
Uma pesquisa iniciada em 2022 por professores e pesquisadores da área da saúde em Pouso Alegre (MG) resultou na criação de um creme específico para pessoas com diabetes. Desenvolvido com produtos naturais e óleos essenciais, o produto foi testado em humanos e demonstrou eficácia no combate ao ressecamento da pele — um problema comum entre os portadores da doença. A fórmula agora aguarda liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializada.
A diabetes é uma condição crônica que atinge milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Um dos sintomas que mais afetam os pacientes é a pele seca, que pode evoluir para rachaduras e, em casos mais graves, feridas de difícil cicatrização. Durante o inverno, o ressecamento se agrava e, além da falta de cremes específicos, muitos dos disponíveis no mercado ainda contêm açúcar, o que representa um risco adicional. A região dos pés é especialmente sensível, sendo comum o aparecimento de rachaduras que podem se transformar em feridas perigosas devido à má cicatrização característica dos diabéticos.
Atenta a esses desafios, a enfermeira e professora pesquisadora Daniela Seni, mestra em Ciências Aplicadas à Saúde, decidiu desenvolver uma fórmula voltada para hidratar e proteger a pele dessas pessoas antes mesmo que feridas se formem. A ideia surgiu a partir da convivência direta com pacientes que relatavam o incômodo constante do ressecamento, principalmente nos pés. Ao analisar os produtos existentes, a pesquisadora observou que a maioria é voltada para o tratamento de feridas já instaladas, e que havia uma lacuna no mercado quanto à prevenção, especialmente focada na pele de quem tem diabetes.
Ao todo, 38 pessoas participaram dos testes com o creme, e os resultados foram considerados positivos. Segundo a professora e orientadora do projeto, Diba Maria Sebba de Souza, houve um equilíbrio no pH da pele dos calcanhares dos participantes, mas o destaque ficou para o aumento significativo da umidade e da oleosidade da região.
O produto já foi submetido ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), onde aguarda a concessão da patente. A próxima etapa é a avaliação da Anvisa, que determinará se o creme será classificado como cosmético ou farmacêutico. Conforme explicou o professor e pesquisador Valter Santos, a classificação depende dos resultados dos testes de segurança e eficácia. Após essa definição, a equipe pretende buscar uma parceria com alguma empresa do setor ou até mesmo criar um novo empreendimento voltado à produção e comercialização do creme.
Enquanto o produto ainda não está disponível no mercado, a expectativa entre os pacientes já é grande. Muitos relatam que convivem diariamente com o desconforto da pele seca, coceiras e necessidade de recorrer a alternativas improvisadas, como cremes genéricos ou até água. Para pessoas como o motorista Sidnei Jesus Brito, que vive com a doença há oito anos, o novo creme representa uma esperança concreta de melhoria na qualidade de vida.
