Emater e Cecafé firmam parceria para promover a sustentabilidade na cafeicultura – Foto: reprodução
No Dia Internacional do Café, celebrado em 1 de outubro, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) anunciam uma nova parceria em prol da sustentabilidade da cafeicultura mineira. A união das instituições irá fortalecer o programa Construindo Solos Saudáveis, criado pela Emater-MG.
A iniciativa está alinhada ao tema definido pela Organização Internacional do Café (OIC) para a data em 2025: “Abraçando a colaboração mais do que nunca”. O lema ressalta o valor da cooperação em toda a cadeia produtiva do café para garantir meios de vida sustentáveis e resiliência ambiental — princípios que estão na base do acordo entre Cecafé e Emater-MG.
O programa Construindo Solos Saudáveis se baseia no uso de plantas de cobertura cultivadas em consórcio com lavouras comerciais, como café. Essas plantas, entre elas crotalárias, milheto, nabo forrageiro e feijão-guandu, contribuem para a fertilidade da terra, reduzem a erosão, aumentam a infiltração de água e melhoram a estrutura do solo. Após roçadas, as plantas de cobertura permanecem sobre o terreno como palhada, formando uma camada protetora que ajuda a preservar a umidade e a matéria orgânica, além de diminuir a temperatura do solo.
O sistema também traz outros resultados ambientais expressivos. O estudo Balanço de Carbono na Cafeicultura de Minas Gerais, conduzido pelo Imaflora e pela Esalq/USP, a pedido do Cecafé, mostrou que a manutenção do solo coberto, combinada a práticas conservacionistas, pode gerar um balanço de carbono negativo de 10,5 toneladas de CO₂ equivalente por hectare de café arábica ao ano. Esse dado reforça o papel da cafeicultura regenerativa na mitigação das mudanças climáticas.
Na prática, a parceria entre Emater-MG e Cecafé prevê, nesta primeira etapa, a instalação de Unidades Demonstrativas (UDs) em propriedades do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro, onde serão avaliados os benefícios das plantas de cobertura para o café.
“Nessas unidades, serão avaliados os benefícios da utilização de culturas de cobertura na entrelinha do café, contribuindo para a melhoria da saúde do solo, aumento da produtividade e maior resiliência às mudanças climáticas”, afirma a diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, Silvia Pizzol, para quem a cooperação entre as duas instituições representa um marco.
Os técnicos da Emater-MG e cafeicultores poderão observar de perto os efeitos das práticas no solo e na produtividade, além de compartilhar experiências em dias de campo. Estão incluídas ainda ações como assistência técnica especializada, análises de solo, avaliação de biomassa e mobilização de produtores com o apoio dos exportadores vinculados ao Cecafé.
Coordenador técnico de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Cangussu destaca que a união de esforços é fundamental para promover a sustentabilidade na atividade. “Ao unir conhecimento, engajamento dos exportadores, produtores, técnicos da Emater e apoio institucional, a parceria representa um passo concreto rumo à cafeicultura regenerativa, que valoriza o solo como base para uma produção mais equilibrada e duradoura. Além disso, estamos respondendo aos anseios do mercado consumidor por produtos ambientalmente responsáveis”, declara.
Delfinópolis sedia concurso de doce de leite e circuito de cafeicultura a partir desta sexta-feira – Foto: reprodução
A cidade de Delfinópolis (MG) se transforma, a partir desta sexta-feira (12), em ponto de encontro para amantes da gastronomia e da produção agrícola. A Praça Manoel Leite Lemos será palco de dois grandes eventos simultâneos: o 2º Concurso Regional de Doce de Leite Pastoso e o 1º Circuito Mineiro de Cafeicultura, que seguem até domingo (14).
Cerca de 15 docerias apresentarão suas receitas no concurso, enquanto aproximadamente cem cafeicultores devem participar das atividades voltadas à cafeicultura. De acordo com a Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), o concurso nasceu para fortalecer o setor e já mostrou resultados positivos.
“Em 2024, tivemos o primeiro concurso em Piumhi e abrimos espaço para todos participarem, para fomentar a regularização. A estratégia deu certo, conseguimos aumentar a emissão de certificados sanitários das docerias”, destacou Giovani Braga Passos, extensionista da Emater-MG.
O Circuito Mineiro de Cafeicultura começa nesta sexta-feira, às 14h, no mesmo local. A programação inclui palestras sobre implantação de lavouras, manejo adequado da cafeicultura, sorteios de brindes e uma mesa-redonda com produtores.
A participação é gratuita, e as inscrições podem ser feitas diretamente na praça durante o evento.
Colheita eficiente e pós-colheita de qualidade: Sistema Faemg Senar promove capacitações em municípios mineiros com foco na excelência da produção de café
Qualificação estratégica fortalece a cafeicultura no Sul de Minas cursos do Sistema Faemg Senar em Paraguaçu e Botelhos preparam trabalhadores para a safra – Foto: divulgação
Com a colheita de café nos estágios iniciais no Sul de Minas – um momento decisivo para a produtividade e a qualidade da safra 2024/25 –, a qualificação técnica dos trabalhadores se torna uma ferramenta estratégica nas propriedades. Atento a essa demanda, o Sistema Faemg Senar, por meio do Escritório Regional de Passos e em parceria com os Sindicatos dos Produtores Rurais, vem promovendo cursos que atendem diferentes etapas da produção de café. Os municípios de Paraguaçu e Botelhos são exemplos recentes dessa atuação que reforça o compromisso com a eficiência no campo, a valorização do trabalhador rural e a qualidade do café.
Em Paraguaçu, o curso TAP (Treinamento de Aperfeiçoamento Profissional) Colhedora de Café de Arrasto – Operação de Colheita foi realizado na Fazenda Santa Cruz, referência em cafés especiais na região. A formação, ministrada pelo doutor em Agronomia Rodrigo Elias Batista Almeida Dias, capacitou 10 trabalhadores da fazenda para operar corretamente e fazer a regulagem adequada das colhedoras.
“Este curso é muito importante, pois melhora a forma dos funcionários trabalharem e a eficiência da colheita. Ele aconteceu agora, no início da colheita do café, que vai de maio a setembro, todos os anos. Nele, ensinamos a regulagem da colhedora, de acordo com o foco do Sistema Faemg Senar, que é o aluno aprender a fazer fazendo”, destacou o instrutor.
O conteúdo abordou temas como avaliação da lavoura, definição do tipo de colheita, regulagem dos equipamentos e estratégias para evitar perdas e otimizar resultados no campo. A ação integra a programação de capacitações do Sistema Faemg Senar, com o objetivo de garantir uma colheita mais segura, produtiva e tecnicamente bem executada. Já no município de Botelhos, a atenção se voltou para a etapa seguinte: a pós-colheita, com foco na produção de cafés especiais. O curso de Pós-Colheita do Café via Seca foi ministrado por João Mateus Ferreira, tecnólogo em cafeicultura, produtor em Poço Fundo e técnico de campo no programa ATeG (Assistência Técnica e Gerencial) na região. A capacitação reuniu nove colaboradores da Fazenda São Carlos, localizada no distrito de Palmeiral.
“O foco foi ensinar técnicas para alcançar cafés de alta qualidade e também orientar sobre boas práticas no terreiro, evitando perdas que possam comprometer o resultado final”, explicou João Mateus.
Além de abordar o mapeamento dos talhões com maior potencial produtivo, o curso percorreu todas as fases do pós-colheita: terreiro, secador, estrutura de beneficiamento, com orientações práticas e aplicáveis.
“Nesse curso a gente orienta muita coisa, detalhes sobre o pós-colheita. Trabalhamos tanto o mapeamento dos talhões quanto detalhes da colheita e o processo de pós-colheita completo. A gente passa em todos os setores, orientando o produtor como fazer da melhor forma”, complementou o instrutor.
A capacitação é fundamental neste momento do ano, pois as decisões técnicas tomadas após a colheita impactam diretamente na qualidade da bebida entregue ao consumidor final.
Esses dois cursos exemplificam o esforço contínuo do Sistema Faemg Senar em promover capacitações que atendem a todas as fases da produção cafeeira — do pé à xícara. Por meio do Escritório Regional de Passos, que atende 75 municípios, são oferecidas mais de 300 modalidades de cursos para o agro, com uma média de 50 turmas por semana e mais de 20 mil pessoas capacitadas por ano. São formações técnicas que fazem a diferença levando mais conhecimento, segurança e eficiência. Paraguaçu e Botelhos são exemplos do quanto a qualificação é estratégica para o sucesso da cafeicultura mineira.
Como encontros de produtoras rurais tem fortalecido lideranças femininas no Agro. Em Guaxupé, mais de 600 mulheres se reuniram para debater o tema
Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira – Foto: divulgação
A cafeicultura brasileira está sendo protagonista de uma transformação importante: o fortalecimento da presença feminina na gestão e nas decisões estratégicas. Em regiões tradicionalmente reconhecidas pela produção de café, as mulheres não apenas contribuem com a lida diária, mas assumem papéis cada vez mais centrais na condução das propriedades e no futuro do setor.
Quando falamos de agronegócio em geral, ou seja, todas as atividades relacionadas à agricultura, pecuária e agroindústria no país, vemos um cenário de crescente protagonismo feminino. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres administram cerca de 30 milhões de hectares no Brasil – o equivalente a 8,5% da área total ocupada por sítios e fazendas. Além disso, elas estão à frente de quase 1 milhão de estabelecimentos rurais (exatamente 947 mil, segundo o IBGE), o que representa aproximadamente 19% do total nacional.
Já quando olhamos especificamente para a cafeicultura, o Censo Agropecuário do IBGE de 2017 aponta que as mulheres estão à frente de mais de 40 mil estabelecimentos agrícolas dedicados ao café, representando 13,2% do total de propriedades cafeeiras do país.
Em Minas Gerais, esse protagonismo feminino é mais evidente na cafeicultura. Embora não haja um número oficial específico para a cafeicultura no estado, análises do IBGE, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) mostram que, dos 594 mil hectares cultivados por mulheres no Sudeste, 65,7% estão localizados em Minas Gerais. Esses números consolidam o estado como referência nacional no protagonismo feminino na cafeicultura.
Assim, enquanto o agronegócio brasileiro avança com a liderança das mulheres em diferentes cadeias produtivas, a cafeicultura se destaca como um dos setores em que essa presença feminina é especialmente forte e transformadora.
A valorização e o fortalecimento das mulheres no agronegócio mineiro vêm sendo impulsionados por uma série de eventos realizados em todo o estado, que estimulam capacitação, proporcionam networking e o reconhecimento das produtoras rurais, especialmente das cafeicultoras de Minas Gerais.
No Sudoeste de Minas, um exemplo marcante é o Encontro de Produtoras Rurais de Guaxupé, São Pedro da União e região, que, pelo terceiro ano consecutivo, tem sido um sucesso de público e um exemplo inspirador de valorização da mulher no campo. A edição de 2025, realizada no último dia 26 de abril, no Sítio Jaboti, reuniu mais de 600 mulheres do campo, consolidando o evento como uma verdadeira rede de apoio, troca de experiências e fortalecimento da liderança feminina no agro.
Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira – Foto: divulgação
A programação diversificada incluiu palestras sobre liderança, gestão rural, sustentabilidade e inovações no agronegócio, além de estandes com produtos e serviços voltados ao público feminino rural, proporcionando um ambiente de aprendizado e acolhimento.
Realizado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Guaxupé, com apoio do Sistema Faemg Senar, Emater, Cooxupé, prefeituras de Guaxupé e São Pedro da União, além de instituições financeiras e entidades ligadas ao agronegócio, o evento contou com a presença de diversas de lideranças do agro e autoridades políticas: o prefeito de Guaxupé, Jarbas Corrêa Filho, e do prefeito de São Pedro da União, Ronaldo Tijolo; a deputada federal Greyce Elias; e dos deputados estaduais Antônio Carlos Arantes, Carol Caran e Cássio Soares.
A Agente de Desenvolvimento Rural Maria José Cyrino, responsável pela organização do evento e mobilização das produtoras, destacou o compromisso em dar visibilidade e suporte às mulheres do agro: “Nosso objetivo é sempre mostra o valor das produtoras rurais, mostrando a elas que não são invisíveis e suas funções dentro da propriedade fazem toda diferença”.
A proprietária do Sítio Jaboti, Alice Fukumoto Queiroz, que é cafeicultora, ressaltou: “Nós já estamos no terceiro encontro das produtoras rurais, e eu acho esse encontro muito importante para valorizar as mulheres do campo. Todas são produtoras, todas ajudam na colheita, no terreirão. Temos que valorizar as mulheres.”
O presidente do Sindicato, Mário Guilherme Perocco Ribeiro do Valle, o Maé, também reforçou a importância de criar espaços de valorização feminina: “O papel do sindicato rural é promover essa experiência, é fazer esse congraçamento, é trazê-las para perto da gente, é mostrar para as mulheres a sua importância. E isso é um trabalho que nós, os sindicatos, junto com a Faemg e o Senar, já estamos fazendo há muito tempo. É importantíssimo nesse mundo de hoje.”
A capacitação como alavanca para o avanço das mulheres no agro
Elas no café: liderança feminina ganha força na cafeicultura mineira – Foto: divulgação
Embora o protagonismo feminino no campo não seja mais novidade, a capacitação continua sendo a chave para garantir que as mulheres conquistem visibilidade, autonomia e segurança em suas atividades. A engenheira agrônoma Silvana Novaes, do Sistema Faemg Senar, sublinha a importância da formação contínua: “Escutamos muito que o lugar da mulher é onde ela quiser, mas ela só vai conseguir estar onde ela quiser se ela se capacitar para isso.”
Por meio de programas como o Faemg Mulher, o Sistema Faemg Senar tem criado oportunidades de qualificação e fortalecido redes de apoio para as mulheres do agro. Segundo Silvana, a força do programa está na conexão entre as participantes e nas possibilidades de desenvolvimento com suporte institucional do Sistema Faemg Senar, que, através dos Sindicatos dos Produtores Rurais, oferece gratuitamente e durante todo o ano, cursos importantes para capacitar produtoras rurais nas mais diversas cadeias produtivas do agro, entre elas, a cafeicultura: “É uma rede viva e crescente de lideranças para que o agro se torne cada vez mais forte e competitivo.”
A segurança das mulheres rurais foi tema de destaque com a presença da delegada Mireli Léa Mafra, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Guaxupé, que ressaltou o compromisso da Polícia Civil: “A Polícia Civil, a Delegacia Rural e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher estão juntas com a mulher do campo, para que haja segurança em todos os ambientes. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher cuida da mulher no âmbito doméstico e familiar e a Delegacia Rural dos crimes relacionados a furtos e roubos na zona rural. É preciso fortalecer a mulher, para que ela possa trabalhar na terra e com segurança em todos os ambientes. É muito importante que a polícia e as forças de segurança estejam presentes nesses eventos”
A presença da mulher no agro é um caminho sem volta. Com capacitação, valorização e redes de apoio, elas ocupam cada vez mais espaços no campo. O lugar da mulher é onde ela quiser – e cada vez mais, elas sabem onde devem estar: na liderança da cafeicultura, fortes, competentes e cheias de futuro.
Depoimentos das participantes do 3º Encontro das Mulheres da Zona Rural de Guaxupé, São Pedro da União e Região:
Durante o 3º Encontro de Produtoras Rurais de Guaxupé, São Pedro da União e região, participantes de diferentes realidades compartilharam experiências, ideias e perspectivas:
Letícia Helena de Oliveira Faria – São Pedro da União:
“Eu sou produtora rural e acho muito importante. Deveria ter mais vezes em outra cidade também, porque é uma forma das mulheres aparecerem mais no negócio. A mulher sempre está presente, mas sempre está esquecida também. Então eu espero que isso aí seja exemplo para outra cidade, fazer um evento assim, mostrando a importância da mulher na agricultura.”
Flávia Ananias – Guaxupé:
“Esse evento é maravilhoso para nós, mulheres. Mesmo não sendo agricultora, me sinto acolhida e inspirada. Já é o terceiro ano que participo e espero continuar vindo sempre. Os temas abordados são incríveis, nos fazem refletir e aprender. Quem sabe, no futuro, eu também não me torne agricultora.”
Regina dos Reis Salles – São Pedro da União:
“É muito bom estar com o pessoal, escutar o que falam. Minha filha trabalha na roça, então entende um pouco dessas coisas que foram faladas. Eu acho muito bom.”
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