
Durante mais de nove décadas, o sonho de aprender a ler e escrever acompanhou a trajetória de Severino Nascimento da Silva. Órfão desde muito cedo e obrigado a trabalhar ainda na infância para sobreviver, ele nunca teve a oportunidade de frequentar a escola de forma regular. Agora, aos 94 anos, o aposentado comemora uma conquista que parecia distante: a alfabetização e a participação em uma cerimônia de formatura.
A história de Severino é marcada por dificuldades. Sem conhecer os pais, ele começou a trabalhar aos seis anos de idade para garantir o próprio sustento. Embora tivesse o desejo de estudar, as circunstâncias da vida sempre falaram mais alto. Segundo ele, diversas tentativas de ingresso na escola acabaram frustradas, impedindo que tivesse acesso à educação durante a infância e a juventude.
“Comecei a trabalhar com seis anos de idade e, desde então, venho lutando nessa vida. Eu queria ir à escola, mas sempre que alguém me matriculava, não me davam chance de estudar. Cresci, cheguei à idade de casar e não tive condições de educar meus filhos direito”, contou o idoso.
Mesmo sem saber ler ou escrever, Severino construiu uma família. Casou-se, teve sete filhos e trabalhou ao longo da vida para garantir o sustento da casa. Ainda assim, carregava o sentimento de não ter conseguido oferecer aos filhos a educação que gostaria, justamente por nunca ter tido a oportunidade de estudar.
A mudança aconteceu graças ao Programa Alfabetiza Piauí, iniciativa voltada para a alfabetização de jovens, adultos e idosos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Na última semana, Severino participou da cerimônia de formatura ao lado de cerca de mil estudantes em Teresina. Em apenas dois anos, o programa já alfabetizou aproximadamente 50 mil piauienses, oferecendo transporte, alimentação e incentivos financeiros para estimular a permanência dos alunos nas salas de aula.
Para o aposentado, a experiência foi muito mais do que aprender letras e palavras. A conquista representou a realização de um sonho cultivado por toda a vida. A emoção ficou evidente durante a cerimônia e também no depoimento dado após a formatura.
“Voltar à escola me deixou muito satisfeito. Nunca imaginei viver uma formatura nessa idade. Me sinto com muita vontade de continuar estudando. Amo minhas professoras, meus colegas e sou muito agradecido por essa oportunidade”, disse.
Aos 94 anos, Severino afirma que pretende seguir aprendendo e reforça a importância da educação em qualquer fase da vida. Sua história se tornou um exemplo de perseverança e mostra que nunca é tarde para buscar conhecimento.
“Sempre fui muito apaixonado por aprender. Nessa idade que eu estou agora, sigo acreditando que a educação está acima de tudo”, concluiu.


