Pular para o conteúdo principal

Jornal Folha Regional

Papa ganha queijo Minas de presente e agradece em carta: ‘muito apreciei’

Papa ganha queijo Minas de presente e agradece em carta: ‘muito apreciei’ – Foto: reprodução

O Papa Francisco foi novamente presenteado com um Queijo Minas Artesanal, levado até ele pelo produtor cultural Jordane Macedo. O líder religioso agradeceu pelo presente com uma carta, na qual abençoa Jordane, a família dele e todo o povo de Minas Gerais. O Queijo do Ivair, entregue ao representante máximo da Igreja Católica, foi premiado com medalhas de ouro nas edições da Expoqueijo de 2021 e 2022. 

A produtora Lúcia Faria de Oliveira, de São Roque de Minas, na região da Canastra, conta que o presente foi um queijo de produção da manhã, maturado por 30 dias. Ele foi deixado por Jordane, amigo do casal de produtores, com um embaixador brasileiro em Roma, para ser encaminhado a Francisco, no mês de julho.

Papa ganha queijo Minas de presente e agradece em carta: ‘muito apreciei’ – Foto: divulgação

“A gente não sabia realmente se esse queijo ia ser entregue, torcia para que fosse, mas não tinha certeza. Agora, na semana passada, chegou a carta agradecendo o queijo e abençoando a todos nós mineiros e produtores”, explica Lúcia. A produtora e o marido, Ivair, que dá nome à marca, são de famílias de produtores de queijo artesanal e, desde 2013, eles se especializam para elaborar um produto com cada vez mais qualidade.

Para o diretor de Agroindústria e Cooperativismo da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ranier Chaves Figueiredo, a história é motivo de comemoração. “Trata-se de um queijo produzido por um casal de produtores trabalhador, que recorrentemente ganha medalhas em concursos para o setor. Nós esperamos que essa notícia traga visibilidade para os produtores de queijos artesanais do estado”, afirma.

Em 2022, o Papa Francisco já havia recebido um Queijo Minas Artesanal, da marca Barão da Canastra, do município de Piumhi, também na região da Canastra, pelas mãos do padre Patrick Samuel Batista.

Queijo artesanal

Minas Gerais possui dez regiões caracterizadas como produtoras de Queijo Minas Artesanal. São elas: Araxá, Canastra, Campos das Vertentes, Cerrado, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro, Serras da Ibitipoca, Diamantina e Entre Serras da Piedade ao Caraça. Além delas, há cinco regiões caracterizadas como produtoras de outros tipos de queijos artesanais: Vale do Suaçuí, Serra Geral, Jequitinhonha, Alagoa e Mantiqueira.

Em dezembro de 2022, o Governo de Minas reconheceu, de forma inédita no Brasil, a variedade do Queijo Minas Artesanal de Casca Florida, identificado pela cobertura com presença ou dominância de fungos filamentosos, popularmente nomeados de mofos ou bolores. 

Vídeo: Governador Zema se encontra com Papa Francisco e entrega ‘lembrança’ mineira

Governador Zema se encontra com Papa Francisco e entrega ‘lembrança’ mineira – Vídeo: Redes sociais / Romeu Zema

O governador Romeu Zema se encontrou, nesta quarta-feira (13), com o Papa Francisco, na Praça São Pedro, na Cidade do Vaticano. Na ocasião, o chefe do Executivo entregou ao religioso presentes que remetem à mineiridade: uma palma barroca, artesanato produzido na cidade de Sabará, na Região Metropolitano, e um café da cidade de Campos Altos, no Alto Paranaíba.

“Tive a satisfação de encontrar com o Papa, aqui no Vaticano, e considero um encontro extremamente emocionante, pois foi a primeira vez. Pedi a ele que reze por Minas e que abençoe nossa bandeira e os mais de 20 milhões de mineiros (…) Foi um encontro rápido, mas muito emocionante. E, a partir de agora, nós mineiros temos a benção do Papa ao nosso lado”, disse o governador.

Durante a conversa, o Papa destacou o papel dos mineiros na busca pela paz e pela liberdade, dizendo já ter ouvido histórias “de que os mineiros lutam para não fazer a guerra, nunca. Mas, quando estão na guerra, lutam para poder terminá-la, porque não a querem”, disse o líder religioso.

O que são as palmas barrocas, entregues ao Papa

Considerada Patrimônio Histórico de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, a palma barroca é composta por um vaso em pedra sabão e por folhas moldadas em cobre e banhadas a ouro. As peças entregues ao líder da Igreja Católica são assinadas pelo artista George Helt. 

Tradicionalmente, as palmas barrocas são usadas para ornamentar altares e oratórios. Trazidas ao Brasil, por Dom João VI, tornaram-se elemento comum nas celebrações católicas. Em Sabará, a confecção das peças se transformou em tradição, principalmente entre as mulheres, que transmitiram o conhecimento sobre a elaboração das peças de geração em geração. 

As peças entregues por Zema ao papa Francisco foram confeccionadas pelas mãos de Helt, que usou ferramentas do século XVII para dar os contornos das folhas de metal. 

Missão pela Europa

O governador Romeu Zema está desde a última terça-feira (5) na Europa, onde cumpre agendas oficiais na Itália e na Áustria. A comitiva, composta também pelos secretários de Casa Civil, Marcelo Aro, e de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, está em uma série de compromissos que têm o objetivo de atrair investimentos estrangeiros para o estado. Enquanto Zema está fora do país, quem está interinamente à frente do Executivo é o vice dele, Mateus Simões.

Durante visita de deputados mineiros, Papa pergunta se “cachaça é água”

Os deputados estaduais do PT, Ulysses Gomes e Leninha, vivenciaram um episódio descontraído junto ao Papa Francisco na última quarta-feira (15).

Juntos em uma cerimônia com a presença do pontífice, os parlamentares tiveram a oportunidade de interegir e presentear o Papa. Ulysses Gomes levou uma caixa do tradicional pé de moleque de Piranguinho, no Sul de Minas, além de uma imagem da beata mineira Nhá Chica, que passou a maior parte da vida no Sul do Estado.

Mas de forma bem descontraída o Papa se mostrou mais interessado na tradicional cachaça brasileira e logo perguntou se “cachaça é água”.

Os parlamentares estão em viagem à Itália para um congresso de lideranças e aproveitaram a estadia para conhecer o Papa Francisco. A experiência foi relatada em um video publicado nas redes sociais do deputado. “Na hora da emoção, nós ficamos sem resposta. Ele é muito bem-humorado”, comentou. No vídeo, o parlamentar também conta que o Papa disse que o brasileiro gosta muito de abraçar.

Dom Giovane, líder religioso que também estava no encontro disse, no vídeo postado por Ulysses Gomes, que o Papa Francisco é “fissurado em cachaça” porque é a segunda vez que ele pergunta para os brasileiros “se cachaça é água”.

Velório de Bento 16 começa no Vaticano, e fiéis fazem fila para homenagens

Milhares de pessoas foram hoje ao Vaticano no primeiro dia do velório do papa emérito Bento 16, que morreu no sábado (31), aos 95 anos.

O corpo do sacerdote será exposto na Basílica de São Pedro até quinta-feira (5), quando ocorrerá o funeral. A cerimônia será feita pelo papa Francisco.

Será a primeira vez na história da Igreja Católica que um papa em exercício enterrará outro papa.

Dezenas de milhares de pessoas são esperadas, incluindo chefes de estado e líderes de outras religiões, ao funeral do 265º papa da história.

A cerimônia começará às 5h30 (horário de Brasília) e será simples, como pediu Bento 16. Ele será sepultado nas grutas vaticanas, onde se encontram os túmulos dos papas, informou o Vaticano em um comunicado.

O corpo do papa emérito foi transferido nesta segunda-feira de manhã para a Basílica de São Pedro e ficará exposto ao público entre 9h e 19h, no horário local. Na terça-feira, o público poderá prestar sua homenagem entre 6h e 18h. A entrada é gratuita e não é preciso reservar hora.

Fiéis e premiê italiana prestam homenagens

Uma das primeiras visitantes foi a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que chegou cedo ao local.

A fila de fiéis na praça de São Pedro começou a se formar de madrugada.

“Cheguei às 6h. Para mim, parece normal homenageá-lo depois de tudo o que ele fez para a igreja”, disse Anna-Maria, uma freira italiana.

O Vaticano divulgou neste domingo as primeiras fotos do corpo do papa emérito, o primeiro a renunciar em mais de 600 anos.

Papa Francisco ganha queijo Canastra de presente no Vaticano

O Papa Francisco ganhou na última segunda-feira (3), no Vaticano, em Roma, na Itália, um queijo Canastra produzido na cidade de Piumhi, na região Oeste de Minas, na Serra da Canastra. O queijo foi levado pelo padre Patrick Samuel Batista, natural de Piumhi, mas pertencente à Diocese de Luz.

Desde 2019, o padre trabalha na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), atualmente como subsecretário adjunto geral. Ele foi a Roma acompanhar Dom Joel Portela Amado, que é secretário geral da Conferência, para tratar da 59ª Assembleia Geral da CNBB, e teve a oportunidade de se encontrar com o Papa Francisco.

“Quando pensei na visita, pensei em levar de presente algo que representasse a nossa região, e nada melhor do que um queijo canastra. Expliquei ao Papa como ele é feito, o envolvimento das famílias e as belezas naturais da nossa região, dentre elas a nascente do Rio São Francisco”, contou o padre Patrick.

Ele disse que o Santo Padre ouviu atentamente as explicações, abriu um sorriso de alegria e deu a sua bênção. “O Santo Padre abençoou, especialmente, a todos os mineiros”, contou, feliz, o padre Patrick.

O legítimo queijo Barão da Canastra entregue ao Papa para degustação é premiado com medalhas nacionais e internacionais e produzido na cidade de Piumhi pela mestre queijeira Larissa Goulart.

“Ficamos extremamente honrados com essa graça do nosso queijo chegar até a Santidade, o Papa , pela intercessão do nosso amigo, Padre Patrick, e explicá-lo a forma tradicional de produção e sobre a nossa região“, disse a mestre queijeira.

Segunda vez

Esta não foi a primeira vez que o Papa Francisco recebeu um mimo de Piumhi. Na primeira semana de agosto, uma brasileira de São Paulo, em viagem ao Vaticano, presenteou o Papa Francisco com uma garrafa de cachaça, como ato descontraído, em alusão à fala dele sobre os brasileiros em 2021: “Não tem salvação. Muita cachaça e pouca oração”.

O presente saiu diretamente do alambique do empresário André Guimarães, que há 15 anos trabalha com o rótulo “Vale da Canastra”, em Piumhi. A cachaça foi entregue ao pontífice no dia 6 de agosto, em uma programação de audiência privada com o líder católico, pela estudante Cristina Chain, que integrou um grupo de 180 jovens de dez países ao redor do mundo, em uma visita a Roma. (EM)

Papa Francisco é presenteado com cachaça de Piumhi

Dono do alambique onde a cachaça “Vale da Canastra” é produzida, diz estar satisfeito com o produto nas mãos da maior autoridade católica do mundo.

Na primeira semana de agosto, uma brasileira de São Paulo em viagem ao Vaticano, presenteou o Papa Francisco com uma garrafa de cachaça, como ato descontraído, em alusão à fala dele sobre os brasileiros em 2021: “Não tem salvação. Muita cachaça e pouca oração”.

O presente saiu diretamente do alambique do empresário André Guimarães, que há 15 anos trabalha com o rótulo “Vale da Canastra”. Um produto legalizado, com selo de autenticação, artesanal e com tamanhos variados, ideais para presentes, como a garrafa de 270 ml, que chegou até o Papa.

Segundo o empresário, se depender do aroma e sabor do destilado, o Papa Francisco vai querer bem mais que uma só garrafa. “De qualidade a gente entende e se ele tomar nem que seja para abrir o apetite vai mandar buscar mais, com certeza”, declarou.

Presente ao Papa

O presente ao Papa foi dado pela Brasileira de São Paulo, Cristina Chain, que integrou um grupo de 180 jovens de dez países ao redor do mundo, em uma visita a Roma, na Itália.

A cachaça foi entregue ao pontífice no dia 6 de agosto, em uma programação de audiência privada com o líder católico. Enquanto, muitos levaram presentes como crucifixos, bandeiras e imagens, Cristina surpreendeu com uma garrafa de cachaça mineira com o rótulo fictício “Muita Oração – Pouca Cachaça” e um cartão com a mesma frase e a bandeira do Brasil, em referência a declaração de Francisco, em 2021, quando disse em tom de brincadeira, que “O Brasil não tem jeito, é muita cachaça e pouca oração”.

Se engana quem pensa que foi um processo tranquilo entregar a garrafa ao Papa. Cristina conta que fez a tentativa sem a menor ideia de que pudesse dar certo.

“O Vaticano não explicou bem os protocolos e não sabíamos quão próximos estaríamos dele ou se teríamos contato direto. Dormi super mal na noite anterior e, no caminho, lembrei que teria de passar pela revista, em que não era permitido entrar com líquidos ou vidro. Na fila, a perna já balançava, “grudei” no padre responsável pelo grupo, na esperança dele me ajudar caso tivesse problemas na entrada, mas quando passei no raio-x  me deixaram passar direto”, comentou a idealizadora do presente.

A brasileira lembra que a reunião durou cerca de uma hora e, ao final, todos puderam cumprimentar pessoalmente o pontífice. “Na minha vez, me aproximei, mostrei o cartão e a garrafa, disse que o Brasil lhe desejava muita oração, mas só um pouco de cachaça. Ele deu uma larga risada, jogando a cabeça para trás e agradeceu abençoando nosso país. Sai nas nuvens”, completou a jovem.

Critério para escola da cachaça

A escolha da cachaça ideal seguiu uma série de critérios, como conta Cristina, que comprou a garrafa pela internet. Ela teve o cuidado de pesquisar por vários dias, o melhor produto. Afinal, o presenteado seria entregue ao maior líder do catolicismo no mundo.

“Fiz várias pesquisas seguindo vários critérios. Quis uma cachaça legalizada, com todas autorizações e selos de segurança, que fosse artesanal e de uma região bacana. Por fim, cheguei nessa cachaça, a Vale da Canastra”, contou.

Orgulho do produtor

Satisfeito com a escolha de Cristina, o empresário André, segue agora, mais orgulhoso do que nunca da produção que ele sempre fez questão de presar pela qualidade.

“Fico imensamente feliz com a escolha e, mais ainda, em saber que houve critério, pois de fato, é uma produção muito rigorosa. Agora vamos ter o selo do Papa atestando ainda mais nossa qualidade. Vou fazer questão de mostrar a todos os clientes que temos na empresa uma cachaça que chegou até o Papa. É a nossa pinga abençoada”, brincou o produtor.

Via, G1

Papa Bento XVI acobertou casos de pedofilia na Alemanha

O papa emérito Bento XVI teria acobertado casos de pedofilia na Alemanha, segundo um relatório independente publicado nesta quinta-feira (20).

“Ele havia sido informado sobre o que aconteceu”, disse o advogado Martin Pusch, um dos responsáveis pela investigação, em entrevista coletiva em Munique.

As acusações contra Bento XVI são de que ele não teria agido para impedir que um padre abusasse de quatro meninos na época em que foi arcebispo de Munique e Freising, entre 1977 e 1982.

“Acreditamos que ele pode ser acusado por má-conduta desses quatro casos”, disse Pusch. “Os abusadores continuaram com suas atividades pastorais.”

O papa emérito, de 94 anos, que abandonou o cargo em 2013, nega qualquer alegação de que tivesse conhecimento sobre os abusos.

“Ele [Bento] alega que não tinha conhecimento dos fatos, mas nós acreditamos que não é bem assim, de acordo com o que descobrimos”, afirmou o advogado.

Os casos de abuso

Segundo o relatório, o então cardeal Joseph Ratzinger, antes de se tornar papa, não fez nada para afastar quatro clérigos suspeitos de abusos sexuais contra menores.

Em dois casos, os envolvidos eram membros do clero que cometeram várias agressões comprovadas, inclusive por tribunais. Os dois padres permaneceram dentro da Igreja e nada foi feito, diz a acusação.

Os investigadores disseram estar convencidos de que Ratzinger estava ciente do passado pedófilo do padre Peter Hullermann, que chegou em 1980 da Renânia do Norte-Vestfália, na Baviera, onde continuou a praticar abusos por décadas sem ser incomodado.

Em 1986, um tribunal o condenou à prisão, mas ele foi então transferido para outra cidade da Baviera, onde teria reincidido. Foi apenas em 2010 que este padre foi forçado a se aposentar.

Joseph Ratzinger negou conhecer o passado do padre, cujo caso ganhou as manchetes dos jornais em 2010, na época do pontificado de Bento XVI.

Os autores do relatório também apontam para o cardeal Reinhard Marx, atual arcebispo de Munique e Freising, por ser negligente em dois casos de padres suspeitos de abusos sexuais contra crianças.

No geral, o relatório denuncia o acobertamento sistemático de casos de violência contra menores entre 1945 e 2019 com o objetivo, segundo eles, de “proteger a instituição da Igreja”.

‘Comoção e vergonha’

O papa emérito Bento XVI expressou “comoção e vergonha” pela pedofilia na Igreja após a divulgação do relatório que o acusa de passividade nos casos de abuso infantil na Alemanha, disse seu secretário particular, monsenhor Georg Gänswein.

Bento XVI, de 94 anos, “expressa sua comoção e vergonha pelos abusos de menores cometidos por clérigos, e oferece sua proximidade e orações a todas as vítimas”, afirmou Gänswein à imprensa, especificando que o papa emérito “ainda não leu o relatório de 1.000 páginas” envolvendo ele.

“Nos próximos dias ele examinará o texto com a atenção necessária”, assegurou o padre, citando o relatório preparado a pedido da igreja local pelo escritório de advocacia Westpfahl-Spilker-Wastl.

O papa emérito – cujo nome civil é Josef Ratzinger – negou “estritamente” qualquer responsabilidade, uma posição que para os autores do relatório “não é crível”.

O Vaticano reiterou na quinta-feira sua “vergonha” e “remorso” pelo abuso sexual de crianças na Igreja, em um comunicado oficial.

Papa manifesta tristeza por abusos de menores pela Igreja na França

O papa Francisco manifestou nesta terça-feira (5) “profunda tristeza” após a publicação de um relatório sobre abusos sexuais de crianças e outros menores pela Igreja Católica francesa, dizendo que “tomou conhecimento dessa terrível realidade”.

“O pensamento do papa dirige-se, em primeiro lugar, às vítimas, com imensa dor pelas feridas e gratidão pela coragem de denunciar. Dirige-se também à Igreja da França, para que, ao tomar consciência dessa terrível realidade, possa empreender o caminho da redenção”, declarou o porta-voz do Vaticano, Matteo Brun, aos jornalistas sobre a reação do papa ao relatório.

Também nesta terça-feira, o episcopado francês expressou “vergonha” e pediu “perdão” às vítimas de crimes de pedofilia, após a divulgação de um relatório que revela que mais de 300 mil menores foram abusados pela Igreja Católica francesa durante 70 anos.

Elaborado por uma comissão independente e apresentado nesta terça-feira em Paris, o relatório concluiu que mais de 300 mil menores foram abusados e agredidos em instituições da Igreja Católica francesa, responsabilizando diretamente clérigos e religiosos por 216 mil vítimas, entre 1950 e 2020.

“O meu desejo neste dia é pedir o vosso perdão, o perdão de cada um de vós”, disse o bispo Eric de Moulins-Beaufort, presidente da Conferência Episcopal Francesa.

De acordo com o relatório, cerca de 216 mil crianças ou adolescentes foram abusados ou agredidos sexualmente por clérigos católicos ou religiosos.

O número de vítimas sobe para 330 mil, quando considerados “agressores leigos que trabalham em instituições da Igreja Católica”, especialmente nos trabalhos de assistência religiosa, professores nas escolas católicas ou em movimentos juvenis, segundo o presidente da Comissão Independente sobre os Abusos da Igreja (Ciase, na sigla em francês), Jean-Marc Sauvé, durante a apresentação do relatório à imprensa.

“Esses números são mais do que preocupantes, são condenáveis e não podem de forma alguma ser ignorados”, disse Jean-Marc Sauvé, acrescentando que a estimativa revelou que cerca de 80% são vítimas masculinas.

“As consequências são muito graves”, disse Sauvé, adiantando que “cerca de 60% dos homens e mulheres que foram abusados sexualmente revelam grandes problemas na sua vida sentimental ou sexual”.

O relatório de 2.500 páginas identifica cerca de 3 mil abusadores – dois terços dos quais padres – que trabalharam na Igreja francesa no período.

Para a comissão, as conclusões do relatório revelam fenômeno de “natureza sistêmica”, cuja responsabilidade a Igreja Católica deve reconhecer, assegurando “reparação” financeira a todas as vítimas.

De acordo com Sauvé, há 22 alegados crimes que ainda não prescreveram e foram encaminhados às autoridades judiciais.

Mais de 40 casos antigos para serem processados, mas que envolvem suspeitas sobre abusadores ainda vivos, foram encaminhados para análise dentro da própria Igreja.

Olivier Savignac, líder da associação de vítimas “Parler et Revivre”, que contribuiu para a investigação, destacou que a elevada proporção de vítimas por agressor é particularmente “aterradora para a sociedade francesa e para a Igreja Católica”.

O relatório surge depois do escândalo que envolveu o agora ex-padre Bernard Preynat, condenado, no ano passado, por abuso sexual a uma pena de prisão de cinco anos, por ter abusado de mais de 75 rapazes durante décadas.

Jornal Folha Regional
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.