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Jornal Folha Regional

Minas lidera autuações por embriaguez ao volante e registra alta letalidade nas rodovias

Minas lidera autuações por embriaguez ao volante e registra alta letalidade nas rodovias – Foto: reprodução

No dia em que a Lei Seca (Lei Federal nº 11.705/2008) completa 18 anos, Minas Gerais aparece no topo do ranking nacional de autuações relacionadas à embriaguez ao volante nas rodovias federais. Os números revelam que, apesar dos avanços na legislação, o estado ainda enfrenta um desafio persistente: mudar a cultura que normaliza o ato de beber e dirigir.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), analisados pela Associação de Clínicas de Trânsito (Actrans) de Minas Gerais, mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 657 infrações por teste positivo de etilômetro nas rodovias federais mineiras. Além disso, 2.770 motoristas se recusaram a realizar o teste do bafômetro.

Somadas, as duas categorias resultam em 3.427 infrações, o equivalente a 22% de todas as autuações por alcoolemia registradas pela PRF em todo o país. Na prática, os dados indicam que, diariamente, pelo menos 22 motoristas alcoolizados são flagrados circulando pelas estradas de Minas Gerais.

O problema se torna ainda mais grave quando analisados os acidentes causados pela combinação de álcool e direção. Nos cinco primeiros meses de 2026, Minas registrou 127 acidentes provocados diretamente pela ingestão de bebida alcoólica por parte dos condutores. Embora o estado ocupe a terceira posição em número de ocorrências e de feridos, com 114 vítimas, aparece em segundo lugar no ranking nacional de mortes.

Foram nove óbitos no período, o que representa 10,71% das 84 mortes registradas em todo o país em acidentes relacionados à embriaguez ao volante.

O cenário preocupa quem percorre diariamente rodovias como as BRs 040, 381, 135 e 262, além da MGC-135. O caminhoneiro Marco Giovani, de 24 anos, acredita que a Lei Seca tem efeito positivo, especialmente entre os condutores de veículos de grande porte, mas faz críticas aos motoristas de automóveis.

“O pessoal de carro pequeno pula muito as normas, não obedece muito a Lei Seca”.

Ele defende uma fiscalização mais rigorosa para esse grupo e afirma que muitos condutores deixam festas dirigindo sob efeito de álcool, aumentando o risco de acidentes.

“O pessoal corre demais”.

COMPORTAMENTO DE RISCO

A preocupação dos motoristas que respeitam as regras é confirmada por equipes de resgate que atuam nas rodovias. Profissionais da concessionária EPR Via Mineira, responsável pelo trecho da BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora, relatam encontrar frequentemente indícios de consumo de álcool durante atendimentos a acidentes.

Fotografias registradas pelas equipes de inspeção mostram não apenas a força dos impactos, mas também latas e garrafas de cerveja dentro dos veículos envolvidos. Em uma das imagens analisadas pela reportagem, uma bolsa térmica aberta continha uma lata de cerveja, sugerindo que a bebida era mantida gelada para consumo durante a viagem.

“Conseguimos ver que há embalagens de bebidas ali (nos veículos) já utilizadas, por exemplo, uma garrafa de cerveja ainda gelada, e a pessoa (ao volante) com comportamentos diferentes de um motorista que não fez o uso de bebida alcoólica”, explica o gerente de operações da EPR Via Mineira, Anderson Finco.

O gerente chama atenção para o aumento do consumo de álcool durante eventos festivos, especialmente em junho, período marcado pelas festas juninas e pela exibição de jogos da Copa do Mundo.

“Até mesmo em eventos de grande público, como shows, entre outros, o fomento do consumo da bebida é notório. As pessoas acabam, por vezes, fazendo a opção errada”, diz Anderson.

A recomendação é que motoristas utilizem carros por aplicativo ou táxis para se deslocarem até esses eventos.

Embora a confirmação da embriaguez seja atribuição das autoridades policiais, a concessionária tem intensificado ações educativas sobre o tema. Neste mês, em que a Lei Seca completa 18 anos, a EPR Via Mineira promove atividades de conscientização em pontos estratégicos da BR-040. As ações já ocorreram em Belo Horizonte, Nova Lima, Juiz de Fora, Santos Dumont e Barbacena. Nesta sexta-feira, o trabalho será realizado na Unidade Operacional da PRF de Juiz de Fora, no km 769,9 da rodovia.

MINAS TEM UMA DAS MAIORES LETALIDADES DO PAÍS

Segundo dados da PRF, Santa Catarina lidera o número de acidentes causados por embriaguez ao volante, com 234 ocorrências, seguida pelo Paraná, com 180. Minas Gerais aparece em terceiro lugar, com 127 registros.

No entanto, quando o assunto é letalidade, o cenário mineiro é mais preocupante. Apesar de registrar quase o dobro de acidentes que Minas, Santa Catarina contabilizou apenas uma morte no período, resultando em uma taxa de letalidade de 0,4%.

Já em Minas Gerais, o índice alcança 7,1%, acima da média nacional de 5,8%. O dado demonstra que acidentes relacionados ao consumo de álcool tendem a ser mais graves e mais fatais nas rodovias do estado.

A diferença também aparece nas autuações. Minas lidera com 657 casos de teste positivo para alcoolemia. Em relação à recusa ao bafômetro, o estado registrou 2.770 ocorrências, muito acima dos números de Santa Catarina (1.198), Rio Grande do Sul (1.089) e Paraná (1.043).

Para o vice-presidente da Actrans, Carlos Luiz Souza, a liderança mineira está relacionada não apenas ao comportamento dos motoristas, mas também às características das rodovias do estado.

“Temos a maior e mais complexa malha rodoviária federal do país, caracterizada por curvas sinuosas, pista simples e um relevo extremamente acidentado. Adicionar álcool a essa equação geográfica é uma combinação catastrófica. Não há engenharia de tráfego ou tecnologia veicular no mundo que consiga salvar um motorista cujo tempo de reação foi destruído por duas ou três doses de bebida”, adverte.

Rodovias como as BRs 381, 040 e 262 concentram intenso fluxo de veículos de passeio, ônibus interestaduais e caminhões de carga, especialmente do setor de mineração. Muitas dessas vias possuem pista simples, relevo montanhoso e curvas acentuadas, fatores que reduzem a margem para erros.

A presidente da Actrans, Adalgisa Lopes, afirma que, nessas condições, a perda da capacidade reflexiva causada pelo álcool costuma ter consequências devastadoras.

“As rodovias federais de Minas Gerais não perdoam o erro. Enquanto em estados planos e com pistas duplicadas um motorista alcoolizado que sai da pista tem grandes chances de sobrevivência, aqui ele invade a contramão em pista simples e colide de frente com uma carreta de mineração”.

Segundo ela, o álcool reduz significativamente o campo visual, prejudica a percepção de profundidade e retarda o tempo de reação, fatores que podem definir a sobrevivência em rodovias de traçado complexo.

NATURALIZAÇÃO DO RISCO

Especialistas apontam que, apesar dos avanços da Lei Seca e do endurecimento das punições ao longo dos anos, a principal barreira para a redução dos acidentes continua sendo cultural.

“Os dados mostram que a barreira cultural e psicológica do motorista ainda é o maior obstáculo para salvar vidas. Enquanto a sociedade continuar tratando a combinação de álcool e direção como uma infração tolerável ou um deslize social, nossas rodovias continuarão despedaçando famílias”, completa Adalgisa.

A avaliação é compartilhada pelo advogado criminalista e especialista em Direito Penal Frederico Horta. Para ele, a legislação brasileira já alcançou um alto grau de maturidade e eficiência.

“Temos uma lei muito boa. Difícil é aplicá-la, fazer política pública, campanha, mudar a mentalidade, mudar os fatores que levam à ocorrência dos crimes. Problema de repressão nós já não temos mais nesse campo (da legislação). Nossa lei foi bastante alterada nos últimos anos, e essas alterações foram mais que suficientes. É uma lei bastante madura nesse aspecto, talvez uma das melhores leis do mundo. O problema agora é mesmo de cultura, de fiscalização, de política pública de controle e de prevenção”, diz Horta.

O especialista ressalta que fiscalizações frequentes aumentam a percepção de risco entre os motoristas e contribuem para a prevenção das infrações. Segundo ele, o que realmente inibe a prática é a certeza de que haverá fiscalização e punição, e não apenas a severidade da lei.

Nesse contexto, medidas como multas, perda de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), suspensão do direito de dirigir e retenção do veículo continuam sendo instrumentos importantes para desestimular a combinação entre álcool e direção.

Carreta com mais de 125 multas é apreendida pela Polícia Militar em MG

Carreta com mais de 125 multas é apreendida pela Polícia Militar em MG – Foto: divulgação

Uma fiscalização da Polícia Militar de Minas Gerais terminou com a retirada de circulação de um conjunto de carga que acumulava uma extensa lista de irregularidades. A ocorrência foi registrada nesta quarta-feira (11), durante patrulhamento no Km 614 da rodovia MGC-146, em Poços de Caldas (MG).

A princípio, os policiais constataram que o veículo trafegava com o licenciamento em atraso. No entanto, ao aprofundar a verificação nos sistemas, foi identificado que tanto o cavalo mecânico quanto o semirreboque possuíam restrições judiciais ativas e circulavam com o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) vencido.

O levantamento das pendências revelou um cenário ainda mais preocupante: mais de 125 multas estavam registradas para o conjunto. Desse total, 82 autuações eram por excesso de velocidade, evidenciando reincidência nesse tipo de infração. As demais multas correspondiam a diferentes violações das normas de trânsito, demonstrando descumprimento frequente das regras nas rodovias.

Diante das irregularidades constatadas, o conjunto foi retirado de circulação durante a ação policial.

Poços de Caldas arrecada R$ 5,6 milhões com multas de trânsito em 2024

Poços de Caldas arrecada R$ 5,6 milhões com multas de trânsito em 2024 - Foto: reprodução
Poços de Caldas arrecada R$ 5,6 milhões com multas de trânsito em 2024 – Foto: reprodução

A prefeitura de Poços de Caldas (MG) arrecadou R$ 5.564.399,72 com multas de trânsito em 2024. Ao longo do ano foram processadas 27.794 notificações de autuação no município, das quais 25.959 resultaram no pagamento de multas.

Segundo o coordenador de Educação e Mobilidade Urbana de Poços de Caldas, Jorge Alexsandro dos Santos, um dos principais motivos das multas é o uso de celular na direção.

De acordo com a administração municipal, os valores arrecadados são aplicados em ações voltadas à gestão e fiscalização do trânsito. Entre os investimentos estão a instalação de semáforos eletrônicos com botoeiras para cegos, novas viaturas para a fiscalização do trânsito e a construção de rotatórias programadas pela engenharia de trânsito.

Os recursos também são destinados para a compra de tintas e materiais para sinalização viária, aquisição de equipamentos de fiscalização, materiais para interdição de vias e contratação de empresas terceirizadas para serviços operacionais.

Ainda de acordo com a prefeitura, há ações de conscientização por meio de palestras em escolas e campanhas como o “maio amarelo” e a “semana nacional do trânsito”.

Via: G1

Prefeitura de Passos multa cerca de 160 proprietários de lotes sujos

Prefeitura de Passos multa cerca de 160 proprietários de lotes sujos - Foto: divulgação
Prefeitura de Passos multa cerca de 160 proprietários de lotes sujos – Foto: divulgação

O Departamento de Controle Urbanístico da Secretaria de Obras, Habitação e Serviços Urbanos de Passos multou cerca de 160 proprietários que teriam deixado imóveis, lotes ou terrenos sujos e sem conservação no município. As multas foram aplicadas entre 2024 e nos primeiros meses deste ano.

De acordo com o departamento, quatro editais de notificação, sendo três no ano passado e um em 2025, foram emitidos contra cerca de 200 proprietários, entre pessoas físicas e jurídicas, para solicitar a realização de limpeza do local, abrangendo a remoção de excesso de vegetação, lixo e entulho, mantendo o imóvel em condições adequadas de higiene e segurança, principalmente em razão da infestação pelo mosquito Aedes aegypti e do risco de epidemia.

O departamento aponta que as notificações servem, principalmente, quando os proprietários não são encontrados ou estejam com cadastros desatualizados.

Segundo o órgão, as maiores incidências de imóveis e terrenos sujos são identificadas em loteamentos novos com pouca habitação e em bairros com casas abandonadas. O departamento adverte que, após a notificação, o proprietário tem o prazo de cinco dias corridos para providenciar a limpeza.

“O ato posterior à notificação, se descumprida, implicará na aplicação de multa ao responsável, no valor de R$ 1,50 por metro quadrado do terreno, acrescido de R$ 1 por metro quadrado da área total, caso a limpeza seja executada pela administração municipal, em casos de lotes abertos”, aponta.

Conforme levantamento da Folha da Manhã, após consulta aos editais de notificação, o departamento abrangeu 393 imóveis, terrenos ou lotes em 2024 e, 88 neste ano, em 37 bairros/localidades em Passos.

Segundo o levantamento, o departamento notificou 71 imóveis ou terrenos no Residencial Villagio D’Itália e 63 no Nova Passos no ano passado, sendo as maiores incidências de locais irregulares, seguido por Jardim Eldorado (54), Jardim Flamboyant (27) e Jardim Itália (19).

Em 2025, o departamento identificou e notificou irregularidades em 18 imóveis ou terrenos no Nova Passos e 11 no Jardim Eldorado, além de outros locais em outros 19 bairros/localidades no município.

O levantamento levou em consideração o endereço do imóvel ou terreno constante no edital de notificação, para apontar o bairro onde fica localizado, além de verificar a quadra e o lote na respectiva rua.

O Departamento de Controle Urbanístico orienta que os proprietários façam a atualização cadastral dos imóveis e endereços para o recebimento de correspondências. O procedimento pode ser realizado no Departamento de Rendas e Tributos, localizado na seda da prefeitura.

As denúncias sobre imóveis ou terrenos sujos devem ser feitas pelo Portal Transparência, no site da prefeitura, ou pelo telefone (35) 98413-1255.

Departamento informa que valores das multas carecem de atualização

O Departamento de Controle Urbanístico de Passos aponta que há necessidade de atualização dos valores das multas, em casos de imóveis e terrenos sujos e sem conservação no município. O órgão também alerta para a importância da realização de um concurso público para reforçar o quadro de servidores. Atualmente, seis fiscais trabalham no departamento para essa e outras finalidades.

“Em razão do tempo transcorrido desde a promulgação das leis que autorizam a aplicação dessas multas, os valores carecem de atualização. Tanto para fins ‘pedagógicos’ e inibidores, quanto para alcançar maior correspondência com a realidade do município”, destaca.

Sobre o número de servidores, o departamento aponta que é “premente a realização de novo concurso a fim de reforçar o quadro de servidores fiscais, para conseguir atender a demanda atual da cidade”, afirma.

O departamento ressalta que o rol de atribuições dos fiscais é amplo e está previsto no Plano de Cargo e Carreiras. “Sendo mais comuns às atribuições voltadas a fiscalização de lotes sujos, ocupação irregular de calçadas (por exemplo por materiais de construção), regularidade de comércios e obras, além de situações relacionadas ao ordenamento urbano municipal”, informa.

“A fiscalização urbanística desempenha um papel essencial na gestão das cidades, garantindo o cumprimento das normas estabelecidas e promovendo o ordenamento urbano de maneira eficiente. Os fiscais urbanísticos, como agentes responsáveis por essa função, têm um impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos e no desenvolvimento sustentável das áreas urbanas”, ressalta.

“Em resumo, os fiscais urbanísticos são peças-chave na construção de cidades mais sustentáveis, seguras e justas. Sua atuação é fundamental para a criação de um ambiente urbano onde o respeito às normas, a segurança e a qualidade de vida da população sejam priorizados, resultando em uma cidade mais organizada, próspera e saudável”, esclarece o departamento.

Notificações de Imóveis / Terrenos / Lotes sujos em Passos
Ano 2025 (até março)Ano 2024
Bairros / LocalidadesBairros / Localidades
Nova Passos18Residencial Villagio D’Itália71
Jardim Eldorado11Nova Passos63
Vila Rica9Jardim Eldorado54
Centro8Jardim Flamboyant27
Cohab7Jardim Itália19
Muarama7Mirante do Vale18
Penha5Colégio de Passos13
Canjeranus3Centro11
Mirante do Vale3Bela Vista10
Parque das Aroeiras3Coimbras /Jd. Florença10
Residencial Villagio D’Itália3Vila Rica9
Parque Alvorada2Aclimação8
Serra das Brisas1Muarama8
Belo Horizonte1Carmelo6
Casarão1Novo Mundo6
Coimbras1Penha6
Exposição1João Paulo II6
Mirante do Vale1Belo Horizonte5
Recanto dos Bosques1Santa Casa5
São Francisco1Exposição5
Serra Verde1Canjeranus5
TOTAL88Casarão4
Fonte: Departamento Urbanístico de PassosN. S. da Aparecida4
Santa Luzia3
Jardim Polivalente2
Jardim Planalto2
Parque das Aroeiras2
Jardim Panorama2
Serra Verde2
Jardim Califórnia2
Cohab1
Jardim Primavera1
Nova Califórnia1
São Francisco1
Serra das Brisas1
TOTAL393

Via: Clic Folha

Radares começam a multar na rodovia BR-459, no Sul de Minas

Radares começam a multar na rodovia BR-459, no Sul de Minas - Foto: reprodução
Radares começam a multar na rodovia BR-459, no Sul de Minas – Foto: reprodução

Os cinco novos radares da rodovia BR-459 já estão multando desde a 00h da última terça-feira (24). Os equipamentos, que estavam em modo educativo desde terça-feira (17), vão autuar motoristas que ultrapassarem os limites de velocidade estabelecidos pela sinalização da via.

Segundo a EPR Sul de Minas, concessionária que administra o trecho, os controladores de velocidade devem conscientizar e reforçar a segurança viária especialmente em trechos com grande fluxo de veículos e pedestres.

Os equipamentos serão gerenciados pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), conforme o contrato de concessão da rodovia.

Veja em quais pontos da BR-459 estão os radares:

Pouso Alegre:

  • Km 107,15 – sentido Poços de Caldas, próximo ao trevo de acesso ao bairro Belo Horizonte
  • Km 108,90 – sentido Itajubá, próximo ao trevo de acesso ao shopping
  • Km 109,10 – sentido Poços de Caldas, próximo ao trevo de acesso ao shopping

Santa Rita do Sapucaí:

  • Km 122,40 – nas proximidades do trevo de acesso à MG-173, sentido Itajubá
  • Km 122,50 – nas proximidades do trevo de acesso à MG-173, sentido Pouso Alegre

Via: G1

Confeiteiras que fazem bolos com escudos de clubes podem ser multadas

Confeiteiras que fazem bolos com escudos de clubes podem ser multadas - Foto: reprodução
Confeiteiras que fazem bolos com escudos de clubes podem ser multadas – Foto: reprodução

Bolos com escudos de clubes de futebol sempre foram destaques em festas temáticas, mas agora estão no centro de uma polêmica. Confeiteiras e pequenos empreendedores estão sendo notificados por usarem sem autorização os escudos e os mascotes em seus trabalhos. A prática já resultou em multas e gerou discussões entre os profissionais do setor.

A confeiteira Daniela Oliveira, de São Paulo, viralizou nas redes sociais ao relatar o caso. “Imagina se isso pega e a gente não pode mais fazer bolo com tema de princesas ou qualquer outro que envolva marcas?”, manifestou. O desabafo gerou repercussão imediata, com outros profissionais admitindo que arquivaram fotos de bolos de futebol para evitar problemas na Justiça. “Eu já arquivei todas as fotos de bolos de time”, escreveu uma delas.

Além de confeiteiras, pequenos empreendedores que trabalham com itens de decoração de bolos também enfrentam esse tipo de situação. Luciana Aparecida Dias Costa, de 54 anos, mora em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e trabalha com papel de arroz e topo de bolo desde 2014. Seus produtos são feitos em casa e comercializados pelas redes sociais e por meio de seu site, entre R$ 6,50 a R$ 7.

Nos últimos cinco anos, ela observou uma mudança no mercado: “A popularidade do papel de arroz diminuiu, sendo substituída pelos topos de bolo personalizados. Então, adaptamos o negócio. Nunca imaginei que isso traria algum tipo de problema, pois o que vendíamos era algo simples, artesanal”, comentou.

Entretanto, a realidade mudou para Luciana quando recebeu notificações extrajudiciais para remover itens de Cruzeiro e Corinthians do seu site. Porém, nos últimos meses, ela recebeu uma nova notificação, desta vez da Bianchini Advogados em nome do Esporte Clube Bahia. A empresa parceira do clube exigiu uma indenização de R$ 7 mil. “Entrei em contato com o advogado responsável, que, após negociação, reduziu o valor para R$ 1.800, dividido em 10 parcelas”, explicou.

Luciana explica que o pagamento da indenização foi realizado diretamente ao escritório Bianchini Advogados, e não ao clube. Em conversa com a reportagem de O TEMPO Sports, o Bahia confirmou que a empresa é parceira do clube, e um dos advogados que a representa esclareceu que o valor cobrado da artesã corresponde a uma indenização por uso indevido da imagem, o que configura pirataria.

“Quando recebi a primeira notificação, em 2017, por orientação da minha irmã, que também vendia papel de arroz em São Paulo, tentei licenciar produtos relacionados ao Corinthians. Entrei em contato com o clube e fui instruída a remover do site tudo o que estivesse relacionado a eles. Negociamos, mas o valor anual exigido para licenciamento era de R$ 60 mil, o que era inviável para o meu negócio. Assim, retirei tudo relacionado ao Corinthians e nunca mais disponibilizei esses produtos no site”, explicou.

O que dizem os clubes de futebol

Confeiteiras que fazem bolos com escudos de clubes podem ser multadas - Foto: reprodução
Confeiteiras que fazem bolos com escudos de clubes podem ser multadas – Foto: reprodução

Os clubes mencionados na matéria foram procurados pela reportagem. Eles  informaram que empresas licenciadas do setor disponibilizam seus produtos no varejo em lojas de artigos de festas. Qualquer outro produto utilizado sem o licenciamento do clube é configurado como um ‘pirata’ e, quem faz seu uso, está sujeito a punições impostas pela lei.

Sobre o valor relacionado ao licenciamento do Corinthians, o clube informou que, entre 2017 e 2024, houve diversas mudanças na administração. Entretanto, para que empresas solicitem o licenciamento, é necessário entrar em contato com o departamento responsável, que analisa as propostas com o mesmo critério aplicado a qualquer outra empresa, considerando o interesse em firmar um acordo.

Com relação aos bolos de aniversário, o clube paulista esclarece que não vê problemas em um bolo personalizado para festa. Mas no caso de comercialização o produto deve ser devidamente licenciado.

Confeiteiras que fazem bolos com escudos de clubes podem ser multadas - Foto: reprodução
Confeiteiras que fazem bolos com escudos de clubes podem ser multadas – Foto: reprodução

Já o Cruzeiro esclarece que a notificação em questão foi feita pela empresa No Fake, que foi parceira por determinado período. Entretanto, o clube garante que essa parceria não está mais ativa. O Cruzeiro justificou ainda que, por não ter participado diretamente do processo de identificação e notificação, não tem comentários a tecer sobre o caso específico das confeitarias notificadas.

O clube celeste ressalta, porém, que a utilização das marcas e emblemas para fins comerciais não é permitida, excetuando-se os casos em que há licenciamento ou parceria direta. 

Fique atento a golpes!

Apesar de existirem notificações legítimas, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) cumpriu, no dia 30 de setembro, mandados de busca e apreensão em uma empresa sediada em Santos Dumont, na Zona da Mata mineira.

Conforme a polícia, o casal de empresários foi preso sob suspeita de extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com um faturamento estimado em R$ 4 milhões de reais.

A empresa monitorava perfis nas redes sociais que vendiam produtos supostamente falsificados e, simulando interesse em comprá-los, obtinha mais informações sobre os vendedores. Posteriormente, outro setor da empresa entrava em contato para tentar extorquir dinheiro das vítimas, alegando que ela estaria cometendo crimes de violação de direitos intelectuais.

Sob a ameaça de registrar uma ocorrência, a empresa exigia ainda o pagamento de um acordo extrajudicial, cujos valores eram estabelecidos com base no número de seguidores das mídias sociais. Quando o acordo não era cumprido, a empresa denunciava o perfil da rede social utilizado e o derrubava do ar.

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