanhamento, foi observada uma redução no declínio cognitivo e funcional, indicando que a progressão da doença ocorreu de forma mais lenta nos pacientes tratados.

Desde 2023, o Leqembi já é aprovado e comercializado nos Estados Unidos, com autorização da Food and Drug Administration (FDA). Com a decisão da Anvisa, o medicamento passa agora a integrar as opções terapêuticas disponíveis também no Brasil.

Do tratamento de suporte às novas terapias

Historicamente, as opções para tratar o Alzheimer foram limitadas. Até a década de 1970, o conhecimento científico associava a doença principalmente ao envelhecimento, à atrofia cerebral e ao acúmulo de duas proteínas anormais: a tau, que se deposita dentro dos neurônios, e a beta-amiloide, que se acumula fora deles.

Naquele período, os tratamentos eram basicamente paliativos, envolvendo mudanças de hábitos, uso de vitaminas, vasodilatadores e estimulantes da memória, sem comprovação científica de eficácia.

Com o avanço das pesquisas, os cientistas passaram a compreender melhor a origem biológica da doença, abrindo caminho para terapias que tentam interferir diretamente em sua evolução. O Leqembi surge nesse contexto como uma das primeiras tentativas concretas de frear o avanço do Alzheimer.

Para o neurocirurgião Helder Picarelli, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o novo medicamento representa uma mudança importante no cenário da doença.
“Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta que se abre de oportunidade para intervir na evolução da doença”, afirma.

Apesar do otimismo, o especialista ressalta que ainda é cedo para conclusões definitivas. Segundo ele, o tratamento é inovador, mas ainda recente, e será necessário mais tempo para avaliar plenamente seus impactos.

“Esse tipo de terapia utiliza um anticorpo específico e tem modificado o tratamento, mas ainda é novo. Precisamos aguardar um pouco mais para ter uma conclusão definitiva. Não sei se o custo, que é elevado, e os riscos envolvidos compensam o benefício obtido com esse tipo de medicação”, pondera.

VÍDEO | Estudantes do Sul de Minas fazem serenata para idosa com Alzheimer e gesto viraliza nas redes sociais

Um ato espontâneo de carinho transformou um dia comum em Lavras (MG) em uma cena de pura emoção. Um vídeo que mostra estudantes da Faculdade Adventista de Minas Gerais (Fadminas) fazendo uma serenata para uma idosa com Alzheimer, viralizou nas redes sociais nesta sexta-feira (10), alcançando milhares de visualizações e comentários de internautas comovidos.

Tudo começou quando um senhor se aproximou de um grupo de alunos da Fadminas com um pedido singelo. “Minha mãe espera vocês todos os dias na sacada para dar tchauzinho. Ela tem Alzheimer e esse momento alegra o dia dela”, contou o homem.

O que ele não imaginava é que o gesto de afeto da mãe despertaria uma onda de empatia. Ao ouvir a história, os estudantes decidiram retribuir o carinho de forma especial.

Em poucos minutos, dezenas de jovens se reuniram em frente à casa da idosa, batendo palmas ritmadas e entoando uma canção. Surpresa, ela apareceu na sacada e retribuiu o gesto com um largo sorriso, emocionada. O vídeo do momento foi publicado nas redes sociais com a legenda: “Um gesto simples… que virou algo gigante”.

A gravação rapidamente se espalhou pela internet: até a última atualização desta reportagem, o vídeo já ultrapassava 1,7 milhão de visualizações e mais de 170 mil curtidas. “Chorei! Meu pai também tem Alzheimer, e ver pessoas com empatia assim enche o coração de esperança”, escreveu uma seguidora.

Outro comentário dizia: “Obrigada ao algoritmo por me trazer esse vídeo! Indo dormir com o coração quentinho – ainda existe amor e empatia no mundo”.

Segundo os alunos, a Fadminas, incentiva valores como solidariedade, fé e serviço ao próximo. E foi exatamente esse espírito que motivou a ação.

“A gente só queria retribuir o carinho daquela senhora. No fim, saímos todos emocionados. Foi uma lição sobre o poder dos pequenos gestos”, contou Thiago Carvalho, estudante responsável pela postagem do vídeo.

Em contato com a reportagem, Denilson Teixeira, filho da idosa, contou que já cuida da mãe há alguns anos. Todos os dias, Marlinda Aparecida de Moura, de 85 anos, fica na janela esperando os alunos passarem para dar acenar e mandar beijos.

Ela considera os jovens como amigos e ficou muito feliz com o gesto de carinho.

“Foi muito emocionante porque ela começou a levantar as mãos, agradecendo, batendo palma e mandando beijo para eles. Ela falava: meus amigos, meus filhos! E mandava beijos”, relatou Denilson.

Ele ainda disse que ficou tão emocionado que não se lembrou de filmar a reação da mãe. “Na hora a gente não pensa nisso, a gente pensa é na atitude mesmo”.

Para a direção da Fadminas, o episódio representa o verdadeiro propósito da instituição. “Nós acreditamos em uma educação que vai além da sala de aula, que forma cidadãos empáticos, capazes de enxergar o outro com amor e respeito”, afirmou a diretora acadêmica, Dayse Rosa.

VÍDEO | Estudantes do Sul de Minas fazem serenata para idosa com Alzheimer e gesto viraliza nas redes sociais – Foto: arquivo pessoal

Saúde amplia tratamento para casos graves de Alzheimer no SUS

Saúde amplia tratamento para casos graves de Alzheimer no SUS - Foto: reprodução
Saúde amplia tratamento para casos graves de Alzheimer no SUS – Foto: reprodução

Uma portaria do Ministério da Saúde publicada nesta quinta-feira (15) no Diário Oficial da União determina a ampliação do uso da donepezila para pacientes com forma grave da doença de Alzheimer via Sistema Único de Saúde (SUS).

Até então, o medicamento, que ajuda a preservar as funções cognitivas e a capacidade funcional, era disponibilizado na rede pública apenas para pessoas com formas leves ou moderadas da doença.

Em nota, a pasta informou que, a partir de agora, pacientes com forma grave da doença poderão usar a donepezila em conjunto ou não com a memantina, medicação já disponibilizada pelo SUS.

“O cuidado contínuo por meio desses medicamentos auxilia na redução de sintomas da doença, como confusão mental, apatia e alterações de comportamento nos pacientes”, destacou o comunicado.

A demanda para ampliação do uso da donepezila é do próprio Ministério e surgiu durante o processo de atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença de Alzheimer.

A estimativa da pasta é que cerca de 10 mil pessoas sejam beneficiadas no primeiro ano da oferta do medicamento.

Doença

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que atinge a memória, o comportamento e a autonomia dos pacientes. Embora não haja cura, o tratamento pode contribuir para a redução do ritmo da perda de capacidades.

“Nos estágios graves, o cuidado precisa ser ainda mais presente e o acesso a medicamentos eficazes se torna um aliado fundamental”, destacou o ministério.

Estudos apresentados à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) apontam que a continuidade do uso da donepezila pode melhorar sintomas como agitação, apatia e confusão, além de adiar a necessidade de institucionalização.

Anvisa aprova primeiro medicamento indicado contra Alzheimer

Anvisa aprova primeiro medicamento indicado contra Alzheimer - Foto: reprodução
Anvisa aprova primeiro medicamento indicado contra Alzheimer – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta terça-feira (22/04), o primeiro medicamento indicado para tratamento de comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados à doença de Alzheimer sintomática inicial.

O Kisunla (donanemabe), fabricado pela farmacêutica Eli Lilly, é um anticorpo monoclonal que se liga à proteína beta-amiloide. Na doença de Alzheimer, aglomerados de proteína beta-amiloide formam placas no cérebro e o medicamento atua ligando-se a esses aglomerados e reduzindo-os, prometendo um retardamento da progressão da doença.

Um estudo feito em oito países com 1.736 pacientes em estágio inicial mostrou que, com a posologia de 700 miligramas do medicamento a cada quatro semanas nas três primeiras doses e, depois, com 1.400 miligramas a cada quatro semanas, na 76ª semana, os pacientes tratados com donanemabe apresentaram progressão clínica menor e estatisticamente significativa na doença de Alzheimer em comparação aos pacientes tratados com placebo.

O produto injetável, administrado uma vez por mês, será comercializado em embalagem de ampola com doses de 20 mililitros sob prescrição médica e não é recomendado para pacientes de Alzheimer portadores do gene da apolipoproteína E ε4 (ApoE ε4).

Existe ainda a contraindicação do medicamento para pacientes que estejam tomando anticoagulantes (incluindo varfarina) ou que tenham sido diagnosticados com angiopatia amiloide cerebral.
As reações mais comuns do medicamento são relacionadas à infusão, como febre e sintomas semelhantes aos da gripe, e dores de cabeça.

O donanemabe foi aprovado em julho do ano passado nos Estados Unidos, um ano após o Laqembi (lecanemabe), também destinado ao tratamento de Alzheimer. Os dois, no entanto, são alvos de controvérsias na comunidade médica. Alguns especialistas dizem que, embora sejam os medicamentos mais eficazes até agora contra a doença, é uma eficácia ainda muito limitada.

Na última semana, a Comissão Europeia aprovou o uso de lecanemabe para o tratamento de Alzheimer. Contudo, em março deste ano, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a recusa do uso de donanemabe para mesma finalidade.

No Brasil, a Anvisa publicou que irá monitorar a segurança e efetividade do donemabe sobre rigorosa análise. Segundo o Ministério da Saúde, a doença costuma evoluir de forma lenta e irreversível. A sobrevida média das pessoas com Alzheimer oscila entre 8 e 10 anos. e o quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios.

Os estágios do Alzheimer

O primeiro, a forma inicial da doença, causa alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais. Foi nesse estágio da doença que estavam os pacientes participantes do estudo com donanemabe.

O segundo provoca dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia também são comuns nesta fase.

Já o estágio três é a forma grave de Alzheimer, com resistência do paciente à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e deficiência motora progressiva.

O último estágio da doença é o terminal, com restrição ao leito, dor à deglutição e infecções intercorrentes do paciente.

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