Tecnologia imersiva apresenta Lago de Furnas e atrativos da Canastra no Salão Nacional do Turismo 2025 – Foto: divulgação
Entre os dias 21 e 23 de agosto, São Paulo sediará o Salão Nacional do Turismo 2025, evento organizado pelo Ministério do Turismo em paralelo ao Feirão do Turismo. A feira é considerada uma das mais importantes do setor e tem como foco ampliar a valorização dos destinos nacionais e incentivar as viagens dentro do Brasil.
Neste ano, a Associação dos Empresários de Turismo de Capitólio (ASCATUR) será uma das protagonistas, apresentando uma proposta inovadora para promover as belezas naturais e culturais do município e da região do Território da Canastra.
A inovação tecnológica
Capitólio levará ao público uma plataforma digital em realidade virtual, que permite explorar atrativos turísticos em 360 graus. Lançada com destaque durante a WTM Latin America, feira internacional do setor realizada em São Paulo, a ferramenta oferece imersão em pousadas, hotéis, restaurantes, cânions, cachoeiras e fazendas produtoras do Queijo Canastra.
A experiência possibilita ao visitante “caminhar” por trilhas, simular passeios de lancha no Lago de Furnas, ouvir sons ambientes e acessar informações detalhadas de cada ponto turístico — tudo sem sair do lugar.
O projeto é resultado de uma parceria entre a ASCATUR, a consultoria GKS e a empresa de tecnologia MEVIZ, e representa um marco no uso da realidade virtual aplicada ao turismo no Brasil.
O “Mar de Minas” em destaque
Conhecida como o “Mar de Minas”, a região de Capitólio se consolida como um dos principais polos turísticos do estado. Além das águas cristalinas do Lago de Furnas, o território abriga o Parque Nacional da Serra da Canastra, onde nasce o Rio São Francisco e se encontram paisagens exuberantes que atraem visitantes de todo o país.
Importância do Salão Nacional do Turismo
Durante os três dias de programação, o evento reunirá empresários, representantes de governos, marcas ligadas ao turismo e profissionais do setor para apresentar tendências, inovações e oportunidades de negócios.
Além de dar visibilidade a destinos como Capitólio, o Salão busca fortalecer a comercialização direta de serviços e produtos turísticos, fomentar a regionalização das atividades e manter o setor ativo também em períodos de baixa temporada.
Tecnologia imersiva apresenta Lago de Furnas e atrativos da Canastra no Salão Nacional do Turismo 2025 – Foto: divulgação
Encontro gratuito reúne a cadeia produtiva do QMA na microrregião e perspectivas para o setor estarão em pauta durante o evento
Último fórum do projeto “Promoção dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” será executado na Canastra – Foto: divulgação
Em 9 de julho, será realizado em São Roque de Minas, na microrregião da Canastra, o décimo e último fórum regional do projeto “Promoção dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal – Patrimônio Cultural Brasileiro e da Humanidade”, desenvolvido pelo Instituto Periférico. O encontro será às 16h na Escola Estadual General Carneiro, no Centro da cidade. A iniciativa tem como objetivo valorizar e fortalecer o patrimônio cultural representado pela produção do Queijo Minas Artesanal, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, além de incentivar a preservação das técnicas tradicionais desse saber ancestral.
Ao longo dos últimos meses, o projeto percorreu nove microrregiões de Minas Gerais promovendo fóruns de escuta, debates e troca de experiências, destacando o papel central das comunidades produtoras para a continuidade dessa tradição. Já receberam os encontros as regiões de Entre Serras da Piedade ao Caraça, Cerrado, Serra do Salitre, Triângulo Mineiro, Serro, Diamantina, Araxá, Campos das Vertentes e Serras da Ibitipoca. A realização dos fóruns reafirma o compromisso com a construção coletiva de políticas de reconhecimento e salvaguarda do patrimônio cultural.
A expressiva participação de produtores, agentes de patrimônio, autoridades locais e demais entusiastas tem evidenciado a relevância do tema e o forte engajamento das comunidades. Os encontros têm sido férteis de diálogo, onde vêm à tona as especificidades regionais, os desafios enfrentados, os pontos fortes e o potencial de valorização do Queijo Minas Artesanal. Trata-se de um esforço conjunto pela preservação de uma tradição viva, que alia cultura e desenvolvimento sustentável das comunidades produtoras.
Gabriela Santoro, diretora-presidente do Instituto Periférico, destaca a trajetória e os resultados do projeto até o momento: “buscamos valorizar, por meio dos fóruns, as técnicas envolvidas na produção do Queijo Minas Artesanal, enaltecendo os saberes seculares presentes na nossa cultura alimentar e escutando aqueles que detêm o saber. A participação das comunidades tem sido essencial para o sucesso dessa iniciativa, que visa promover e preservar a rica tradição do estado de Minas Gerais”. Sua fala reforça o compromisso com uma política de patrimônio que seja inclusiva, participativa e sustentável, construída com e pelas comunidades locais.
Na Canastra, o fórum conta com apoio da Associação dos Produtores de Queijo Canastra (Aprocan), fortalecendo ainda mais a articulação entre os diferentes elos da cadeia produtiva. A valorização do Queijo Minas Artesanal da Canastra, com suas características e forte vínculo com o território, é uma das metas do projeto, que busca consolidar estratégias de salvaguarda desse patrimônio singular.
Para Higor Freitas, gerente-executivo da Aprocan, o fórum de escuta e discussão na microrregião da Canastra é uma excelente oportunidade para que os produtores possam expressar suas opiniões e contribuir na formulação de ações estratégicas voltadas para a promoção e a salvaguarda deste importante bem cultural. “Após séculos de história e muito trabalho de inúmeras famílias mineiras, que mantiveram essa tradição viva ao transmitirem seus conhecimentos de geração em geração, agora, os principais protagonistas desse processo, os produtores, têm voz e o merecido destaque para impulsionar ainda mais o nosso Queijo Minas Artesanal”, afirma Higor.
Ele afirma ainda que cerca de 800 famílias produzem, em média, 20 quilos de queijo por dia na região da Canastra, totalizando, aproximadamente, 16 toneladas diárias de Queijo Minas Artesanal. Esta iguaria, que, segundo a legislação atual, precisa ser maturada por no mínimo 14 dias, carrega consigo as características sensoriais que só o queijo da Canastra possui. Casca amarelo-ouro, que pode conter fungos, massa compacta, macia, sabor e aroma láticos, sal e acidez equilibrados, são algumas características que o clima, a vegetação, água, altitude e o saber-fazer dos produtores locais proporcionam ao produto.
Ainda segundo dados da Aprocan, apenas os produtores dos oito municípios que estão dentro da área delimitada pela Indicação de Procedência Canastra, podem ostentar o “Canastra”: Tapiraí, Medeiros, Bambuí, São Roque de Minas, Piumhi, Vargem Bonita, São João Batista do Glória e Delfinópolis.
De acordo com dados da Emater, o Queijo Minas Artesanal da Canastra apresenta características físicas e sensoriais inconfundíveis, determinadas por um conjunto de fatores relacionados ao clima, topografia e altitude. O resultado deste microclima único é um queijo de agradável sabor ácido, com textura homogênea, que varia de semidura a macia, em cor creme-claro. As peças têm entre 1 kg e 1,2 kg”.
Carlos Bovo, coordenador técnico regional da Emater-MG, ressalta que, desde o início da luta pela regularização do Queijo Minas Artesanal, o foco tem sido tornar essa produção legalizada e reconhecida nos âmbitos estadual e nacional. “Este projeto, que destaca o queijo como patrimônio imaterial da humanidade, coroa todo um trabalho de mais de 200 anos dos produtores. Essa conquista valoriza o modo de fazer tradicional, reforça a identidade cultural e eleva o valor de mercado do produto, principalmente nas vendas diretas, como ocorre na Serra da Canastra, que se consolidou como um grande atrativo comercial”, destaca o coordenador.
Carlos ressalta que na Canastra são produzidos cerca de 26 milhões de litros de leite por ano, resultando em uma produção volumosa de, aproximadamente, 2,15 milhões de quilos de queijo.
O projeto “Promoção dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal – Patrimônio Cultural Brasileiro e da Humanidade” é uma realização do Instituto Periférico, a partir de recursos contemplados via Plataforma Semente | Cemais, por meio do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura e Turismo de Minas Gerais, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Associação Mineira do Queijo Artesanal (Amiqueijo), com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
Serviço:
Fórum de escuta e discussão do projeto “Promoção dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal – Patrimônio Cultural Brasileiro” – Microrregião da Canastra Data: 9 de julho de 20225, às 16h Local: Escola Estadual General Carneiro, no Centro da cidade Mais informações: www.institutoperiferico.org/queijominaspatrimonio Instagram: @queijominaspatrimonio
Último fórum do projeto “Promoção dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” será executado na Canastra – Foto: divulgação
Exibição de documentários, palestras para estudantes do ensino público edegustação de queijos estão entre as ações.
Projeto sobre o queijo artesanal de Minas leva eventos para BH,Serra da Canastra e Araxá – Foto: divulgação
O projeto “Queijo Artesanal: Sabores e Saberes Mineiros”, que tem como objetivo identificar, pesquisar e valorizar os saberes e modos de fazer tradicionais que envolvem a produção do queijo artesanal de leite cru, apresentará seus resultados para os mineiros. Exibição de documentários, encontro para troca de experiências, degustações e um seminário estão entre as ações, todas gratuitas e abertas ao público. O projeto é realizado pelo Instituto Periférico, com o patrocínio da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa MG), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e apoio técnico da Emater.
As atividades serão realizadas, inicialmente, nas microrregiões da Canastra e de Araxá, onde a equipe de pesquisa esteve para elaboração de inventários e diálogo com produtores e comerciantes. Depois, as ações chegam a Belo Horizonte com um seminário para a cadeia produtiva da cozinha mineira e para o trade turístico, além de um encontro com comerciantes de queijo do Mercado Central da capital.
As atividades terão início em São Roque de Minas, em 30 de agosto, quando haverá a apresentação do projeto e do documentário produzido sobre a microrregião da Canastra para estudantes do ensino público. No dia seguinte, 31 de agosto, será realizada uma devolutiva para produtores e sociedade civil, com a exibição do documentário, uma mostra expositiva e uma degustação de queijos na Praça da Matriz.
A mesma programação será levada para Araxá, em 13 e 14 de setembro, com destaque para o documentário que contempla a produção de queijo nessa microrregião e para a mostra expositiva com imagens registradas durante o processo de pesquisa. Na noite de sábado, é na Fundação Calmon Barreto que estarão reunidos produtores, comerciantes, parceiros e demais interessados pela temática para, além de degustarem queijos produzidos também pelos municípios vizinhos, acompanharem os resultados do projeto.
Comércio e turismo em pauta em Belo Horizonte
Na capital mineira, o Mercado Central sediará, em 18 de setembro, um diálogo com comerciantes sobre o projeto e seu impacto na economia local. E, para encerrar o ciclo de ações, no Centro de Referência do Queijo Artesanal será realizado um seminário com o trade turístico, abordando as possibilidades de atuação e fortalecimento de rotas, além das perspectivas com relação à declaração da Unesco sobre os modos de fazer o queijo Minas artesanal como Patrimônio Cultural da Humanidade. O encontro será em 19 de setembro, das 14h às 18h, também com entrada gratuita e mediante inscrição pelo site institutoperiferico.org/queijominas.
A presidente do Instituto Periférico, Gabriela Santoro, destaca a relevância das próximas entregas: “Este projeto não apenas ressalta a riqueza do nosso patrimônio cultural, mas também promove a valorização do queijo como um símbolo da identidade mineira. Ao reconhecer e apoiar os saberes e sabores que compõem essa tradição, estamos investindo na nossa história e no futuro dos nossos produtores, garantindo que o queijo artesanal de Minas Gerais continue sendo uma fonte de orgulho e sustento para nossas comunidades”.
Segundo a coordenadora do projeto, Luciana Praxedes, “os modos de fazer o queijo artesanal integram a cultura alimentar mineira, que é internacionalmente conhecida e valorizada. O queijo possui um protagonismo na nossa história e, também, na nossa economia. São milhares de famílias que se dedicam à produção artesanal do queijo em diversas regiões do estado, perpetuando saberes tradicionais e preservando a nossa identidade”.
Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) indicam que a comercialização dos queijos artesanais de Minas Gerais gerou uma receita superior a R$ 6 bilhões em 2022, número que deve ser ampliado caso a Unesco declare os modos de fazer o Queijo Minas Artesanal como patrimônio da humanidade. Inscrito na Lista Representativa do órgão, o bem cultural pode obter esse título em dezembro de 2024, durante a XIX reunião do Comitê do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco.
Seguindo a expectativa de crescimento da comercialização dos queijos artesanais, o número de queijarias legalizadas em Minas Gerais cresceu de 20 para 155 estabelecimentos nos últimos cinco anos. Os dados, da Agência Minas, indicam uma expansão de 675% no período.
Essas ações do projeto “Queijo Artesanal: Sabores e Saberes Mineiros” possuem o apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan), Associação Regional Produtores Queijo Minas Artesanal Araxá (Aqmara), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Centro de Referência do Queijo Artesanal e Mercado Central de Belo Horizonte.
Em 2002, o Iepha-MG registrou o Modo de Fazer o Queijo Artesanal da Região do Serro (MG) como Patrimônio Cultural Imaterial do estado, sendo o primeiro registro de bem relacionado à cultura alimentar do país. Dez anos depois, foi realizada novamente pelo Iepha-MG a revalidação do bem cultural atendendo ao disposto no Decreto Estadual 42.505 de 2002. Nesse mesmo ano, além da revalidação referente ao Serro, foram incluídos outros municípios: Alvorada de Minas, Coluna, Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim, Materlândia, Paulistas, Rio Vermelho, Sabinópolis, Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas.
A proteção federal veio em 2008, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que reconheceu o Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro, da Serra da Canastra e Salitre/Alto Paranaíba como patrimônio nacional, inscrito no Livro de Registro dos Saberes. Recentemente, a proteção federal foi ampliada para oito regiões produtoras com base nos relatórios de caracterização produzidos pela Emater (Serro, Serra da Canastra, Araxá, Cerrado, Campo das Vertentes, Serras de Ibitipoca, Serra do Salitre e Triângulo Mineiro, bem como aquelas que venham a ser identificadas) e houve a alteração do título para “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal”. A partir da também ampliação da caracterização feita pela Emater, a proteção do Iphan já alcança dez microrregiões.
Atualmente, são 15 regiões identificadas pela Emater e reconhecidas como produtoras de queijos artesanais no território mineiro, sendo dez regiões produtoras do Queijo Minas Artesanal (QMA) – Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro, Serras de Ibitipoca – e cinco produtoras de outros tipos de queijos artesanais mineiros – Alagoa, Mantiqueira de Minas, Serra Geral do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vale do Suaçuí.
Serviços:
Projeto “Queijo Artesanal: Sabores e Saberes Mineiros”
São Roque de Minas:
30/8: Apresentação do projeto e do documentário produzido sobre a microrregião da Canastra para alunos do ensino público.
31/8: Devolutiva para produtores e sociedade civil, exibição do documentário, mostra expositiva e degustação de queijos (Praça da Matriz, a partir das 18h).
Araxá:
13/9: Apresentação do projeto e do documentário produzido sobre a microrregião de Araxá para alunos do ensino público.
14/9: Devolutiva para produtores e sociedade civil, exibição do documentário, mostra expositiva e degustação de queijos (a partir das 18h, na Fundação Calmon Barreto – Praça Artur Bernardes, 10 – Centro).
Belo Horizonte – Mercado Central:
18/9: Encontro com comerciantes no miniauditório do Mercado Central, das 16h às 18h (Av. Augusto de Lima, 744 – Centro).
Belo Horizonte – Centro de Referência do Queijo Artesanal:19/9: Seminário com o trade turístico e cadeia produtiva do queijo, abordando as possibilidades de atuação das Instâncias de Governanças Regionais (IGRs) e o fortalecimento de rotas e perspectivas com a declaração pela Unesco dos modos de fazer o queijo Minas artesanal como patrimônio cultural da humanidade.
Evento será promovido de 13 a 15 de junho, em BH, com o intuito de apresentar a variedade da produção no estado e valorizar o trabalho de pequenos produtores
Por Thiago Carvalho
Produtores da Canastra participam do Festival do Queijo Artesanal de Minas, no Expominas – Foto: divulgação
Sete produtores de queijo da região da Canastra, apoiados pelo Sebrae Minas, vão participar da 6ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas, entre os dias 13 e 15 de junho, no Expominas, em Belo Horizonte. O evento, que divulga as características únicas dos queijos produzidos no estado, confere ainda mais visibilidade à região que reúne as cidades de São Roque de Minas, Medeiros, Vargem Bonita, Tapiraí, Delfinópolis, Bambuí e Piumhi.
O produtor Miguel Marcelio Faria, de São Roque de Minas, é um deles. A receita do legítimo queijo Canastra está na família dele há gerações. Ele conta que aprendeu a produção com os pais que, por sua vez, receberam o aprendizado dos avós dele. “Na minha infância, a produção era de 1 kg de queijo por dia. Na época das águas (chuva intensa), chegava a 3 kg. A gente comia queijo três vezes ao dia: no café da manhã, no almoço com macarrão ou abóbora, e à noite. O amarelinho (queijo curado) era vendido”, lembra.
Hoje, o Queijo do Miguel é reconhecido em todo o país. Há sete anos, conquistou o Selo Arte – assegura que o produto alimentício de origem animal é elaborado de forma artesanal. O produtor também foi um dos primeiros a receber o Selo de Caseína, que traz informações sobre a origem do queijo, o método produtivo, e resguarda e valoriza a conquista das chancelas de Indicação Geográfica (IG), dos produtores de queijo da Canastra, no Centro-Oeste do estado. A estratégia apoiada pelo Sebrae Minas evita falsificações e promove diferenciais competitivos no mercado.
No festival, o produtor vai expor peças do queijo Canastra Tradicional e do Extra Maturado, com variações de maturação entre seis meses e um ano. “Participei de todas as edições do Festival. O apoio do Sebrae Minas fortalece ainda mais os produtores da Canastra, por isso, não perco essa oportunidade”, afirma.
De acordo com o gerente executivo da Associação dos Produtores do Queijo Canastra (Aprocan), Higor Freitas, a participação dos produtores no Festival do Queijo Artesanal de Minas tem o objetivo de promover uma experiência cultural e gastronômica para todos os visitantes do evento. “O queijo da Canastra tem mais de 200 anos de tradição, e se mantém ‘vivo’ a cada geração. Esperamos agradar a todos os paladares com o sabor único e especial do queijo artesanal produzido na nossa região, e possibilitar uma conexão entre o consumidor e o produtor”, destaca.
PRODUTORES DO QUEIJO CANASTRA PARTICIPANTES DO FESTIVAL:
Queijaria Pedacin da Serra – Medeiros
Produtora: Francielle Cristina Leite
A queijaria Pedacin da Serra existe desde março de 2020, mas o queijo está presente na família da produtora há cinco gerações. Após atuar por dez anos no setor de Engenharia Civil, ela optou por se dedicar 100% à queijaria, que teve o produto premiado com medalha de Ouro no Mundial do Queijo do Brasil 2024, em São Paulo. “Acredito que teremos uma boa visibilidade, assim como ocorreu em edições anteriores, com acesso a novos mercados”, ressalta.
Queijaria Pontevelhano – Medeiros
Produtor: Marcos da Cunha Lana
A produção do queijo é feita na fazenda que pertenceu ao avô do produtor, adquirida em 1984. No ano de 2015, Marcos Lana passou a residir em Medeiros, realizando diversas melhorias na propriedade. Cinco anos depois, a queijaria foi inaugurada, e a conquista do Selo Arte veio em 2022. “Será a primeira participação no festival. Além de apresentar nossos produtos para o público de BH, quero estabelecer uma rede de relacionamento com produtores e comerciantes”, conta.
Queijaria Capela Velha – São Roque de Minas
Produtor: Guilherme Henrique Silva
A queijaria surgiu da necessidade de agregar valor à maturação do queijo Canastra, em uma infraestrutura adequada à legislação federal para produtos artesanais. A expectativa com o evento é gerar novos negócios, além do relacionamento direto com o cliente final e com produtores de outras regiões do estado. “Será uma oportunidade de trocar experiências e memórias com os amigos queijeiros. O público é intenso e a organização grandiosa, fato que torna o festival o maior evento queijeiro do estado, e um dos principais do país”, diz.
Tradição da Canastra – São Roque de Minas
Produtores: José Gabriel da Silva e Edna Barreto
O negócio teve início em 2015, idealizado pelo produtor José Gabriel, nascido em São Roque de Minas. Aos 17 anos, ele foi estudar Engenharia, em Belo Horizonte, e a família continuou no interior, dedicada à produção do queijo Canastra. Após a morte dos pais, a fazenda foi vendida. Tempo depois, José Gabriel retornou à cidade, comprou parte da propriedade que foi dos pais e iniciou a produção de leite. Hoje, produzindo queijo, mantém a tradição da família e a memória dos antepassados. “Espero poder divulgar nosso queijo para todo o estado, com bons resultados de vendas e novos contatos”, conta.
Queijaria Irmãos Faria – São Roque de Minas
Produtores: Leonardo Faria, Fernando Faria e Rafaela Faria
A queijaria Irmãos Faria nasceu há cinco anos, mas a tradição do queijo Canastra na família tem muitas décadas. O início foi com o bisavô dos irmãos Leonardo, Fernando e Rafaela. “Esta é a primeira vez que participamos do festival. Vamos levar nosso melhor queijo, premiado com a medalha Super Ouro, no Mundial do Queijo realizado no Brasil. Esperamos conhecer outros produtores e trocar experiências em BH”, destaca Leonardo.
Queijaria Lobeira – Bambuí
Produtora: Mariana Urquiza Veloso
A empresa surgiu da paixão da produtora pela iguaria. Na época, Mariana Veloso era advogada e morava em São Paulo. Em 2019, decidiu mudar de vida, adquiriu a fazenda e investiu na queijaria. “O Festival é o maior evento queijeiro do nosso estado. Será uma excelente oportunidade para apresentar meus queijos, conhecer outras regiões queijeiras e estabelecer contato com produtores, clientes e lojistas”, afirma.
Festival do Queijo Artesanal de Minas
A 6ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas é promovida pelo Sebrae Minas e Sistema Faemg Senar, com o apoio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Minas Gerais (Seapa) e da Associação Mineira do Queijo Artesanal (Amiqueijo). A programação inclui palestras e seminários técnicos, oficinas de harmonização, Agenda de Relacionamento e votação popular para escolha do melhor queijo do festival. Haverá, ainda, a venda de produtos da agroindústria mineira, além da degustação de pratos preparados por chefs renomados, que utilizarão os queijos produzidos em 13 regiões do estado como ingredientes principais. Informações: festivalqam.com.br.
–SERVIÇO
6ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas
Estratégia, apoiada pelo Sebrae Minas, oferece mais segurança para o consumidor e garante a rastreabilidade dos produtos
Produtores da Canastra e do Serro usam selo de procedência para assegurar a origem dos queijos artesanais – Foto: reprodução
Para resguardar a origem dos Queijos Minas Artesanais (QMA) e valorizar a conquista das chancelas de Indicação Geográfica (IG), produtores de queijo da Canastra, no Centro-Oeste do estado, e do Serro, no Vale do Jequitinhonha, apoiados pelo Sebrae Minas, estão utilizando selos de procedência para evitar falsificações e criar diferenciais competitivos no mercado.
Tanto o Serro como a Canastra conquistaram, respectivamente em 2011 e 2012, a IG na modalidade de Indicação de Procedência (IP), conferida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A chancela reconhece a autenticidade dos queijos produzidos em determinada região, valorizando a cultura e a tradição local, impulsionando o desenvolvimento econômico do território e fortalecendo a reputação regional.
“O reconhecimento de regiões produtoras delimita as áreas de produção e permite que os produtores se organizem e direcionem ações para a conquista de novos mercados. Ao mesmo tempo, viabiliza o apoio de instituições e entidades de fomento e extensão rural. Além disso, a notoriedade do queijo e as características de cada região permite que o consumidor passe a valorizar não só o produto em si, mas as histórias e tradições de onde ele é originado”, afirma o analista do Sebrae Minas, Ricardo Boscaro.
Em 2017, após uma missão internacional para a França, lideranças da Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) conheceram uma nova tecnologia para evitar a falsificação de queijos. A solução trata-se de uma etiqueta a base de uma proteína comestível do próprio leite (caseína) e carbono vegetal, incorporados ao queijo durante o processo de produção. A etiqueta de caseína da Canastra é o próprio Selo da Indicação de Procedência, que contém um código numérico único, que ao ser inserido no site da Aprocan, identifica o produtor, local de origem e o dia da fabricação.
“O objetivo da etiqueta de caseína é controlar e proteger a produção do legítimo queijo da Canastra, funcionando como uma ferramenta de identificação de cada peça produzida, que é única. Permite aos produtores comprovar a procedência e a legitimidade dos queijos produzidos nos municípios que, reconhecidamente, fazem parte da região da Canastra – São Roque de Minas, Medeiros, Vargem Bonita, Tapiraí, Delfinópolis, Bambuí e Piumhi -, além de inibir a falsificação e permitir sua rastreabilidade”, explica Boscaro.
Para receber o selo, o produtor tem que cumprir uma série de requisitos do Caderno de Especificações Técnicas da IG, entre elas, apresentar registro sanitário e seguir os padrões sensoriais do produto. Atualmente, cerca de 45 dos 800 produtores da região utilizam o selo da Indicação de Procedência (IP).
Fortalecimento do território
Em março deste ano, quatro produtores de queijo da região do Serro, receberam os primeiros selos que comprovam a procedência e a legitimidade do modo de fazer queijo artesanal em 10 municípios que formam a área delimitada pela IG. Como na Canastra, o selo permite a rastreabilidade do produto inibindo possíveis falsificações.
O selo de procedência – adesivado na embalagem dos produtos – possui a marca da região, a identidade da Indicação de Procedência (IP), um QR Code e um código numérico, que identificam o produtor e a peça fabricada, e que podem ser consultados no site da Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro (Apaqs).
Outros quatro produtores já estão em processo de análise. Aqueles que produzem queijo na região e queiram pleitear o selo devem cumprir as normas estabelecidas no Caderno de Especificações Técnicas, além de passarem por visitas de verificação que comprovem que o produtor segue as especificações exigidas. “Os selos valorizam a origem e fortalecem a representatividade do queijo do Serro no mercado, possibilitando o aumento da renda do produtor e, consequentemente, a melhoria da sua qualidade de vida”, conta Boscaro.
QMA
Atualmente, 15 regiões de Minas Gerais produzem queijos artesanais a partir do leite cru (in natura) e sem nenhum processo mecânico/industrial. Dessas, 10 regiões – Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serra do Salitre, Serras da Ibitipoca, Serro e Triângulo Mineiro – produzem o tipo Queijo Minas Artesanal (QMA), em pequenas propriedades rurais, utilizando receitas tradicionais e familiares, que preservam a identidade cultural do povo mineiro.
Para preservar essa tradição e garantir a qualidade do produto, o ‘modo de fazer’ do QMA tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2008. No final deste ano, esse reconhecimento poderá ser internacional com a conquista do título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. A candidatura é apoiada pelo Sebrae Minas.
Festival
O Sebrae Minas e o Sistema Faemg Senar promovem, entre os dias 13 a 15 de junho, a 6ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas (FQAM). O evento é realizado no Expominas, em Belo Horizonte. A programação do festival é voltada tanto para produtores de queijo quanto para apreciadores da iguaria. Entre as atividades, palestras e seminários técnicos, oficinas de harmonização, Agenda de Relacionamento votação popular para escolha do melhor queijo do festival, venda de produtos da agroindústria mineira, além da degustação de pratos preparados por chefs renomados, que utilizarão os queijos produzidos no estado como ingredientes principais. Informações: festivalqam.com.br.
SERVIÇO
6º Festival do Queijo Artesanal de Minas (FQAM)
Dias 13 e 14 de junho (quinta e sexta-feira), das 12h às 22h, e dia 15 de junho (sábado), das 10h às 22h.
Queijo Canastra está entre os três queijos mineiros na lista dos melhores do mundo – Foto: reprodução
Três queijos brasileiros estão na lista dos 100 melhores do mundo do site “Taste Atlas”, espécie de enciclopédia online da culinária global. Na posição mais alta entre as opções do Brasil, está o mineiro Canastra, em 24º. Abaixo dele, estão o queijo coalho (85ª posição) e o queijo Minas (93ª).
O ranking leva em conta 1.378 queijos catalogados e 24.296 avaliações dos usuários do site, que classificam as opções de 0,5 a cinco. O Canastra alcança 4,47; o coalho, 4,3; e o Minas, 4,28. Veja a lista completa, em inglês.
Os três primeiros lugares da lista ficam com queijos italianos. Em primeiro, está o Parmigiano Reggiano, cujo sabor é descrito pelo site como “de acastanhado a robusto e levemente picante, dependendo do quanto maturou”. Em segundo, está a muçarela de búfala Campana e, em terceiro, o cremoso Stracchino di Crescenza.
Minas também foi lembrada pelo “Taste Atlas” na lista de 100 melhores regiões gastronômicas do mundo. O Estado aparece em 30º lugar, com destaque para o pão de queijo, o tutu de feijão, o feijão tropeiro, a vaca atolada e o biscoito de polvilho.
Região da Canastra lança marca território do café em Piumhi – Imagem: reprodução
A cafeicultura tem ganhado destaque com uma produção significativa. E para valorizar ainda mais a origem produtora, a Associação dos Cafeicultores da Canastra (Acanastra) e o Sebrae Minas lançam, na próxima terça-feira, 27, em Piumhi, a marca território ‘Café da Canastra’, uma estratégia de promoção e posicionamento do produto no mercado para fortalecer a união dos produtores e a identidade do território.
Nos últimos anos, a cafeicultura na Região da Canastra tem se desenvolvido, beneficiando todos os elos da cadeia – fornecedores de insumos, assistência técnica, produtores, armazéns e empresas de torrefação – dando visibilidade ao território como ofertante de cafés diferenciados no estado.
Anualmente, a Região da Canastra produz cerca de 750 mil sacas de café de 60 kg, em mais de 1,1 mil propriedades, em um total de 33 mil hectares de área plantada. O território é formado por 10 municípios aptos para a produção sustentável de cafés especiais. São eles: Bambuí, Capitólio, Delfinópolis, Doresópolis, Medeiros, Pimenta, Piumhi, São João Batista do Glória, São Roque de Minas e Vargem Bonita.
Em 2019, as duas associações de produtores de café existentes na região buscaram o apoio do Sebrae Minas para unir forças e criar uma nova instituição que representasse os cafeicultores da Região da Canastra, sendo constituída a Acanastra, que hoje contabiliza 35 associados. A entidade surge com o objetivo de criar uma identidade própria para os cafés produzidos na região e colocar a origem Canastra no mapa das regiões produtoras de cafés do Brasil.
Neste período também foram promovidas ações voltadas para a melhoria dos processos da produção cafeeira na região. Por meio do programa Educampo – importante ferramenta de gestão da atividade cafeeira disponibilizada pelo Sebrae Minas – e de consultorias e acompanhamentos do pós-colheita, foi possível gerar aumento na produtividade e na melhoria da qualidade do café produzido.
“Há uma década, o Sebrae Minas promove diversas ações na região para resgatar a tradição e identidade em torno da produção do agronegócio. A exemplo do queijo, agora com o café, o resultado pode ser visto nos ganhos de qualidade, sabor e, principalmente, de valor. Tudo isso graças ao esforço e comprometimento dos produtores da região que não têm poupado esforços para buscar mais conhecimento técnico e novas soluções para suas lavouras, garantindo a qualidade do produto”, afirma o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva.
Estratégia
Em 2022, o Sebrae Minas e a Acanastra deram início ao trabalho de branding do café produzido na Região da Canastra. Para isso, foi realizado um diagnóstico que identificou as características regionais e as diferenciações do produto, que resultaram na criação da marca território Café da Canastra. “Essa estratégia expressa e comunica o propósito, valores, identidade, tradições e o posicionamento da região no mercado. Mais do que isso, serve para mostrar que não se trata de um simples café, mas de um produto com origem determinada e controlada, gerando valor para o território, produtores, compradores e consumidores”, disse Marcelo Silva.
Após o lançamento, a marca território ‘Café da Canastra’ será incluída, gradativamente, nas embalagens dos produtos, assim como em materiais promocionais da região. O próximo passo será a elaboração de um plano de ação com o objetivo de regulamentar, proteger, controlar e promover a marca território. O lançamento da marca território tem o apoio dos Sicoob Credialto, Credibam, Credicapi e Sarom.
Para o presidente da Acanastra, José Carlos Bacili, o trabalho de reposicionamento do café da região vai elevar o patamar da atuação dos cafeicultores locais no mercado.
“Estamos na Serra da Canastra, na nascente do Rio São Francisco. Aqui não usamos sequer um litro de água do Rio São Francisco e dos seus afluentes para irrigarmos nossos cafés. Ao longo dos anos, desde a introdução da cafeicultura na região, criamos um jeito único de produzir café, integrado com a valorização do ambiente e de nossa cultura. Nossas plantações são indústrias de ‘céu aberto’ e a natureza governa tudo. Sendo assim, estamos atentos a novas tecnologias e manejo que favorecem o armazenamento de água no solo e, consequentemente, mais produtividade e qualidade dos nossos cafés. Com a parceria do Sebrae Minas, organizamos nossa governança para valorizarmos ainda mais o trabalho dos produtores e o reconhecimento da região. A criação da marca território é um importante marco em todo esse processo”, comemora Bacili.
Iniciativa da Acanastra busca valorização de origem da bebida
A Canastra se torna a sétima região em todo o estado beneficiada com o trabalho do Sebrae Minas em relação ao desenvolvimento local em torno da cafeicultura. Outras regiões contempladas são: Cerrado Mineiro, Matas de Minas, Mantiqueira de Minas, Chapada de Minas e a Região Vulcânica – sendo as três primeiras citadas, já com a Indicação Geográfica (IG).
O ‘Café da Canastra’ difere de outras regiões do estado, por possuir características climáticas e geográficas que influenciam na qualidade do produto, além de métodos de cultivo e colheita utilizados pelos produtores locais. Em geral, os cafés da região apresentam aroma e sabor de mel, frutas amarelas, tropicais e cítricas e chocolate ao leite com nuances de castanha, limão-cravo e laranja. Possui doçura alta com notas de açúcar mascavo e cana-de-açúcar em equilíbrio com a acidez elevada e predominantemente cítrica. O corpo é denso, cremoso e sedoso com finalização longa e doce.
Devido a essas caraterísticas únicas, que em 2022, a Acanastra, com apoio do Sebrae Minas, deu entrada ao pedido de registro de IG, na modalidade Denominação de Origem (DO), no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A opção pela modalidade de DO garante que o nome do território ou localidade do produto possui qualidades e características exclusivas ou essencialmente ligadas ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos.
Para dar embasamento ao pedido feito ao INPI, entre 2021 e 2022, foram realizados estudos para delimitação da área geográfica do Café da Canastra, além da organização da governança, elaboração do Caderno de Especificações Técnicas da DO, constituição do conselho regulador da DO e a criação de um estatuto da Associação dos Cafeicultores da Canastra.
Assim, como foi para o ‘Queijo da Canastra’, a conquista da Indicação Geográfica garantirá a qualidade e a autenticidade dos cafés produzidos nos 10 municípios que fazem parte da região, valorizando a cultura e a tradição local, agregando valor à produção, impulsionando o desenvolvimento econômico do território e fortalecendo a imagem da Canastra, garantindo assim um diferencial competitivo do café no mercado. A expectativa é que futuramente outros produtos da Canastra recebam o mesmo apoio da valorização de origem dada ao queijo e ao café. (Clic Folha)
Aprocan deve aprovar Glória e Capitólio como associados – Reprodução
Os produtores de queijo artesanal dos municípios de São João Batista do Glória e Capitólio aguardam para integrar à Indicação Geográfica da Canastra. As cartas de intenções e a documentação necessária foram entregues à Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan). Porém, o processo de aprovação ainda não tem prazo para acontecer.
Segundo o gerente-executivo da Aprocan, Higor Freitas, a inclusão do Glória já foi registrada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) há mais de um ano, enquanto que, Capitólio ainda está no prazo de discussão e análise dos interessados.
“Primeiro temos que analisar todo o material que foi entregue pelos seus representantes. Depois vem o estudo, a identificação, o levantamento de dados e a localização geográfica. Feito isso, é necessário a aprovação pelos produtores associados em assembleia extraordinária, com a construção de um dossiê e enviá-lo ao Inpi. Só com o aval do órgão é que os fabricantes de queijo artesanal podem utilizar o selo da Indicação Geográfica”, disse.
De acordo com o gerente-executivo, para o município se integrar aos outros sete do grupo, envolve também o suporte jurídico da Aproca, que obriga o cumprimento de uma série de regras registradas no Caderno de Especificações Técnicas, que vão desde a ordenha até o produto final.
“É bastante moroso o processo de registro até cumprir todas as etapas de regularização entre os futuros produtores. Outros órgãos como o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Emater-MG e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento também são atores fundamentais na história, antes da solicitação chegar até o Inpi. Estamos estudando agora a carta de intenção de Capitólio, mas a solicitação do Glória, como já foi protocolado há algum tempo, deve ser aprovada em breve”, ressaltou Higor.
A Aprocan, com sede na estrada Parnacanastra, zona rural de São Roque de Minas, conta com mais municípios associados – Tapiraí, Bambuí, Medeiros, Vargem Bonita, Piumhi e Delfinópolis.
A associação conta com cerca de 70 produtores de queijo artesanal, sendo que, 40 estão credenciados a utilizar o selo da Indicação Geográfica para comercialização, inclusive em outros países. (Via: Clic Folha)
O tradicional queijo Canastra foi classificado como o 12º melhor queijo do mundo pela enciclopédia gastronômica Taste Atlas. O ranking apresenta os 50 queijos mais renomados do mundo, sendo o vencedor o Parmigiano Reggiano, da Itália.
O sucesso da culinária mineira foi escolhido com base em votações on-line, de forma colaborativa, e divulgado na última segunda-feira (13). O queijo recebeu a nota 4.7 no site da pesquisa.
A Serra da Canastra, no Sudeste de Minas Gerais, que dá nome ao queijo, é o local em que o alimento é produzido há mais de duzentos anos e já foi premiado diversas vezes. O modo artesanal da fabricação é considerado patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O Queijo de Coalho também aparece na lista, na 38° posição.
Em 2022, a pesquisa Taste Atlas o classificou o queijo Canastra como o melhor do mundo.
Já o grande vencedor do ranking, o Parmigiano Reggiano, é um símbolo da culinária italiana produzido na região de Emilia Romagna, na cidade de Parma. Na pesquisa, o alimentou recebeu a classificação 4.8.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realiza em fevereiro e março um curso de condutores de turistas no Parque Nacional da Serra da Canastra para 80 candidatos aprovados em seleção. O treinamento será feito em São João Batista do Glória e São Roque de Minas, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
No Glória, o curso será feito entre 6 e 10 de fevereiro, no auditório da prefeitura, localizado na praça Belo Horizonte, 22. Em São Roque, será de 27 de fevereiro a 3 de março, na Câmara Municipal, localizada na rua Mario Alvin, 121.
De acordo com o edital, o curso terá dois dias de aulas práticas na Serra da Canastra. No Glória, a programação está prevista para o dia 9, na AEI Casca-d’Anta Parte Baixa, e, no dia 10, no Chapadão da Canastra. Em São Roque, também haverá dias de aulas práticas mas a data não foi divulgada.
Segundo o documento, os candidatos devem estar aptos a percorrer as trilhas dos atrativos e o custeio logístico para realização das práticas é de responsabilidade do ICMBio.
“O curso de condutores, que está sendo divulgado pelo Parque Nacional da Serra da Canastra, se trata de uma iniciativa que vem sendo ministrada há alguns anos pela gestão da unidade do ICMBio. Com o objetivo de atender as demandas vigentes na Portaria ICMBio n° 769/2019, o curso é realizado para que os selecionados tenham a oportunidade de se especializar em um dos três cursos que são requisitos básicos para a prestação de serviço de condutores de visitantes”, informa o instituto.
Segundo o ICMBio, a seleção é realizada conforme os critérios definidos no edital. O órgão também informa que, atualmente, o Parque Nacional da Serra da Canastra possui cerca de 100 condutores autorizados, que agregam diretamente no uso público da unidade, não só garantindo a segurança dos visitantes, mas oferecendo uma experiência completa, que envolve o ecoturismo e o turismo cultural da região. Segundo informações do instituto, há 22 nomes na lista de espera no Glória e 27 em São Roque. (Clic Folha)
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