Um grave acidente foi registrado na manhã desta terça-feira (11) no trevo de acesso à cidade de Cássia, no Sul de Minas. Câmeras de segurança próximas ao local flagraram o momento em que um automóvel Honda, com dois ocupantes, tenta entrar na cidade e cruza a frente de um caminhão que seguia no sentido Passos. O motorista do caminhão não conseguiu frear a tempo, e a colisão foi inevitável.
O impacto foi tão violento que ondas de choque se propagaram por vários metros, balançando até uma câmera de segurança instalada em uma propriedade próxima.
O condutor do Honda sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido até a Santa Casa de Misericórdia de Passos. Já o passageiro do carro e o motorista do caminhão tiveram apenas ferimentos leves, foram atendidos no hospital de Cássia e liberados em seguida.
Moradores da região afirmam que o trecho já contou com redutores de velocidade em ambos os sentidos, mas que eles foram removidos durante obras de recapeamento e ainda não foram reinstalados. Segundo os moradores, a ausência desses dispositivos tem aumentado o risco de acidentes no local.
As autoridades devem apurar as circunstâncias do acidente e avaliar medidas para reforçar a segurança no trevo.
Colheita de café no Sul de MG tem grãos menores devido ao clima e preço da saca pode ser impactado – Foto: reprodução
A colheita de café avança para os últimos dias no Sul de Minas Gerais, mas o cenário preocupa produtores e especialistas. Apesar de grande parte da safra já ter sido retirada do campo, o rendimento dos grãos ficou abaixo do esperado, exigindo maior volume para compor uma saca de 60 quilos.
De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o café colhido nesta temporada apresenta peso inferior à média histórica, o que força os agricultores a utilizarem mais grãos beneficiados. Normalmente, são necessários de 7 a 8 “saquinhos” para fechar uma saca. Em 2025, no entanto, há relatos de produtores que precisaram de até 12.
A Fundação Procafé estima que 86% dos cafeicultores já finalizaram a colheita no país. Na Cooxupé, a maior cooperativa de café do mundo, o índice chega a 83,9% no Sul de Minas. Neste momento, a maior parte dos trabalhadores está dedicada à varrição, etapa em que são recolhidos os grãos que permaneceram no chão da lavoura.
Pesquisadores explicam que o baixo volume de chuvas e as temperaturas acima da média durante o outono e o inverno de 2024 enfraqueceram as lavouras. A situação se agravou com a escassez de precipitações registrada entre fevereiro e março de 2025, período crucial de granação e maturação dos frutos.
No mercado, os reflexos já são percebidos. A avaliação de analistas é de que a quebra é concreta, mesmo que os números oficiais ainda não tenham sido divulgados. A justificativa é climática: a seca e outros fatores ambientais comprometeram diretamente o peso do grão.
Além disso, há incertezas em relação ao futuro. Especialistas alertam que os efeitos desta safra podem se prolongar, atingindo a produtividade de 2026. O preço do café, por sua vez, já apresenta tendência de alta nas últimas semanas, movimento atribuído justamente à percepção de quebra de safra e às projeções incertas sobre a próxima produção.
Como a Defensoria tem autonomia para propor leis, o benefício foi enviado à Assembleia pela própria defensora pública-geral, Raquel da Costa Dias – Foto: Alexandre Netto
Os servidores efetivos da Defensoria Pública de Minas Gerais receberão um auxílio-saúde a partir de 2026. Aprovado em 2º turno pela Assembleia Legislativa na quarta-feira (9/7) em um “jabuti”, o benefício provocará gastos superiores a R$ 50 milhões entre 2026 e 2028, de acordo com projeções enviadas à Comissão de Fiscalização Financeira pelo próprio órgão.
O auxílio autorizará a Defensoria Pública a reembolsar os gastos de servidores e dependentes com saúde suplementar em até 10% dos salários dos beneficiários. O benefício variaria entre R$ 111, valor a que terá direito um agente com jornada de trabalho de 30 horas semanais, cargo da base da pirâmide do órgão, e R$ 4.184, valor a que teria direito o defensor público-geral, o topo da carreira.
Aprovado com 48 votos favoráveis e três contrários cerca de 20 dias após chegar à Assembleia, o reembolso vai contemplar gastos com “serviços profissionais médicos, paramédicos, farmacêuticos e odontológicos”, o que, de acordo com o Projeto de Lei Complementar (PLC) 75/2025, corresponde à “prevenção, conservação ou recuperação da saúde”.
O Regime de Recuperação Fiscal (RRF) veda a criação ou o aumento de “auxílios, vantagens, bônus, abonos, verbas de representação ou benefícios de qualquer natureza” a Estados que aderiram, como é o caso de Minas Gerais. A Defensoria Pública alegou à Comissão de Fiscalização Financeira que a criação do auxílio-saúde foi “ressalvada” quando o governo Romeu Zema (Novo) aderiu ao programa.
O RRF autoriza a criação de novos auxílios quando estão previstos no plano de recuperação fiscal apresentado à Secretaria do Tesouro Nacional. A reportagem questionou ao Ministério da Fazenda se o auxílio-saúde da Defensoria Pública está entre as exceções previstas e aguarda retorno. Tão logo o ministério responda, o posicionamento será acrescentado.
Apesar de criar o auxílio-saúde, o PLC 75/2025, que, agora, vai para sanção ou veto de Zema, tem como principal assunto a criação do programa de residência jurídica da Defensoria Pública. O programa é um treinamento destinado a pessoas formadas em direito que estejam cursando especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado, ou, então, que tenham se graduado há cinco anos.
Além de instituir o auxílio-saúde, a proposta terá um impacto adicional de R$ 1,6 milhão entre 2025 e 2027 a partir da criação de cinco novos cargos. A estrutura da Defensoria Pública passará a ter uma nova subdefensoria, dois subcorregedores e outros dois diretores, ambas acrescentadas aos órgãos de apoio administrativo.
Subordinada diretamente à defensora pública-geral Raquel da Costa Dias, a subdefensoria pública-geral institucional será o cargo número 3 do órgão. A estrutura da Defensoria Pública já é composta hoje pela subdefensoria-pública geral, cujo papel será administrativo. O salário do novo subdefensor será o mesmo, de R$ 41,8 mil.
Os subcorregedores-gerais, por sua vez, terão salários também de R$ 41,8 mil, o que corresponde a 90,25% do subsídio de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá aos subcorregedores “exercer a coordenação e a supervisão das atividades administrativas da corregedoria-geral”. Eles serão indicados diretamente pelo corregedor-geral.
De autoria da própria Defensoria, o PLC 75/2025 ainda dobrará o número de gratificações estratégicas pagas mensalmente a defensores públicos por funções específicas dentro do órgão. Hoje, são quatro patamares, que se estendem de R$ 261 a R$ 1.045. Agora, elas vão subir para oito, com as novas faixas indo de R$ 1.568 até R$ 3.163. O impacto será de cerca de R$ 785 mil até 2028.
Questionada, a Defensoria Pública respondeu apenas que as alterações propostas pelo PLC 75/2025, que custarão, ao todo, R$ 52 milhões, têm como objetivo “promover a reestruturação administrativa necessária com vista a garantir maior eficiência do serviço público”. “Todos os recursos previstos fazem parte da dotação orçamentária da Defensoria, sem impacto nos cofres públicos”, concluiu.
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