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Jornal Folha Regional

Câmara aprova aumento de 25% nas diárias de viagens em Pouso Alegre; valor para Brasília sobe para R$ 1 mil

Câmara aprova aumento de 25% nas diárias de viagens em Pouso Alegre; valor para Brasília sobe para R$ 1 mil – Foto: reprodução

A Câmara Municipal de Pouso Alegre aprovou uma nova regulamentação para o pagamento de diárias de vereadores e servidores durante viagens oficiais. Além do reajuste nos valores, a medida estabelece limites para a quantidade de deslocamentos com direito ao benefício, endurece as regras para concessão e prestação de contas e atualiza a indenização paga aos motoristas da Casa.

O reajuste foi de 25% para as viagens em geral, fazendo com que a diária passe de R$ 439,30 para R$ 550. Já para deslocamentos a Brasília, foi criada uma categoria específica, elevando o valor para R$ 1 mil por dia — um aumento de quase 128% em relação ao valor anteriormente praticado. As diárias internacionais permanecem fixadas em US$ 300.

Segundo a Mesa Diretora, a criação de uma diária exclusiva para a capital federal levou em consideração os custos mais elevados com hospedagem e alimentação em Brasília. O Legislativo também justificou que os valores anteriores estavam defasados e afirmou que, mesmo com a atualização, as diárias da Câmara de Pouso Alegre seguem entre as menores da região.

A resolução também passa a limitar o número de viagens oficiais custeadas por diárias. Cada vereador poderá receber o benefício em até dez deslocamentos por ano, enquanto os servidores terão direito a, no máximo, cinco viagens anuais. Caso haja necessidade de ultrapassar esse limite, será obrigatória uma autorização expressa e devidamente justificada pelo presidente da Câmara.

A restrição, porém, não se aplica ao presidente do Legislativo nem ao presidente da Escola do Legislativo — função exercida por um vereador — quando estiverem em compromissos de representação oficial da Câmara.

Outra mudança determina que vereadores e servidores com prestações de contas pendentes de viagens anteriores não poderão solicitar novas diárias até regularizar a situação. Os pedidos também deverão ser realizados, preferencialmente, por meio eletrônico e com antecedência mínima de 24 horas.

Nos deslocamentos realizados e concluídos no mesmo dia, será paga meia diária apenas quando a viagem tiver duração mínima de seis horas e o percurso total, entre ida e volta, atingir pelo menos 100 quilômetros. Se esses critérios não forem cumpridos, não haverá pagamento de diária, mas o servidor ou vereador poderá solicitar o reembolso das despesas mediante apresentação das respectivas notas fiscais.

A regulamentação ainda define regras para o ressarcimento de combustível em viagens oficiais feitas com veículos próprios ou de terceiros. Para receber o reembolso, será necessário apresentar comprovantes fiscais e documentos que comprovem a distância percorrida.

Além das alterações nas diárias, os vereadores aprovaram outro projeto que atualiza a indenização destinada à alimentação dos motoristas da Câmara. O valor passa a ser de R$ 120 para viagens com duração de até 12 horas e de R$ 200 para deslocamentos superiores a esse período.

De acordo com a Mesa Diretora, a atualização foi necessária porque os valores pagos aos motoristas permaneciam sem reajuste desde 2013.

O projeto que modifica as regras e os valores das diárias foi aprovado pela maioria dos parlamentares, mas recebeu votos contrários de pelo menos quatro vereadores.

Vereadores mineiros são investigados por suposto uso irregular de diárias; Justiça determina avanço do processo

Segundo o MP, foram gastos cerca de R$ 217 mil em diárias de forma irregular, com relatórios que apresentavam apenas declarações

Vereadores mineiros são investigados por suposto uso irregular de diárias; Justiça determina avanço do processo – Foto: reprodução

A Justiça estadual autorizou, na última quarta-feira (8), a produção de provas em um processo investiga supostas irregularidades no pagamento de diárias a vereadores e servidores da Câmara Municipal de Delta, no Triângulo Mineiro, entre 2013 e 2014. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) acusa os réus de terem recebido valores sem comprovação do interesse público nas viagens, o que configuraria atos de improbidade administrativa e prejuízo ao erário municipal.

A decisão foi assinada pela juíza Beatriz Auxiliadora Rezende Machado, da 2ª Vara Cível de Uberaba, responsável pelo caso que reúne 13 acusados, entre eles parlamentares e servidores da Câmara à época. Segundo o Ministério Público, foram gastos cerca de R$ 217 mil em diárias de forma irregular, com relatórios que apresentavam apenas declarações de visitas a gabinetes de deputados estaduais, sem registros de atividades oficiais.

A investigação teve início a partir de denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público. A ação também questiona a legalidade de uma resolução que transferiu para o presidente da Câmara a competência exclusiva para autorizar os pagamentos, sem necessidade de apreciação pelo plenário e sem estabelecer critérios de controle.

O Ministério Público pede que os acusados sejam condenados ao ressarcimento integral dos valores considerados indevidos, à perda de função pública, suspensão dos direitos políticos por até 10 anos e pagamento de multa civil.

Os réus alegam que as viagens tinham finalidade pública e que todas as contas foram aprovadas dentro das normas da Câmara. Também descartam dolo ou enriquecimento ilícito.

Um dos réus, o ex-vereador Carlos Roberto de Souza, firmou acordo de não persecução cível, comprometendo-se a devolver R$ 21,9 mil ao município e pagar multa de R$ 3,1 mil, totalizando R$ 25 mil em 40 parcelas. O acordo foi homologado e suspendeu o processo em relação a ele.

Na decisão, a juíza rejeitou o argumento de que vereadores não poderiam ser enquadrados na Lei de Improbidade Administrativa. Segundo ela, o Supremo Tribunal Federal já definiu que agentes políticos podem responder nesse tipo de ação.

O Ministério Público pediu a oitiva de uma ex-assessora parlamentar da Câmara e o depoimento do ex-controlador interno. A magistrada autorizou as provas orais, por entender que podem esclarecer se as viagens ocorreram e se houve interesse público.

As partes terão 15 dias para apresentar seus rol de testemunhas. Caso não haja manifestação, o processo seguirá para alegações finais.

Réus do processo

Adilson José de Rezende, Adriana Maria Morais de Freitas, Carlos Roberto de Souza, Carlos Roberto dos Santos, Fábio Antônio da Silva, Jaimes William Fontes Dias, José Renato Elias, Júlio César Gonçalves, Luís Humberto Zanuto Junior, Raimundo Rodrigues Pereira, Marcos Roberto Estevam, Paulo Henrique Camilo dos Reis, Ricardo César Evangelista e Rodrigo Juliano Vantuil.

Lira reajusta em 60% valor que cobre gastos de deputados em viagens a trabalho

Lira reajusta em 60% valor que cobre gastos de deputados em viagens a trabalho - Foto: redes sociais
Lira reajusta em 60% valor que cobre gastos de deputados em viagens a trabalho – Foto: redes sociais

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), reajustou em 60,62% os valores que cobrem as diárias de viagens a trabalho realizadas por parlamentares e servidores da Casa dentro do País. Segundo o deputado, a correção da indenização dos gastos com estadia, alimentação e locomoção corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho de 2015 a março deste ano.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), reajustou em 60,62% os valores que cobrem as diárias de viagens a trabalho realizadas por parlamentares e servidores da Casa dentro do País. Segundo o deputado, a correção da indenização dos gastos com estadia, alimentação e locomoção corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho de 2015 a março deste ano.

Com a mudança, o valor recebido pelo presidente da Câmara passa de R$ 611 para R$ 981 e pelos demais parlamentares de R$ 524 para R$ 842. Servidores e colaboradores, que recebiam no máximo R$ 489, podem receber de R$ 702 a R$ 785, a depender da categoria do cargo. Já para analistas e técnicos legislativos, o valor passou de R$ 349 para R$ 560 por dia.

Também foi reajustado o valor adicional de embarque e desembarque. Há 12 anos, o auxílio que cobria despesas de deslocamento entre o ponto de origem e o local de embarque ou desembarque era de R$ 279. A partir desta quinta, passa a ser de R$ 448,00.

O reajuste foi feito apenas sobre os valores gastos em viagens nacionais. Para as viagens realizadas na América Latina, o auxílio varia de US$ 196 a US$ 428. Em caso de destinos localizados em outros países, a indenização é de no mínimo US$ 215 e no máximo US$ 550.

Gasto para bancar vereadores em MG cresce 35% em quatro anos

Gasto para bancar vereadores em MG cresce 35% em quatro anos - Foto: reprodução
Gasto para bancar vereadores em MG cresce 35% em quatro anos – Foto: reprodução

Os gastos dos mineiros para manter as Câmaras de Vereadores dos 853 municípios do Estado aumentaram 35% entre 2020 e 2023. Os dados são de um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Em 2020, ano em que houve a eleição que escolheu os atuais vereadores que representam a população, os contribuintes gastaram aproximadamente R$ 1,9 bilhão para arcar com as despesas nos Legislativos municipais. Em 2023, o gasto foi de R$ 2,6 bilhões.

O cientista político Lucas Gelape, pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas, explica que existem diferentes razões para explicar o aumento, inclusive a inflação do período, mas destaca-se a alta do gasto com remunerações. “A gente percebe um aumento médio de custos com salários e custeio entre os anos de 2021 e 2022”, diz Gelape.

O presidente da Associação das Câmaras Municipais de Minas Gerais (Acam), o vereador de Lagoa Santa Paulo Dolabella (Patriota), diz que o aumento de gastos não é igual para todos os Legislativos do Estado e que cada Câmara tem uma realidade.

“Uma Câmara tem centenas de despesas, e cada uma (Câmara) com sua particularidade. (O gasto) vai depender do ordenador de despesas, o presidente. Este aumento, de cerca de 11% ao ano nos três anos, pode ter vários motivos. Reajuste salarial de servidores, investimento em obras, cursos, entre outros”, explica.

Para efeito de comparação, os cerca de R$ 700 milhões gastos a mais no ano passado com pessoal e parlamentares municipais de Minas Gerais são quase o dobro do que o governo mineiro previu para gastar, em 2023, com a ações da Emater, entidade responsável pela assistência técnica rural aos produtores mineiros – cerca de R$ 359 milhões. O valor também é sete vezes maior do que o que será gasto pelo Executivo com investimentos no Idene, que promove o desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas – aproximadamente R$ 108 milhões.

O economista Gelton Pinto Coelho, do Conselho Regional de Economia (Corecon-MG), avalia que o aumento de custos evidencia um descompasso entre as demandas da população e os ganhos garantidos a alguns grupos. “Enquanto parte do funcionalismo tem perdas salariais importantes, setores com mais influência e poder de decisão sobre seu próprio futuro alcançam valores desproporcionais ao restante das categorias”, destaca. “Há um avanço incompatível com a democracia do Poder Legislativo sobre o Orçamento, prejudicando de maneira grave o planejamento público”, diz Coelho.

O presidente da Acam, no entanto, defende a atuação das Câmaras Municipais. “Os investimentos são feitos para melhor atender a população. Por exemplo, investir em capacitação, criar centros de atendimento ao cidadão, Procon, Unidade de Atendimentos, entre outros serviços”, diz Dolabella.

Menor cidade do país tem o maior custo por habitante

Serra da Saudade (Alto Paranaíba) é o município mineiro que tem o maior custo por habitante para manter a Câmara Municipal funcionando. Cada morador da cidade gasta, anualmente, R$ 1.046,57 para pagar os custos do Legislativo, enquanto, em Belo Horizonte, o gasto é de R$ 93,97 para cada habitante da capital.

A cidade do Alto Paranaíba é a menor do Brasil, segundo dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São apenas 833 moradores em Serra da Saudade, contra 2,3 milhões em Belo Horizonte. A capital mineira tem uma população quase 3.000 vezes maior do que a de Serra da Saudade. São 41 vereadores na capital, contra nove na cidade do interior. 

Enquanto um vereador de Belo Horizonte representa, em média, cerca de 56 mil pessoas, um vereador de Serra da Saudade representa 92 cidadãos. Por isso, o custo por habitante acaba sendo maior na cidade do interior mineiro. 

O economista Gelton Pinto Coelho, do Conselho Regional de Economia, alerta sobre a necessidade de controlar os gastos e os serviços prestados. “É preciso seriedade na investigação do uso desses recursos em prefeituras, principalmente as de menor porte e com fiscalização mais frágil”. 

Na avaliação do economista, a parcela dos Orçamentos públicos que tem ficado sob controle do Poder Legislativo tem crescido de forma desproporcional ao crescimento das receitas e também à inflação. “O interesse dos vereadores e deputados, num exemplo rudimentar, pode ser espalhar ambulâncias em cidades que continuam sem um hospital, que poderia evitar que servidores e pacientes morressem nas estradas”, diz Coelho.

Em Serra da Saudade, os gastos saltaram em 2021, e o que mais pesou foi o custo com pessoal. No caso da remuneração dos vereadores, a média anual de cada parlamentar passou de R$ 38 mil em 2019 para mais de R$ 57 mil em 2023. A reportagem tentou contato com a Câmara de Serra da Saudade, mas não obteve retorno. 

Salários dos parlamentares vão aumentar

O cientista político e pesquisador da Fundação Getulio Vargas Lucas Gelape lembra que o custo com remuneração nas Câmaras de Vereadores ainda tem espaço para crescimento na próxima legislatura, que vai começar em 2025, pois houve aumento no salário dos deputados federais, referência para a remuneração de todos os parlamentares brasileiros. 

Em 22 de dezembro de 2022, quando a atenção do país estava voltada para a troca de governo entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assumiu em 1º de janeiro de 2023, os congressistas brasileiros aprovaram um reajuste nos próprios salários de 37%. Como existe uma relação entre os salários pagos a todos os representantes do Legislativo no país, isso acabou chegando até as Câmaras das cidades. 

Apenas quatro dias depois, os deputados estaduais de Minas Gerais aprovaram o mesmo percentual de aumento na Assembleia e abriram espaço para todas as Câmaras Municipais reverem a remuneração de seus vereadores. (O Tempo)

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