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Jornal Folha Regional

VÍDEO: médico salva o próprio filho engasgado com bolinha de isopor e ‘desaba’ de emoção em Minas

Uma câmera de segurança instalada em uma residência registrou uma cena de tensão e emoção no último domingo (12), em Minas Gerais. As imagens mostram o médico Allysson D’Ângelo salvando o próprio filho, que havia se engasgado com uma pequena bolinha de isopor. Após conseguir desobstruir as vias aéreas da criança, ele se deita no chão e chora, aliviado com o desfecho.

O episódio aconteceu por volta das 11h46. Allysson é diretor da Santa Casa de São João del-Rei, especialista em Medicina Nuclear, professor da disciplina de Emergência e atuou por nove anos no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Juiz de Fora.

Ao compartilhar o vídeo nas redes sociais, o médico revelou que enfrentou o momento mais difícil de sua vida ao perceber que o filho não conseguia respirar. Segundo ele, a experiência profissional e o treinamento em suporte básico de vida foram fundamentais para identificar rapidamente a gravidade da situação e aplicar corretamente as manobras de desengasgo.

“Felizmente, graças ao treinamento em suporte básico de vida, consegui reconhecer o que estava acontecendo e realizar as manobras corretas para desobstruir as vias aéreas”, escreveu na publicação.

As imagens mostram o momento em que o pai segura a criança e executa as técnicas necessárias até que ela volte a respirar normalmente. Assim que percebe que o filho está fora de perigo, ele não consegue conter a emoção.

“No final do vídeo, eu desabo. Não de fraqueza, mas porque só naquele momento a ficha caiu do que poderia ter acontecido”, relatou.

Segundo Allysson, a decisão de divulgar o vídeo teve como principal objetivo conscientizar pais e responsáveis sobre a importância de conhecer procedimentos básicos de primeiros socorros. Para ele, situações de engasgo podem acontecer de forma inesperada e exigem uma resposta rápida.

“O engasgo é uma emergência que pode acontecer com qualquer criança, em qualquer casa e em questão de segundos. Saber como agir faz toda a diferença entre a vida e a morte”, destacou o médico.

Médico ganha destaque com abordagem personalizada no emagrecimento e saúde metabólica em Passos

Médico ganha destaque com abordagem personalizada no emagrecimento e saúde metabólica em Passos – arquivo pessoal

O aumento da obesidade tem preocupado profissionais de saúde em todo o mundo. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de metade da população adulta poderá estar acima do peso até 2030.

Em meio a esse cenário, cresce também a procura por tratamentos mais seguros, individualizados e baseados em evidências científicas.

Em Passos (MG), o Dr. Victor Freitas vem chamando atenção pela atuação voltada ao emagrecimento saudável, saúde metabólica, qualidade de vida e longevidade.

Segundo o médico, o emagrecimento precisa ser tratado de forma individualizada, respeitando metabolismo, rotina, hábitos, composição corporal e histórico clínico de cada paciente.

“Cada corpo responde de uma forma. O emagrecimento vai muito além de dieta. Existem fatores hormonais, metabólicos, comportamentais e inflamatórios que precisam ser avaliados com precisão”, explica.

ESTRATÉGIAS PERSONALIZADAS

Com a popularização de protocolos prontos nas redes sociais, o médico alerta para os riscos de abordagens genéricas e sem acompanhamento adequado.

“Muitas pessoas tentam métodos extremos, fazem restrições exageradas ou usam medicações sem critério. Isso pode gerar perda de massa muscular, efeito sanfona e prejuízos à saúde”, destaca.

Além da avaliação clínica, Dr. Victor utiliza ferramentas como bioimpedância e análise metabólica para acompanhar composição corporal, evolução e resposta individual ao tratamento.

Segundo ele, fatores como sono, alimentação, energia, nível de atividade física, histórico de tentativas frustradas e saúde emocional também influenciam diretamente os resultados.

CIÊNCIA, HÁBITOS E LONGEVIDADE

Para o médico, a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, assim como hipertensão e diabetes, exigindo acompanhamento adequado e estratégias sustentáveis a longo prazo.

“A obesidade não é falta de força de vontade. É uma condição complexa, que precisa ser tratada com ciência, responsabilidade e acompanhamento individualizado”, afirma.

A proposta do acompanhamento, segundo ele, é unir medicina baseada em evidência, mudança de hábitos e melhora da composição corporal, sempre priorizando saúde e qualidade de vida.

ALERTA SOBRE AUTOMEDICAÇÃO E DIETAS RADICAIS

Dr. Victor Freitas também alerta sobre o crescimento da automedicação e do uso indiscriminado de substâncias para emagrecimento.

“Hoje existe muita informação superficial nas redes sociais. O problema é quando as pessoas começam tratamentos sem avaliação adequada, sem acompanhamento e sem entender os riscos envolvidos”, ressalta.

Segundo ele, o objetivo do tratamento não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas construir resultados sustentáveis e preservar saúde, disposição e massa muscular.

📍Passos – MG
📲 Instagram: @drvictorafreitas

Justiça condena médico, empresa e ex-diretora de Saúde por fraude em atendimentos médicos em Carmo do Rio Claro

Justiça condena médico, empresa e ex-diretora de Saúde por fraude em atendimentos médicos em Carmo do Rio Claro – Foto: reprodução

A Justiça acolheu integralmente pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e condenou um médico, a empresa da qual é sócio e a então diretora do Departamento Municipal de Saúde de Carmo do Rio Claro por atos de improbidade administrativa relacionados à fraude na prestação de serviços de saúde no município do Sul do estado.

A sentença, proferida pela Vara Única da Comarca de Carmo do Rio Claro, reconheceu que o médico, por meio de sua empresa, forjou centenas de atendimentos médicos para receber pagamentos indevidos do Município, causando prejuízo ao Fundo Municipal de Saúde. A ex-diretora de Saúde foi condenada por facilitar e permitir a continuidade das irregularidades, ao suprimir mecanismos de fiscalização interna mesmo após ter sido alertada sobre as inconsistências.

Conforme demonstrado na Ação Civil Pública ajuizada pela Promotoria de Justiça de Carmo do Rio Claro, o médico mantinha simultaneamente três vínculos com o município: contrato administrativo com carga horária fixa, credenciamento por produtividade — com pagamento por consulta realizada — e cargo comissionado responsável pela avaliação e controle da produção médica.

A investigação e a instrução processual comprovaram que, no período analisado, foram lançadas indevidamente 599 consultas médicas que não ocorreram, incluindo registros de pacientes que não passaram pelo atendimento, cobrança por entrega de receitas sem consulta e duplicidade de pagamento por atendimentos já realizados durante o horário regular de trabalho.

O prejuízo causado aos cofres públicos foi inicialmente apurado em R$ 16.772,00, valor que, após atualização monetária, alcançou R$ 36.017,87.

Na decisão, o Juízo destacou que a conduta do médico e de sua empresa configurou ato doloso de improbidade administrativa com enriquecimento ilícito. Em relação à então diretora municipal de Saúde, ficou caracterizado que ela atuou de forma consciente para viabilizar o esquema, ao retirar das servidoras da unidade de saúde a atribuição de conferir os relatórios de produção, permitindo o pagamento baseado exclusivamente nos documentos apresentados pelo próprio médico.

Os réus foram condenados, de forma solidária, ao ressarcimento integral do dano ao erário, no valor de R$ 36.017,87, pagamento de multa civil e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais por cinco anos. Ao médico e à ex-diretora de Saúde também foram impostas as penas de perda da função pública relacionada aos fatos e suspensão dos direitos políticos por cinco anos.

Ainda cabe recurso da decisão.

Médico é preso em São Sebastião do Paraíso por posse de material pornográfico infantil

Médico é preso em São Sebastião do Paraíso por posse de material pornográfico infantil – Foto: Polícia Civil

Um médico de 62 anos foi preso em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, suspeito de armazenar material pornográfico infantil explícito. A ação foi realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais após o recebimento de uma denúncia.

De acordo com a polícia, a investigação teve início quando um morador da região, que seria vizinho do suspeito, procurou a delegacia. Ele relatou ter presenciado o médico assistindo a conteúdos de pornografia infantil e afirmou ter registrado a situação em vídeo, material que foi entregue às autoridades.

Com base nas informações e nas imagens, os policiais foram até a clínica onde o médico trabalha, mas ele não estava no local no momento da chegada da equipe. Pouco depois, o suspeito compareceu e foi informado sobre a denúncia.

Na sequência, os investigadores realizaram buscas no apartamento do médico, onde apreenderam uma televisão e um aparelho celular que podem ter sido utilizados para acesso ao conteúdo investigado.

Durante depoimento, o médico afirmou que teria acessado o material de forma rápida após realizar uma pesquisa na internet, alegando que apenas clicou em opções apresentadas, sem detalhar o teor do conteúdo.

Após os procedimentos iniciais, ele foi encaminhado para exame médico e, posteriormente, levado à delegacia, onde permaneceu sob custódia. Durante toda a ocorrência, o suspeito esteve acompanhado por uma advogada.

Em nota, a defesa informou que só irá se pronunciar após analisar integralmente o caso. Ressaltou ainda que o profissional possui carreira consolidada, sem histórico negativo, e reforçou o direito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa, pedindo que não haja julgamentos antecipados.

Paralelamente, a Polícia Federal do Brasil realizou, nesta terça-feira, uma operação nacional de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. No Sul de Minas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de Lavras e Santo Antônio do Amparo.

Médico de 32 anos morre enquanto trabalhava em unidade de saúde em Bambuí

Médico de 32 anos morre enquanto trabalhava em unidade de saúde em Bambuí – Foto: Redes sociais

Um médico de 32 anos morreu enquanto trabalhava em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Bambuí (MG), na Região Centro-Oeste. Segundo a imprensa local, Matheus Vieira Braga Mattos sofreu um infarto fulminante na manhã de quarta-feira (1º/4).

O médico atuava em diferentes locais ligados à saúde pública da cidade, que demonstraram comoção com a sua morte. O Hospital Nossa Senhora do Brasil, no Centro de Bambuí, e a UBS Dr. Jandir Chaves, no Bairro Campos, onde ele trabalhava durante o ocorrido, divulgaram notas de pesar. Já a prefeitura, em conjunto com a Secretária Municipal de Saúde, agradeceu os serviços prestados por Matheus nas suas redes sociais.

Segundo informações divulgadas pela companheira de Matheus, Nathália Marconi Campos, também médica da cidade, o velório e sepultamento vão ocorrer nesta sexta-feira (3/4), das 8h as 12h, no Cemitério Jardim das Palmeiras, no Bairro Jardim das Palmeiras, em Goiânia (GO).

Conforme informações do Conselho Federal de Medicina, o médico tem registro de trabalho em Goiás e também estudou na Universidade de Rio Verde, município do mesmo estado.

Médico passense vence o Prêmio Jabuti 2025 com livro que retrata epidemia do HIV no Brasil

Médico passense vence o Prêmio Jabuti 2025 com livro que retrata epidemia do HIV no Brasil – Vídeo: Instagram/Marcelo Henrique

O médico e escritor Marcelo Henrique Silva, natural de Passos (MG), conquistou um feito histórico: foi o grande vencedor do Prêmio Jabuti 2025, o mais importante reconhecimento literário do país, na categoria “Eixo de Inovação – Escritor Estreante”, com o livro “Sangue Neon”.

A obra, que marca sua estreia na literatura, nasce de uma trajetória profundamente humana. Atuando há cerca de seis anos na saúde pública, Marcelo transformou suas vivências profissionais e pessoais em narrativa. O romance percorre o drama e a resistência de personagens como travestis, profissionais da saúde e comissários de bordo que lutam para sobreviver ao caos da chegada da epidemia do HIV no Brasil, entrelaçando essas histórias aos bastidores da criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mais do que ficção, “Sangue Neon” reflete um olhar sensível sobre a construção coletiva da saúde pública brasileira e sobre a dignidade em meio à tragédia. Para o autor, o prêmio representa não apenas o reconhecimento de um trabalho literário, mas também a celebração de um caminho que une arte e compromisso social. Marcelo destaca a alegria de poder levar o troféu para Minas Gerais e para sua cidade natal, Passos, sentimento que descreve como uma profunda honra e gratidão por representar seu estado e sua terra de origem em um dos palcos mais prestigiados da literatura nacional.

A cerimônia de premiação aconteceu no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, reunindo escritores, editores e profissionais do setor em uma noite de celebração da literatura brasileira.

Criado em 1959 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é considerado o mais tradicional do país e contempla 23 categorias distribuídas entre os eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Em 2025, o reconhecimento consagrou não apenas uma nova voz literária, mas também uma história de vida que pulsa entre a medicina e a arte.

Médico passense vence o Prêmio Jabuti 2025 com livro que retrata epidemia do HIV no Brasil – Foto: Instagram/Marcelo Henrique
Médico passense vence o Prêmio Jabuti 2025 com livro que retrata epidemia do HIV no Brasil – Foto: Instagram/Marcelo Henrique

Médico do SUS viraliza ao mostrar presentes recebidos de pacientes da zona rural

Médico do SUS viraliza ao mostrar presentes recebidos de pacientes da zona rural – Foto: reprodução/Instagram

O médico Douglas Ciríaco, de 26 anos, viralizou nas redes sociais ao compartilhar os presentes que recebe de pacientes da zona rural de Ouro Branco, no sertão de Alagoas. Atuando como clínico geral do Sistema Único de Saúde (SUS) em uma unidade básica, ele é o único profissional de saúde responsável por atender moradores de dez sítios da região.

Natural de Arapiraca (AL), Douglas contou que sua trajetória sempre esteve ligada ao serviço público.

“Eu sou médico do SUS. Nunca cobrei por uma consulta. Então, quando os pacientes me entregam esses presentes, não vejo como pagamento, mas como um carinho. É o reconhecimento mais puro pelo meu trabalho”, afirmou.

Nas redes sociais, o jovem costuma compartilhar as lembranças recebidas após as consultas. Entre os presentes inusitados estão um galo, ovos, abóbora, acerola, abacate, milho e feijão de corda — símbolos da gratidão dos moradores pelo atendimento.

Médico é agredido por paciente durante atendimento da UPA de Passos

Médico é agredido por paciente durante atendimento da UPA de Passos – Vídeo: redes sociais

Um médico foi agredido enquanto trabalhava, na última quinta-feira (5), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Passos (MG). Dr. Gabriel Araújo denunciou o episódio de violência sofrido no exercício da profissão e fez um apelo por mais respeito e segurança nos atendimentos de urgência.

‘’Venho, por meio desta, manifestar meu mais profundo repúdio e indignação diante do lamentável episódio ocorrido durante meu plantão na UPA’’, publicou o médico.

O profissional relatou que enquanto exercia suas funções como médico plantonista, foi surpreendido por uma atitude extremamente agressiva por parte de uma paciente que, insatisfeita com a conduta clínica do médico, proferiu ofensas verbais e partiu para agressões físicas, chegando a arremessar objetos — incluindo um computador — dentro da unidade. ‘’Tal comportamento colocou em risco não apenas a minha integridade, mas também a de outros pacientes e profissionais presentes’’.

Segundo o médico, a situação se agravou ainda mais quando outros pacientes na unidade, sem sequer conhecer os detalhes do atendimento, passaram a incentivar a agressora a continuar com os ataques, criando um clima de tensão e hostilidade generalizada. ‘’Foi necessária a intervenção do segurança da UPA para conter a paciente e restaurar minimamente a ordem no local’’.

Dr. Gabriel disse que atua sempre com base em critérios técnicos, éticos e humanos. No atendimento à referida paciente, ele informou que priorizou a investigação da dor torácica relatada, por se tratar de um sintoma que pode indicar risco de vida, como infarto ou outras condições cardíacas graves. Ele informou que a paciente permaneceria em observação para, em seguida, dar continuidade à investigação da dor lateral. ‘’Essa conduta está totalmente respaldada pelos protocolos médicos e visa justamente preservar a vida e a saúde do paciente’’.

O médico contou que ao explicar a situação, a paciente interpretou como negligência, o que não corresponde com a realidade.

‘’Nenhum profissional da saúde deve ser agredido ou desrespeitado por exercer sua função com seriedade e compromisso. Atitudes como essa são inaceitáveis e precisam ser denunciadas com firmeza. Não podemos permitir que a violência seja naturalizada no ambiente de saúde’’, relatou.

Lavrador do Sul de Minas, alfabetizado aos 19 anos, vira médico e lança livro

José Reinaldo foi alfabetizado aos 19 anos e conquistou o sonho de médico aos 38. Hoje, aos 46, ele lança o segundo livro e participará de congresso internacional - Foto: arquivo pessoal
José Reinaldo foi alfabetizado aos 19 anos e conquistou o sonho de médico aos 38. Hoje, aos 46, ele lança o segundo livro e participará de congresso internacional – Foto: arquivo pessoal

“Dos cafezais aos hospitais”. A frase não só define, em poucas palavras, a trajetória de José Reinaldo Rosa Lopes, como também nomeia o primeiro livro lançado pelo lavrador que superou a baixa escolaridade e a falta de dinheiro, conseguindo se alfabetizar aos 19 anos e conquistar, aos 38, o sonho de ser médico.

Agora, aos 46, José se prepara para contar sobre sua história e sua segunda obra, “Dos cafezais à Medicina do Trabalho”, em um congresso internacional em Belo Horizonte.

Natural de Monte Belo, no Sul de Minas Gerais, o médico deixou a escola aos 14 anos para trabalhar na roça. “Nunca frequentei a escola como deveria. Meus pais saíam para trabalhar, eram cortadores de cana-de-açúcar, tinham muitos filhos para criar. Eu ia para a escola para comer, tomava uma sopa e ia para a rua até meus pais voltarem”, relembra.

O médico, então, parou de estudar para começar a trabalhar. “Fui plantar e colher café, cortar cana para fazer cachaça e cuidar do gado. Saí sem saber ler e escrever direito, analfabeto funcional”, diz. Em um dado momento, no entanto, José Reinaldo precisou acompanhar uma irmã no hospital, que ficou dois meses internada. “Lá eu me apaixonei pela medicina. Depois da alta, saí com o desejo de me tornar médico. Resolvi ‘arregaçar as mangas’ e voltar aos estudos”, conta.

Caminho até a medicina

Na época, José realizou o supletivo com auxílio do programa Telecurso 2000 para concluir o ensino médio. “Assisti às aulas noturnas, comprei todas as apostilas e acordava sempre nos horários que passavam as aulas. Ao mesmo tempo continuei trabalhando na roça”. 

Aos 22 anos, o médico foi aprovado no curso profissionalizante de enfermagem. “Eu era muito inocente, não sabia que medicina era tão concorrido, que precisava de uma boa formação básica e prestar vestibular. Não tinha noção dessas coisas. Conversei com uma das médicas que cuidou da minha irmã na internação e ela me explicou algumas coisas, mas grande parte fui descobrindo sozinho”, recorda. Assim, José Reinaldo conquistou seus primeiros estágios como auxiliar de enfermagem, em dois hospitais. 

Dez anos depois, o médico deu mais um passo em direção ao sonho e se tornou o primeiro da família a chegar à faculdade. “Passei em uma universidade particular de Ribeirão Preto, em São Paulo. A reitora da instituição ficou sabendo da minha batalha desde os 19 (anos) e me ofereceu uma bolsa de estudos de 100%”, recorda. 

Durante o curso, ele comenta que sentiu a “sequela” dos estudos e que precisou se esforçar mais do que aqueles que possuíam uma base escolar. “Fiquei mais tempo na biblioteca, comecei a ler mais, principalmente Guimarães Rosa, e tomei gosto pela literatura. Mas nunca me deixei pensar que era inferior aos outros, eu estava ali de igual para igual”, afirma José.

Seu pensamento o impulsionou ao longo dos seis anos de curso, até concretizar seu desejo e chegar à tão esperada formatura, e finalmente conquistar o diploma. 

Medicina do Trabalho

Hoje, José Reinaldo atua na Santa Casa de Areado, onde reside, no Sul de Minas, como diretor-técnico. Além disso, é médico reconhecido pela Associação Brasileira de Medicina do Trabalho (ABMT), especialidade que lida com as relações entre a saúde dos homens e mulheres trabalhadores e seu trabalho, especialmente nos cafezais, visando não somente a prevenção das doenças e dos acidentes do trabalho, mas a promoção da saúde e da qualidade de vida. 

Obras literárias

José Reinaldo já lançou dois livros, sendo o primeiro “Dos cafezais aos hospitais”, uma espécie de autobiografia que narra as dificuldades superadas até conseguir realizar o sonho. A verba da obra foi toda destinada à Santa Casa. 

Já o último, intitulado “Dos cafezais à Medicina do Trabalho”, discorre sobre a trajetória como médico. “Os dois são uma forma de inspirar outras pessoas que não tiveram oportunidade de estudar, ou que acham que não dá tempo”, ressalta. 

Congresso Internacional

José Reinaldo se prepara agora para participar do 1º Congresso Internacional da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (I CIEL), que ocorre nos dias 21 e 22 de outubro de 2024 no Teatro Feluma, em Belo Horizonte. “Vou contar um pouco da minha história, embora eu não seja um palestrante, o intuito é passar um incentivo para o público”, conclui.

Médico passense ganha prêmio do Grupo Editorial Alta Books

Astério Moreira de Santana Neto e Marcelo Henrique Silva, vencedores do 1º Prêmio Alta Literatura Foto: Divulgação
Astério Moreira de Santana Neto e Marcelo Henrique Silva, vencedores do 1º Prêmio Alta Literatura Foto: Divulgação

O Grupo Editorial Alta Books acaba de anunciar os vencedores da primeira edição do Prêmio Alta Literatura. Astério Moreira de Santana Neto ganhou a categoria não estreante com o livro A Morte da Finada, de realismo mágico. Já o médico passense Marcelo Henrique Silva conquistou a categoria estreante com o romance histórico Sangue Neon.

Além da publicação das obras, o autor não estreante recebe um prêmio de R$ 60 mil, enquanto o estreante recebe R$ 20 mil. Neste segunda categoria, outros dez selecionados ganham uma oficina de escrita criativa. São eles: Adriane Garcia Pereira, Ana Maria da Silva Souza Rodrigues, Angela Issler Marsiaj, Carla Íria Perim Guerson, Guilherme Augusto Trigo Doin, João Matias de Oliveira Neto, Jordão Alves da Cruz Filho, Paulo Furnari Gama, Pedro Felipe Wosch de Carvalho, Raphael Geraldo Gomes

Ao todo, foram 850 inscrições, 60% homens e 40% mulheres. Os jurados da categoria não estreante foram Natalia Timerman, Socorro Acioli e Jeferson Tenório. Já os jurados que avaliaram os livros de estreantes foram Eliane Robert Moraes, Luiz Antonio de Assis Brasil e Luiz Ruffato.

Em comunicado à imprensa, Rodrigo de Faria e Silva, que idealizou o concurso com o CEO da Alta Books, Gorki Starlin, disse que a premiação “foi um sucesso tanto pelo número de inscritos quanto pela qualidade das obras submetidas, mostrando que a produção literária contemporânea brasileira está a todo vapor.”

VENCEDORES

Marcelo Henrique Silva nasceu em Passos, mas hoje mora em Belo Horizonte. É médico e atuou na linha de frente durante a pandemia de covid-19. Tem como foco o cuidado de grupos vulneráveis, minorias e pacientes oncológicos.

Sangue Neon é ambientado entre os anos 1970 e 1990, quando a epidemia de aids chegou ao Brasil. Inspirado em eventos reais, ele segue diferentes personagens que se cruzam na luta contra a doença e a discriminação sofrida naquele período.

Astério Moreira de Santana Neto nasceu em 1992 em Tucano, município do sertão baiano. Além de escritor, é advogado, formado em Direito pela Universidade do Estado da Bahia. Seu primeiro livro, Desgosto, foi publicado em 2022 pela editora Mondrongo e retrata uma vila na Bahia cujos habitantes sofrem de uma epidemia de desgosto.

A Morte da Finada, livro que ganhou o prêmio, segue a história de uma jovem do sertão nordestino que conta sua vida a partir dos acontecimentos que levaram à sua morte. A obra aborda a experiência da mulher em um sertão marcado por “machismo, opressão financeira, religiosidade, superstição e moralismo severo.”

LEIA TRECHO DE SANGUE NEON:

“Antes do bisturi havia o corpo. Depois, o objeto. Uma vez abertas as fibras superficiais da pele e do tecido subcutâneo e expostos os feixes vásculo-fibrosos de acordo com a habilidade de dissecação do anatomista, não havia mais pessoa havia página. Era carne que se descortinava ao conhecimento como folhas de um livro definitivo. O que se deitava na maca não era alguém, mas algo. E como todo algo: passível de ser manuseado. Um brinquedo de montar e desmontar com instruções complicadas e peças redundantes. Para cada parte, um código sofisticado a ser decifrado. Naquele estudo havia um roteiro específico a se seguir: localizar o plexo e identificar seus componentes com alfinetes coloridos. Era preciso muito cuidado: um movimento errado, um apertar indelicado e o tecido se rebenta e se perde, torna-se inútil. E o que um dia foi corpo e depois se tornou objeto, torna-se por fim nada.

Míseros alunos àquele tempo, incomodavam-se somente com o bafo ácido do formol que lacrimejava pelas córneas e sugava a umidade das pontas dos dedos, como um veneno devorando tônus e impressões digitais. As figuras desenhadas pelos atlas eram comparadas com as peças expostas quase como quem compara uma obra de arte com o mundo real. Cada grupo de seis estudantes se reunia ao redor do corpo designado para si. Ouviam com atenção as demonstrações dos monitores e fingiam tomar notas. Grafites riscavam papeis em vão.

O plexo braquial era uma malha de troncos nervosos sob a axila que ora se ramificavam ora se confluíam à medida que ganhavam o membro, carregando em suas bainhas o que um dia foi uma intensa corrente elétrica que fazia aquele corpo levantar os braços, dançar e abraçar. Que conduziam aquelas pernas pelas ruas, que doía, que dava prazer e sentia medo. Somente meninos, não pensavam nessas coisas. O objetivo era decifrar o mistério do plexo e nada além. Alguns desenhavam, outros faziam esquemas e mnemônicos e uns simplesmente aceitavam: há coisas que não se podem entender. Depois da prova nem sabiam mais por onde andava o tal plexo e já procuravam decorar o próximo tópico da ementa.

Os monitores eram sempre os últimos a deixar o anatômico, guardiões responsáveis por organizar as pranchetas e recolher as peças. Saíam os calouros todos rapidamente, tinham fome e sede, queriam comer o ar, jogar água na cara e lavar o cabelo. Queriam ver gente viva e se sentirem vivos por ainda não estarem dissecados, por ainda não serem páginas. A padiola rangeu e ela olhou, curiosa. A maca possuía duas alças articuladas em aço inox, facilitando o manuseio do cadáver para a carga e descarga daqueles corpos no tanque.

Não aquele, mas aquilo, como toda matéria, como toda substância. Ordinária em vida, infundado conjunto de células e tecidos e sistemas e organismos desprovidos de significado, a não ser o que faziam de si mesmos. Mas que depois de dissecada era enfim útil, tornava-se nobre, conveniente, ganhava status divino. A peça sobre a qual se extraía a dádiva do aprendizado.

A caloura arriscou perguntar quem era, tentando imputar alguma essência à ideia de identidade. O monitor olhou confuso para a face das duas figuras femininas, a viva e a morta, como se comparasse os traços e tentasse identificar assimetrias. Depois estacionou a visão sobre a genitália _ da morta, não da viva _ ocultando um sorriso cínico de quem faz uma descoberta. Não moça, era uma traveca, viviam matando e morrendo.

A figura sorriu _ a viva, não a morta _ e rezou para que seu caminho nunca se cruzasse com uma daquelas _ viva”. (Observo)

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