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Jornal Folha Regional

Trabalhadores dos Correios entram em greve em 9 estados, incluindo Minas Gerais

Trabalhadores dos Correios entram em greve em 9 estados, incluindo Minas Gerais – Foto: reprodução

Na última terça-feira (16), sindicatos de trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em protesto contra medidas adotadas pela estatal e pela falta de um acordo coletivo e reajuste salarial para a categoria.

Ao todo, 12 sindicatos em 9 estados iniciaram a paralisação na noite de terça, enquanto outros 24 permanecem em estado de greve. A paralisação atinge estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Sindicatos em greve: 

  • Sintect/MG
  • Sintcom/PR
  • Sintect/PB
  • Sintect/VP (São José dos Campos – SP)
  • Sintect/RS
  • Sintect/SC
  • Sintect/CE
  • Sintect/MT
  • Sintect-CAS (Campinas-SP)
  • Sintect/RJ
  • Sintect/SP
  • Sintect/Santos

Procurados, os Correios dizem que todas as agências continuam abertas e que a adesão à greve é parcial e localizada. “Para mitigar eventuais impactos operacionais, a empresa adotou medidas contingenciais que garantem a continuidade dos serviços essenciais à população.”

O impasse estava sendo discutido sob mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Nesta quarta-feira (17), o vice-presidente do TST, ministro Caputo Bastos, informou que uma proposta foi construída em audiência com os Correios e as entidades sindicais da categoria.

Bastos determinou que a proposta seja amplamente divulgada pelos sindicatos. Fentect e Findect devem cumprir a medida em até 24 horas, publicando a íntegra da proposta em sites, redes sociais e informativos físicos. A divulgação incompleta ou distorcida poderá caracterizar prática antissindical.

No despacho, o ministro também estabelece que as federações orientem sindicatos a submeterem a proposta à votação em assembleia-geral extraordinária, que deve ser convocada com urgência.

Se a proposta for aprovada, uma audiência para assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) será realizada no dia 26 de dezembro de 2025, às 14h, na sede do TST, em Brasília, com possibilidade de antecipação a pedido das partes. Caso seja rejeitada, o caso retorna ao ministro.

Os Correios haviam acionado o TST na última quinta-feira (11) diante do impasse nas negociações salariais e de benefícios. Em meio a uma grave situação financeira, a empresa pediu a mediação para flexibilizar cláusulas do acordo coletivo que garantem benefícios acima do mínimo previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Embora sejam empregados públicos, os funcionários dos Correios são regidos pela CLT, diferentemente dos servidores da administração direta, que seguem o regime estatutário.

O atual acordo coletivo prevê incentivos como gratificação maior nas férias e pagamento de hora extra tripla aos fins de semana e feriados. Parte dessas cláusulas foi incorporada recentemente, quando a empresa já enfrentava dificuldades financeiras.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a despesa com pessoal dos Correios deve alcançar R$ 15,1 bilhões neste ano e é apontada como um dos principais desafios do plano de reestruturação da estatal -a empresa busca fechar empréstimo para bancar o plano.

Motivos da greve

Segundo Emerson Marinho, secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), a greve é resultado da postura da administração da estatal, que, segundo ele, tem desconsiderado os trabalhadores na tomada de decisões para enfrentar a crise da empresa.

“Esse movimento tem estressado os trabalhadores e, embora o indicativo da categoria fosse de paralisação no dia 23, algumas entidades optaram por iniciar a greve imediatamente para sinalizar ao governo o descontentamento”, afirma.

Os sindicatos restantes continuam com indicativo de greve a partir do dia 23. Para Marinho, o anúncio da greve pelas federações depende das propostas que serão enviadas pela estatal.

A categoria pede renovação do acordo coletivo e reajuste salarial no próximo ano. Além disso, afirma que os trabalhadores estão sem acordo coletivo desde 1º de agosto e solicita que o governo federal realize um aporte emergencial aos Correios.

Em nota, o Sintect de São Paulo, que deflagrou greve na última terça-feira, afirma que a paralisação é uma resposta à falta de avanços nas negociações. “Diante das ameaças de retirada de direitos e da precarização das condições de trabalho, a categoria permanece unida e determinada a resistir”, diz a entidade.

Veja os principais pontos da proposta apresentada pelo TST

  • Assinatura imediata do Acordo Coletivo de Trabalho, com a renovação de 79 cláusulas, excluídos os parágrafos 2º e 9º da cláusula 55ª, relativos ao ticket adicional;
  • Reajuste salarial de 5,13% a partir de janeiro de 2026, com pagamento a partir de abril de 2026, incluindo os valores retroativos;
  • A partir de agosto de 2026, aplicação de 100% do INPC (índice referente ao período de agosto de 2025 a julho de 2026);
  • Fixação da vigência do Acordo Coletivo de Trabalho pelo prazo de dois anos;
  • Ponto por exceção, previsto no item I do parágrafo 2º da cláusula 74ª, terá vigência até 31 de julho de 2026;
  • Horas extras incidentes sobre o Repouso Semanal Remunerado com a redação atualmente vigente mantida até 31 de julho de 2026, passando, a partir de então, a observar o percentual previsto na legislação.

Presidente dos Correios anuncia plano de demissão voluntária para reequilibrar finanças

Presidente dos Correios anuncia plano de demissão voluntária para reequilibrar finanças – Foto: reprodução

O presidente dos Correios, Emmanoel Schimdt Rondon, nomeado para o cargo há menos de um mês, anunciou uma série de medidas para recuperar o caixa da empresa, entre elas um novo plano de demissão voluntária dos funcionários (PDV).

Ainda não há um detalhamento sobre o número de vagas que serão cortadas no plano de demissão voluntária. A empresa informou que, antes disso, fará uma análise dos locais e cargos ociosos para evitar impactos nas operações.

Outro ponto será a renegociação de contratos com fornecedores, especialmente os de maior valor, com o objetivo de reduzir custos e economizar recursos da empresa.

A empresa também está negociando um empréstimo de R$ 20 bilhões. O dinheiro para o empréstimo virá de bancos públicos e privados, em uma negociação com garantia da União.

Emmanoel Schmidt também falou em diversificar as receitas e vender imóveis ociosos como parte do plano para recuperar a estatal. Segundo ele, a ideia é que a empresa volte a dar lucro em 2027.

“É da ordem de R$ 20 bilhões. Os detalhes financeiros de custo da operação em prazo ainda não tem, porque a negociação está em curso nesse momento, mas é da ordem de R$ 20 bilhões de reais. A operação de crédito, ela visa reequilibrar a empresa, então o que a gente está negociando de operação é para ter reequilíbrio da empresa em 2025 e 2026, ter tempo de adotar as medidas que começam a impactar em 2026. Para em 27 a gente conseguir iniciar um ciclo de balanço em azul. Então a ideia é que em 2027 a empresa já esteja reequilibrada.”

De acordo com o presidente, um plano de demissão voluntária anterior, implementado recentemente pelos Correios, resultou em uma economia de R$ 700 milhões com o desligamento de aproximadamente 3 mil funcionários. No entanto, a medida não foi suficiente para reequilibrar as contas da empresa.

O anúncio da necessidade de um empréstimos para os Correios e de um novo PDV já repercute no Congresso Nacional e a oposição reagiu ao anúncio das medidas.

Em nota, o líder da oposição na Câmara, o deputado federal Zucco, afirmou que o governo quebrou novamente os Correios e depois tenta salvar o rombo com mais endividamento e manobras financeiras.

Polícia apreende peixes ornamentais enviados irregularmente pelos Correios em Passos

Polícia apreende peixes ornamentais enviados irregularmente pelos Correios em Passos – Foto: divulgação

A Polícia Militar do Meio Ambiente interceptou, na última terça-feira (30), uma remessa irregular de 26 peixes ornamentais em Passos (MG). Os animais haviam sido despachados de Pernambuco e tinham como destino o estado de Minas Gerais.

De acordo com a corporação, os peixes estavam acondicionados em sacos plásticos com pouca água e oxigênio, permanecendo nessa condição há cerca de cinco dias. Um médico veterinário avaliou a situação e atestou que os animais eram vítimas de maus-tratos.

Frente à irregularidade, a polícia informou que foram aplicadas as medidas criminais e administrativas cabíveis contra os responsáveis pelo transporte ilegal.

Homem é preso ao retirar encomenda com 24 tubos de lança-perfume nos Correios de Passos

Homem é preso ao retirar encomenda com 24 tubos de lança-perfume nos Correios de Passos – Foto: divulgação/Polícia Civil

Na manhã desta quarta-feira (24), a Polícia Civil apreendeu 24 tubos de lança-perfume dentro de uma agência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), em Passos (MG). O material ilícito estava em uma encomenda que aguardava para ser retirada.

Segundo a corporação, a ação foi desencadeada após informações obtidas durante uma investigação em andamento, que indicavam a possibilidade de a mercadoria conter drogas. Os policiais montaram vigilância no local e acompanharam o momento em que um homem, de 24 anos, retirou a encomenda suspeita.

Ele foi preso em flagrante e levado para a delegacia. A Polícia Civil destacou que as apurações sobre o caso continuam e que novas informações serão divulgadas assim que as investigações forem concluídas.

Correios farão atendimento presencial de vítimas das fraudes do INSS

Correios farão atendimento presencial de vítimas das fraudes do INSS - Foto: reprodução
Correios farão atendimento presencial de vítimas das fraudes do INSS – Foto: reprodução

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou nesta quinta-feira (22) que, a partir de 30 de maio, os Correios farão atendimento aos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para viabilizar o ressarcimento dos descontos indevidos.

Segundo Queiroz, só 2% das pessoas que procuram atendimento da Previdência utilizam o meio presencial, mas o montante corresponde a cerca de 2 milhões de pessoas. A maioria (98%) dos atendimentos é feita pelos canais digitais, como o aplicativo “Meu INSS”, o site ou telefone 135.

Os segurados do INSS já podiam utilizar as agências dos Correios para entrar com o Atestmed (Requerimento de Benefício por Incapacidade Temporária) ou documentos de cumprimento de exigência. Agora, poderão contestar os descontos associativos indevidos que resultaram na Operação Sem Desconto.

Queiroz declarou que os funcionários dos Correios estão treinados e capacitados a instruir os aposentados e pensionistas. O ministro disse que 4.730 agências da estatal estarão disponíveis para fornecer o atendimento. O número representa 66% das cidades brasileiras.

“Ninguém, nenhum aposentado ou pensionista ficará prejudicado. Essa é a nossa meta, nosso foco, assunto principal que nos guia em todas as reuniões e decisões”, disse o ministro.

O presidente do INSS, Gilberto Waller, disse que “não adianta correr”, porque o prazo para os aposentados e pensionistas é indefinido. Afirmou que a proposta presencial é uma alternativa, mas que pode provocar filas se houver grande procura.

DESCONTOS IRREGULARES

Waller disse que 11 milhões de brasileiros procuraram a autarquia, de forma digital ou presencial, para fazer consulta sobre os débitos realizados nas aposentadorias. Afirmou que, do total, 5,7 milhões de brasileiros já haviam sido avisados que não tiveram desconto algum, mas optaram por checar as informações.

Outros 5,3 milhões tinham algum tipo de desconto associativo, mas só 1,9 milhão informaram se haviam autorizado ou não os descontos. Ao informar que não houve permissão, o beneficiário inicia o processo de contestação no INSS.

O ministro da Previdência Social declarou não haver um tempo determinado para buscar o ressarcimento e que a prioridade do governo federal é solucionar a questão.

Até as 9h desta 5ª feira (22.mai), o INSS registrou 1,913 milhão de canais abertos para a revisão dos benefícios. Afirmou que 1,874 milhão (97,9%) não reconheceram os descontos. Outros 40.262 (2,1%) reconheceram.

Pensionistas do INSS podem contestar descontos irregulares em seus benefícios desde 14 de maio de 2025. Os beneficiários devem indicar se os débitos foram autorizados. O pedido de ressarcimento pode ser feito pelo aplicativo, ou por ligação telefônica à Central 135. Vale lembrar que não haverá atendimento presencial em agências da Previdência Social.

Com a contestação feita, o sistema do INSS irá acionar a associação responsável para justificar o desconto.

Usuários que não tiverem acesso ao app podem falar por telefone com atendentes. Basta discar 135. A ligação é gratuita, e será recebida de segunda a sábado, das 7h às 22h. O serviço de suporte irá pedir dados pessoais para completar a solicitação.

Eis o passo a passo no aplicativo “Meu INSS” para solicitar pelo aplicativo a devolução dos valores retidos sem permissão:

  • faça login com a sua conta gov.br;
  • selecione “consultar descontos de entidades associativas”;
  • analise os vínculos e descontos. se não reconhecer, indique no campo apontado;
  • clique em “declaro que as informações são verdadeiras” e “estou ciente de que declarar informação falsa pode ser considerado crime”;
  • não é necessário incluir documentos para comprovar o pedido de ressarcimento.

Em seguida, o INSS irá acionar a associação para que ela comprove o consentimento do aposentado. Alguns documentos que cumprem esses requisitos são a cópia do documento de identidade do beneficiário e uma autorização escrita de realização dos descontos.

Se a entidade não conseguir comprovar o vínculo, terá 15 dias úteis para devolver os valores. Associações que passarem do prazo serão encaminhadas para a AGU (Advocacia Geral da União).

Concurso dos Correios: provas para 3.468 vagas serão aplicadas em dezembro

Concurso dos Correios: provas para 3.468 vagas serão aplicadas em dezembro - Foto: reprodução
Concurso dos Correios: provas para 3.468 vagas serão aplicadas em dezembro – Foto: reprodução

Os Correios informaram na última quinta-feira (3) que as provas do novo concurso público, que oferece 3.468 vagas, estão marcadas para o dia 15 de dezembro.

O edital, em fase final de revisão, será publicado pela banca organizadora IBFC (Instituto Brasileiro de Formação e Captação) na próxima quarta-feira (9).

Ainda não há data definida para o início das inscrições, mas elas serão realizadas por meio de um link específico. Das vagas oferecidas, 3.099 são para o cargo de agente de Correios, que exige ensino médio, enquanto 369 são destinadas ao cargo de analista de Correios, que requer nível superior. Os salários variam entre R$ 2.429,26 e R$ 6.872,48. O concurso também prevê cadastro de reserva com 5.344 vagas.

As provas serão aplicadas em 306 localidades, incluindo todas as capitais do país. Segundo o presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, 30% das vagas serão reservadas para pessoas negras (pretas e pardas) e indígenas, reforçando a prioridade de equidade racial na gestão atual.

A realização do concurso é parte de um acordo que pôs fim à greve dos Correios, realizada em agosto, que durou 16 dias.

Distribuição das vagas

As vagas estão distribuídas de acordo com o nível de escolaridade e a região do país. Confira abaixo:

Vagas para ensino médio

  • Centro-oeste: 446 vagas
  • Nordeste: 669 vagas
  • Norte: 240 vagas
  • Sudeste: 1.048 vagas
  • Sul: 696 vagas
  • Total: 3.099 vagas

Vagas para ensino superior

  • Centro-oeste: 41 vagas
  • Nordeste: 62 vagas
  • Norte: 177 vagas
  • Sudeste: 61 vagas
  • Sul: 28 vagas
  • Total: 369 vagas

As provas objetivas vão abranger conhecimentos gerais e específicos, com caráter eliminatório e classificatório. Para o cargo de analista, também haverá uma prova discursiva, composta por uma redação de até 30 linhas.

Outro concurso em andamento

Paralelamente, está em andamento o concurso público dos Correios para as áreas de medicina e segurança do trabalho. As provas ocorrerão no dia 13 de outubro, e o resultado final será divulgado em 20 de novembro. O processo conta com uma fase de provas objetivas, seguida por comprovação de requisitos, análise de perfil e exames médicos admissionais.

Trabalhadores dos Correios aprovam greve em nove estados; veja quais são

Trabalhadores dos Correios aprovam greve em nove estados; veja quais são - Foto: reprodução
Trabalhadores dos Correios aprovam greve em nove estados; veja quais são – Foto: reprodução

Os trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado, após votação em assembleia com cerca de 5.000 funcionários em São Paulo realizada nesta quarta (7) na capital paulista.

Segundo a Findect (Federação Interestadual dos Sindicato dos Trabalhadores dos Correios), carteiros e motoristas aderiram à paralisação, que começou às 22h de quarta, e também há participação de trabalhadores nas áreas de tratamento e atendimento.

Os principais sindicatos dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul e Tocantins aderiram ao movimento, informam os representantes.

De acordo com os Correios, as agências estão abertas e todos os serviços estão disponíveis nesta quinta (8). A estatal informa que adotou medidas como remanejamento de profissionais e realização de horas extras para cobrir “as ausências pontuais e localizadas devido à paralisação anunciada pelo sindicato”.

“O ponto principal desta greve hoje é o custeio do plano de saúde,” diz Douglas Ramos, diretor de comunicação do Findect e Sintect (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba).

Os trabalhadores exigiram a redução da coparticipação no plano de saúde que, segundo Ramos, era muito pesada. Além disso, a categoria reivindica reajuste salarial pela inflação mais um aumento linear de R$ 300 para todos os cargos ainda em 2024.

De acordo com os Correios, foi proposto um reajuste de 6,05% nos salários a partir de janeiro de 2025, mais 4,11% nos benefícios a partir de agosto de 2024, bem como um aumento de 20% para motociclistas e motoristas.

Sobre o plano de saúde, segundo a empresa, “o processo de alteração do regulamento para redução da coparticipação de 30% para 15% tem previsão de implementação no próximo mês, após a realização de ajustes necessários para adequação às normas vigentes”.

O imbróglio se desenrola desde o início do ano e depois de uma greve que quase atingiu a Black Friday, no fim do ano passado. Após 14 reuniões de negociação, de acordo com a Findect, “a empresa demonstrou mais uma vez sua incapacidade de responder adequadamente às necessidades dos trabalhadores”.

A greve está mantida até a próxima rodada de negociações na próxima semana, segundo Ramos.

Governo quer privatizar Eletrobras e mais oito estatais em 2021

Apesar do ministro da Economia, Paulo Guedes, já ter admitido frustração com o ritmo das privatizações, o governo federal aprovou a inclusão de mais 58 ativos no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) na última quarta-feira (2). Por isso, agora, espera leiloar nove estatais e 115 ativos de infraestrutura, com o potencial de atrair R$ 367 bilhões em investimentos privados, só no próximo ano.

O cronograma do PPI prevê a desestatização dos Correios, da Eletrobras, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), da Trensurb, da Emgea, da Ceasaminas, da Codesa e do Nuclep em 2021, além de avanços na liquidação da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores de Garantias (ABGF).

Ainda no próximo ano, estão previstos os leilões do 5G e de 24 aeroportos, como os de Santos Dumont (RJ) e Congonhas (SP). O governo ainda pretende entregar à iniciativa privada 16 terminais portuários, seis rodovias, três ferrovias, oito terminais pesqueiros, seis parques e florestas, três blocos de óleo de gás, três áreas de mineração e 24 projetos subnacionais de saneamento, iluminação pública e resíduos sólidos.

A carteira foi aprovada nesta quarta-feira na última reunião do ano do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI), que se reuniu no Ministério da Economia com a participação do ministro Paulo Guedes e do presidente Jair Bolsonaro. O planejamento, contudo, supera e muito a agenda de leilões efetivamente realizada neste ano. O governo realizou 18 leilões neste ano e espera realizar mais 11 neste mês de dezembro, para fechar o ano com R$ 39,1 bilhões de investimentos e R$ 4,7 bilhões de outorgas e bônus.

Secretária Especial do PPI, Martha Seillier admitiu que a carteira é “gigantesca”, mas frisou que esse cronograma considera tudo o que é viável de ser leiloado em 2021. “Todos os projetos apresentados com leilões possíveis em 2021 já estão em curso em termos de estruturação, todos os portos, aeroportos, ferrovias, projetos de energia, já estão com estudos de viabilidade em curso, muitos deles inclusive já com estudos no TCU, outros com estudos já aprovados pelo TCU e outros com editais inclusive já publicados. Então, acreditamos na viabilidade dessa carteira”, afirmou.

Martha ainda lembrou que muitos dos leilões que estavam previstos para 2020 precisaram ser adiados para 2021 por conta da crise causada pela pandemia de covid-19, como o dos aeroportos. E disse, por conta desses adiamentos, o PPI “pisou no acelerador” em 2020, a pedido de Guedes e do Ministério da Infraestrutura, para poder garantir esses leilões no próximo ano. “Após a crise de saúde, acreditamos que os investimentos decorrentes dos leilões previstos para 2021, que ultrapassam R$ 361 bilhões, vão ser a chave para a retomada”, afirmou.

“Escorregar para 2022”
A secretária admitiu, contudo, que alguns desses projetos podem “escorregar para 2022” por conta do rito legal que o governo precisa cumprir antes de leiloar um ativo. “A agenda de desestatização passa por etapas que dificultam que o executivo crave data de leilão, primeiro a complexidade dos estudos de viabilidade, depois o período de consulta pública, depois a etapa de avaliação pelo Tribunal de Contas da União
(TCU)”, lembrou.

“Mesmo que você tenha um deslocamento de meses e alguns projetos entrem em 2022, o importante é nosso compromisso de entregar todos os ativos e atrair parceiros privados para todos eles”, acrescentou. Já estão no cronograma de 2022 a desestatização da Serpro, da Dataprev e da Telebrás.

Além desse rito, o governo ainda precisa da aprovação do Congresso Nacional para tirar do papel alguns dos projetos, como a desestatização dos Correios e da Eletrobras. A secretária do PPI, no entanto, mostrou-se confiante na aprovação desses projetos. Ela disse que o projeto de lei que abre espaço para a privatização dos Correios já está pronto e aguarda apenas o despacho do presidente Bolsonaro para ser enviado ao Congresso, o que deve ocorrer “nos próximos dias”.

E argumentou que a desestatização da Eletrobras prevê a ampliação dos investimentos no sistema elétrico nacional, sobretudo em regiões mais carentes, como o Norte, que recentemente sofreu com o apagão do Amapá.

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