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Jornal Folha Regional

Governo de Minas vistoria obras de Unidade Básica de Saúde em Carmo do Rio Claro

Governo de Minas vistoria obras de Unidade Básica de Saúde em Carmo do Rio Claro – Foto: Cristiano Machado

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, vistoriou, na última terça-feira (9/6), as obras de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) em Carmo do Rio Claro, no Sudoeste do estado, que tiveram início em maio de 2024 e já estão 90% concluídas. A previsão de inauguração é em outubro de 2026.

Governo de Minas investiu R$ 2,25 milhões na construção da unidade, que fica localizada na rua Roberval Teixeira Bueno e deve atender cerca de 3 mil moradores da cidade, com serviços como acolhimento e identificação da necessidade médica, consultas individuais e coletivas feitas por médicos, enfermeiros e dentistas, visita e atendimento domiciliar, cuidados para a saúde bucal, vacinação, desenvolvimento de ações de controle da dengue e de outros riscos ambientais em saúde.

A Unidade Básica de Saúde também irá oferecer serviços de pré-natal e puerpério, acolhimento da mãe e do bebê após alta na maternidade, rastreamento de câncer de colo uterino (preventivo) e câncer de mama, serviços de curativos, planejamento familiar, teste do pezinho, teste rápido de sífilis e HIV, teste rápido de gravidez, prevenção, tratamento e acompanhamento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e de doenças infectocontagiosas.

“A entrega destes postos de saúde representa uma mudança significativa de condição de atendimento na saúde primária de Minas Gerais. Esta UBS de Carmo do Rio Claro está sendo construída com investimentos superiores a R$ 2 milhões e vai contribuir para a melhoria da saúde da cidade”, disse o governador Mateus Simões.

A estrutura da UBS contará com recepção, sala de espera, consultórios médicos e odontológicos, sala de enfermagem, sala de vacinação, farmácia, salas de procedimentos, área administrativa e espaços para atividades coletivas e educativas.

“Estou aqui para uma vistoria final de obra desta UBS que deve ser concluída nos próximos meses, e ela ficando pronta se junta às mais de 250 que a gente já entregou. Lembrando que temos ainda 150 em fase final de obra”, contextualizou o chefe do Executivo mineiro.  

UBSs em Minas

Governo de Minas vistoria obras de Unidade Básica de Saúde em Carmo do Rio Claro – Foto: Cristiano Machado

As Unidades Básicas de Saúde são a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e têm papel essencial na prevenção e no cuidado contínuo da população. Desde 2019, já foram entregues mais de 200 UBSs no estado e a previsão é que este número chegue a 380 até o fim de 2026.

Parte dessas obras estava paralisada e foi retomada, ampliando a cobertura da atenção primária, especialmente em regiões com menor oferta de serviços de saúde. 

Investimentos na Saúde em Carmo do Rio Claro

Desde 2019, o Governo de Minas já investiu quase R$ 8,3 milhões na Atenção Primária à Saúde (APS) em Carmo do Rio Claro. Os valores repassados para a saúde do município vêm crescendo, como é o caso dos repasses feitos ao Fundo Municipal de Saúde da cidade, que já ultrapassaram R$ 22,5 milhões nesse período.

Em 2019, o município recebeu mais de R$ 881 mil. Em 2020, o valor mais que dobrou, chegando a cerca de R$ 1,7 milhão, mais de R$ 2,7 milhões em 2021 e, em 2022, superou R$ 4 milhões. Em 2023, os investimentos foram de mais de R$ 5 milhões.

Em 2024 e 2025, o Governo de Minas destinou mais de R$ 8 milhões para o Fundo Municipal de Saúde de Carmo do Rio Claro. O Estado também direcionou mais de R$ 98 mil para revitalizar a Farmácia de Minas na cidade.

Governo Presente

A vistoria das obras da UBS integra a programação do Governo Presente em Passos, capital provisória do estado. O objetivo é reforçar a presença institucional do Governo de Minas no interior e aproximar a administração estadual das diferentes regiões mineiras.

A ação está sendo realizada em 19 cidades de Minas Gerais até junho e busca fortalecer o diálogo federativo, ampliar a articulação institucional e valorizar as demandas regionais na construção de políticas públicas alinhadas às necessidades de cada território do estado.

Governo de Minas transfere capital do Estado para Passos nesta terça-feira (9)

Passos/MG – Foto: reprodução

O município de Passos será o centro das atividades do Governo de Minas nesta terça-feira (9), com a realização da cerimônia que oficializa a transferência temporária da capital do Estado para a cidade. O ato será conduzido pelo governador Mateus Simões e integra o programa Governo Presente, iniciativa que percorre diversas regiões mineiras com o objetivo de aproximar a administração estadual da população.

A solenidade está marcada para as 9h30, na sede da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG). A ação faz parte de uma série de transferências simbólicas da capital para 19 municípios mineiros até o mês de junho, em reconhecimento à relevância histórica, econômica e social de cada região do estado.

Durante a permanência no Sul de Minas, que se estende por três dias, o governador cumprirá uma agenda voltada ao diálogo com diferentes setores da sociedade. Estão previstos encontros com lideranças religiosas e representantes do empresariado regional, além de reuniões para discutir demandas e projetos de interesse dos municípios.

Ainda nesta terça-feira, às 16h30, Mateus Simões estará em Carmo do Rio Claro para acompanhar o andamento das obras de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), reforçando a agenda voltada à infraestrutura e aos serviços públicos na região.

Governador tira ‘Aqui o trem prospera’ e adota novo slogan para o governo de Minas

Governador tira ‘Aqui o trem prospera’ e adota novo slogan para o governo de Minas – Foto: reprodução

O governador Mateus Simões (PSD) alterou o slogan do governo de Minas Gerais, que antes era “Aqui o trem prospera” e, desde a última quarta-feira (20), passa a ser “Minas é pra frente”.

A nova frase ainda não foi divulgada nas redes oficiais do governo, mas um site já exibe a campanha acompanhada por publicidade da atual gestão, que começou com Romeu Zema (Novo) em 2019.

“Você já sabe: um governo que não cuida das contas anda para trás. Mas, com o seu apoio, Minas mudou. Com as contas em ordem, o dinheiro que ia para os juros da dívida passou a ir para quem precisa”, diz um áudio da campanha.

Os pagamentos das parcelas da dívida ficaram suspensos entre 2018 e 2022 por medida liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). A interrupção fez a dívida crescer 63% durante o governo Zema e ultrapassar R$ 200 bilhões no fim do ano passado.

Herdeiro político de Zema, Simões é pré-candidato à reeleição e tem pregado a continuidade do trabalho enquanto exalta feitos da gestão. A partir de 4 de julho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe publicidade institucional, por ser ano eleitoral.

‘Minas é pra frente’

O site do novo slogan anuncia destaques do governo nas áreas da educação, saúde, segurança pública e infraestrutura.

O governo diz ter formado quase 80 mil alunos por meio do programa Trilhas de Futuro, lançado em 2021, além de outros 100 mil que estão em formação. Na segurança pública, afirma ter reduzido em 62% os crimes violentos, além de ter aumentado o investimento na segurança pública em 60%.

Já na saúde, o destaque vai para a política “Opera Mais, Minas Gerais”, que investiu R$ 372 milhões até o final de 2024 para a promoção de cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por fim, na infraestrutura, o governo se orgulha das obras do Metrô de Belo Horizonte, que inaugurou a estação Novo Eldorado, em Contagem, e promete inaugurar a estação do Barreiro em breve.

‘Minas é pra frente’ é o terceiro slogan da gestão Zema-Simões. O primeiro foi “Governo diferente, estado eficiente”, substituído por “Aqui o trem prospera” em agosto de 2025.

Governador anuncia estudo para reconhecer o ‘mineirês’ como patrimônio cultural de Minas Gerais

Governador anuncia estudo para reconhecer o ‘mineirês’ como patrimônio cultural de Minas Gerais – Foto: reprodução

Governo de Minas vai enviar um despacho ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) para iniciar o processo que vai estudar a proteção do dialeto característico falado em Minas Gerais, conhecido popularmente como ‘mineirês’, como patrimônio cultural imaterial do estado.

O governador Mateus Simões fez o anúncio, nesta terça-feira (5/5), durante a abertura do 41º Congresso Mineiro de Municípios, promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) e que deve reunir 10 mil participantes, entre autoridades, agentes municipais e líderes políticos no Expominas, em Belo Horizonte, durante dois dias. 

A partir de agora, o Iepha-MG fará uma análise técnica, com pesquisas, escutas, registros e elaboração de um dossiê. Ao final, o dossiê deve ser encaminhado ao Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), responsável por deliberar pelo reconhecimento em votação.

“Minas Gerais tem uma cultura reconhecida em todo o Brasil e no mundo. O nosso jeito de falar é parte desta identidade. Valorizar o mineirês é valorizar a história, as tradições e a criatividade do povo mineiro. A nossa forma de falar precisa ser respeitada”, analisou Mateus Simões.

“Essa iniciativa mostra que o patrimônio de Minas está nas nossas cidades históricas, na nossa gastronomia, nas nossas festas, no nosso artesanato e também na maneira única como os mineiros se expressam”, acrescentou o governador.

A proposta trata o mineirês como uma das formas mais conhecidas e queridas da identidade mineira. O estudo deverá olhar para expressões, modos de falar, cadências, causos, formas de tratamento, jeitos de acolher e maneiras de conversar que fazem parte da vida cotidiana em Minas.

Além disso, o estudo deverá considerar que os mineiros não se expressam de uma só maneira. O jeito de falar do Norte de Minas não é o mesmo do Sul; o Jequitinhonha, o Triângulo, a Zona da Mata, o Cerrado, a Região Central e tantos outros territórios têm ritmos, expressões e histórias próprias.

Além da palavra

Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), Leônidas Oliveira, o mineirês é uma forma de expressão que vai além das palavras mais conhecidas. “O mineirês não é apenas pronúncia. É uma ética da conversa. É a inteligência da pausa, a delicadeza da indireção, a hospitalidade do ‘cafézim’, o mundo inteiro dentro da palavra ‘trem'”.

“Levar o mineirês a sério é também combater o preconceito linguístico e reconhecer que Minas tem patrimônio também no ar, naquilo que se diz e permanece em quem ouviu”, assinalou o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas.

Entre os pontos que serão estudados estão a história dos falares mineiros, a diversidade regional, os riscos de caricatura, o preconceito linguístico e a presença do mineirês nas famílias, nas comunidades, nas escolas, nas festas, nas artes, no turismo e nas redes sociais.

A eventual proteção do mineirês deverá ocorrer por meio do Registro de Bem Cultural de Natureza Imaterial, instrumento usado para reconhecer práticas, saberes, celebrações, lugares e formas de expressão que são transmitidos entre gerações e fazem parte da identidade de uma comunidade.

Zema oficializa renúncia ao governo de Minas a partir de domingo

Zema oficializa renúncia ao governo de Minas a partir de domingo – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governador Romeu Zema (Novo) enviou ofício à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última quarta-feira (18) confirmando a renúncia ao cargo a partir do próximo domingo, 22 de março. A correspondência do Palácio Tiradentes foi apresentada à Casa, durante reunião de Plenário, pela deputada estadual Maria Clara Marra (PSDB).

A saída de Zema se dará em cerimônias na Assembleia e no Palácio Tiradentes, na manhã do próximo domingo, quando ele transmitirá o cargo ao vice e pré-candidato à sucessão, Mateus Simões (PSD). Zema, a partir da renúncia, se dedicará aos compromissos de pré-campanha à Presidência da República.

Já Simões, mesmo que empossado para uma espécie de ‘mandato-tampão’, terá acesso a uma cerimônia com os mesmos ritos tradicionais à chegada de um novo chefe do Executivo a cada quatro anos na ALMG. De acordo com a Casa, a sessão solene será realizada no Plenário da Assembleia, a partir das 10h. A cerimônia será conduzida pelo presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB) e os convidados terão acesso ao Legislativo a partir das 9h.

Foram convidados deputadas e deputados estaduais e federais, senadores, representantes do Executivo estadual e representantes do Poder Judiciário, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública, Prefeitura e Câmara Municipal de Belo Horizonte, além de outras autoridades.

Simões chegará à ALMG pelo Hall das Bandeiras e passará por um corredor formado pelos Dragões da Inconfidência – grupamento de honra da Polícia Militar. Logo após, ele será recebido por uma comitiva de deputados estaduais na porta do Salão Nobre. A cerimônia no Plenário se dará com a execução dos ritos protocolares previstos para a solenidade de posse.

Durante o ato, Simões entregará sua declaração de bens à Casa, requisito para a posse. Depois, fará a leitura do compromisso constitucional e assinará o termo de posse. Caberá a Tadeu Leite, ler a declaração de posse e entregar a Mateus Simões exemplares das Constituições Federal e Estadual. Depois, o governador empossado fará pronunciamento no Plenário, que será seguido também por uma fala do presidente da ALMG. 

Despedida de Zema 

Após a cerimônia na ALMG, Mateus Simões seguirá para o Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, para a cerimônia de transmissão de cargo. Inicialmente, havia o desejo de realizar parte da cerimônia na Praça da Liberdade, mas avaliações internas decidiram pela concentração dos protocolos apenas no interior da antiga sede do gabinete do governador. 

No Palácio, onde haverá um coquetel para convidados, Zema entregará a Simões o Colar da Inconfidência e fará um pronunciamento que marcará a despedida para se dedicar às eleições presidenciais. Há previsão de uma entrevista coletiva de Simões durante o coquetel no Palácio da Liberdade.

Lula diz que Pacheco será governador de Minas e manda recado: ‘ainda não desisti de você’

Lula diz que Pacheco será governador de Minas e manda recado: ‘ainda não desisti de você’ – Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cortejar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e mandou um recado direto sobre uma eventual candidatura do parlamentar ao governo de Minas em 2026. A fala de Lula se dá em meio a articulações para que Pacheco deixe o PSD, onde perdeu espaço, e acerte filiação ao União Brasil com intervenção direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).

Parte do processo para que a mudança partidária seja concluída já foi feita, com a mudança no comando do diretório estadual da sigla em Minas. Em articulação que teve atuação de Pacheco, o partido deve confirmar o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado do senador, na presidência da legenda no estado, em detrimento ao deputado federal Marcelo de Freitas.  

Sem citar a situação partidária de Pacheco, Lula foi direto no recado. “Em Minas Gerais, eu posso dizer para você agora, se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais. Eu estou muito certo disso, estou muito crente disso”, disse o presidente, em entrevista à jornalista Daniela Lima, no UOL News

A conversa citada por Lula não tem data ainda para ser realizada. No entanto, aliados de Pacheco e interlocutores do PT citam que o bate-papo, que vai definir o futuro político do senador, deve ocorrer após o Carnaval. O período coincide com a previsão de filiação de Pacheco ao União Brasil.  A reportagem questionou a assessoria de Rodrigo Pacheco sobre as declarações de Lula, mas nenhum posicionamento foi enviado até a publicação. O espaço segue aberto. 

Trinca na relação

A oito meses das eleições o PT trabalha nos bastidores para construir uma candidatura no estado, mas enfrenta impasses internos e externos. Rodrigo Pacheco, apontado por Lula como um nome capaz de unificar o campo democrático, tem resistido à ideia de disputar o governo mineiro. O relacionamento entre Lula e Pacheco passou por um momento de desgaste no fim do ano passado.

Após uma série de agendas com Lula em Minas, o senador foi preterido na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou ficando com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Após esse episódio, chegou a dizer que abandonaria a vida pública. Nesse ínterim, Messias busca apoio no Senado para ter seu nome aprovado para a Corte.

O aceno de Lula a Pacheco ocorre um dia após o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ter dito que o PT apoiará o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil (PDT) na corrida ao governo de Minas. A declaração foi feita nas redes sociais, após reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Após o episódio, o próprio Edinho rechaçou, em nota, o que foi dito por Lupi. 

A possibilidade também foi afastada por Kalil. “Eleição é um saco: no meu palanque só sobe quem EU quiser”, escreveu Kalil em seu perfil no X, em resposta a Lupi.

Futuro político em xeque

Com o mandato de senador encerrando no final do ano, Rodrigo Pacheco tem à mesa o desejo do presidente Lula (PT) em tê-lo à frente do palanque petista em Minas Gerais na campanha ao governo de Minas. Todavia, a saída da vida pública segue no radar do senador, conforme interlocutores, independente de uma mudança de partido. Conforme mostrou a reportagem, aliados do senador apontam que ele aguarda, na conversa com Lula, um projeto sólido do presidente. 

A leitura é de que, em uma eventual vitória, o senador precisaria de um forte apoio do governo federal para governar Minas Gerais. A situação fiscal do estado é um ponto de preocupação e há um temor de que um eventual mandato possa ficar engessado. Vale lembrar que Minas Gerais tem uma dívida de R$ 205 bilhões, conforme o último boletim da Receita Estadual. Só à União, o estado deve mais de R$ 182 bilhões, valor que já está sendo equacionado por meio da adesão no final do ano passado ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) – iniciativa que teve forte atuação de Pacheco. 

“Pegar um estado nessa condição é difícil. Até agora, o Lula só disse a ele: ‘eu preciso que você seja candidato’. Mas isso não convence. Hoje quem precisa do Rodrigo é o Lula, e não o contrário”, resumiu um aliado reservadamente. Dentro do chamado projeto que Pacheco aguarda de Lula, segundo integrantes do grupo político do senador, há ainda a necessidade de um projeto político para uma eventual derrota na disputa ao Palácio Tiradentes. 

Pacheco tem o desejo de assumir uma cadeira no STF, mas uma indicação ministerial em um eventual segundo mandato de Lula também é bem avaliada. “Se ele não tiver uma sinalização, qual a razão para ajudar o Lula?”, questionou o aliado ao lembrar o apoio e exposição de Pacheco a Lula antes da indicação de Jorge Messias ao STF. No entanto, em uma eventual candidatura apoiada por Lula, a entrada no União é vista como a melhor alternativa partidária ao senador por garantir “plataforma segura, tempo de televisão, recursos e estrutura partidária”. 

União Brasil 

A eventual filiação de Pacheco ao União Brasil faz parte de uma movimentação política de diferentes reflexos. O primeiro impacto é no fortalecimento da bancada do partido no Senado. Em outro aspecto, a ida de Pacheco à legenda pode esvaziar o palanque de Mateus Simões (PSD) na campanha ao governo do estado. Federado ao PP, o União tinha acordo alinhado para fechar questão em torno do vice-governador, mas as negociações foram feitas pelo então presidente, o deputado federal Marcelo de Freitas. 

Com a mudança no comando para as mãos do deputado federal Rodrigo de Castro, em articulação que teve a atuação de Pacheco, o partido deve refazer a rota mirando as eleições de 2026. Caso esse cenário se confirme trataria-se de um troco em Simões, que articulou filiação ao PSD em 2025, em movimento que deixou Pacheco escanteado na sigla em uma eventual corrida ao governo de Minas. 

Na segunda-feira, o presidente nacional do União, Antônio Rueda, esteve em BH e, dentre as agendas, almoçou com Castro na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A conversa tratou diretamente sobre as mudanças em Minas. Ele também se reuniu com o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e o secretário de governo da PBH, Guilherme Daltro.

A troca de cadeiras, inclusive, tem sido avaliada como uma ‘guinada à direita’ pelo deputado federal Marcelo de Freitas, que acabou escanteado e pode chegar no Partido Liberal. “Estamos em conversas. O PL é sim uma opção. Especialmente se o União Brasil em Minas Gerais fizer uma guinada à esquerda”, disse em conversa com a reportagem, um dia após se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. 

Após 7 meses de debates acalorados, ALMG inicia votação final da privatização da Copasa

Após 7 meses de debates acalorados, privatização da Copasa será definida – Foto: Alex de Jesus

Após sete meses de longos e acalorados debates sobre o uso de estatais para pagar dívidas com a União, o projeto que autoriza a privatização da Copasa será votado nesta quarta-feira (17) de forma definitiva no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os líderes da base governista evitam adotar um discurso de vitória antes da hora, mas a expectativa geral é a de êxito do governo Romeu Zema (Novo), que já planeja a realização do leilão nos primeiros meses do próximo ano.

O deputado Gustavo Valadares (PSD), que atua como um dos principais interlocutores nesse processo, defende que a desestatização da companhia é o grande passo para resolver os problemas de saneamento no estado. “Não há mais espaço para uma gestão estatal que enterra, que atrasa, que traz burocracia e, enfim, que não deixa chegar maior qualidade de vida na porta do cidadão mineiro”, disse.

A proposta do governo para privatizar a Copasa retomou a tramitação em maio, junto com os demais projetos do chamado “Pacote Propag”, defendidos pelo governo como forma de adesão ao programa de renegociação das dívidas do estado com a União, que hoje está próximo de R$ 180 bilhões. Em setembro, após pressões de parlamentares, a administração estadual apresentou um novo projeto com adequações exigidas pela Assembleia; é este texto que será votado amanhã.A oposição já trabalha com o cenário de derrota em plenário, mas faz o discurso deixando claro que “a luta ainda não terminou”. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) destaca que a votação em plenário é apenas mais uma etapa e que a judicialização do tema já foi feita com ações para que a Justiça se manifeste sobre o processo.

“Esse projeto tem uma insegurança jurídica tremenda. Temos vários questionamentos ao Judiciário, que estão lá no STF, a fiscalização do próprio Tribunal de Contas do Estado, com todos os problemas que já foram apontados. É preciso frisar algo que a gente destacou muito na tramitação: esse projeto continua sem um estudo técnico”, ressaltou a parlamentar. “Não há segurança jurídica nessa privatização, mesmo que a Assembleia aprove esse projeto”.

Mas, no que depender da vontade do governador, os processos devem ser breves. “No primeiro trimestre (de 2026), esse processo deve estar bem agilizado e, talvez, em março ou abril já tenha condições de ter o leilão”, disse Zema em entrevista a jornalistas na semana passada.

Sem sustos

Uma grande mobilização de parlamentares foi realizada para evitar sustos entre os deputados governistas, que têm maioria na Assembleia, mas precisam de um quórum alto para aprovar o texto. 

A amostra de envolvimento dos parlamentares foi dada ontem, quando o projeto entrou em pauta para discussões. Mesmo estando nos últimos dias antes do início do recesso parlamentar, marcado para 20 de dezembro, e sem outros projetos polêmicos na pauta, a Assembleia registrou 70 deputados presentes. A expectativa é a de que o cenário se repita nesta quarta-feira.

São necessários 48 votos a favor para aprovar o texto. Na votação em primeiro turno, no final de outubro, o governo conseguiu 50 votos favoráveis à privatização, num plenário com 68 presentes. A expectativa para hoje é a de que o governo possa alcançar até 52 votos favoráveis.

Último lance

A aposta final da oposição para tentar “virar votos” são as manifestações recentes vindas do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, que tem alertado para o risco que os pequenos municípios correm com a privatização da empresa. Na avaliação da entidade existe o risco de “abandono” dos pequenos municípios que dão prejuízo à empresa.

O problema, de acordo com a vice-presidente da Assembleia, deputada Leninha (PT), é que esse posicionamento chegou tarde demais. “Se tivesse entrado antes, a gente imagina que o resultado teria sido outro”, diz a parlamentar. “A movimentação dos prefeitos e das prefeitas pode colocar em risco também esse plano do Zema e os seus investidores de comprarem a Copasa”, avalia.

Governador do Rio de Janeiro liga para Gleisi e diz que não teve intenção de criticar o governo

Governador do Rio de Janeiro liga para Gleisi e diz que não teve intenção de criticar o governo – Foto: reprodução

Poucas horas depois de declarar que o governo federal havia negado apoio ao Rio de Janeiro em operações policiais na última terça-feira (28), o governador Cláudio Castro (PL) telefonou para a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

De acordo com a pasta, a ligação ocorreu no início da tarde. Durante a conversa, o governador afirmou que não teve a intenção de criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que suas declarações refletiam apenas a preocupação com as dificuldades enfrentadas pelo estado nas ações de combate ao crime organizado.

Mais cedo, em entrevista coletiva, Castro havia afirmado que o governo federal “negou ajuda” para operações no Rio e que o estado estava “sozinho” na megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense.

Segundo o governador, o Ministério da Defesa teria recusado, em pelo menos três oportunidades, o pedido de empréstimo de blindados das Forças Armadas para apoiar as forças estaduais. “Para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, disse Castro.

A operação desta terça mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal, além de integrantes da Força Nacional. O objetivo, segundo o governo do estado, foi combater grupos criminosos responsáveis por ataques recentes e pelo controle de comunidades da região.

O balanço mais recente aponta 64 mortos, entre eles quatro policiais. O número faz da ação a mais letal da história do Rio de Janeiro, segundo dados da própria Secretaria de Segurança Pública.

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

O governador Romeu Zema participou, nesta quarta-feira (22), da tradicional audiência pública com o Papa Leão XIV, em cerimônia realizada no Vaticano, na Itália. Quando o governador abriu a bandeira do estado, o Pontífice declarou: “Abençoo todo o povo de Minas Gerais”.

O encontro, que integra a missão oficial do Governo de Minas na Europa, teve como destaque a entrega de presentes representativos da cultura e do patrimônio do estado, entre eles um terço em palmas barrocas produzido por artesãs de Sabará e um estandarte em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas. Ao receber as obras, o papa agradeceu e comentou “muito belo”.

Nas manhãs de quarta-feira o Papa recebe autoridades e fiéis na Praça São Pedro, para uma celebração ao ar livre. O chefe do Executivo estadual esteve acompanhado da secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa, do secretário adjunto de Casa Civil (SCC), Frederico Papatella, e da assessora especial Andreza Costa.

“Trouxe para ele aquilo que Minas faz muito bem: nosso queijo, nosso café e também nosso artesanato. Entregar ao Papa obras como o terço em palmas barrocas das artesãs de Sabará e o estandarte dedicado a Nossa Senhora da Piedade é, antes de tudo, uma forma de apresentar ao mundo como os mineiros preservam suas tradições e suas devoções”, afirmou o governador Romeu Zema.

Estandarte de Nossa Senhora da Piedade

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

Entre os presentes entregues ao Papa está o estandarte em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, produzido pela artista Clélia Lemos, natural de Ponte Nova, na Zona da Mata, e radicada em Belo Horizonte.

Os estandartes fazem parte da cultura cristã, ao enfeitar procissões, missas e cortejos, e das celebrações de sincretismo religioso, como a Folia de Reis e o Congado, além de também estamparem o Carnaval — considerada a maior festa popular do mundo e reconhecida pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

O trabalho da artesã Clélia Lemos representa a riqueza simbólica e material do estado, reunindo pedrarias que evocam o ouro e o diamante, além de fitas coloridas, rendas, bordados e flores confeccionadas com palmas barrocas – técnica tradicional das artesãs sabarenses, usada pela primeira vez por Clélia para o estandarte de Nossa Senhora da Piedade. A peça também traz referências à ordem agostiniana, a mesma à qual pertence o Papa Leão XIV, em um gesto de reverência e conexão entre Minas e o Vaticano.

Com mais de 30 anos de trabalho como artesã, Clélia Lemos relatou a emoção de produzir um estandarte tão importante. “Antes de começar qualquer obra, eu sempre converso com o santo ou a entidade que será homenageada. No caso de Nossa Senhora da Piedade, não foi diferente. Por intuição dela, resolvi representar as maiores riquezas de Minas: nossas montanhas, nossas florestas e nossas pedras preciosas. É um orgulho ver o trabalho final, que agradece pela proteção da nossa padroeira”, disse a artista.

Terço mariano de palmas barrocas

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

Outro presente de destaque é o terço mariano de cinco mistérios, feito à mão pelas artesãs Neusa Chagas Rodrigues, Luciana Ferreira, Dirléia Conceição Neves, Simone Viana Lopes e Hercília Herculano, todas de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Sabará, uma das cidades históricas mais importantes no ciclo do ouro de Minas Gerais, desenvolveu uma tradição própria de confecção das palmas barrocas, conservada até hoje pelas mãos dessas cinco mulheres.

As artistas utilizam uma técnica secular, introduzida no Brasil no período colonial por Dom João VI e preservada como símbolo da arte sacra mineira. A confecção envolve o corte, aquecimento e modelagem de chapas de cobre, depois banhadas a ouro, que se transformam em flores unidas na forma do terço. Cada peça leva cerca de 15 dias para ser concluída, em um trabalho minucioso que combina fé, devoção e talento manual.

“Uma das marcas mais interessantes das obras em palma barroca é que uma nunca fica igual a outra. Cada artesã tem sua forma própria de confeccionar flores e adornos. E isso reflete em obras únicas. Além de usarmos instrumentos muito antigos, de ferro e cobre, que não se encontram em qualquer lugar. Para nós, é uma emoção enorme ver o trabalho das artesãs de Sabará ser levado ao restante do mundo”, avalia Neusa Chagas.

“A maioria das artesãs trabalha com isso há mais de 30 anos, eu sou a mais nova, decidi aprender há cerca de oito e, desde então, trabalhamos juntas. Quero passar esse ofício tão especial para as novas gerações”, diz Hercília Herculano.

Sabor mineiro

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

Além das obras artísticas, o governador entregou ao Papa presentes que representam a excelência da gastronomia mineira, incluindo três tipos de café especiais — Sanglard (Araponga, Matas de Minas), Salomão (Olímpio Noronha, Mantiqueira de Minas) e Campos Altos (Campos Altos); um queijo canastra artesanal da marca Lobeira, produzido pela Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) de Bambuí, no Centro-Oeste de Minas; e um doce de leite Dom, fabricado em Resende Costa, no Campo das Vertentes.

Retorno

É a segunda vez que o governador Romeu Zema vai ao Vaticano. Da primeira vez, em 2023, esteve com o Papa Francisco que abençoou a bandeira de Minas. À época, o Papa ressaltou o instinto dos mineiros pela pacificação e a bravura de lutar por liberdade.

Governo Zema propõe aumentar em 8.000% número de escolas cívico-militares em MG

Governo Zema propõe aumentar em 8.000% número de escolas cívico-militares em MG – Foto: reprodução

O governo Romeu Zema (Novo) propôs uma consulta a 728 escolas de Minas Gerais para transformá-las em instituições cívico-militares.

O estado hoje possui nove escolas no programa, e a proposta do governo é aumentar esse contingente em aproximadamente 8.000%. Ao todo, Minas possui cerca de 3.400 escolas na rede estadual de ensino, que atende 1,6 milhão de estudantes.

O levantamento que começou dia 30 de junho estava sendo feito a partir de votação em cada unidade de ensino envolvendo profissionais (diretores e professores), pais e alunos.

A consulta iria até esta sexta-feira (18), mas o governo decidiu interromper o processo temporariamente e apontou como motivo as férias escolares.

“Muitos pais não iam conseguir participar, pois já tinham programado viagens. Acreditamos muito nesse projeto e estamos fazendo ele ser totalmente democrático”, disse o governador em entrevista coletiva na última segunda-feira (14).

Ele não confirmou a data para a retomada das consultas, mas a expectativa no governo é que elas retornem em agosto, após o fim das férias escolares.

O Sind-UTE/MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) vê a decisão como um recuo provisório do governo após o resultado negativo da votação nas escolas.

“A gente percebe que esse programa tem um aceno eleitoral. É como se a escola pudesse se transformar num local a ser disputado”, diz Marcelle Amador, coordenadora de comunicação do Sind-UTE.

A secretaria de educação afirmou que, até a interrupção do processo, 15% das 728 escolas já haviam feito a votação.

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O chefe da pasta, Igor Alvarenga, não quis divulgar o resultado parcial com o argumento de que os números poderiam influenciar a opinião das outras comunidades escolares.

A Folha de S.Paulo teve acesso ao resultado da votação na Escola Estadual Governador Milton Campos, em Belo Horizonte, também conhecida como Estadual Central.

A comunidade rejeitou o modelo cívico-militar com 85% dos votos – tanto os profissionais quanto os alunos foram, em sua maioria, contra a mudança.

Pela instituição já passaram personalidades como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o médico, ex-jogador e colunista da Folha de S.Paulo Tostão e o cartunista Henfil.

“Todas as comunidades escolares que fizeram as assembleias antes desse período [de interrupção] serão respeitadas”, afirmou Alvarenga na última segunda. 

No dia seguinte à entrevista, o secretário foi chamado para uma reunião com o vice-governador, Mateus Simões (Novo), e foi avisado que não seguirá à frente da pasta, conforme apurou a Folha de S.Paulo

A expectativa é que, apesar da iminente troca do nome à frente da gestão educacional do estado, as consultas sejam retomadas. 

No modelo de escola cívico-militar, o conteúdo pedagógico segue sendo ministrado pelos professores. 

Cabe aos militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros a “mediação de conflitos, apoio à gestão, desenvolvimento de atividades preventivas e promoção de valores como respeito, disciplina e responsabilidade”, segundo a secretaria. 

Questionada sobre o critério para a escolha das 728 entre o universo de 3.400 instituições, a pasta afirmou que envolveu fatores como unidades inseridas em comunidades de maior vulnerabilidade social e municípios com mais de 25 mil habitantes. 

Em relação à fonte dos recursos, a gestão disse que será definida após o encerramento da fase consultiva.

Para a professora do departamento de Educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Analise da Silva, a presença de militares nas escolas pode servir como uma forma de intimidação para o desempenho pedagógico dos professores. 

Ela também questiona a falta de preparação dos agentes para o ambiente escolar. 

“É como se eu, professora há 47 anos, me aposentasse e recebesse um treinamento de algumas horas para atuar na segurança pública. E receberia [um salário maior] do que os policiais, que fazem treinamento constante para atuar com isso”, afirma a professora, que também deu aulas na educação básica. 

A secretaria de Educação usa como justificativa para a adoção do programa a melhora de indicadores das unidades que já estão sob o modelo. 

A pasta cita evolução no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e queda na taxa de abandono escolar desde a adoção do modelo cívico-militar nas escolas. 

O professor do departamento de Economia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Jevuks Araújo, buscou compreender a influência dos modelos cívico-militares na melhora dos indicadores de escolas em Goiás, um dos primeiros estados a adotarem o programa. Os dados compreendem um período de 2007 a 2020. 

Em artigo publicado em maio na revista International Journal of Educational Development, ele e outros autores afirmam que os resultados indicam que a militarização levou a um aumento nas notas de matemática, português e no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). 

O modelo também levou a uma redução na distorção idade-série ?indicador que mede a defasagem entre a idade dos alunos e a série que eles cursam. 

Para avaliar o impacto exclusivo do programa, os pesquisadores compararam as escolas cívico-militares com os pares no estado que têm a maior similaridade em relação a estrutura, número de alunos por sala, perfil dos estudantes e qualificação dos professores, entre outros fatores. 

A pesquisa também examinou o impacto da militarização em variáveis relacionadas à violência escolar. 

“Os diretores [das escolas cívico-militares] percebem uma redução significativa na violência contra profissionais da escola, na ocorrência de roubos e na percepção de estudantes que usam bebidas alcoólicas”, afirmou o professor à Folha de S.Paulo

“Os resultados nos levam a entender que o principal mecanismo é de fato esse impacto na redução da violência no ambiente escolar”, completou Araújo, que é pesquisador de economia da educação.

Ele afirmou, porém, que o modelo cívico-militar deve ser tratado como uma opção dentro do conjunto de políticas públicas da área de educação. 

“Ele não pode ser considerado como um programa exclusivo, uma panaceia, mas sim um programa adicional que demonstra ter bons resultados”. 

Já Analise da Silva, da UFMG, disse que as escolas não são uma ilha, e refletem a insegurança que há na sociedade. 

“A proposta do governo de Minas está sendo feita para crianças e adolescentes pobres, pretos, de periferia, das classes econômicas C e D. E isso dá um recado [à sociedade] de que estudante pobre e de periferia é caso de polícia”, afirmou a professora.

Jornal Folha Regional
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