Pular para o conteúdo principal

Jornal Folha Regional

Após 18 anos, três homens são condenados por matar adolescente em disputa pelo tráfico em Piumhi

Após 18 anos, três homens são condenados por matar adolescente em disputa pelo tráfico em Piumhi – Foto: reprodução

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Piumhi, na região Centro-Oeste do estado, obteve, no último dia 17 de junho, a condenação de três homens, com idades entre 46 e 49 anos, acusados de matar, em janeiro de 2008, um adolescente de 15 anos devido a uma disputa pelo tráfico de drogas na região. Os três armaram uma emboscada para que o jovem fosse morto com golpes de faca e a tiros em via pública. Dois dos acusados, de 46 e 49 anos, são irmãos e receberam a mesma pena: 25 anos e um mês de prisão. Um terceiro homem, de 48 anos e que auxiliou no plano de morte do jovem, foi condenado a 19 anos e seis meses de prisão. Além das condenações pelo homicídio qualificado e pela ocultação de cadáver, os três réus também foram condenados pelo crime de associação para o tráfico de drogas.

Para o Ministério Público, “a condenação representa a efetiva atuação conjunta das instituições responsáveis pela persecução penal e reafirma o compromisso do Ministério Público com a responsabilização dos autores de crimes graves, a proteção da vida e o enfrentamento à criminalidade organizada”.

O caso

De acordo com a denúncia da Promotoria de Justiça, os irmãos promoviam o tráfico de drogas na cidade. O adolescente participava do esquema na função popularmente conhecida como “aviãozinho”, realizando a venda dos entorpecentes. Em dezembro de 2007, o jovem decidiu sair do esquema coordenado pelos acusados e passou a comercializar drogas com um concorrente deles na região. As vendas aumentaram, e o adolescente e o novo chefe tornaram-se fortes concorrentes dos réus.

Nesse cenário, um dos irmãos passou a discutir com o jovem, iniciando uma troca de ameaças mútuas de morte. No dia 3 de janeiro de 2008, os irmãos e o comparsa arquitetaram o plano para matar o jovem. Como o comparsa ainda mantinha amizade com o adolescente, ele lhe deu carona em uma moto e o deixou próximo a um orelhão, em via pública, local exato onde os irmãos haviam planejado executar o ataque.

Após a vítima ser deixada no local, o comparsa inventou uma distração, afirmando que iria a um posto de combustível próximo para calibrar os pneus da moto. Logo após a saída dele, os irmãos atacaram o adolescente com golpes de faca e disparos de arma de fogo calibre .380, o que causou a morte dele. Após o crime, os réus ainda ocultaram o cadáver do garoto, abandonando-o às margens da rodovia MG-341. O corpo da vítima foi encontrado 11 dias depois, em avançado estado de decomposição em razão da utilização de substâncias químicas.

Na denúncia, o MPMG argumentou que os réus cometeram o crime porque o adolescente conhecia todo o esquema do grupo e sabia, inclusive, onde as drogas eram armazenadas, quem eram os principais clientes e a logística utilizada. Isso poderia prejudicar a continuidade do esquema ilícito, além do receio que os réus tinham de que o jovem os delatasse.

O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras apontadas pelo MPMG: crime cometido por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e para assegurar a execução e a vantagem da atividade criminosa relacionada ao tráfico de drogas.

Os réus deverão cumprir as penas em regime inicial fechado.

Cinco vereadores são condenados por ‘farra’ com verbas de gabinetes em MG

Cinco vereadores são condenados por ‘farra’ com verbas de gabinetes em MG – Foto: reprodução

Uma “conversa atravessada” em um restaurante foi o bastante para se iniciar uma investigação que colocou a Câmara Municipal de Paracatu (MG) no alvo do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Ao todo, dos 17 vereadores, 14 foram denunciados por desvio de verbas de gabinetes. A reportagem cruzou informações públicas do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e, até agora, verificou que pelo menos cinco vereadores já foram condenados. 

Vereadores denunciados

Cabo Camilo (PDT)
Eloisa Cunha (MDB)
Cabo Gilvan (PTB)
Greik de Oliveira (Republicanos)
Joãzinho Chapuleta (MDB)
Juscelino Carteiro (PHS)
Pastor Marquinhos (PTB)
Oswaldinho da Capoeira (MDB)
Ragos Oliveira (PT)

Vereadores condenados

Professor Hamilton (PSDB)
João Macedo (DEM)
Zé Maria do Paracatuzinho (PSD)
Marlon Gouveia (PHS)
Rosival Araújo (PT)

Em entrevista, a promotora Mariana Duarte Leão, que conduziu as investigações, contou que um morador ouviu um assessor parlamentar pedindo uma nota fiscal em um restaurante para colocar como gasto de verba parlamentar. Isso teria ocorrido no começo de 2016.

O morador que ouviu essa conversa achou a prática incomum e acionou o Ministério Público. Ao analisar os gastos dos vereadores, Mariana Duarte começou a perceber que havia algo estranho.

“Comecei a dar uma olhada nas despesas e a primeira coisa que chamou atenção foi a locação dos veículos. Na época não existia uma locadora de veículos na cidade. Aí comecei a consultar a placa e nenhuma das placas estabelecia que era para locação. Descobrimos que havia carros usados simultaneamente, que o valor das diárias oscilavam. Tinha gente que locava o carro o mês inteiro. Apresentava nota fiscal de manutenção de veículo locado, o que é um absurdo”, explicou a promotora.

Mariana contou que os próprios vereadores, dentro da legislatura de 2013 a 2016, aumentaram o valor da verba de gabinete. Saltou de R$ 4.500 por mês para R$ 8 mil. O valor serve para ressarcir gastos dos parlamentares como diárias de viagens, alimentação, material de escritório, entre outros. No entanto, esse valor era desviado através de notas fiscais fraudulentas. 

Após o início das investigações, Mariana explicou que a Câmara Municipal de Paracatu acabou com as verbas de gabinete. “Isso estancou a sangria. Hoje em dia, o material gráfico é fornecido pela própria Câmara. Tem prevista uma diária, em caso de viagem, e tem motorista próprio e carro próprio da Câmara que pode ser usado em viagem oficial”, explicou a promotora.

Ao todo, incluindo vereadores, assessores e comerciantes, cerca de 60 pessoas foram investigadas e denunciadas. No caso dos vereadores, cada denúncia foi apresentada de forma separada, por isso alguns foram condenados e outros aguardam a decisão da Justiça. 

Segundo Mariana, entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões foram desviados dos cofres públicos somente com verbas de gabinete. Para a promotora, essa investigação, que mostrou como funcionava esse esquema dentro da Câmara, mostra a força da sociedade civil na fiscalização do Poder Público. 

“Vejo com esperança, pois foi através da sociedade civil que veio a investigação. De certa forma, vejo que o país está evoluindo, as pessoas vendo o que os políticos estão fazendo, para que possamos fazer nosso trabalho e garantir uma sociedade mais correta”, finalizou Mariana.

Jornal Folha Regional
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.