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Jornal Folha Regional

Robert Francis Prevost é o novo papa Leão XIV

Cardeal Robert Francis Prevost, dos EUA, em 30 de setembro de 2023. — Foto: Foto AP/Riccardo De Luca
Cardeal Robert Francis Prevost, dos EUA, em 30 de setembro de 2023. — Foto: Foto AP/Riccardo De Luca

O cardeal dos Estados Unidos Robert Francis Prevosti é o novo papa.

A escolha de Prevost, de 69 anos, foi anunciado nesta quinta-feira (8) pelo Vaticano, após a fumaça branca ser expelida da Capela Sistina, indicando que os 133 cardeais isolados no conclave elegeram o novo pontífice.

O novo papa apareceu na sacada da Basílica de São Pedro depois de ser anunciado, em latim, pelo cardeal Dominique Mamberti. Ele abriu seu primeiro discurso falando de paz:

“A paz esteja com todos vocês. Esta é a primeira saudação do Cristo ressucitado. Eu também gostaria que essa saudação de paz entrasse no coração de vocês”, disse o novo pontífice em seu primeiro discurso.

Primeiro papa norte-americano da história, Prevost, que havia se tornado cardeal há apenas dois anos, liderará a Igreja Católica em um momento de perda gradual de fiéis e terá de fazer frente à alta popularidade do papa Francisco, além de responder se seguirá a agenda reformista de seu antecessor.

“Queremos ser uma igreja sinodal, que avança, que busca sempre a paz, a caridade, sempre estar próxima, principalmente daqueles que sofrem”.

Nascido em Chicago, Prevost construiu sua carreria eclesiástica no Peru é considerado próximo a Francisco, que o promoveu a cardeal, indicando que os cardeais seguiram a tendência apontada antes do conclave de que deveriam escolher um nome de continuidade e perfil pragmático.

Ele fez menção ao antecessor em seu primeiro discurso nesta quinta. “Obrigado, papa Francisco”, disse o novo papa.

O tradicional anúncio de “habemus papam” ocorreu pouco mais após a fumaça branca sair da chaminé da Capela Sistina— nos dois últimos conclaves, em 2005 e 2013, os anúncios demoraram entre 1h e 2h após o sinal.

Minutos apos a fumaça branca, o Vaticano afirmou também que o novo pontífice “aparecerá em breve”.

A eleição de um novo pontífice também seguiu a tendência das duas eleições de papa anteriores, em 2005 e 2013, e ocorreu no 2º dia do conclave. Desta vez, havia a expectativa inicial de que o processo demorasse mais por conta do número de cardeais votantes — 133, contra 117 no conclave anterior.

A eleição do novo pontífice veio após uma fumaça preta ainda na manhã desta quinta-feira e outra na rodada inicial, na quarta-feira (7).

A escolha do novo papa ocorre também 17 dias após a morte de papa Francisco, por conta de um por conta de um AVC e insuficiência cardíaca em sua residência no Vaticano. Embora tenham sido episódios inesperados, ocorreram em um momento de saúde frágil de Francisco. Ele havia recebido alta após passar cinco semanas internado para tratar uma pneumonia.

Em um papado de 12 anos, Francisco promoveu reformas históricas e aproximou a Igreja de um catolicismo mais próximo aos fiéis, que são mais de 1,3 bilhão de pessoas pelo mundo mas que vêm diminuindo gradualmente.

A fumação branca também encerra oficialmente o chamado período de Sé Vacante, em que o “trono” da Igreja Católica fica sem um líder entre a morte de um pontífice e a eleição do sucessor.

Agora, um novo papado se iniciará e indicará se o Vaticano tem a intenção de seguir, ao menos parcialmente, ou ainda avançar na agenda de Francisco.

Multidão

Fiéis aguardam resultado da eleição do novo papa na Praça de São Pedro, no Vaticano — Foto: AP Foto/Bernat Armangue
Fiéis aguardam resultado da eleição do novo papa na Praça de São Pedro, no Vaticano — Foto: AP Foto/Bernat Armangue

A multidão de fiéis, turistas e curiosos que acompanhou a escolha do papa de pé por horas na praça São Pedro também confirmou que a Igreja Católica segue despertando atenção e protagomismo mundial, mesmo com a perda gradual de seguidores.

Nos momentos de pico, durante os horários aproximados para que a fumaça fosse expelida após a votação, o público que ocupava a praça chegou a 45 mil pessoas, segundo o Vaticano.

Aos poucos, o silêncio ia dominando a praça, alternado por vezes com aplausos aleatórios e muitos celulares apontados para a chaminé da Capela Sistina.

Ainda sem papa: fumaça preta volta a sair da chaminé da Capela Sistina; votações do conclave serão retomadas à tarde

A manhã do segundo dia de votação no conclave terminou sem consenso para decisão do sucessor do papa Francisco. Uma fumaça preta foi vista saindo pela chaminé da Capela Sistina, no Vaticano, onde 12 mil pessoas acompanhavam o resultado.

O que aconteceu

Nesta manhã foram dois turnos de votação, mas fumaça escura mostra que nenhum cardeal recebeu dois terços dos votos, ou seja, 89. Outros dois horários podem ter emissão de fumaça ainda hoje: 12h30 (somente se for branca, sinalizando que um novo papa foi escolhido) e 14h (horários de Brasília).

Os 133 cardeais votantes se reuniram na Capela Sistina pela primeira vez ontem, quando apenas uma votação aconteceu. Os ritos até a emissão da fumaça duraram cerca de 3h20. Todos eles fizeram um juramento de sigilo e se reuniram a portas fechadas.

Nenhum conclave na era moderna escolheu um papa no primeiro dia. Nas duas últimas eleições, para escolha de Bento 16 e de Francisco, foram dois dias de votação.

Fumaça branca indicará escolha de novo papa. Quando isso acontecer, sinos da Basílica de São Pedro, no Vaticano, também tocarão e o nome do vencedor será revelado nos momentos seguintes.

O que acontece se não houver consenso?

Caso não haja um consenso até o quarto dia de votação, é feita uma pausa para oração e diálogo entre os eleitores. A votação reinicia no sexto dia e vai até o 12º. Outras pausas podem ser feitas no sétimo e décimo dia.

Após 12 dias e 34 votações, o sistema muda. Nesse caso, a escolha passa a ser entre os dois mais votados no 34º turno. No entanto, permanece o quórum de dois terços.

Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio

Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio - Foto: reprodução
Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio – Foto: reprodução

O Vaticano anunciou nesta semana a data do início do conclave para escolher o sucessor do Papa Francisco: quarta-feira, dia 7 de maio.

A Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, se tornou um lugar de culto quase comparável ao Vaticano. No domingo (27), 70 mil foram ao túmulo de Francisco. O que fez o influente cardeal e teólogo alemão Walter Kasper comentar:

“O povo de Deus já votou no funeral e evocou a continuidade do pontificado dele”.

Mas há os que querem virar a página no conclave que começa na semana que vem. Habemus data: dia 7 de maio, quarta-feira, os cardeais eleitores entrarão na Capela Sistina. O grandioso cenário do século 16 foi fechado nesta segunda-feira (28) para a decepção de muitos turistas.

Nesta segunda-feira (28) de manhã, na reunião preparatória, 20 cardeais falaram da relação com o mundo contemporâneo, com outras religiões, da questão dos abusos. Também sobre as qualidades exigidas do novo pontífice. O cardeal Gregorio Rosa Chavez comentou que o próximo papa será inspirado por Francisco:

“A mesma visão, os mesmos sonhos,” disse o salvadorenho, ao entrar no portão do Vaticano.

Mas as várias correntes poderão criar uma candidatura de compromisso. O italiano Angelo Becciu, condenado por fraude financeira, desistiu de participar do conclave, mas disse que vai provar a inocência.

A política externa não fica indiferente. Além de Donald Trump, o presidente da França também pode estar tentando influenciar a escolha. Segundo o jornal francês “Tribune Chrétienne”, Emmanuel Macron teria sugerido a alguns cardeais que evitem eleger um nome mais conservador, como o africano Robert Sara.

Setenta e um países estarão representados na eleição do próximo papa. Será o conclave mais internacional de todos. No anterior, foram 48 nações. Daqui a nove dias, só os eleitores ficarão na Capela Sistina e, na porta, uma expressão em latim se tornará mais popular do que nunca: “Extra omnes” – “Todos fora”.

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