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Jornal Folha Regional

Governador Mateus Simões nomeia Vinícius D’Avila como novo reitor da UEMG

Governador Mateus Simões nomeia Vinícius D’Avila como novo reitor da UEMG – Foto: reprodução

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, oficializou na noite da última terça-feira (7) a nomeação do professor Vinícius D’Avila para a Reitoria da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Docente da unidade de Passos, ele foi o candidato mais votado na eleição que definiu a lista tríplice encaminhada ao governo estadual para a escolha do novo dirigente da instituição.

O anúncio foi realizado durante reunião na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, com a presença do deputado estadual Cássio Soares e do próprio reitor nomeado. Após a confirmação, Vinícius D’Avila destacou o compromisso da nova gestão. “Estaremos juntos por mais quatro anos trabalhando para o crescimento e fortalecimento da nossa universidade”, afirmou.

A gestão terá como vice-reitora a professora Vanesca Korasaki, atual pró-reitora de Pesquisa da UEMG e integrante da unidade de Passos. Durante a campanha, a chapa “UEMG Viva” apresentou como principais propostas a ampliação da internacionalização da universidade, o fortalecimento da pesquisa científica, a modernização do ensino e a integração entre as unidades acadêmicas.

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Vinícius D’Avila possui formação complementar em Administração e Marketing. É mestre em Fitossanidade e Biotecnologia Aplicada, com concentração em Entomologia, pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e doutor em Entomologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), tendo realizado parte de sua formação na Dalhousie University.

Ao longo da carreira, atuou como professor nos ensinos superior e básico, tanto em instituições públicas quanto privadas. Na UEMG Passos, é professor efetivo das disciplinas de Entomologia Geral e Entomologia Agrícola. Também possui experiência em pesquisas voltadas ao controle biológico, criação massal de insetos, manejo integrado de pragas e polinização, além de ter coordenado o curso de Agronomia da unidade entre 2020 e 2021.

Na eleição para a composição da lista tríplice que definiu a futura Reitoria da UEMG para o período de 2026 a 2030, a chapa liderada por Vinícius D’Avila conquistou ampla vantagem. Após a aplicação do sistema de proporcionalidade, que considera pesos diferentes para os votos de professores, estudantes e técnicos-administrativos, a “Chapa 2 – UEMG Viva” obteve 68,22% dos votos válidos.

Ao todo, o Colégio Eleitoral registrou 6.219 votos válidos, distribuídos entre as 20 unidades acadêmicas da universidade. A “Chapa 1 – A UEMG que a Gente Quer”, formada por Camila Jardim de Meira e Flávia Lemos Mota de Azevedo, recebeu 17,11% dos votos. Já a “Chapa 3 – A UEMG que Minas Merece”, composta por Heloisa Nazaré dos Santos e Leonardo Lúcio de Araújo Gouveia, terminou a disputa com 14,66%.

A nomeação ocorre poucos meses após uma declaração que gerou repercussão no meio acadêmico. Em abril, Mateus Simões afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que somente nomearia um reitor que assumisse o compromisso de não impedir a destinação do prédio da UEMG em Frutal, no Triângulo Mineiro. Segundo o governador, o imóvel, construído com investimento de aproximadamente R$ 200 milhões, teria se tornado alvo de um esquema de corrupção.

Na ocasião, Simões declarou que respeitava a autonomia universitária, mas defendeu que ela não poderia representar omissão diante do desperdício de recursos públicos. “Como a escolha do novo reitor cabe ao governador do Estado, faço um pedido público aos candidatos: só vou nomear quem assumir o compromisso de não atrapalhar a destinação adequada desse imóvel”, afirmou na época.

Ao anunciar oficialmente Vinícius D’Avila para o cargo, o governador não voltou a tratar diretamente do prédio de Frutal. Em publicação nas redes sociais, porém, destacou que a chapa vencedora assumiu o compromisso de manter diálogo com o Governo de Minas na busca por soluções para os desafios enfrentados pela universidade, preservando sua autonomia.

“A chapa assumiu o compromisso de avançar no diálogo e na construção conjunta com o Governo de Minas, respeitando a autonomia universitária e buscando soluções para os desafios da instituição”, escreveu Simões. Em seguida, acrescentou que a parceria entre Estado e universidade continuará com o objetivo de fortalecer a UEMG, valorizar o ensino superior público e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento de Minas Gerais.

As declarações feitas pelo governador em abril motivaram críticas de entidades representativas dos docentes. O Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBH) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) divulgaram nota conjunta classificando a manifestação como uma ameaça à autonomia universitária.

No documento, as entidades defenderam que a escolha da Reitoria deve ocorrer integralmente dentro da universidade, sem interferência do governo estadual. Os sindicatos afirmaram ainda que a postura do governador indicava uma possível intervenção no processo eleitoral da UEMG e alertaram para o risco de desmonte da instituição e de desrespeito à autonomia universitária.

Mateus Simões toma posse como governador de Minas Gerais

Mateus Simões toma posse como governador de Minas Gerais – Foto: Cristiano Machado

Mateus Simões, do PSD, é oficialmente o novo governador de Minas Gerais. Ele tomou posse no último domingo (22), em solenidade no Palácio da Inconfidência, sede da Assembleia Legislativa (ALMG), em Belo Horizonte. No discurso de assunção ao cargo, ele anunciou que, a partir de quinta-feira (26), fará um périplo pelo interior, transferindo provisoriamente, a cidades-polo de cada região, a capital do estado.

Simões substitui Romeu Zema (Novo), que renunciou à chefia do Executivo para cumprir a regra de desincompatibilização estipulada pela Justiça Eleitoral. Zema é pré-candidato à Presidência da República e, para manter de pé a pretensão de concorrer ao cargo, teve de se afastar das funções em Minas.

Ao anunciar a ideia de instituir capitais transitórias, Simões afirmou que pretende visitar os municípios ao lado de deputados estaduais de cada região.

“Faço questão de rodar as 16 regionais acompanhado sempre dos senhores (os parlamentares, presentes à solenidade de posse). Mas quero fazer mais do que visitar: transferirei, a partir do dia 26, a sede administrativa e a capital do estado para cada uma dessas regiões, em um reconhecimento de que Belo Horizonte é a nossa capital, mas que Minas Gerais é muito grande para ser compreendida à distância”, falou.

O presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), declarou Simões empossado no cargo exatamente  às 10h30. O pessedista é pré-candidato à reeleição.

No discurso de posse, Simões afirmou que mesmo com a chegada à chefia do Executivo, sua rotina “mudará pouco”. Segundo ele, isso se deve ao fato de compor o governo desde março de 2020, quando foi nomeado chefe da Secretaria-Geral, que tem a tarefa de coordenar as demais pastas — prerrogativa, aliás, que será repassada à Casa Civil.

Ritos

Mateus Simões chegou ao plenário da Assembleia por volta das 10h20. Antes, foi recepcionado, na entrada da Casa, por um corredor de honra dos Dragões da Inconfidência, grupamento especial da Polícia Militar. Posteriormente, percorreu as dependências do Legislativo ao lado de uma comitiva de deputados estaduais.

Já no plenário, Simões entregou a sua declaração de bens ao primeiro secretário do Parlamento, Gustavo Santana (PL), e prestou o compromisso constitucional.

A solenidade de posse de Simões foi acompanhada por autoridades como o presidente do Tribunal de Justiça (TJMG), o desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Júnior, o procurador-geral do Ministério Público (MPMG), Paulo de Tarso, a chefe da Defensoria Pública (DPMG), Raquel da Costa Dias, o presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), desembargador Vallisney de Oliveira, e o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Juliano Lopes (Podemos).

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também compareceu à cerimônia, assim como o ex-governador Eduardo Azeredo.

Perfil

Mateus Simões tem 45 anos. Nascido em Gurupi, no Tocantins, começou a carreira política eletiva em 2017, quando assumiu mandato de vereador de Belo Horizonte. Em 2020, se licenciou do cargo para assumir a Secretaria-Geral de Minas.

Em 2022, foi eleito vice-governador na chapa de Zema. No ano passado, deixou o Novo e migrou para o PSD. Advogado de de formação, é servidor concursado da Assembleia

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