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Jornal Folha Regional

Novo medicamento para Alzheimer chega ao Brasil, mas preço preocupa

Novo medicamento para Alzheimer chega ao Brasil, mas preço preocupa – Foto: reprodução

A aprovação do medicamento intravenoso Lecanemabe pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) traz nova esperança para pacientes e familiares que vivem com o Alzheimer no Brasil. O medicamento, indicado para os primeiros sinais da doença, deve chegar às farmácias no fim de junho com o nome comercial de Leqembi e é uma das principais apostas da ciência para atrasar o avanço dos sintomas.

O Lecanemabe é um tipo de anticorpo feito em laboratório que age direto sobre a beta-amiloide, uma proteína ligada ao desenvolvimento do Alzheimer. Segundo o professor Júlio César Moriguti, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, “a beta-amiloide é uma substância patológica que deposita no cérebro e que é o gatilho para iniciar a doença”.

Os estudos com o anticorpo foram publicados no fim de 2023 na revista científica New England Journal of Medicine e mediram principalmente a capacidade mental dos pacientes durante 18 meses. De acordo com Moriguti, os pesquisadores compararam pacientes que usaram o medicamento com outros que receberam placebo (substância sem propriedades medicinais ativas) usando escalas específicas de avaliação clínica.

“O grupo que usou a droga e o grupo que usou placebo tiveram uma diferença de menos 0,45 numa escala de 18 pontos. Isso aparentemente não se traduziu em benefícios perceptíveis para o paciente e/ou para os cuidadores”, explica. Ainda assim, o especialista destaca que os resultados chamam atenção porque o medicamento consegue tirar a amiloide do cérebro. “Essas drogas reduzem muito essa carga de amiloide, de tal forma que passa a ter uma carga semelhante a quem não tem doença”, afirma.

Para o professor, o medicamento é um grande avanço da ciência, mas ainda tem limites. “Eu entendo que representa um avanço real por ter conseguido remover a amiloide, mas há de se entender qual seria o melhor momento de se utilizar essa droga e para quais pacientes. A adoção ampla dessas terapias ainda deve ser muito cautelosa.”

Além de uma eficácia abrangente ainda ser discutida, os efeitos colaterais também preocupam os especialistas. Segundo Moriguti, os principais riscos vistos nos estudos foram inchaço e sangramentos no cérebro. “O principal risco é de sangramento. As hemorragias cerebrais ou micro-hemorragias podem ser sintomáticas ou não”, ressalta. Ele completa que as complicações ligadas a problemas neurológicos aconteceram em cerca de 27% dos pacientes que usaram o medicamento.

Outro ponto que o pesquisador destaca é que os testes foram feitos em um ambiente muito controlado e com pacientes bem específicos. “Quando popularizar essa droga, ela não vai ser usada dessa forma, porque vamos ter pacientes com várias comorbidades”, afirma.

Acesso ao medicamento

Apesar de a Anvisa já ter aprovado o medicamento, a discussão agora é sobre o acesso ao tratamento. O Lecanemabe deve custar cerca de R$ 20 mil por mês, um valor que a maior parte da população brasileira não tem condições de pagar.

Segundo Moriguti, o SUS ou os planos de saúde ainda estão longe de incluir esse medicamento. “A população que poderia ser beneficiada com isso é bastante grande, tanto no Brasil quanto no mundo inteiro. Eu creio que, para o SUS incorporar um tratamento desse e para os planos de saúde pagarem, eles precisam ter um pouco mais de certeza dessa melhora.”

Além do preço alto, o tratamento exige uma estrutura médica complicada. Antes de receber o medicamento na veia, os pacientes precisam fazer exames como PET-CT (um tipo de tomografia), ressonância magnética, testes de biomarcadores e testes genéticos. Depois, ainda é preciso acompanhamento constante em centros especializados.

“Precisa ter um centro de infusão, precisa de ressonância, PET-CT e até neurocirurgião de prontidão para intervir em casos de hemorragia ou grande edema”, explica o professor. “Ou seja, é para lugares bastante restritos.”

Mesmo cuidando de pacientes com Alzheimer e pesquisando a doença na USP, Moriguti diz que ainda não receitou esse tipo de tratamento. “Eu ainda não tive o convencimento de que, ao aplicar essas drogas, vou trazer mais benefícios do que malefícios para o paciente. Isso sem pensar em preço. Quando você coloca o preço na jogada, a restrição vai ser ainda maior.”

Leqembi: Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer

Leqembi: Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a utilização, no Brasil, de um novo medicamento voltado diretamente ao tratamento da doença de Alzheimer. Trata-se do Leqembi, terapia que atua na desaceleração do processo de degeneração cerebral provocado pela enfermidade e é considerada um avanço relevante no enfrentamento da doença.

O Alzheimer é a principal causa de demência neurodegenerativa no mundo. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de um milhão de brasileiros vivem atualmente com o diagnóstico. Até então, os tratamentos disponíveis se limitavam a aliviar sintomas, sem interferir diretamente na progressão da doença. A liberação do novo medicamento ocorreu em 22 de dezembro de 2025.

Como funciona o Leqembi

O Leqembi é produzido a partir do anticorpo monoclonal lecanemabe e é indicado para pacientes que já apresentam demência leve associada ao Alzheimer, ou seja, nos estágios iniciais da doença.

Esse anticorpo foi desenvolvido para estimular o sistema imunológico a eliminar o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro — uma substância pegajosa que forma placas e está diretamente relacionada ao desenvolvimento do Alzheimer. O depósito dessas placas é uma das principais marcas da doença.

O medicamento é administrado por infusão intravenosa, seguindo um protocolo contínuo de tratamento.

Evidências científicas

A eficácia do lecanemabe foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na revista científica New England Journal of Medicine. A pesquisa, considerada de grande porte, envolveu 1.795 voluntários diagnosticados com Alzheimer em fase inicial.

Durante o estudo, os participantes receberam infusões do medicamento a cada duas semanas. Após 18 meses de acompanhamento, foi observada uma redução no declínio cognitivo e funcional, indicando que a progressão da doença ocorreu de forma mais lenta nos pacientes tratados.

Desde 2023, o Leqembi já é aprovado e comercializado nos Estados Unidos, com autorização da Food and Drug Administration (FDA). Com a decisão da Anvisa, o medicamento passa agora a integrar as opções terapêuticas disponíveis também no Brasil.

Do tratamento de suporte às novas terapias

Historicamente, as opções para tratar o Alzheimer foram limitadas. Até a década de 1970, o conhecimento científico associava a doença principalmente ao envelhecimento, à atrofia cerebral e ao acúmulo de duas proteínas anormais: a tau, que se deposita dentro dos neurônios, e a beta-amiloide, que se acumula fora deles.

Naquele período, os tratamentos eram basicamente paliativos, envolvendo mudanças de hábitos, uso de vitaminas, vasodilatadores e estimulantes da memória, sem comprovação científica de eficácia.

Com o avanço das pesquisas, os cientistas passaram a compreender melhor a origem biológica da doença, abrindo caminho para terapias que tentam interferir diretamente em sua evolução. O Leqembi surge nesse contexto como uma das primeiras tentativas concretas de frear o avanço do Alzheimer.

Para o neurocirurgião Helder Picarelli, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o novo medicamento representa uma mudança importante no cenário da doença.
“Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta que se abre de oportunidade para intervir na evolução da doença”, afirma.

Apesar do otimismo, o especialista ressalta que ainda é cedo para conclusões definitivas. Segundo ele, o tratamento é inovador, mas ainda recente, e será necessário mais tempo para avaliar plenamente seus impactos.

“Esse tipo de terapia utiliza um anticorpo específico e tem modificado o tratamento, mas ainda é novo. Precisamos aguardar um pouco mais para ter uma conclusão definitiva. Não sei se o custo, que é elevado, e os riscos envolvidos compensam o benefício obtido com esse tipo de medicação”, pondera.

Ministério da Saúde recebe medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS

Ministério da Saúde recebe medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS – Foto: divulgação

Um medicamento inédito para o tratamento do câncer de mama foi incorporado ao SUS. O Ministério da Saúde recebeu nesta segunda-feira o primeiro lote do Trastuzumabe Entansina, medicamento de última geração para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, relacionado à maior agressividade da doença.

São cerca de 12 mil unidades, de 100 e 160 mg, do medicamento. Ao todo, serão quatro lotes do Trastuzumabe. As próximas entregas estão previstas para dezembro de 2025, março e junho de 2026, alcançando 100% da demanda atual. Os insumos vão beneficiar 1.144 pacientes ainda este ano.

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento foi negociado com valor 50% abaixo do preço de mercado. O investimento total foi de R$ 159 milhões.

O Trastuzumabe Entansina é indicado para mulheres que ainda apresentam sintomas da doença após a quimioterapia inicial, em casos de câncer de mama HER2-positivo em estágio III.

O governo federal também avança na oferta de inibidores de ciclinas indicados para o tratamento de câncer de mama avançado ou metastático com receptor hormonal positivo ou HER2-negativo.

A portaria que autoriza a compra descentralizada desses medicamentos será publicada ainda neste mês, quando acontece a campanha Outubro Rosa, de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

Anvisa proíbe venda de “Metbala”, medicamento de tadalafila

Anvisa proíbe venda de “Metbala”, medicamento de tadalafila - Foto: reprodução
Anvisa proíbe venda de “Metbala”, medicamento de tadalafila – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda da bala de tadalafila chamada “Metbala”, fabricada pela empresa FB Manipulação Ltda.

Segundo a agência, a medida foi adotada porque o produto não tem qualquer tipo de regularização na Anvisa. Além disso, a empresa identificada não tem autorização da Anvisa para fabricar medicamentos.

A resolução com a medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (14). A proibição também se aplica a qualquer pessoa, empresa ou veículo de comunicação que comercializem ou divulguem o produto.

De acordo com a legislação, medicamentos só podem ser comercializados por farmácias e drogarias e precisam estar registrados na Anvisa. O registro é a comprovação de que o produto possui eficácia, segurança e qualidade.

A tadalafila é um medicamento sujeito à prescrição médica e o uso depende de uma avaliação sobre as condições específicas do paciente. A agência alerta que aqueles que fazem propaganda de produtos irregulares também cometem infração sanitária e está sujeito a penalidades.

Anvisa aprova primeiro medicamento indicado contra Alzheimer

Anvisa aprova primeiro medicamento indicado contra Alzheimer - Foto: reprodução
Anvisa aprova primeiro medicamento indicado contra Alzheimer – Foto: reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta terça-feira (22/04), o primeiro medicamento indicado para tratamento de comprometimento cognitivo leve ou demência leve associados à doença de Alzheimer sintomática inicial.

O Kisunla (donanemabe), fabricado pela farmacêutica Eli Lilly, é um anticorpo monoclonal que se liga à proteína beta-amiloide. Na doença de Alzheimer, aglomerados de proteína beta-amiloide formam placas no cérebro e o medicamento atua ligando-se a esses aglomerados e reduzindo-os, prometendo um retardamento da progressão da doença.

Um estudo feito em oito países com 1.736 pacientes em estágio inicial mostrou que, com a posologia de 700 miligramas do medicamento a cada quatro semanas nas três primeiras doses e, depois, com 1.400 miligramas a cada quatro semanas, na 76ª semana, os pacientes tratados com donanemabe apresentaram progressão clínica menor e estatisticamente significativa na doença de Alzheimer em comparação aos pacientes tratados com placebo.

O produto injetável, administrado uma vez por mês, será comercializado em embalagem de ampola com doses de 20 mililitros sob prescrição médica e não é recomendado para pacientes de Alzheimer portadores do gene da apolipoproteína E ε4 (ApoE ε4).

Existe ainda a contraindicação do medicamento para pacientes que estejam tomando anticoagulantes (incluindo varfarina) ou que tenham sido diagnosticados com angiopatia amiloide cerebral.
As reações mais comuns do medicamento são relacionadas à infusão, como febre e sintomas semelhantes aos da gripe, e dores de cabeça.

O donanemabe foi aprovado em julho do ano passado nos Estados Unidos, um ano após o Laqembi (lecanemabe), também destinado ao tratamento de Alzheimer. Os dois, no entanto, são alvos de controvérsias na comunidade médica. Alguns especialistas dizem que, embora sejam os medicamentos mais eficazes até agora contra a doença, é uma eficácia ainda muito limitada.

Na última semana, a Comissão Europeia aprovou o uso de lecanemabe para o tratamento de Alzheimer. Contudo, em março deste ano, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a recusa do uso de donanemabe para mesma finalidade.

No Brasil, a Anvisa publicou que irá monitorar a segurança e efetividade do donemabe sobre rigorosa análise. Segundo o Ministério da Saúde, a doença costuma evoluir de forma lenta e irreversível. A sobrevida média das pessoas com Alzheimer oscila entre 8 e 10 anos. e o quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios.

Os estágios do Alzheimer

O primeiro, a forma inicial da doença, causa alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais. Foi nesse estágio da doença que estavam os pacientes participantes do estudo com donanemabe.

O segundo provoca dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia também são comuns nesta fase.

Já o estágio três é a forma grave de Alzheimer, com resistência do paciente à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e deficiência motora progressiva.

O último estágio da doença é o terminal, com restrição ao leito, dor à deglutição e infecções intercorrentes do paciente.

Tadalafila: Genérico do remédio foi o 5º mais vendido no Brasil em 2024

Tadalafila: Genérico do remédio foi o 5º mais vendido no Brasil em 2024 - Foto: reprodução
Tadalafila: Genérico do remédio foi o 5º mais vendido no Brasil em 2024 – Foto: reprodução

“Sabe qual é o segredo pra aguentar a noite todinha? Tadalafila! Tadalafila!”. O trecho da música “Tadalafila”, da banda Barões da Pisadinha, que já alcançou quase 6 milhões de visualizações em dois anos no YouTube, dá o tom do uso indiscriminado e sem recomendação médica do composto entre homens brasileiros, o que tem preocupado a comunidade médica. Há relatos de quem usa o medicamento para melhorar o desempenho sexual ou até como pré-treino em academias.

O consumo indevido da tadalafila – indicada para tratar disfunção erétil, entre outras patologias – pode explicar o fato de a venda do remédio ter disparado no Brasil. Em 2024, o genérico foi o quinto mais comercializado no país, com mais de 61,2 milhões de unidades vendidas, conforme a pesquisa Pharmaceutical Market Brasil (PMB), da IQVIA, divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos). Foi a primeira vez que o medicamento ficou entre os cinco mais consumidos.

Com um aumento crescente nos últimos quatro anos, Minas Gerais foi o segundo Estado brasileiro que mais vendeu tadalafila em 2024, com mais de 7,6 milhões de unidades, o equivalente a 12,44% do total nacional e a uma alta de 47,3% em relação a 2023. São Paulo, com mais de 12,7 milhões (20,82%), lidera o ranking.

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O temor dos médicos é que o uso da tadalafila sem prescrição médica é um risco à saúde. Urologista do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais, Maxmillan Alkimin explica que, por ser um dilatador dos vasos sanguíneos, a tadalafila é indicada para tratar a disfunção erétil, a hipertensão arterial pulmonar e os sintomas da hiperplasia prostática benigna. 

“Temos observado uma maior procura entre os homens mais jovens, de 20 a 35 anos, sem nenhuma patologia, que querem performar melhor durante as relações sexuais. E isso é extremamente preocupante, já que pode trazer muitos efeitos colaterais, como dor de cabeça, alteração cardíaca e até dependência”, afirma o especialista.

Apesar dos riscos, a tadalafila é um medicamento de fácil acesso e pode ser comprada em qualquer farmácia, como explica a presidente do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), Márcia Alfenas. “Mesmo que haja a necessidade de apresentar prescrição médica para comprá-la, a receita não fica retida com o farmacêutico, o que acaba facilitando a compra”, comenta.

Facilidade confirmada por Marcelo*, que é jornalista. Morador de BH, foi em 2023, com 29 anos, que ele decidiu tomar tadalafila mesmo sem orientação médica. “Tive curiosidade de saber como seria minha performance e também queria estender as relações. Funcionou e continuei tomando. Meu desempenho melhora, e a ereção permanece por bastante tempo”, conta.

Segundo Marcelo, que atualmente tem 30 anos, ele costuma fazer uso do remédio em “ocasiões especiais” e consome doses pequenas para evitar efeitos colaterais. “Na primeira vez que usei, tive certo receio. Mas depois fiquei mais tranquilo”, afirma.

*Nome fictício para preservar a identidade.

Venda ilegal pode gerar punição

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que medicamentos só podem ser vendidos em farmácias e drogarias devidamente regularizadas, seja fisicamente ou por seus sites. O órgão também disse que a fiscalização in loco de estabelecimentos, para verificar a venda de remédios para fins diferentes dos indicados, é realizada pelas vigilâncias sanitárias municipais e lembrou, ainda, das responsabilidades do profissional farmacêutico, que, entre outras atribuições, deve zelar pelos controles exigidos à dispensação de cada medicamento.

Por fim, a Anvisa ressaltou que as punições para estabelecimentos que estejam infringindo as leis podem variar de acordo com a situação encontrada, o potencial do risco gerado e o porte da empresa, podendo haver multas de R$ 2.000 até R$ 1,5 milhão, interdição parcial ou total do estabelecimento e cassação do alvará de funcionamento.

Presidente do CRF-MG defende conscientização

Márcia Alfenas, presidente do CRF-MG, defende que a principal medida para evitar o uso indevido da tadalafila é a conscientização da população. Segundo ela, dificultar a venda não inibiria o uso indevido e geraria transtornos para quem precisa do remédio. 

“Mudar a tarja e o tipo de receita não é a melhor solução. As pessoas precisam ter acesso aos medicamentos, mas elas precisam entender que o remédio deve ser utilizado apenas para o que ele é destinado. Também estamos orientando os farmacêuticos sobre o uso indiscriminado”, explica.

Medicamento mostra 100% de eficácia na prevenção do HIV

Medicamento mostra 100% de eficácia na prevenção do HIV - Foto: RF._.studio
Medicamento mostra 100% de eficácia na prevenção do HIV – Foto: RF._.studio

Recentemente, um novo marco foi alcançado na luta incansável contra o HIV. Um inovador medicamento injetável, conhecido como lenacapavir, demonstrou uma eficácia impressionante de 100% na prevenção do vírus em mulheres cisgênero. Este desenvolvimento revolucionário possui o potencial de transformar completamente as estratégias de prevenção ao HIV ao redor do mundo.

O estudo clínico PURPOSE 1, que testou essa nova abordagem, foi realizado em diversos locais na África do Sul e Uganda. Os resultados destacam não apenas a eficácia do lenacapavir, mas também a sua segurança e a possibilidade de reduzir drasticamente as novas infecções pelo HIV, que ainda são uma grande preocupação global.

O que é o Lenacapavir e como ele atua?

O lenacapavir atua de maneira distinta dos métodos tradicionais de profilaxia pré-exposição (PrEP). Trata-se de um inibidor de fusão capside, que interfere diretamente na estrutura protetiva do HIV, impedindo a replicação do vírus no corpo humano. A grande vantagem deste tratamento está na sua aplicação, necessária apenas duas vezes por ano, o que representa um grande avanço em termos de conveniência e adesão ao tratamento.

Por que a eficácia do Lenacapavir é uma notícia tão importante?

Nos resultados apresentados pelo estudo PURPOSE 1, o lenacapavir impediu a infecção por HIV em todas as 2.134 mulheres que receberam o tratamento, evidenciando sua eficácia de 100%. Em contraste, outras opções de PrEP na forma de pílulas diárias mostraram taxas de eficácia menores. Esses números são particularmente expressivos quando consideramos os esforços globais para reduzir as novas infecções por HIV.

Impacto potencial do Lenacapavir na adesão ao PrEP

Além de sua eficácia, o lenacapavir pode melhorar significativamente a adesão ao tratamento de PrEP. Segundo Linda-Gail Bekker, do Desmond Tutu HIV Center, a administração semestral do medicamento pode facilitar a aceitação e integração do tratamento na rotina das pessoas, combatendo também o estigma e a discriminação associados ao uso diário de comprimidos.

Próximos passos na pesquisa

As investigações sobre o lenacapavir continuam com o estudo PURPOSE 2, que inclui uma gama mais diversa de participantes. Os resultados desse estudo ampliado são aguardados com grande expectativa, pois podem ampliar ainda mais o uso do lenacapavir em diferentes populações e comunidades.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e reguladores de diversos países estão de olho nestes resultados, que poderão definir novas diretrizes e recomendações de uso do lenacapavir como uma ferramenta essencial na prevenção do HIV. A luta contra a AIDS pode estar prestes a conhecer um dos seus mais eficazes aliados no combate a esta epidemia global.

SUS passa a fornecer rivastigmina, medicamento autorizado para Parkinson e demência

SUS passa a fornecer rivastigmina, medicamento autorizado para Parkinson e demência - Foto: reprodução
SUS passa a fornecer rivastigmina, medicamento autorizado para Parkinson e demência – Foto: reprodução

O Ministério da Saúde publicou, na última sexta-feira (21), a portaria de incorporação da rivastigmina, único medicamento com registro em bula no país para tratamento de pacientes com doença de Parkinson e demência. Com recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) , o tratamento tem se mostrado eficaz para o controle dos sintomas cognitivos da doença e sua oferta no SUS representa um grande ganho para pessoas que convivem com a condição.

O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, sendo menos frequente apenas do que a doença de Alzheimer – condição que já conta com a rivastigmina na rede pública de saúde. Dados do relatório avaliado pela Conitec revelam que há entre 100 e 200 casos de doença de Parkinson para cada 100 mil indivíduos com mais de 40 anos, e essa quantidade aumenta significativamente depois dos 60 anos de idade.

Cerca de 30% das pessoas que vivem com a doença desenvolvem demência por associação. Nesse caso, não havia, até o momento, tratamento medicamentoso disponível no SUS. A demência causa lentidão cognitiva, déficits de atenção e memória, bem como alucinações, delírios e apatia.

Para o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde , Carlos Gadelha, a decisão de incorporação tem foco em melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares. “Sabemos que o envelhecimento da nossa população já é uma realidade. A doença de Parkinson não tem cura e tem afetado parcela significativa de brasileiros e essas pessoas, seus familiares e cuidadores precisam contar com o SUS para terem acesso a tratamentos que propiciem uma vida melhor”, afirmou.

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Parkinson, os principais objetivos do tratamento são deter a progressão da doença e diminuir os sintomas. A rivastigmina, recentemente incorporada, estará indicada para pacientes com demência associada, mas o SUS já conta com tratamentos medicamentosos e fisioterapêuticos, implantes de eletrodos e geradores de pulsos para estimulação cerebral para pessoas que vivem com a doença de Parkinson.

Pacientes com mais uma opção de tratamento

Na última semana, foi publicada a incorporação do pamoato de pasireotida, medicamento para controle de tumor, dos sintomas e redução de complicações em pacientes com acromegalia. O medicamento será incluído no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença para pessoas que não conseguiram respostas ou possuem contraindicação em realizar as demais opções de tratamento disponibilizadas no SUS, incluindo a cirurgia para retirada do tumor e o tratamento medicamentoso.

A acromegalia é uma doença rara e crônica de desenvolvimento lento e silencioso, causada pela produção excessiva de hormônios de crescimento. Essa alteração hormonal pode causar efeitos diversos, sendo mais característico o crescimento exagerado de partes do corpo como mãos, pés, nariz, lábios, língua, queixo, testa e orelhas. A doença também pode provocar alterações visuais, paralisia de nervos cranianos, dores de cabeça, insuficiência cardíaca, entre outros. A maior parte dos casos da acromegalia são decorrentes de tumor benigno na hipófise, glândula responsável pela síntese de hormônios de crescimento.

A condição reduz a expectativa de vida em até dez anos e afeta bastante a qualidade de vida. Pessoas com acromegalia tendem a lidar com limitações importantes na rotina e na realização das atividades cotidianas e, consequentemente, com a perda de autonomia.

O tratamento com a passireotide busca controle dos hormônios e da proteína relacionada ao crescimento e redução do tamanho tumoral, reduzindo sintomas e comorbidades dos pacientes com a doença. O medicamento demonstrou benefícios nessa linha de tratamento, como redução do tumor e controle da doença para pacientes com contraindicação ou sem boa resposta com os demais tratamentos ofertados, contribuindo para melhora na qualidade de vida.

Santa Casa de Passos gasta R$ 330 mil com medicamento em falta

Santa Casa de Passos gasta R$ 330 mil com medicamento em falta – Foto: reprodução

O Hospital Regional do Câncer (HRC), unidade oncológica da Santa Casa de Passos, enfrenta dificuldades para encontrar o medicamento Trastuzumabe, utilizado no combate ao câncer de mama. Segundo a instituição, a preocupação é crescente devido à falta no fornecimento do remédio, que é considerado vital para os pacientes. Para evitar interrupção nos tratamentos, a Santa Casa desembolsou R$ 330,9 mil para comprar 228 frascos.

O HRC, atualmente, atende 79 pacientes que necessitam de tratamento contínuo com o Trastuzumabe 150 mg. Este medicamento, essencial no enfrentamento do câncer de mama, é fornecido pelo Ministério da Saúde por meio das secretarias de Saúde dos estados. Contudo, desde julho deste ano a instituição tem cobrado repetidamente a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) sobre a deficiência no fornecimento do medicamento.

De acordo com o HRC, no dia 10 de julho, o hospital solicitou 220 frascos de Trastuzumabe para o tratamento de 69 pacientes que já estavam em tratamento contínuo com a medicação.

No entanto, apenas 84 frascos foram liberados pela SES, quantidade insuficiente para atender a todos os pacientes que dependem desse tratamento essencial. Posteriormente, em 9 de agosto, o hospital fez uma nova solicitação, desta vez para 300 frascos, mas nenhuma quantidade do medicamento foi liberada.

No decorrer do mês de agosto e início setembro de 2023 houve a indicação de outros 10 pacientes, totalizando 79 pacientes que dependem do Trastuzumabe, seja para manter seus tratamentos em andamento ou para o início casos novos.

Essa situação coloca em evidência a urgente necessidade de uma solução para garantir o fornecimento constante e adequado desse medicamento fundamental para o enfrentamento contra o câncer de mama, aponta a Santa Casa.

Segundo a instituição, como medida para evitar a interrupção do tratamento de pacientes que já haviam iniciado o uso do Trastuzumabe, a Santa Casa assumiu os custos e desembolsou R$ 330.995,80 para adquirir 228 frascos, que foram utilizados para garantir que os pacientes continuem a receber o tratamento. Neste momento a instituição aguarda a restituição da medicação.

Ministério

O Ministério da Saúde informa, em nota, que um pedido de antecipação da próxima entrega já foi feito ao laboratório, que está atento ao cumprimento dos prazos contratuais e ao cronograma de abastecimento de medicamentos e que vai repassar as doses que faltam a Minas Gerais no prazo.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) esclareceu que, sobre alguns medicamentos oncológicos, como o caso do Trastuzumabe, o Ministério da Saúde assumiu a aquisição centralizada e distribui esse item trimestralmente aos estados, e que a SES faz apenas a logística de distribuição. (Clic Folha)

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