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Jornal Folha Regional

Operação Quimera: Justiça condena 12 investigados por fraudes em licitações e desvios de recursos públicos em Passos

Operação Quimera: Justiça condena 12 investigados por fraudes em licitações e desvios de recursos públicos em Passos – Foto: reprodução

A Justiça condenou 12 pessoas investigadas na Operação Quimera, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para apurar um esquema de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Passos (MG). A decisão é da 2ª Vara Cível de Passos e atinge cinco ex-secretários municipais, uma ex-diretora, quatro empresários e duas empresas.

A sentença considerou procedente a ação civil pública movida pelo MPMG por atos de improbidade administrativa e empresarial, confirmando a existência de uma organização criminosa que atuava entre 2013 e 2015. De acordo com o processo, o grupo fraudava licitações e superfaturava contratos de fornecimento de materiais de expediente, como papel, canetas e lápis. Em muitos casos, os produtos eram faturados sem entrega total ou sequer entregues.

O dano patrimonial aos cofres públicos foi estimado em R$ 1.135.087,07. Os condenados deverão ressarcir integralmente o valor, pagar multa civil equivalente, perder eventuais funções públicas e terão os direitos políticos suspensos. Além disso, ficam proibidos de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais e creditícios por períodos de seis a doze anos, de acordo com a gravidade da conduta.

Os empresários também receberam multas de R$ 500 mil e estão impedidos de obter empréstimos, incentivos ou subsídios de instituições públicas por cinco anos. Já as duas empresas envolvidas sofreram dissolução compulsória (extinção forçada) e foram multadas em R$ 1,5 milhão cada.

A Justiça ainda reconheceu a existência de dano moral coletivo, fixando indenização de R$ 1.702.630,60. No texto da decisão, o juiz destacou que “a conduta egoística dos réus violou gravemente valores normativos fundamentais da sociedade, prejudicando o cotidiano de milhares de servidores públicos e afetando a população como um todo, gerando repulsa, indignação e sentimento de impotência”.

Segundo o Ministério Público, a soma de dano patrimonial, dano moral coletivo e multas — acrescida de juros de 1% ao mês e correção monetária desde a data dos ilícitos — ultrapassa R$ 40 milhões.

Os réus ainda podem recorrer da decisão.

Funcionários de empresa de Pouso Alegre são presos em operação contra fraudes em licitações no interior de SP

Funcionários de empresa de Pouso Alegre são presos em operação contra fraudes em licitações no interior de SP – Foto: divulgação

Dois funcionários de alto escalão da empresa THV, sediada em Pouso Alegre (MG), foram presos nesta quarta-feira (24) durante a segunda fase da Operação Calliphora, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A companhia atua no setor de limpeza e conservação.

Segundo o MP, os detidos ocupavam posições estratégicas no esquema, com “papel de destaque e de suma importância na realização das fraudes às licitações e na distribuição de propinas”. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 16,7 milhões.

Na residência dos investigados, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de celulares, cartões de memória, notebooks, iPad e documentos diversos.

Ao todo, nesta fase, foram executados nove mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária em cidades de São Paulo e Minas Gerais.

Como funcionava o esquema

As apurações, conduzidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), apontam que a organização criminosa manipulava licitações de limpeza pública desde a elaboração dos editais, restringindo a concorrência.

O grupo ainda convencia empresas a desistirem da disputa em troca de vantagens financeiras. Após a assinatura dos contratos, as fraudes continuavam na execução dos serviços, o que permitia lucro ilícito e a distribuição de propinas.

As investigações têm como foco a Prefeitura de Pirassununga (SP).

Primeira fase da operação

A primeira etapa da Operação Calliphora ocorreu em dezembro de 2023, quando 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Pirassununga, São José do Rio Preto (SP) e Pouso Alegre.

Na ocasião, a empresa negou qualquer envolvimento, afirmando em nota que as denúncias seriam resultado de uma movimentação de opositores políticos da gestão municipal.

A reportagem tentou novamente contato com a THV para comentar as prisões, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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