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Jornal Folha Regional

Minas segue no topo da lista suja do trabalho escravo com aumento nos casos

Minas segue no topo da lista suja do trabalho escravo com aumento nos casos – Foto: reprodução

Em atualização da “lista suja” do trabalho escravo, Minas Gerais aparece mais uma vez como o estado com maior número de novos empregadores incluídos, conforme divulgado pela Superintendência Regional do Trabalho (SRTE/MG) nesta quarta-feira (8/4). De acordo com o órgão, dos 169 novos nomes, incluindo empresas e pessoas físicas, 36 são de Minas, o que representa 21,30%. Na segunda posição, está São Paulo com 20 novos registros. No último documento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), publicado em outubro do ano passado, Minas também liderou as inclusões, com 33 empregadores.

Dos 36 novos casos em que trabalhadores estavam sendo submetidos a situações de trabalho análogo à escravidão em Minas, 398 pessoas foram resgatadas, de acordo com o superintendente regional do trabalho Carlos Calazans. 

O superintendente também afirma que Minas Gerais tem o maior número de inscrições na “lista suja”. Segundo Calazans, com essa atualização, são 122 registros no estado [confira lista no final da reportagem]. O número representa 19,9% do total de empregadores da lista, que é de 613, conforme o MTE. O chefe da SRTE/MG afirma que, desses 122 casos no estado, 1.067 trabalhadores foram resgatados. 

“Minas Gerais tem esse número de recorde não porque tem mais trabalho escravo que o resto do país”, afirma Calazans. Ele explicou que o alto índice de empregadores do estado cadastrados na lista suja se deve ao aumento da fiscalização e de denúncias. Em Minas, a fiscalização é feita por auditores do trabalho da SRTE/MG e do grupo móvel de combate ao trabalho análogo à escravidão. 

Ambientes de resgate

O chefe do órgão estadual afirma que 80% dos 36 novos registros foram em espaços rurais, como fazendas e produções agrícolas. A construção civil aparece como segundo ambiente mais frequente, afirma Calazans. 

O chefe da SRTE/MG também destaca dois casos registrados na capital mineira, em que duas trabalhadoras no setor doméstico foram resgatadas. “Trabalhavam em bairros de luxo de Belo Horizonte, com média de 30 anos de trabalho (…) Moravam nas casas, dormiam em quartinhos sem ventilação”, descreveu.  

Segundo Calazans, elas tinham jornadas exaustivas, trabalhando até de madrugada. O superintendente disse que, em um dos casos, um dos empregadores tentou justificar a situação degradante em que a trabalhadora vivia com a alegação “ela é da família”. 

Atualização da lista 

A “lista suja” do trabalho escravo, do MTE, é atualizada a cada seis meses. A nova publicação foi feita pelo MTE nessa segunda-feira (6/4). Calazans explica que as novas inclusões não significam necessariamente que as ocorrências foram registradas no período entre uma publicação e outra, uma vez que o processo de registro pode demorar. 

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a inclusão no cadastro só ocorre após a conclusão de processos administrativos, “nos quais são assegurados aos autuados o contraditório e a ampla defesa”. A pasta federal informa ainda que os nomes permanecem na lista por dois anos.  

Nesta quarta-feira (8/4), Carlos Calazans entregou a “lista suja” do trabalho escravo atualizada ao procurador-chefe do MTE em Minas Gerais, Max Emiliano da Silva Sena. Além do MPT-MG, a lista será encaminhada nos próximos dias a instituições como o governo do estado, o Ministério Público Federal (MPF-MG), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG), o Ministério Público do Estado (MPE-MG) e a Assembleia Legislativa (ALMG).

De acordo com a SRTE/MG, o objetivo é que os empregadores responsáveis respondam judicialmente pelos crimes cometidos “com a máxima celeridade possível, para que esse crime seja extinto em todo o estado”. 

Veja os 122 registros de Minas 

Confira a lista dos empregadores de Minas Gerais que constam na “lista suja” do trabalho escravo, que tem 615 inscritos no país, segundo o MTE e a SRTE/MG:

  • Adelicio Barbosa de Araujo
  • Adelmo Gomes da Silva
  • Adenir Alves Dos Santos
  • Agropecuária Ouro Fino Ltda
  • Aguimar Carneiro da Silva
  • Albino Nunes Nascentes
  • Alto Forte Florestas Ltda
  • Ambiental Habitacional Souza Ltda
  • Ana Flávia de Oliveira Leite
  • André Fernando Rocha
  • André Okano
  • Antônio Alonso de Paiva Borges
  • Antônio Alves de Freitas
  • Antônio Augusto de Jesus
  • Antônio Carlos de Souza Martins
  • Antônio Carlos Machado da Fonseca
  • Aparecido Goncalves de Faria
  • Arinaldo Oliveira do Nascimento
  • Ataliba Ferreira Neto
  • Bernardino Americo Soares Guimaraes
  • Breno Maglioni do Vale
  • Celso Aliet Batista
  • Cerâmica Rei Minas Ltda
  • Cidade das Águas Transportes Ltda
  • Comunidade Terapêutica Tenda do Encontro
  • Cosmo Damião da Silva
  • D2 Construtora e Transporte Ltda
  • Devani Resende de Oliveira
  • Dilma Gomide Correa
  • Distribuidora Só Verduras Ltda
  • Domingos Sávio de Andrade
  • ECM – Fundações e Construções Eireli
  • Edson Luiz Rodrigues Santana
  • Edson Souto Ferreira
  • Eduardo Rocha De Carvalho Ltda
  • Elencaster Correa Sobral
  • Elza Maria Magalhães de Freitas
  • Erival Feliciano Ribeiro Filho
  • Espólio De Raimunda Barros
  • Evaldo Lucio Peixoto Sena
  • Evanio Caetano Da Silva
  • Expresso Nepomuceno S/A
  • Fabiano Manabu Ogawa
  • Fazendas Klem Importação e Exportação de Café Ltda
  • Fazendas Reunidas São Bento – Bovinos e Carvão Ltda
  • Felipe Faria Reis
  • Florestal São Bento Ltda
  • Freddie Pereira Costa
  • Fuad Felipe
  • Geraldo Magela da Silva
  • Gerezim Mineração Ltda
  • Gilberto Costa Silva
  • Guedes dos Santos Holding Ltda
  • Idalia Santos Pereira
  • Ivan Teles Oliveira
  • Jacuí Agroflorestal Ltda
  • JL Produções Agroflorestais Ltda
  • Joabe Edson Migotto
  • Joana D‘arc Gonçalves da Silva
  • João Feliciano Da Silva
  • João Francisco Amaro
  • Joel Carlos de Moraes
  • Jorge Felix Gavioli do Couto
  • José Aparecido de Fátima
  • José Caetano Borges Neto
  • José Custodio Ribeiro
  • José Edson Ribeiro
  • José Geraldo De Almeida
  • José Lino Rabelo
  • José Paulo Evangelista
  • José Paulo Teixeira
  • José Tarcísio de Souza
  • José Vagner Guimaraes Barbosa Junior
  • Josué Begali da Luz
  • Juliano Aparecido da Fonseca Baraldi
  • Juliano do Carmo Feltran
  • Juraci de Bessa Pereira
  • Leandro Aparecido Machado
  • Lene Francisco Vilela Silva
  • Lucas Rodrigo Garcia Pires
  • Luiz Carlos Moreira
  • Maisa De Paula Pires Capuzzo Ferreira
  • Manoel Miguel de Oliveira Valente
  • Marcio Ferreira de Assunção
  • Marcos Florio de Souza
  • Marcos Parreira
  • Maria de Lourdes Silva Colares
  • Mohammad Segalechfar
  • Nilceu Patrocinio Muniz Junior
  • Odacir Antônio Valente
  • Ornelas Rodrigues Borba
  • Osvaldo Frota Machado Souto
  • Pantanal RC Florestas Ltda
  • Pantanal Sul Florestas Ltda
  • Petronio Macedo Cesar
  • Raphael Maciel Magina
  • Regina Duarte
  • Renato Ferrari dos Reis
  • Ripom – Agronegócios Ltda
  • Rita De Cassia Vieira
  • Riuson Vitor de Oliveira
  • Roberto Goncalves Fernandes
  • Roberto Murilo Leite Cardoso
  • Robson Soares Rodrigues
  • Rodiney Emiliano
  • Rodrigo Adriano de Souza
  • Rogerio Aparecido de Faria
  • Ronaldo Eustaquio Cardoso
  • Ronaldo Guimaraes do Nascimento
  • Ruben Dário Villarroel Fuentes
  • Santuário Nacional do Bom Jesus
  • Sergio Donizeti Peron
  • Simone Feitosa Bolfarini
  • Simone Rezende Rodrigues Cabral
  • Taynan Wagner Miranda
  • Vagner Freire da Silva
  • Valdemi Coelho de Andrade
  • Valmiro Calazani
  • Viabras Engenharia Eireli
  • Vilson Aguiar Ribeiro
  • Weliton Jose Antunes
  • Xisto Andrade de Oliveira Júnior

Veja lista completa

Como denunciar?

De acordo com o MTE, denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa por meio do Sistema Ipê, lançado em 15 de maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

O Sistema Ipê é a única plataforma exclusiva para o recebimento de denúncias relacionadas a condições análogas à escravidão e está totalmente integrado ao Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas do Trabalho Escravo.

Empregadores de São Sebastião do Paraíso, Ibiraci e Delfinópolis são incluídos na ‘Lista Suja’ do trabalho análogo à escravidão

Empregadores de São Sebastião do Paraíso, Ibiraci e Delfinópolis são incluídos na ‘Lista Suja’ do trabalho análogo à escravidão – Foto: reprodução

Cinco empregadores de quatro municípios do Sul de Minas foram incluídos na nova edição da “lista suja” do trabalho análogo à escravidão, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na segunda-feira (6). A atualização traz 159 nomes — 101 pessoas físicas e 58 jurídicas — representando um aumento de 20% em relação à última publicação.

Os novos casos registrados na região envolvem empregadores das cidades de São Sebastião do Paraíso, Delfinópolis, Cristais e Ibiraci, sendo que este último município aparece com duas ocorrências.

Em todo o estado de Minas Gerais, 151 empregadores figuram na lista. Destes, 38 estão distribuídos em 28 cidades do Sul de Minas, onde 372 trabalhadores foram resgatados de situações degradantes.

A “lista suja” é atualizada a cada seis meses. Segundo o MTE, após a constatação das irregularidades, são lavrados autos de infração e o empregador tem direito à ampla defesa e ao contraditório. Somente após a conclusão do processo administrativo é que o nome passa a constar oficialmente na relação.

De acordo com a Auditoria Fiscal do Trabalho, os casos incluídos nesta atualização ocorreram entre 2020 e 2025, período em que 1.530 trabalhadores foram resgatados em todo o país.

Os estados com maior número de novos registros são Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso do Sul (13) e Bahia (12). Entre os principais setores envolvidos estão a pecuária de corte (20 casos), os serviços domésticos (15), o cultivo de café (9) e a construção civil (8). Cerca de 16% das ocorrências estão relacionadas a atividades econômicas urbanas.

Municípios do Sul de Minas com empregadores na “lista suja”:

Aiuruoca; Alfenas (2 casos); Alpinópolis; Araxá (2 casos); Boa Esperança (3 casos); Bueno Brandão; Cabo Verde; Campanha; Campestre (3 casos); Campo do Meio; Carmo do Rio Claro; Conceição das Pedras; Cristais; Delfinópolis (2 casos); Espírito Santo do Dourado; Estiva; Ibiraci (2 casos); Ilicínea (2 casos); Ingaí; Itamogi; Juruaia; Muzambinho; Nova Resende; Poço Fundo; Santa Rita do Sapucaí; São Pedro da União (2 casos); São Sebastião do Paraíso; e Varginha.

Lista completa aqui.

Empregadores de São Sebastião do Paraíso, Ibiraci e Delfinópolis são incluídos na ‘Lista Suja’ do trabalho análogo à escravidão – Foto: reprodução

Cantor Leonardo é incluído pelo governo na ‘lista suja’ do trabalho escravo após fiscalização na fazenda Talismã

Cantor Leonardo é incluído pelo governo na 'lista suja' do trabalho escravo após fiscalização na fazenda Talismã - Foto: reprodução/redes sociais
Cantor Leonardo é incluído pelo governo na ‘lista suja’ do trabalho escravo após fiscalização na fazenda Talismã – Foto: reprodução/redes sociais

De acordo com informações do jornal O Globo, o nome do cantor Leonardo foi incluído, nesta segunda-feira (7), na “lista suja do trabalho escravo” divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho.

O documento, que é atualizado semestralmente, publica os dados de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão. Foram 76 pessoas adicionadas à lista, que tem atualmente 727 nomes.

Isso ocorre após uma fiscalização realizada por técnicos do MTE em novembro de 2023 na Fazenda Talismã, em Jussara (GO), interior de Goiás. A propriedade de Leonardo (nome artístico para Emival Eterno da Costa) é avaliada em R$ 60 milhões e mantida e gerida pelo sertanejo. No local, seis pessoas, incluindo um adolescente de 17 anos, foram encontradas em “condições degradantes”, em situação que configura, de acordo com o ministério, a “escravidão contemporânea”.

Segundo o relatório do órgão, os seis funcionários pernoitavam em uma casa abandonada, sem água potável e sem banheiro e com camas improvisadas com tábuas de madeira e galões de agrotóxicos. O arquivo do MTE também indica que o lugar estava tomado por insetos e morcegos, além de exalar um “odor forte e fétido”.

O que diz Leonardo?

Procurada pelo g1, a assessoria do sertanejo disse que o caso foi julgado e se refere a uma parte da fazenda que estaria arrendada para uma pessoa que estaria realizando o plantio de soja. Acrescentou, ainda, que o cantor não tinha conhecimento das práticas de trabalho escravo.

A Fazenda Talismã, do cantor Leonardo, tem cerca de mil hectares e conta com criações de gado e cavalo. Também tem uma vasta estrutura de lazer para receber a família e os amigos, com quadras de vôlei e um lago que circunda a casa principal, onde é possível, inclusive, andar de jet ski. 

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