Pular para o conteúdo principal

Jornal Folha Regional

Governador anuncia estudo para reconhecer o ‘mineirês’ como patrimônio cultural de Minas Gerais

Governador anuncia estudo para reconhecer o ‘mineirês’ como patrimônio cultural de Minas Gerais – Foto: reprodução

Governo de Minas vai enviar um despacho ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) para iniciar o processo que vai estudar a proteção do dialeto característico falado em Minas Gerais, conhecido popularmente como ‘mineirês’, como patrimônio cultural imaterial do estado.

O governador Mateus Simões fez o anúncio, nesta terça-feira (5/5), durante a abertura do 41º Congresso Mineiro de Municípios, promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) e que deve reunir 10 mil participantes, entre autoridades, agentes municipais e líderes políticos no Expominas, em Belo Horizonte, durante dois dias. 

A partir de agora, o Iepha-MG fará uma análise técnica, com pesquisas, escutas, registros e elaboração de um dossiê. Ao final, o dossiê deve ser encaminhado ao Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), responsável por deliberar pelo reconhecimento em votação.

“Minas Gerais tem uma cultura reconhecida em todo o Brasil e no mundo. O nosso jeito de falar é parte desta identidade. Valorizar o mineirês é valorizar a história, as tradições e a criatividade do povo mineiro. A nossa forma de falar precisa ser respeitada”, analisou Mateus Simões.

“Essa iniciativa mostra que o patrimônio de Minas está nas nossas cidades históricas, na nossa gastronomia, nas nossas festas, no nosso artesanato e também na maneira única como os mineiros se expressam”, acrescentou o governador.

A proposta trata o mineirês como uma das formas mais conhecidas e queridas da identidade mineira. O estudo deverá olhar para expressões, modos de falar, cadências, causos, formas de tratamento, jeitos de acolher e maneiras de conversar que fazem parte da vida cotidiana em Minas.

Além disso, o estudo deverá considerar que os mineiros não se expressam de uma só maneira. O jeito de falar do Norte de Minas não é o mesmo do Sul; o Jequitinhonha, o Triângulo, a Zona da Mata, o Cerrado, a Região Central e tantos outros territórios têm ritmos, expressões e histórias próprias.

Além da palavra

Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), Leônidas Oliveira, o mineirês é uma forma de expressão que vai além das palavras mais conhecidas. “O mineirês não é apenas pronúncia. É uma ética da conversa. É a inteligência da pausa, a delicadeza da indireção, a hospitalidade do ‘cafézim’, o mundo inteiro dentro da palavra ‘trem'”.

“Levar o mineirês a sério é também combater o preconceito linguístico e reconhecer que Minas tem patrimônio também no ar, naquilo que se diz e permanece em quem ouviu”, assinalou o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas.

Entre os pontos que serão estudados estão a história dos falares mineiros, a diversidade regional, os riscos de caricatura, o preconceito linguístico e a presença do mineirês nas famílias, nas comunidades, nas escolas, nas festas, nas artes, no turismo e nas redes sociais.

A eventual proteção do mineirês deverá ocorrer por meio do Registro de Bem Cultural de Natureza Imaterial, instrumento usado para reconhecer práticas, saberes, celebrações, lugares e formas de expressão que são transmitidos entre gerações e fazem parte da identidade de uma comunidade.

Alpinópolis lança movimento “A Gruta é Nossa” em defesa do patrimônio cultural e espiritual da cidade

Alpinópolis lança movimento “A Gruta é Nossa” em defesa do patrimônio cultural e espiritual da cidade – Foto: divulgação

A Prefeitura de Alpinópolis (MG), por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Turismo, em parceria com organizações sociais, grupos comunitários e movimentos populares, convida a população para participar do lançamento do movimento social “A Gruta é Nossa”, que acontecerá no próximo domingo (6). A iniciativa representa um marco simbólico e participativo na luta pela valorização de um dos espaços mais significativos da cidade: a Gruta.

Com o objetivo de promover a transformação consciente e coletiva da área, o movimento busca o reconhecimento legal, cultural e social do espaço, que carrega memórias, fé e identidade para o povo de Alpinópolis. A proposta surgiu a partir do anseio da comunidade em proteger e revitalizar esse importante patrimônio local.

Entre as ações planejadas estão a formalização da situação legal da área, a criação de um inventário participativo que reconheça a Gruta como patrimônio cultural do município, além da realização de atividades culturais, turísticas, ambientais e educacionais no local. O movimento também prevê a produção de materiais de conscientização sobre a importância da Gruta e a implementação de instrumentos de avaliação que permitam acompanhar o progresso e o impacto das ações desenvolvidas.

A proposta contempla um cronograma de curto, médio e longo prazo, com envolvimento direto da comunidade e das instituições parceiras. A participação popular será essencial para garantir que o projeto seja construído de forma coletiva, com escuta ativa e respeito às tradições e aos desejos da população.

A programação de lançamento do movimento terá início às 7h com a celebração de uma missa na Paróquia de São Sebastião. Em seguida, será realizada uma procissão até a Gruta, onde, às 8h, ocorrerá a solenidade oficial de lançamento e a fixação da nova cruz no espaço.

Todos os moradores, lideranças comunitárias, instituições, artistas, jovens, idosos e crianças estão convidados a participar desse momento histórico. A Gruta é símbolo de fé, cultura e pertencimento, e o movimento “A Gruta é Nossa” representa um passo importante na construção de um futuro em que esse espaço seja reconhecido, cuidado e celebrado por toda a comunidade.

Minas Gerais lidera a preservação do patrimônio cultural no Brasil

Minas Gerais lidera a preservação do patrimônio cultural no Brasil - Foto: reprodução
Minas Gerais lidera a preservação do patrimônio cultural no Brasil – Foto: reprodução

Minas Gerais reafirma sua posição como líder nacional na preservação e conservação do patrimônio cultural, consolidando-se como referência no Brasil.

Dados recentes mostram que, em 2021, o estado já possuía 802 municípios com legislação municipal de proteção ao patrimônio. Em 2024, esse número chegou a 840, demonstrando um avanço significativo e a quase totalidade dos municípios mineiros com políticas ativas de conservação.

Esse avanço é resultado de uma política pública estruturada e contínua, com destaque para a transferência do ICMS Patrimônio Cultural, um mecanismo inovador de fomento realizado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).

Esse modelo incentiva os municípios a criarem e aplicarem legislações próprias para a preservação do patrimônio, garantindo não apenas o tombamento de bens, mas também sua conservação e promoção.

“Minas Gerais é o estado que mais protege sua história e identidade cultural. A liderança nacional na preservação do patrimônio pelos municípios é fruto de políticas públicas consistentes e do trabalho exemplar realizado pelo Iepha. O ICMS Cultural tem sido uma ferramenta fundamental para estimular essa preservação, garantindo que cada cidade mineira cuide do seu patrimônio e valorize sua história”, destaca Leônidas de Oliveira, secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.

Modelo de sucesso

O ICMS Patrimônio Cultural funciona como um incentivo direto aos municípios que investem na proteção do patrimônio histórico. A transferência de recursos pelo Governo de Minas permite que os municípios tenham autonomia para ações de preservação, recuperação e valorização de seus bens culturais.

“O modelo do ICMS Patrimônio Cultural é um dos mais bem-sucedidos do Brasil. Ele incentiva os municípios a desenvolverem políticas próprias de conservação, além de promover o engajamento da sociedade na valorização do seu patrimônio. Esse avanço demonstra o compromisso dos mineiros com a preservação da sua identidade”, afirma o presidente do Iepha-MG, João Paulo Martins.

Esse modelo tem sido referência para outros estados do Brasil, mostrando como políticas públicas bem estruturadas são capazes de estimular o desenvolvimento local por meio da cultura e do turismo.

“A cultura é um vetor de desenvolvimento econômico e social. Municípios que investem na preservação do seu patrimônio também fortalecem o turismo, geram empregos e promovem um senso de pertencimento na população. Minas Gerais lidera esse processo no Brasil e segue avançando, garantindo que seu patrimônio histórico continue sendo uma fonte de riqueza cultural e econômica”, ressalta Leônidas de Oliveira.

Referência para o Brasil

O trabalho desenvolvido pelo Iepha-MG tem sido fundamental para que Minas Gerais se mantenha na liderança da preservação do patrimônio no Brasil. Além de assessorar os municípios, o instituto realiza capacitações, estudos técnicos e políticas de incentivo, fortalecendo a gestão municipal do patrimônio.

Com 840 municípios engajados na proteção de seus bens culturais, Minas Gerais reafirma sua posição como o estado que mais valoriza e protege sua história, sendo exemplo para o país.

“Minas Gerais sempre esteve à frente na proteção do seu patrimônio histórico e cultural. O crescimento do número de municípios com legislação de preservação mostra que estamos no caminho certo”, conclui João Paulo Martins.

Jornal Folha Regional
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.