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Jornal Folha Regional

VÍDEO | Gari encontra Bíblia no lixo, faz desabafo e emociona milhares de pessoas nas redes sociais

Um gesto simples durante a rotina de trabalho chamou a atenção de milhares de pessoas nas redes sociais. O gari Alessandro Alves da Silva, conhecido como Gari da Gravata, encontrou uma Bíblia descartada entre os resíduos enquanto realizava a coleta de lixo no bairro de Cajazeiras, em Salvador (BA).

Ao perceber o livro sagrado em meio ao lixo, Alessandro interrompeu o trabalho para retirá-lo cuidadosamente antes que fosse levado junto aos demais resíduos. Em seguida, fez uma reflexão que acabou emocionando quem assistiu ao vídeo.

“A Palavra do Senhor não pode ser jogada aqui dentro. Eu creio que Deus tem um propósito nessa manhã”, afirmou.

As imagens rapidamente ganharam repercussão nas redes sociais e receberam milhares de comentários. Entre as mensagens, internautas destacaram a sensibilidade do trabalhador.

“Esse gari é abençoado por Deus”, comentou um seguidor.

“Que presente que Deus te deu”, escreveu outro.

Respeito e sensibilidade

Acostumado a encontrar os mais diversos objetos durante a coleta de resíduos, Alessandro contou que nunca havia passado por uma situação semelhante. Após retirar a Bíblia do lixo, decidiu levá-la para casa.

A atitude também foi elogiada por pessoas de diferentes crenças, que ressaltaram que o gesto representou respeito, educação e sensibilidade diante de um livro considerado sagrado por milhões de pessoas.

Conhecido nas redes sociais

O Gari da Gravata costuma compartilhar em suas redes sociais momentos do dia a dia da profissão e histórias vividas durante o trabalho nas ruas de Salvador.

Em outra ocasião, ele ganhou destaque ao salvar um jabuti encontrado vivo dentro de um caminhão de lixo poucos segundos antes de os resíduos serem compactados, episódio que também repercutiu pela demonstração de cuidado com a vida.

Reflexão sobre a fé

Segurando a Bíblia encontrada, Alessandro afirmou acreditar que nada acontece por acaso e aproveitou a oportunidade para pedir mais respeito ao livro sagrado.

Considerada a obra mais distribuída da história, a Bíblia entrou para o Guinness Book com mais de 5 bilhões de exemplares espalhados pelo mundo. A coletânea reúne textos sagrados que narram a criação do mundo, a história do povo de Israel, a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, além de apresentar ensinamentos que orientam a fé cristã.

Com um gesto espontâneo durante a jornada de trabalho, o gari transformou uma situação inesperada em uma mensagem de fé, respeito e reflexão que ultrapassou as ruas de Salvador e alcançou milhares de pessoas pela internet.

VÍDEO | Veja reação de suspeito de matar gari ao saber que continuará preso

Um vídeo mostra o momento em que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, reage ao ser informado que permanecerá preso pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44. As imagens foram registradas durante audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (13/8), na Central de Audiências de Custódia (CEAC), no bairro Lagoinha, região Noroeste da capital.

O crime ocorreu na última segunda-feira (11/8), no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. A pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a prisão em flagrante foi convertida em preventiva, sem prazo para expirar. A defesa tentou o relaxamento da prisão, alegando que o acusado é réu primário, possui bons antecedentes e residência fixa, mas o pedido foi negado.

Renê Júnior foi autuado por homicídio duplamente qualificado — por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima — e por ameaça contra a motorista do caminhão de coleta. O juiz Leonardo Damasceno destacou que o acusado já responde a processo por lesão corporal grave em São Paulo, o que indicaria “personalidade violenta e reiteração delitiva”.

Na decisão, o magistrado também citou o comportamento do suspeito no momento do crime. “Ao sacar sua pistola e apontá-la diretamente para a motorista, proferindo as palavras ‘se você esbarrar no meu carro eu vou dar um tiro na sua cara’, o autuado demonstrou total descontrole emocional e perigosa predisposição para o uso de violência letal como primeira resposta a contrariedades do cotidiano”, afirmou.

Veja o que se sabe sobre a confusão de trânsito que acabou com a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes

O crime

Na manhã de segunda-feira (11/8), por volta das 9h, houve uma confusão no trânsito no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. Um caminhão de coleta de lixo estava parado quando um carro BYD cinza, vindo na direção contrária, se aproximou. O motorista do carro — apontado como o suspeito — teria sacado uma arma e ameaçado a condutora do caminhão, dizendo que “iria atirar na cara” dela. Logo depois, ele teria atirado contra o gari Laudemir de Souza Fernandes, que estava trabalhando na coleta.

O gari foi atingido na região torácica, próximo às costelas, e socorrido ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas não resistiu aos ferimentos. Após o disparo, o suspeito fugiu no mesmo carro BYD cinza e foi localizado pela polícia na tarde do mesmo dia, enquanto malhava em uma academia de alto padrão no bairro Estoril. Ele foi preso sem oferecer resistência. Conforme relatos das testemunhas, pouco antes de ser atingido, Laudemir teria dito: “Acertou em mim”. Testemunhas que estavam no local do crime afirmaram que o suspeito “saiu tranquilo e com semblante de bravo” após atirar na vítima.

A vítima

A vítima foi identificada como Laudemir de Souza Fernandes, 44 anos, gari da Localix Serviços Ambientais. Colegas e parentes o descrevem como trabalhador, pacífico e dedicado à família. Laudemir deixou esposa, uma filha de 15 anos e enteadas; segundo testemunhas e familiares, era muito querido no trabalho e em casa.

Segundo Ivanildo Gualberto Lopes, sócio-proprietário da Localix, Laudemir tentou apaziguar a situação durante a confusão no trânsito e acabou sendo atingido enquanto trabalhava. “Agora vai estar nas mãos da Justiça e nós iremos acompanhar”, afirmou Ivanildo.

Versão de Renê

Renê da Silva Nogueira Júnior, 47 anos, negou a autoria do crime durante o depoimento. Segundo ele, no dia do homicídio, saiu de casa às 8h07 e seguiu o trajeto que costuma fazer até Betim, onde trabalha. Relatou que chegou à empresa, saiu para almoçar, retornou ao trabalho, voltou para casa ao final do expediente, trocou de roupa, saiu para passear com os cães, guardou os animais e foi à academia.

A PCMG informou que as imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para confrontar a rota e os horários descritos por Renê. Segundo a corporação, “tem que ser comprovado” o trajeto narrado pelo suspeito. Até o momento, Renê não passou por exames periciais.

Como a polícia chegou até Renê e o que a PCMG sabe até o momento

De acordo com o delegado Evandro Radaelli, do DHPP, a Polícia Militar capturou e identificou o suspeito, que foi levado à unidade. “Fizemos o levantamento de informações, a identificação de testemunhas e conseguimos, em fase preliminar, confirmar elementos que levaram à ratificação da prisão. Também houve identificação de imagens, calibres de arma de fogo e representação pela prisão preventiva”, afirmou. Com base nesses elementos, houve representação pela prisão preventiva do suspeito. Os investigadores também pontuaram que, durante o depoimento, o suspeito não apresentava sinais de embriaguez ou de uso de drogas. “Ele é articulado, fala bem e não havia necessidade da realização do exame toxicológico”, informou o delegado Matheus Moraes.

O delegado informou ainda que o suspeito não possuía porte de arma. A informação ainda vai ser checada pela instituição com a Polícia Federal. A investigação identificou a placa e a propriedade do veículo supostamente envolvido e colheu depoimentos de todas as testemunhas; o inquérito inclui análise de imagens e oitivas para consolidar o conjunto probatório. “Identificaram a placa do veículo e, após isso, consequentemente, a propriedade. Com isso, chegaram às informações de que ele passou pelo local [do crime]. Por meio de oitivas de testemunhas, pudemos confirmar que era um indivíduo de porte físico reconhecível e pudemos confirmar a autoria do fato”, disse o delegado Evandro Radaelli.

O caso está sob investigação contínua da Polícia Civil. Renê foi autuado por homicídio duplamente qualificado e por ameaça contra a motorista do caminhão. Após os procedimentos no DHPP, ele foi encaminhado ao Ceresp Gameleira, onde aguardará audiência de custódia, marcada para esta quarta-feira (13). A esposa de Renê, a delegada Ana Paula Lamego Balbino, não sabia que o marido era suspeito de um assassinato até a prisão dele em uma academia do bairro Estoril, segundo a PCMG.

Investigação da Corregedoria e a arma

Segundo a apuração, uma pistola calibre .380 foi recolhida e entregue à Corregedoria. A delegada Ana Paula Lamego Balbino — apontada como esposa do suspeito — teve a arma pessoal entregue à Corregedoria para perícia e apuração sobre cautela e guarda do armamento. Radaelli afirmou que ainda não é possível dizer se a arma utilizada no crime pertence à delegada; essa verificação está em curso e o caso é acompanhado pela Corregedoria da Polícia Civil.

Diversos veículos noticiaram que, em depoimento, o próprio empresário afirmou que a arma pertenceria à esposa, o que motivou a instauração de procedimento pela Corregedoria para apurar eventual falha na guarda do armamento. A investigação disciplinar e o inquérito policial seguem abertos para esclarecer esse ponto.

Homenagens e velório

Familiares, amigos e colegas se reuniram na manhã de terça-feira (12/08) na Igreja Quadrangular, em Nova Contagem, para o velório de Laudemir. Em falas marcadas pela revolta e pela dor, parentes o descreveram como “uma pessoa muito trabalhadora, uma pessoa honesta, muito carinhosa e protetora, que morreu trabalhando.” 

A enteada Jessica França, 25, disse que a família está em choque e cobrou justiça. Ela informou que Laudemir é “uma pessoa muito trabalhadora, uma pessoa honesta, muito carinhosa e protetora, que morreu trabalhando. Saiu de casa cedo, era um dia que ia chegar mais tarde, mas não voltou. Todo domingo de manhã ele fazia café da manhã, cuidava da gente.” Em coro, colegas e o patrão também pediram que o caso não fique impune.

Emocionada, a esposa do gari, Liliane França, afirmou: “O Lau não voltou. Me devolveram o Lau no caixão. Não pode ficar assim, tem que haver uma mudança, tem que haver justiça.” Ela também cobrou respeito à categoria e lembrou das dificuldades e da falta de tolerância enfrentadas pelos garis.

A mãe do gari Laudemir de Souza Fernandes passou mal durante o velório do filho. Abalada, ela foi amparada por familiares e levada a um hospital após apresentar pressão muito baixa, conforme relatou a sobrinha de Laudemir. 

Ivanildo Gualberto Lopes, sócio-proprietário da Localix, disse: “Agora vai estar nas mãos da Justiça e nós iremos acompanhar.” Ele reforçou que a categoria está sensibilizada e exigiu responsabilização: “Estamos clamando por justiça. A nossa categoria é muito forte. Então não mexa com os garis.”

Quem é o suspeito

Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, é o suspeito de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44. Ele se apresenta no LinkedIn como alguém que “transforma empresas e acelera resultados através de liderança estratégica e inovação”. Ele é marido da delegada da Polícia Civil de Minas Gerais Ana Paula Balbino Nogueira.

Segundo o perfil profissional, Renê tem 27 anos de experiência executiva no setor de alimentos e bebidas e afirma possuir “histórico comprovado de gerar crescimento exponencial e liderar transformações organizacionais complexas” no mercado brasileiro e internacional.

Ele já ocupou cargos executivos em empresas como Coca-Cola, Vigor, Red Bull e Ambev. Sua experiência mais recente começou em agosto, quando assumiu a diretoria de negócios da Fictor Alimentos. Após a prisão, a empresa informou que ele havia iniciado as atividades há menos de duas semanas, repudiou a conduta atribuída ao funcionário e manifestou solidariedade à família da vítima.

Na formação acadêmica de Renê constam estudos na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Fundação Getulio Vargas (FGV), Ibmec, Universidade de São Paulo (USP), Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Harvard Business School. Em seu LinkedIn, há uma recomendação escrita pela esposa, na qual ela afirma que ele é um “homem de caráter irrefutável”.

Defesa do suspeito

O advogado de Renê, Henrique Viana Pereira, foi procurado pela reportagem, mas preferiu não se manifestar sobre o caso.

Empresário é preso por matar gari e diz que arma era da esposa delegada

Suspeito Renê da Silva Nogueira Júnior – Foto: redes sociais

A arma usada no crime que resultou na morte do gari Laudemir de Souza Fernandes na manhã desta segunda-feira (11) pertencia à delegada Ana Paula Balbino Nogueira, da Polícia Civil de Minas Gerais, esposa do suspeito Renê da Silva Nogueira Júnior.

A informação foi dada por ele em depoimento à polícia. A mulher não estava no veículo no momento da discussão com o gari.

O empresário foi preso pela polícia pela morte de Laudemir, mas negou envolvimento no crime. O gari foi baleado enquanto trabalhava numa rua do bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte.

Segundos testemunhas, o empresário atirou no gari após discutir com a motorista do caminhão de lixo. Ele exigiu que fosse liberado espaço na rua para que ele pudesse passar com seu carro, um veículo elétrico do modelo BYD.

Na noite desta segunda-feira, a delegada foi encaminhada à Corregedoria da corporação. Uma investigação foi aberta para apurar se houve omissão de cautela da delegada, ou seja, descuido com a arma.

Levado para o Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o suspeito negou à polícia que tenha cometido o crime. No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, no entanto, consta a informação de que ele afirmou que a arma é de sua mulher.

Em nota, a Polícia Civil confirmou que instaurou o procedimento disciplinar e inquérito para apurar a conduta da delegada e que outras informações serão divulgadas posteriormente.

Vítima Laudemir de Souza Fernandes – Foto: redes sociais

Duas armas apreendidas na casa do casal

A Corregedoria da Polícia Civil apreendeu, no apartamento do casal, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte, duas armas que estavam em posse da delegada.

Uma delas é uma arma funcional, de uso profissional. A outra é uma arma calibre .380, que teria sido a utilizada no homicídio. Ambas estavam guardadas no escritório do apartamento, sobre uma estante.

A arma supostamente usada no crime foi recolhida e está sob custódia do delegado Evandro Nascimento Radaelli, responsável pelo caso na Delegacia Especializada de Homicídios.

Caso fique comprovado que houve falha na cautela da arma, a delegada Ana Paula poderá responder por transgressão disciplinar no âmbito administrativo da corporação.

Como foi o momento do crime

Segundo a mulher que dirigia o caminhão de lixo e ouviu do empresário exigência para que fosse liberado espaço na rua, havia espaço suficiente para o carro de Renê passar. O suspeito teria se irritado e ameaçado atirar nela. Os garis tentaram intervir e pediram que ele se acalmasse.

“O condutor falou com ela: ‘se você esbarrar no meu carro, vou dar um tiro em você. Você duvida?’. Ela entrou em choque, e os coletores começaram a falar pra ele não fazer isso. Foi quando um deles, o Laudemir, levou um tiro”, contou o sargento da Polícia Militar, Thiago Ribeiro.

A vítima foi socorrida pela Polícia Militar e levada em uma viatura para o hospital, onde morreu. A Prefeitura de Belo Horizonte informou que Laudemir prestava serviços por meio de uma empresa terceirizada de limpeza e afirmou que está prestando apoio à família dele.

Via: G1

Cão acompanha gari durante varrição de ruas no bairro Santa Luzia, em Passos

Cão acompanha gari durante varrição de ruas no bairro Santa Luzia, em Passos - Foto: redes sociais
Cão acompanha gari durante varrição de ruas no bairro Santa Luzia, em Passos – Foto: redes sociais

Um cão vira-lata de porte pequeno, de aproximadamente cinco anos de idade, tem mostrado que é o cachorro realmente é o melhor amigo do homem. Há cerca de seis meses o animal passou a acompanhar diariamente um gari pelas ruas do Bairro Santa Luzia, em Passos (MG), ao longo da sua jornada de trabalho.

Curiosamente, o cachorro apareceu na rua Pará, entre a rio Doce e rio Sapucaí, e foi adotado por uma senhora, mas gostava de ficar na calçada em meio a materiais recicláveis recolhidos por um vizinho. Certo dia, o varredor de ruas, Paulo Elias Santos, de 64 anos, notou que ele o acompanhou até concluir a tarefa no período da manhã.

Preocupado, perguntou à senhora quem era o dono animal, e ela respondeu que era dela. “O cachorrinho tem me seguido todos os dias e não acho correto. Aí ela me respondeu que não tinha problema e continuei a varrição. Dias depois, uma outra senhora da rua Tietê passou a colocar, todos os dias, resto de comida para o cãozinho, e continua até hoje. Então passei a chamá-lo pelo nome de ‘Perdido’, e também dou pedaços de quitanda para ele”, afirma Paulo.

O gari e sua colega de trabalho, Iziane, após varrer 30 quarteirões entre as primeiras horas do dia às 10h30, menos aos domingos, as lixeiras portáteis são deixadas na área interna do Centro Social Urbano (CSU), na rua Barão de Passos, de onde são levados para o horário de almoço no barracão da empresa. Se tiver algum trecho sem varrer, voltam novamente para completar as oito horas diárias.

Outra curiosidade é que o Perdido passa o restante da tarde e dorme sob a marquise de entrada do CSU. “Todos os dias que vamos pegar os carrinhos para iniciar a varrição, o cachorrinho me acompanha. Ele encrenca, brinca e late com outros cães, mas não me abandona de jeito nenhum. Só não levo ele para casa porque já tenho quatro também do porte pequeno. O bom é que desde quando me levanto e vou dormir, incluindo o serviço, tem um deles perto de mim”, afirma o gari.

O único temor de Paulo é o Perdido vir a ser atropelado, porque gosta de correr ao lado de veículos quando passa perto deles. “Há o risco iminente dele se desequilibrar e cair sob as rodas”, justificou o gari que mora na rua Cuiabá, no Jardim Colégio de Passos. Ele acumula quase 15 anos de profissão, é casado, pai de dois filhos e tem um neto. (Clic Folha)

Gari paga boleto após achá-lo em lixão junto de dinheiro em MG: ‘Alegria’

O gari Márcio Henrique Lopes Pena, de 39 anos, saiu de casa na última quarta-feira (3) para mais um dia normal como faz, de segunda a sábado, há 12 anos: recolher o lixo da cidade de Papagaios, na região Central do Estado. 

Sua rota incluía passar pela zona rural do município. Ao chegar lá, foi surpreendido pela aflição de uma mulher. “Ela me falou que não tinha certeza, mas achava que tinha jogado no lixo o dinheiro e o boleto para pagar a prestação de um carro”, relembra.

Mesmo diante da dúvida da mulher, Márcio encarou aquilo como uma missão: iria procurar pelos objetos custe o que custar. Ao chegar no aterro do município, ele teve de virar sacos e sacos de lixo. “Precisei tomar muito cuidado, porque não pode mexer no lixo de qualquer jeito”, conta.

Depois de muito procurar, ele finalmente achou um papel que poderia ser o que procurava. “Quando o vi, pensei: quem sabe não é ele?.” Ao conferir, ele foi tomado pela euforia. Além do boleto, estava o dinheiro para pagá-lo. “O dinheiro estava contadinho, eram R$ 440”, fala.

Depois disso, ele foi até a loteria no centro da cidade e pagou o boleto. Agora, só falta levar o recibo até a mulher, o que deve ocorrer na rota de quarta-feira que vem. “A nora dela entrou em contato comigo pelo Facebook, e eu avisei que tinha pagado. Ela ficou muito feliz e pediu pra avisar que a sogra dela me convidou para tomar um café lá”, diz.

O gari conta que a sensação que fica é de felicidade. “É uma alegria muito grande, um legado que vou deixar para o meu filho de 11 anos. Muitas pessoas chegaram até mim e me agradeceram”, afirma. 

Além disso, Márcio conta que ficou feliz com o reconhecimento pelo seu trabalho. “Nós ouvimos muita reclamação no dia a dia, de gente dizendo que esquecemos o lixo. Desta vez, é diferente”, pontua.

Sonho de conhecer a Cidade do Galo

Márcio aproveitou para dizer que tem o sonho de conhecer a Cidade do Galo. “Desde a infância, eu sou ‘agarrado’ no Atlético, acompanho todos os jogos. É meu sonho conhecer a Cidade do Galo”, indica.

Ele conta que foi a Belo Horizonte uma única vez para acompanhar um jogo do time do coração. “A gente que mora no interior é muito humilde. É difícil sobrar um dinheiro para poder acompanhar mais de perto”, revela.

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