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Jornal Folha Regional

Mais de 70% dos municípios de MG estão em alerta ou risco por dengue, chikungunya e zika

Mais de 70% dos municípios de MG estão em alerta ou risco por dengue, chikungunya e zika – Foto: reprodução

Um levantamento recente acendeu o sinal de atenção em Minas Gerais: pelo menos 606 municípios estão em situação de alerta ou risco para doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, chikungunya e zika. O número representa cerca de 71% das cidades do estado.

Os dados fazem parte do primeiro Levantamento Rápido de Índices para o mosquito, o LIRAa, realizado em 2026 pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Segundo o órgão, o cenário está dentro do esperado para o período sazonal, que vai de outubro a maio.

Como estão distribuídos os índices

Ao todo, 819 dos 853 municípios mineiros participaram da análise, que considera a presença de larvas do mosquito em imóveis. Entre janeiro e março, o resultado apontou três níveis de classificação:

  • 213 cidades com índice satisfatório (até 0,99%)
  • 422 em situação de alerta (entre 1% e 3,9%)
  • 184 em situação de risco (igual ou acima de 3,9%)

O levantamento é feito por amostragem e ocorre quatro vezes ao ano. Durante o processo, agentes visitam residências sorteadas, identificam possíveis focos com água parada e coletam larvas para cálculo do índice de infestação.

Principais focos estão dentro de casa

De acordo com o estudo, a maior parte dos criadouros do mosquito está dentro ou nas proximidades das residências. Entre os principais locais estão caixas d’água destampadas, vasos de plantas, pneus e objetos descartados em quintais e terrenos.

Prevenção depende da população

O Ministério da Saúde reforça que medidas simples podem reduzir significativamente a proliferação do mosquito. Entre as principais orientações estão:

  • Manter caixas d’água e reservatórios bem tampados
  • Evitar acúmulo de sujeira em calhas
  • Guardar garrafas e baldes com a boca para baixo
  • Limpar ralos, canaletas e bandejas de eletrodomésticos
  • Utilizar areia em pratos de plantas e higienizá-los regularmente
  • Eliminar água parada em objetos e recipientes
  • Manter piscinas limpas e cobertas
  • Descartar corretamente materiais que possam acumular água

Caso não seja possível eliminar focos com larvas, a recomendação é utilizar produtos de limpeza ou acionar agentes de saúde para aplicação de larvicidas, desde que não se trate de água para consumo.

Situação das doenças em 2026

De acordo com dados atualizados pela Secretaria na última terça-feira (14), Minas Gerais já registrou 45.091 casos prováveis de dengue em 2026, dos quais 15.887 foram confirmados.

O estado contabiliza ainda 10 mortes confirmadas pela doença, enquanto outros 26 óbitos seguem em investigação.

Em relação à chikungunya, são 3.899 casos confirmados e uma morte. Já a zika soma seis casos confirmados neste ano.

Minas Gerais inicia vacinação contra dengue para profissionais de saúde

Minas Gerais inicia vacinação contra dengue para profissionais de saúde – Foto: divulgação

Governo de Minas ampliou a vacinação contra a dengue para profissionais de saúde que estão na linha de frente e realizam atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários e profissionais administrativos. 

Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) recebeu e distribuiu imediatamente aos 853 municípios mineiros mais de 82 mil doses da vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan e enviadas pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de operacionalizar a imunização dos profissionais com até 59 anos.

A meta estipulada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é alcançar 90% de cobertura vacinal desse público.

Para o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, a proteção desse público representa um avanço importante na prevenção contra a dengue no estado. “Agora é o momento para que os profissionais que trabalham no atendimento à população nos postos de saúde sejam vacinados contra a dengue, principalmente porque estamos no período sazonal”. 

“A vacinação se soma às ações de prevenção desenvolvidas em todo o estado e aos investimentos estaduais para reduzir os casos de arboviroses”, reforça Prosdocimi, que assegura que o imunizante de dose única é eficaz e representa uma medida estratégica para reduzir, a médio e longo prazo, a dengue como emergência de saúde pública.

Profissional protegida

A enfermeira da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Horto, em Belo Horizonte, Patrícia Soares Lamounier Simões Lima, recebeu a dose da vacina nessa segunda-feira (2/3) e reforçou a importância do ato para o enfrentamento da dengue.  

“Tenho 50 anos e nunca peguei dengue, mas já ouvi relatos e observei, pelos casos que atendi aqui na UBS, que é uma doença grave, que traz várias complicações. Ter a vacina disponível e de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é de grande importância para evitar o agravamento da doença. Tomei a dose única e recomendo a todos. Foi muito tranquilo e indolor, agora estou protegida”, relata a enfermeira. 

Ampliação

De acordo com o Ministério da Saúde, a próxima etapa de ampliação ocorrerá de forma gradativa, iniciando pelo público adulto a partir de 59 anos até alcançar as pessoas com 15 anos de idade, conforme a disponibilidade e a entrega de doses pelo órgão federal. A previsão é que, no segundo semestre de 2026, as doses já estejam sendo distribuídas aos estados para a ampliação.  

Em Minas, o município de Nova Lima foi escolhido para um estudo-piloto nacional que avalia o impacto da imunização de mais de 50% da população em curto intervalo de tempo. A vacinação no município teve início no dia 17/1 para toda a população elegível, com idade entre 15 e 59 anos. Além de Nova Lima, o estudo também ocorre em Maranguape (CE) e Botucatu (SP).  

A vacina 100% brasileira foi desenvolvida pelo Instituto Butantan, é de dose única e tetraviral, ou seja, protege contra os sorotipos 1, 2, 3 e 4 de dengue.

Passos lidera casos de dengue entre as cinco maiores do Sul de Minas

Passos lidera casos de dengue entre as cinco maiores do Sul de Minas – Foto: reprodução

O mais recente boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais indica que Passos registra o maior número de notificações de dengue entre os cinco principais municípios do Sul de Minas nas primeiras oito semanas de 2026.

De acordo com os dados oficiais, a cidade contabilizou 157 casos da doença no período analisado. Apesar de ocupar o topo do ranking regional, o cenário atual demonstra melhora significativa em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando haviam sido registrados 310 casos — uma redução próxima de 50%.

A diminuição é atribuída às ações permanentes de combate ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti, mas as autoridades de saúde reforçam que a colaboração da população continua sendo fundamental, especialmente na eliminação de recipientes que possam acumular água parada.

O levantamento também evidencia diferenças expressivas entre os municípios da região. Após Passos, aparecem Poços de Caldas, com 60 notificações; Pouso Alegre, com 53; Varginha, com 13; e Lavras, que registrou 5 casos no mesmo período.

Mesmo com a redução, o município segue em estado de atenção, já que o início do ano é considerado período crítico para a proliferação do vetor.

Butantan antecipa entrega de 1,3 mi de vacinas contra dengue ao SUS

Butantan antecipa entrega de 1,3 mi de vacinas contra dengue ao SUS – Foto: reprodução

O Instituto Butantan anunciou nessa terça-feira (24/2) que antecipará para o primeiro semestre de 2026 a entrega de 1,3 milhão de doses da vacina contra dengue Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Inicialmente. o lote seria entregue no segundo semestre deste ano. Com o novo prazo, serão distribuídas ao todo 2,6 milhões de doses no primeiro semestre.

A vacina Butantan-DV é produzida no parque fabril do próprio instituto, na capital paulista. O imunizante, aplicado em dose única, tetraviral e 100% nacional, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser utilizado na população brasileira de 12 a 59 anos. Nesse público, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue.

Na segunda semana de fevereiro, o Ministério da Saúde iniciou a vacinação contra a dengue dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das Unidades Básicas de Saúde) da Atenção Primária, com a previsão de proteger 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do SUS.

Novo terreno

O governo do estado de São Paulo anunciou, também nessa segunda-feira (23/2), a transferência de um terreno no bairro do Jaguaré, zona oeste do município de São Paulo, para a criação de um novo polo de inovação e desenvolvimento de imunobiológicos do Instituto Butantan, além do investimento de R$ 1,38 bilhão em novas fábricas para produção de vacinas e imunobiológicos.

Nessa área, vamos produzir nosso parque fabril para levarmos São Paulo onde queremos: um expoente máximo da ciência, da biotecnologia, do desenvolvimento e da inovação em Saúde no nosso país, disse o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva.

Vacina contra dengue deve chegar para toda a população no segundo semestre de 2026

Vacina contra dengue deve chegar para toda a população no segundo semestre de 2026 – Foto: reprodução

Como estratégia de ampliação ao combate ao vírus da dengue, que, só no ano passado, acometeu 1,6 milhão de pessoas e matou outras 1.700 em todo o país, o Ministério da Saúde começa, neste sábado (17/01), a aplicar a vacina produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante é o primeiro e único até agora a garantir a imunização com apenas uma dose de vacina. A ampliação da oferta, prevista para os próximos meses, deverá garantir a disponibilidade de imunizantes para toda a população até o segundo semestre de 2026, conforme planejamento do Ministério da Saúde.

Atualmente, o país conta com a vacina Qdenga, produzida pela chinesa  Takeda Pharma, que, mesmo disponível na rede pública de saúde, ainda tem procura abaixo do esperado, que é de 90%. Só em Belo Horizonte, por exemplo, a cobertura vacinal da primeira dose está em 59,9% e a da segunda dose, em 29,9%. 

Ao contrário da estrangeira (que está sendo aplicada na capital em crianças e adolescentes), a produzida no Butantan, inicialmente, será aplicada em pessoas de 15 a 59 anos, e apenas as cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) serão contempladas com as primeiras 300 mil doses, das 1,300 milhão já produzidas até agora.

“Temos uma questão de limitação na estrutura, mas estamos fazendo investimentos para a produção no Butantan, além de uma parceria com uma farmacêutica chinesa que vai auxiliar na produção das doses do mesmo formato que são feitas aqui no Brasil”, afirmou o diretor de Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti. 

As outras 1 milhão de doses chegarão a todo o país para imunizar profissionais de saúde da atenção primária até o final de janeiro e a expectativa é que no segundo semestre, o  restante da população comece a ser imunizada. “Foi quase uma década de estudos muito bem feitos para que essa vacina fosse desenvolvida, testada, segura e, agora, pronta para ser aplicada. Ela é a única no mundo em dose única, protege contra os quatro sorotipos da doença”, garantiu Gatti.

Desde a incorporação da Qdenga, em 2024, 7,9 milhões de doses já foram aplicadas. O diretor do PNI explicou que, como parte da estratégia, o SUS vai continuar oferecendo a vacina para adolescentes de 10 a 14 anos.

“É importante reforçar que a principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e tecnologias inovadoras”, pontou.

Imunização de rebanho 

A escolha dos municípios se deu por uma questão de estrutura e expertise para a quarta e última fase de testes da vacina, que, segundo o diretor, corresponde a uma análise da cobertura após a vacinação em massa. Na pandemia de Covid-19, as cidades se destacaram na metodologia, celeridade e estudos nos resultados.

“Precisamos saber qual impacto que a vacina vai ter na dinâmica da população, porque, para uma doença circular, precisa de duas coisas: a pessoa suscetível e o mosquito. Por isso, precisamos eliminar  o mosquito e imunizar as pessoas. Há estudos que mostram que se a gente conseguir que metade da população deixe de ser suscetível, seja por ter pego a doença ou por se vacinar, a doença para de circular, e aí temos a proteção inclusive dos não vacinados, o chamado efeito rebanho”, disse.

Neste sábado, além das Unidades Básicas de Saúde (UBS´s) dois vacimóveis vão aplicar os imunizantes de 9h às 16h, na Praça Bernardino de Lima (Centro) e no Serena Mall (Regional Norte).

Dados de 2025 mostram que Minas Gerais, em 2025, confirmou 118.416 casos da doença e provocou 148 óbitos.  Este ano, segundo dados do Boletim Epidemilogico da Secreatária de Estado de Saúde, existem 964 cados prováveis da doença e 119 casos confirmados. Até agora, não houve óbitos por dengue.

Passos registra queda expressiva nos casos de dengue e acompanha tendência de Minas

Passos registra queda expressiva nos casos de dengue e acompanha tendência de Minas – Foto: reprodução

Um levantamento divulgado pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais revela uma redução acentuada nos casos de dengue em Passos (MG). Enquanto em 2024 foram contabilizados 17.840 registros da doença, em 2025 esse número caiu para 1.646, evidenciando uma diminuição expressiva.

O cenário local reflete o que foi observado em todo o estado. Minas Gerais encerrou 2025 com 118.858 casos confirmados de dengue, o que representa uma queda de aproximadamente 92% em comparação a 2024, ano marcado por uma das maiores epidemias já registradas no território mineiro.

Mesmo diante da redução, o Governo de Minas afirma que mantém atenção redobrada. Com a proximidade do período mais crítico para a transmissão de arboviroses — como dengue, chikungunya e zika —, além do aumento das doenças respiratórias, a Secretaria de Estado de Saúde informou ter reforçado a estrutura da rede pública para o intervalo entre fevereiro e abril, quando tradicionalmente há maior demanda.

As ações foram detalhadas pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, que destacou o planejamento antecipado como estratégia central. De acordo com ele, as projeções epidemiológicas para 2026 indicam que o pico da dengue deve ocorrer em abril, diferentemente de 2025, quando o maior número de casos foi registrado em março.

“Com base nessa previsão, desde setembro iniciamos o repasse de recursos aos municípios para que pudessem se organizar com antecedência. O objetivo é fortalecer a capacidade de resposta e minimizar os impactos à população”, afirmou Baccheretti. O secretário ressaltou ainda que a vacinação segue como um dos principais pilares da política de enfrentamento à dengue em Minas Gerais.

Anvisa aprova 1ª vacina de dose única contra a dengue

Anvisa aprova 1ª vacina de dose única contra a dengue – Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) finalizou a avaliação técnica da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, e agora formaliza a etapa administrativa que aprova o registro.

Nesta quarta-feira (26), a agência assina, em São Paulo, o Termo de Compromisso com o Instituto Butantan —um rito obrigatório que define as obrigações do fabricante e permite a liberação definitiva do registro nos próximos dias.

Segundo a agência, a assinatura funciona como o último passo antes da formalização, e fontes ouvidas pela reportagem confirmam que o imunizante cumpriu todos os critérios de segurança, eficácia e qualidade exigidos pela agência.

Assim, embora o ato administrativo de publicação do registro ainda não tenha ocorrido, a aprovação técnica já está dada —e foi isso que permitiu ao governo dar início às etapas preparatórias para a incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Apesar da aprovação, ainda não há previsão de quando a vacina será incluída ao calendário nacional.

País tem 1 milhão de doses prontas

Mesmo antes da aprovação regulatória, o Butantan havia iniciado a fabricação da vacina em seu parque industrial. O instituto já tem mais de 1 milhão de doses prontas para serem disponibilizadas ao PNI.

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o pediatra e infectologista Renato Kfouri reforça que os resultados apresentados justificam a rapidez na incorporação.

“A vacina demonstrou eficácia elevada, em torno de 75% contra a doença e acima de 90% para formas graves e hospitalizações”, diz.
Kfouri destaca que a produção nacional é um diferencial estratégico.

“Além da eficácia, temos o benefício de ser uma vacina produzida no país. Isso facilita o acesso e a escala de distribuição”, diz.
Para ampliar a oferta, o Butantan fechou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi, o que permitirá entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

O que dizem os ensaios clínicos

A aprovação foi concedida após cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, submetido à Anvisa.

Entre pessoas de 12 a 59 anos:

  • Eficácia geral: 74,7%.
  • Proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme: 91,6%.
  • Proteção contra hospitalizações: 100%.

Mais de 16 mil voluntários de 14 estados participaram da pesquisa, realizada entre 2016 e 2024. A vacina, que inclui os quatro sorotipos do vírus, se mostrou segura tanto em quem já teve dengue quanto em quem nunca foi infectado.

Segundo Kfouri, a duração da proteção é outro ponto de destaque.

“A eficácia foi mantida ao longo de mais de cinco anos de estudo após uma única dose. E o perfil de segurança é bastante satisfatório”, afirma.

As reações mais comuns foram leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos graves foram raros e todos os voluntários se recuperaram.

Dose única

A Butantan-DV é a primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo. Segundo relatório publicado na revista Human Vaccines & Immunotherapeutics, esquemas com menos doses estão associados a:

  • maior adesão da população;
  • campanhas mais simples de organizar;
  • cobertura vacinal mais rápida em emergências sanitárias.

Kfouri lembra que o imunizante já se mostrou comparável à vacina da Takeda, disponível no Brasil.

“Os resultados são muito semelhantes aos da vacina da Takeda. A grande diferença é justamente a possibilidade de aplicar apenas uma dose, o que tem impacto direto na cobertura vacinal”, explica.

Expansão para outras idades já está prevista

A Anvisa também autorizou estudos para avaliar a aplicação da vacina em pessoas de 60 a 79 anos. Dados adicionais deverão ser analisados para definir a inclusão de crianças de 2 a 11 anos, embora estudos clínicos já indiquem segurança nesse grupo.

O Ministério da Saúde ainda vai definir quando a vacinação começa e como será a distribuição das doses no país.

Vacina da dengue tem 67,5% de eficácia contra internação de adolescentes

Vacina da dengue tem 67,5% de eficácia contra internação de adolescentes – Foto: reprodução

Um estudo internacional comprovou a eficácia da vacina TAK-003, conhecida como Qdenda, no combate à dengue em adolescentes. A pesquisa foi conduzida no Brasil por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e foi publicada na terça-feira (19) na renomada revista científica The Lancet Infectious Diseases.

A vacina já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de quatro a 60 anos e introduzida no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023. Atualmente, ela é aplicada gratuitamente na população de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue após os idosos.

O estudo foi realizado durante a epidemia histórica de dengue que atingiu o país em 2024, matando mais de seis mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Foram verificados mais de 92 mil testes de jovens na faixa etária em foco no estado de São Paulo. A pesquisa utilizou o método “teste-negativo” (padrão em estudos de vacinas) e cruzou dados de vigilância epidemiológica com registros de vacinação.

Segundo os resultados da pesquisa, uma única dose oferece 50% de proteção contra casos sintomáticos de dengue, e 67,5% contra hospitalizações. Já a segunda dose aumentou a eficácia contra sintomas para 61,7%, com proteção já a partir do oitavo dia após a aplicação da primeira dose.

Além disso, o trabalho confirmou que a vacina é eficaz contra os sorotipos 1 e 2, predominantes na epidemia de 2024. A análise pontuou, ainda, que a proteção da primeira dose diminuiu após 90 dias, trazendo à tona a necessidade de completar o esquema vacinal de duas doses para garantir a proteção prolongada.

Segundo Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz Mato Grosso do Sul e coordenador do estudo, essa é a primeira evidência significativa, para além dos ensaios clínicos, de que a vacina TAK-003 é eficaz. “Isso pode salvar vidas e desafogar os hospitais durante epidemias”, afirma.

Na visão dos pesquisadores, com a expansão da dengue impulsionada pelas mudanças climáticas, a evidência brasileira pode influenciar políticas públicas e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso da TAK-003 em campanhas emergenciais e proteção de viajantes para áreas endêmicas.

Estudo de universidade no Sul de Minas usa extrato de café para combater mosquito da dengue com quase 100% de eficácia

Estudo de universidade no Sul de Minas usa extrato de café para combater mosquito da dengue com quase 100% de eficácia – Foto: reprodução

Um estudo realizado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) revelou que extratos de café verde e torrado, especialmente os de baixa qualidade, têm alto potencial para eliminar larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

A descoberta faz parte de um projeto apoiado pelo Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café. O principal destaque do estudo é a “Solução Inovadora 5”, criada a partir de compostos bioativos extraídos do café por meio de um processo com metanol.

As análises identificaram substâncias como cafeína, ácido cafeico e ácido clorogênico. No extrato de café torrado, foi detectada também a catequina, que pode estar ligada à alta eficácia da fórmula.

Nos testes laboratoriais, um extrato de café torrado conhecido como CTT apresentou os melhores resultados, atingindo 99,2% de mortalidade das larvas após 72 horas. O CTT é um composto amplamente utilizado em alimentos, cosméticos e pesquisas científicas por sua capacidade de unir substâncias que normalmente não se misturam.

A eficácia caiu consideravelmente quando os compostos foram testados isoladamente, o que sugere um efeito sinérgico entre as substâncias.

A coordenadora do estudo, professora Joziana Muniz de Paiva Barçante, destaca que a pesquisa também contribui para a sustentabilidade, ao dar novo uso a subprodutos da cafeicultura e reduzir a dependência de inseticidas químicos.

“Transformar um subproduto de baixo valor em uma solução inovadora, sustentável e de baixo custo para o manejo do Aedes aegypti demonstra alinhamento com os princípios da economia circular e da sustentabilidade”, afirma.

Além dos impactos ambientais e sanitários, o trabalho também tem reconhecimento acadêmico: já rendeu uma premiação nacional, um TCC, uma dissertação de mestrado e impulsiona uma tese de doutorado em andamento.

A coordenadora do estudo, professora Joziana Muniz de Paiva Barçante — Foto: Divulgação / Universidade Federal de Lavras
A coordenadora do estudo, professora Joziana Muniz de Paiva Barçante — Foto: Divulgação / Universidade Federal de Lavras

Próximos passos

A equipe agora busca entender como cada composto atua individualmente e pretende testar a eficácia da solução em mosquitos resistentes a inseticidas convencionais. Também serão investigados os mecanismos de ação dos compostos sobre a fisiologia do inseto.

O estudo, desenvolvido integralmente na UFLA, integra o projeto “Aproveitamento de cafés de qualidade inferior para o desenvolvimento de novos produtos e embalagens”.

A equipe é formada por pesquisadores de diversas áreas, incluindo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e prevê patentear a solução para futura produção em larga escala.

Estudo de universidade mineira usa extrato de café para combater mosquito da dengue com quase 100% de eficácia — Foto: Divulgação / Universidade Federal de Lavras
Estudo de universidade mineira usa extrato de café para combater mosquito da dengue com quase 100% de eficácia — Foto: Divulgação / Universidade Federal de Lavras

Via: G1

SES-MG confirma terceira morte por dengue no Sul de Minas em 2025

SES-MG confirma terceira morte por dengue no Sul de Minas em 2025 - Foto: reprodução
SES-MG confirma terceira morte por dengue no Sul de Minas em 2025 – Foto: reprodução

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou uma morte por dengue em Alterosa (MG). Conforme a secretaria, a vítima é uma mulher que tinha mais de 90 anos e tinha comorbidades.

Esta é a terceira morte pela doença confirmada pela SES-MG neste ano no Sul de Minas. Os óbitos anteriores foram registrados em Areado e Monte Santo de Minas. Há ainda uma outra morte que já foi confirmada pela Prefeitura de Pouso Alegre, mas ainda não entrou no registro do Estado.

Nesta semana, o número de casos confirmados de dengue subiu para 4.526 em toda região, com uma alta de 7,4% no número de casos. Ao todo, foram +312 novos registros.

São Sebastião do Paraíso segue liderando o número de casos confirmados na região, com 521 notificações. Guaxupé (403), Pouso Alegre (400) e Itajubá (389) aparecem na sequência.

Nesta última semana, Pouso Alegre foi a cidade que mais registrou novos casos: +63. Itajubá (+44), São Sebastião do Paraíso (+40) e Guaxupé (+21) aparecem na sequência.

Cidades com mais casos:

  • São Sebastião do Paraíso: 521
  • Guaxupé: 403
  • Pouso Alegre: 400
  • Itajubá: 389
  • Andradas: 245
  • Alterosa: 228
  • Lavras: 170
  • Areado: 147
  • Elói Mendes: 119
  • Varginha: 105

Onde mais aumentou na semana:

  • +63 Pouso Alegre
  • +44 Itajubá
  • +40 São Sebastião do Paraíso
  • +21 Guaxupé
  • +17 Elói Mendes
  • +16 Varginha
  • +14 Andradas e Alpinópolis

Via: G1

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