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Jornal Folha Regional

Partido Republicanos perde força e PSD ganha espaço, especialmente em Minas Gerais

Deputado Estadual Cássio Soares, do PSD – Foto: reprodução

O Partido Republicanos tem enfrentado um período de perda de prestígio político em meio a sucessivos escândalos nacionais. Em contraste, o PSD vem ampliando sua influência, sobretudo em Minas Gerais, onde lideranças locais têm se destacado.

Entre os casos que abalaram o Republicanos está o revelado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que apura fraudes no órgão. As investigações foram ampliadas para incluir a negociação de uma aeronave entre o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o presidente de uma ONG suspeita de envolvimento no esquema.

De acordo com o relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), a transação levanta suspeitas de uso indevido de recursos públicos e possíveis vínculos entre políticos e entidades beneficiadas por emendas parlamentares. A ONG, ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), recebeu R$ 2,5 milhões em emendas destinadas por Pettersen.

Conflitos em Minas Gerais

Deputado Euclydes Pettersen, do Republicanos- Foto: reprodução

Em meio ao desgaste nacional do Republicanos, novas polêmicas surgem no interior mineiro. Uma assessora do deputado Euclydes Pettersen passou a perseguir politicamente o prefeito de São José da Barra (MG), Marcelinho Silva (Republicanos), e alguns de seus secretários.

A assessora, contrariando princípios éticos e partidários, iniciou uma série de acusações em um grupo de WhatsApp e, em seguida, possivelmente se uniu a um opositor local para apresentar denúncias contra o prefeito e integrantes de sua equipe. Curiosamente, uma servidora comissionada, supostamente aliada da assessora, acabou sendo poupada das críticas.

Além de protocolar um ofício na Câmara Municipal, a assessora foi convidada a prestar esclarecimentos em uma oitiva no Ministério Público de Alpinópolis. Na última segunda-feira (3), ela e outra mulher visitaram uma empresa que presta serviços à Prefeitura desde 2023, solicitando informações sobre notas fiscais de duas secretarias. Um homem que dirigia o veículo as acompanhava, mas não entrou nas dependências da empresa.

O senador mineiro Cleitinho Azevedo foi informado sobre o caso e afirmou não possuir vínculo direto com a assessora, a quem conhece há pouco mais de um ano. Segundo ele, o namorado da mulher é seu assessor parlamentar.

Procurada, a direção do Republicanos não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Mais escândalos

Em outro episódio que agrava a crise do partido, o prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), foi afastado do cargo nesta quinta-feira (6) por decisão da Justiça Eleitoral, a pedido da Polícia Federal (PF), que o investiga por corrupção.

Em nota, a Prefeitura de Sorocaba informou que o vice-prefeito, Fernando Martins Neto (PSD) — partido que vem se fortalecendo nacionalmente — assumiu o cargo “até que os fatos sejam devidamente esclarecidos”. O comunicado reforçou ainda o compromisso do município com o cumprimento das decisões judiciais.

Conhecido como o “prefeito tiktoker”, Manga é alvo da operação “Copia e Cola”, da PF, que apura um suposto esquema de desvios de recursos na Saúde por meio de uma Organização Social (OS). O prefeito foi notificado da decisão enquanto estava em Brasília (DF) e gravou um vídeo logo em seguida.

“Fui afastado hoje, vocês acreditam? Bem que me falaram que eu estava aparecendo demais”, declarou o político.

Em abril, Manga havia manifestado publicamente o desejo de concorrer à Presidência da República em 2026 e deve reforçar sua pré-campanha mesmo após a operação da Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão em sua residência, no interior paulista.

Partidos já começam a testar nomes para as eleições de 2026

Partidos já começam a testar nomes para as eleições de 2026 - Foto: reprodução
Partidos já começam a testar nomes para as eleições de 2026 – Foto: reprodução

A menos de um ano e meio para as eleições gerais de 2026, os partidos políticos em Minas Gerais já intensificam as movimentações em seus bastidores para definir os nomes que vão disputar cargos no Executivo estadual e nas Casas legislativas. Mesmo que candidaturas só possam ser realizadas a partir de julho do ano que vem, as legendas tentam desde já testar a popularidade de possíveis postulantes e consolidar alianças.

Internamente, os partidos já têm contratado pesquisas para calcular a intenção de voto dos eleitores em diferentes cenários. Como a legislação só obriga o registro desse tipo de levantamento no Tribunal Superior Eleitoral quando ele for realizado no ano do pleito, os dados coletados agora não estão formalizados junto à Justiça Eleitoral. No entanto, já servem como medida para orientar reuniões e negociações, especialmente com siglas aliadas. Nas redes sociais, o movimento é ainda mais visível. com potenciais candidatos ampliando a presença digital e investindo em novas estratégias de comunicação para atrair o eleitor.

Embora as disputas para cargos majoritários, como governador e presidente, despertem mais expectativa, boa parte das legendas está focada agora no desempenho para a eleição de deputados federais e estaduais. A principal preocupação é garantir o cumprimento da cláusula de barreira: em 2026, a norma passará a exigir que partidos elejam ao menos 13 deputados federais em nove Estados ou alcancem 2,5% dos votos válidos distribuídos igualmente entre as unidades da Federação para acessar recursos do Fundo Partidário e ter direito à propaganda gratuita.

Atualmente, o Novo, que controla o governo de Minas, sinaliza ser o partido com definições para o próximo pleito em estágio mais avançado. Desde o fim de 2024, por exemplo, o vice-governador, Mateus Simões, é apresentado pela legenda como pré-candidato ao governo de Minas. 

O presidente estadual do Novo, Christopher Laguna, diz que a prioridade é eleger deputados federais e estaduais, especialmente para superar a cláusula de barreira, que não foi atingida em 2022. Entre os nomes mais cotados estão os dos três vereadores de BH filiados à legenda: Bráulio Lara deve ser lançado para a Câmara dos Deputados, enquanto Fernanda Pereira Altoé e Marcela Trópia são pensadas para disputar vaga na Assembleia. O secretário de Estado de Cultura, Leônidas Oliveira, também é cotado para a Câmara Federal.

O presidente estadual do PL, Domingos Sávio, por sua vez, garante que a sigla “vai participar ativamente da eleição para o governo de Minas, seja com candidatura própria ou com aliança”. O partido discute uma possível candidatura de Nikolas Ferreira, após ele se tornar o deputado federal mais votado do país em 2022. No entanto, ainda não há consenso, já que outro nome de peso da direita, o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), também é cogitado para a mesma vaga.

Domingos Sávio destacou ainda que o PL já discute a distribuição de candidatos às vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia. Nos bastidores, os vereadores de BH, Pablo Almeida e Vile, estão entre os mais cotados. “Entendemos que há vereadores com votações muito expressivas que podem vir a pleitear um cargo maior”, justificou.

No campo da esquerda, o PT, por exemplo, ainda enfrenta dificuldade para definir um nome para o governo de Minas. O presidente estadual da legenda, Cristiano Silveira, afirmou que, a princípio, o partido deve apoiar a eventual candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) – o parlamentar ainda não confirma a participação no pleito. Procurado para comentar sobre as articulações do PSD para 2026, o presidente estadual da legenda, Cássio Soares, não se manifestou.

Saiba quais cargos serão disputados em 2026 e entenda as principais regras do pleito

No próximo ano eleitores vão às urnas para escolher:

  • Presidente da República
  • Governador
  • Deputados estaduais
  • Deputados federais
  • Senadores

Disputa no Legislativo

Câmara dos Deputados

Vagas para Minas: 53

Cada partido ou federação pode lançar até 54 candidatos (100% +1)

Assembleia Legislativa

Vagas: 77

Cada partido ou federação pode lançar até 78 candidatos (100% +1).

As eleições para deputado federal e estadual ocorre pelo sistema proporcional. Ou seja, não se considera apenas a votação individual do postulante ao cargo, mas o total de votos dados ao partido ou à federação.

Renovação do Senado

Em 2026, a renovação do Senado será de dois terços, ou seja, cada Estado terá duas vagas para o cargo de senador. Neste caso, a eleição é majoritária. Ou seja, é necessária a maioria simples de votos para que o candidato vença a disputa.

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