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Jornal Folha Regional

Pressão institucional cobra cumprimento da cota mínima do Lago de Furnas em Minas

Pressão institucional cobra cumprimento da cota mínima do Lago de Furnas em Minas – Foto: Globo Repórter

A mobilização em defesa do Lago de Furnas ganhou novos contornos e passou a avançar também no campo institucional e político. Lideranças regionais, junto a representantes do setor produtivo, agora cobram diretamente o cumprimento da legislação que estabelece a cota mínima de 762 metros para o reservatório.

O movimento se intensificou após a iniciativa do deputado Antônio Carlos Arantes, que protocolou em Brasília os Requerimentos 20.314 e 20.315/2026. Os documentos foram encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, solicitando ações imediatas para garantir o nível mínimo do lago.

De acordo com defensores da pauta, a forma como os recursos hídricos vêm sendo administrados atualmente tem privilegiado demandas relacionadas à geração de energia e à operação da hidrovia Tietê-Paraná. Esse cenário, segundo eles, acaba deixando em segundo plano os chamados usos múltiplos da água, com reflexos diretos sobre o turismo, o agronegócio e o equilíbrio ambiental das cidades do entorno.

A cobrança mais incisiva marca uma mudança de postura entre as lideranças envolvidas, que afirmam não aceitar mais práticas consideradas prejudiciais ao reservatório. Para o grupo, manter o nível mínimo é essencial não só para a economia regional, mas também para a preservação dos ecossistemas.

Nesse cenário, a UNELAGOS tem desempenhado papel central na articulação das ações. A entidade reúne produtores, empresários e membros da sociedade civil em torno de uma agenda que busca conciliar desenvolvimento econômico com conservação ambiental, sempre com base no cumprimento da legislação vigente.

Como estratégia, o movimento tem recorrido a instrumentos de fiscalização legislativa para pressionar órgãos federais e reforçar a aplicação das normas previstas na Constituição estadual. Para os envolvidos, o debate ultrapassa os limites regionais e está diretamente ligado à gestão dos recursos hídricos e à chamada soberania hídrica de Minas Gerais.

A expectativa agora é de que os órgãos responsáveis apresentem respostas e adotem medidas concretas para assegurar a manutenção do nível do lago, evitando impactos econômicos e ambientais na região.

Com informações de Tribuna Centro Oeste.

Lago de Furnas opera com apenas 48% da capacidade e acende alerta na região

Lago de Furnas opera com apenas 48% da capacidade e acende alerta na região – Foto: Reprodução/EPTV

O Lago de Furnas, um dos principais reservatórios de Minas Gerais e fonte vital para turismo, piscicultura, geração de energia e diversas atividades econômicas, enfrenta impactos significativos da estiagem prolongada. Em setembro de 2025, o volume útil do lago chega a 48,03%, conforme dados oficiais. Embora o índice seja superior ao registrado em 2024, quando o nível estava em 42%, ele permanece distante dos melhores resultados dos últimos anos: 88,18% em 2023 e 62% em 2022.

Em várias áreas do entorno, locais que deveriam estar cobertos por água agora exibem extensões de pastagem seca. O nível do lago encontra-se abaixo da cota de 762 metros, considerada mínima para garantir o funcionamento adequado das atividades turísticas e econômicas da região.

De acordo com Fausto Costa, secretário-executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), a situação gera preocupações econômicas, sociais e ambientais. Ele aponta que o turismo, responsável por movimentar mais de 50 atividades e impulsionar a economia regional, é um dos setores mais prejudicados. A piscicultura também sofre impactos severos: a oscilação do nível da água deteriora plantações submersas, reduz o oxigênio disponível e compromete o pescado, afetando tanto pescadores profissionais quanto artesanais.

Costa ressalta que o problema não se limita às chuvas, envolvendo também a necessidade de políticas públicas e estratégias de gestão eficientes. Segundo ele, há mais de duas décadas os municípios articulam com órgãos governamentais a adoção de um uso mais racional da água do lago. Embora o reservatório abasteça outras hidrelétricas, ele defende que sejam consideradas alternativas de geração de energia para reduzir a dependência hidrelétrica e garantir níveis seguros para a manutenção da economia regional.

A análise jurídica e as discussões em andamento reforçam a urgência de medidas estruturais que assegurem o equilíbrio entre abastecimento energético e preservação das atividades ligadas ao Lago de Furnas.

Lago de Furnas volta a atingir cota mínima de 762 metros

Lago de Furnas volta a atingir cota mínima de 762 metros - Foto: Globo Repórter/ Reprodução
Lago de Furnas volta a atingir cota mínima de 762 metros – Foto: Globo Repórter/ Reprodução

A represa de Furnas, no Sul de Minas, voltou a registrar o seu nível superior a 762 metros acima do mar – a Cota 762 – na noite do último sábado (1º), segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). Com o aumento do nível da represa, os municípios da região podem retomar as atividades dependentes do lago.

A Cota de 762 metros é considerada pela Agência Nacional das Águas (ANA) como o volume mínimo para garantir o uso da represa para a geração de energia, psicultura, atividades aquáticas e para o turismo na região.

Em novembro de 2024, o Lago de Furnas registrou o menor volume útil desde dezembro de 2021. O nível ficou abaixo dos 30%.

Segundo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil viveu, em 2024, a pior seca dos últimos 74 anos, prejudicando o nível dos reservatórios de água em todo o país.

O Ministério de Minas e Energia informou que durante o período crítico priorizou a produção de energia no Norte do país, e em 2 de dezembro de 2024, entraram em vigor duas resoluções da ANA restringindo a vazão de água dos reservatórios das usinas de Furnas e Mascarenhas de Moraes, no rio Grande, em Minas Gerais; e de Emborcação e Itumbiara, no rio Paranaíba, em Goiás.

Via: G1

Lago de Furnas atinge maior nível em 10 anos para fevereiro e ultrapassa cota 762

O Lago de Furnas atingiu o nível de 764,49, quase 2,5 mil metros acima da cota 762, que é considerada a mínima para os municípios que são banhados pelo lago. Este é o nível mais alto para o mês de fevereiro dos últimos 10 anos. A última vez que que o lago atingiu quantidade parecida foi em 2012.

Relacionado a qualquer época do ano, o Lago de Furnas não chegava ao nível atual desde agosto de 2016.

O vice-presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), Filipe Carielo, que também é prefeito de Carmo do Rio Claro (MG), explica como que o nível foi atingido. Ele cita a imposição da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

“Não só a entrada de água foi importante para a gente manter a cota nesse momento, mas também a medida de contenção estabelecida, por imposição da ANA, que determinou em um primeiro momento 1 mil metros cúbicos por segundo de vazão máxima. Depois, em um segundo momento, 300 metros cúbicos de vazão máxima. É como se a gente tivesse uma pia, você pode ligar a torneira no máximo, se a água continuar escorrendo, a pia nunca vai encher. Então, foram os dois fatores, as medidas de contenção com também a questão climática que contribuiu para chegarmos a essa cota”, falou.

Carielo ressalta a necessidade, agora, de mante o nível acima da cota mínima, para que os empresários tenham confiança de investir e empregos sejam gerados.

“Nós precisamos ultrapassar a cota 762 e chegar à cota de segurança 768 para que ao longo do ano a água possa servir para a geração de energia. E para que a gente possa respeitar essa 762 ao longo do ano. Se não ultrapassarmos a 762 vai ficar no limite, seria algo impensável e não poderia usar para geração de energia”, disse.

‘’A 762 faz com que o Lago de Furnas seja utilizado, além da geração de energia, também para turismo, pesca, piscicultura. São dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos que a nossa região depende. É geração de riqueza, é tirar o cidadão muitas vezes da fila do emprego e trazer renda para ele. Portanto, é importante uma segurança jurídica para essa questão da 762. Porque o empresário, que vai empreender e querer investir no Lago de Furnas, ele tem que ter a segurança jurídica que essa cota 762 vai ser respeitada durante todo o ano, para que ele possa efetivamente colocar o seu dinheiro ali e ter o seu retorno do seu empreendimento. Com isso, gerar emprego e renda. Nossa região é extremamente dependente da cota 762”, completou.

Conforme o vice-presidente da Alago, são 34 municípios banhados pelo Lago de Furnas e mais de 50 que dependem direta e indiretamente do lago.

‘’Nós temos mais de 50 município que dependem indiretamente, mas podemos que falar quase que diretamente por que são fornecedores dos empreendimentos ligados ao Lago de Furnas, são pessoas que fornecem mão de obra. Então são dezenas de milhares de empregos envolvendo direta e indiretamente o Lago de Furnas. É muita gente envolvida. A gente já alcançou a 762, agora a nossa missão, o pleito dos municípios, é que a gente tenha uma segurança jurídica. A população precisa saber que isso vai ser respeitado”.

Lago de Furnas ultrapassa cota mínima

Nesta terça-feira (08), o nível do Lago de Furnas, considerada “a maior caixa d´água do Brasil”, chegou no nível 763,11 metros acima do nível do mar.

Em média o Lago subiu 13 centímetros por dia nos oito primeiros dias de fevereiro de 2022, isto é, aproximadamente 1,06 metros. 

Caso a média diária permaneça na casa dos 13 centímetros, o Lago irá chegar na cota máxima de 768 no dia 19 de março.

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