Jornal Folha Regional

CCJ da Câmara aprova proposta que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos

CCJ da Câmara aprova proposta que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos – Foto: reprodução

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A medida recebeu 44 votos favoráveis e 18 contrários.

De autoria do ex-deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), a proposta havia retornado à pauta após um pedido de vista apresentado por parlamentares. O tema foi o único item analisado durante a reunião da comissão.

Com o aval da CCJ, a proposta segue agora para uma comissão especial que será criada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. O colegiado ficará responsável por discutir o mérito da matéria antes que ela seja encaminhada ao plenário da Casa.

Para avançar, o texto precisará do apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação. Caso seja aprovado pela Câmara, ainda terá de passar pela análise do Senado Federal.

A PEC modifica o artigo 228 da Constituição Federal, estabelecendo que cidadãos a partir dos 16 anos passam a responder criminalmente pelos seus atos. Atualmente, a Constituição determina que menores de 18 anos são inimputáveis e estão sujeitos à legislação específica voltada a crianças e adolescentes.

Durante a discussão, parlamentares governistas argumentaram que a proposta interfere em direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição, considerados cláusulas pétreas e, portanto, não passíveis de alteração por emenda constitucional.

Já o relator da matéria, Coronel Assis, defendeu que a proposta não contraria a Constituição nem tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Segundo ele, a responsabilização penal aos 16 anos pode coexistir com garantias específicas destinadas aos adolescentes durante o processo judicial.

O texto original da PEC continha outras mudanças além da redução da maioridade penal. Entre elas estavam a obrigatoriedade do voto para maiores de 16 anos e a diminuição da idade mínima para disputar cargos eletivos. O relator, no entanto, retirou esses dispositivos e manteve apenas o trecho relacionado à imputabilidade penal.

Segundo Coronel Assis, os demais pontos tratavam de direitos políticos e não possuíam relação direta com o tema central da proposta, o que poderia comprometer a unidade da matéria.

A tramitação foi marcada por tentativas de obstrução por parte de deputados contrários à medida. Requerimentos para retirada de pauta foram apresentados, mas acabaram rejeitados, prolongando o debate na comissão.

Entre os parlamentares que se posicionaram contra a PEC, a deputada Erika Kokay afirmou que a proposta é inconstitucional e criticou a possibilidade de adolescentes serem encaminhados ao sistema prisional comum. A deputada Talíria Petrone também se manifestou contra a medida, argumentando que ela não resolverá os problemas da segurança pública.

Em defesa da proposta, o deputado Lucas Redecker afirmou que adolescentes entre 16 e 18 anos são frequentemente utilizados por organizações criminosas por acreditarem estar menos sujeitos à punição.

A discussão sobre a redução da maioridade penal chegou a ser cogitada durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, mas acabou sendo retirada do texto. Na ocasião, Hugo Motta defendeu que o assunto fosse analisado separadamente, avaliando que sua inclusão poderia dificultar a aprovação da proposta no Senado.