São Sebastião do Paraíso conquista 1º lugar nacional com projeto inovador de saúde mental – Foto: divulgação
São Sebastião do Paraíso alcançou um importante reconhecimento nacional ao conquistar o 1º lugar geral na 21ª Mostra “Brasil, Aqui Tem SUS”, realizada durante o XXXIX Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), em Porto Alegre (RS). O município superou mais de 2 mil cidades participantes e cerca de 11 mil trabalhos inscritos, tornando-se referência nacional em inovação na saúde pública.
O projeto vencedor, intitulado “Plantão Crise no CAPS II: Cuidado Intensivo no Território para Manejo das Crises em Saúde Mental”, oferece atendimento especializado a pacientes em situação de crise durante a noite, finais de semana e feriados. Nesses períodos, equipes de enfermagem se deslocam até a residência dos usuários para administrar medicação, prestar acolhimento, orientar familiares e evitar internações desnecessárias.
Os resultados apresentados chamaram a atenção dos avaliadores. Entre 2023 e 2026, 16 pacientes acompanhados pelo programa haviam registrado, antes da implantação da iniciativa, 85 internações psiquiátricas. Após o início do Plantão Crise, esse número caiu para apenas cinco internações, representando uma redução superior a 90%. Além disso, 13 pacientes não precisaram mais ser reinternados, incluindo um usuário que permaneceu institucionalizado por sete anos e conseguiu retomar o cuidado em liberdade.
Idealizado pela coordenadora do CAPS II, Camila Barbosa Caetano, o projeto fortalece o atendimento territorial e humanizado previsto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o cuidado próximo à realidade dos pacientes e de suas famílias. O reconhecimento nacional fará com que a experiência de São Sebastião do Paraíso seja utilizada como referência para outros municípios brasileiros, inclusive com visita técnica do Ministério da Saúde para documentar e divulgar a iniciativa.
O prefeito Marcelo Morais comemorou a conquista e destacou que o prêmio é resultado dos investimentos realizados na rede municipal de saúde mental desde 2023, ressaltando o trabalho desenvolvido pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde e pelos profissionais do CAPS II.
A premiação consolida São Sebastião do Paraíso como um dos principais exemplos de políticas públicas inovadoras em saúde mental no país, demonstrando que estratégias de cuidado contínuo e humanizado podem transformar a vida dos pacientes e reduzir significativamente as internações psiquiátricas.
Câmara de Passos aprova projeto que dispensa entregadores de subir até apartamentos – Foto: reprodução
A Câmara Municipal de Passos aprovou, durante a 24ª sessão ordinária realizada na segunda-feira (13), um projeto de lei que desobriga entregadores de aplicativos e de outros serviços de entrega de acessarem áreas internas de prédios residenciais e comerciais para concluir entregas. A proposta, apresentada pelo vereador André Albino, recebeu aprovação em segundo turno, de forma terminativa, e será encaminhada para sanção do prefeito Maurício Silva.
Pela matéria, os profissionais que realizam entregas — sejam eles vinculados a empresas, plataformas digitais de intermediação de serviços ou trabalhadores autônomos — passam a ter assegurado o direito de realizar a entrega sem precisar entrar em áreas comuns internas ou espaços privativos de condomínios e edifícios comerciais.
O texto também estabelece que condomínios, prédios e consumidores não poderão exigir que o entregador acesse essas áreas para finalizar o serviço. A iniciativa tem como finalidade oferecer mais proteção aos trabalhadores, evitando situações que possam comprometer sua segurança durante o exercício da atividade.
“O objetivo é proteger os trabalhadores e trabalhadoras que atuam como entregadores de aplicativos ou de serviços de entregas em geral, garantindo-lhes segurança, dignidade e respeito em sua atividade”, afirmou o vereador André Albino.
Durante o Grande Expediente da sessão, o parlamentar agradeceu aos demais vereadores pela aprovação da proposta em segundo turno e ressaltou a importância de estabelecer regras claras na relação entre consumidores, condomínios e profissionais de entrega, evitando exigências que possam colocar os trabalhadores em situação de insegurança ou exposição indevida.
Comissão da Alerj aprova projeto que cria “tornozeleira rosa” para agressores de mulheres – Foto: reprodução
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, por unanimidade, na última quarta-feira (8), o parecer favorável ao projeto de lei que cria a chamada “tornozeleira rosa” para pessoas investigadas ou condenadas por crimes de violência contra a mulher que estejam submetidas ao monitoramento eletrônico por decisão judicial. A proposta agora será analisada pelo plenário da Casa.
O Projeto de Lei nº 7.549/26 estabelece que os dispositivos utilizados no cumprimento de medidas protetivas de urgência ou cautelares tenham identificação visual padronizada na cor rosa. A medida poderá ser aplicada em casos de violência doméstica e familiar, violência vicária, violência de gênero praticada em relações afetivas, sociais ou institucionais, além de crimes como violência sexual, assédio e perseguição.
Pelo texto, a adoção do dispositivo dependerá da disponibilidade orçamentária e operacional do Poder Executivo. A decisão sobre a utilização da tornozeleira caberá ao juiz responsável pelo caso, que poderá determinar ou dispensar o uso da identificação de forma fundamentada.
Segundo os autores da proposta, a identificação visual busca facilitar o reconhecimento dos monitorados por agentes de segurança pública, contribuir para a prevenção da reincidência e fortalecer a proteção das vítimas e de suas redes de apoio.
O projeto também estabelece garantias aos monitorados. A divulgação da identidade do usuário da tornozeleira associada ao dispositivo fica proibida em meios de comunicação e redes sociais, exceto quando houver justificativa relacionada à segurança pública. Além disso, a pessoa monitorada deverá receber informações por escrito sobre seus direitos e os canais disponíveis para apresentação de reclamações.
A proposta ainda prevê que a tornozeleira rosa passe a integrar a Política Estadual de Proteção Integral da Mulher, em conjunto com programas de enfrentamento à violência de gênero, monitoramento eletrônico de agressores e reeducação de autores de violência doméstica, conforme as diretrizes da Lei Maria da Penha.
Caso a matéria seja aprovada pelo plenário e sancionada pelo governador, o Executivo deverá encaminhar anualmente à Alerj um relatório com o número de pessoas monitoradas por dispositivos com identificação rosa e os registros de descumprimento de medidas protetivas e cautelares. Os custos da medida deverão ser cobertos por recursos da Lei Orçamentária Anual (LOA), além de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Estadual de Segurança Pública.
Na mesma sessão, a CCJ também aprovou o Projeto de Lei nº 3.143/24, elaborado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência Cibernética contra as Mulheres. A proposta determina que 2% dos recursos destinados às campanhas institucionais do Estado sejam aplicados em ações de conscientização sobre crimes cibernéticos praticados contra mulheres e formas de prevenção. Assim como o projeto da tornozeleira rosa, a matéria ainda depende de aprovação do plenário antes de seguir para sanção ou veto do governador.
Proposta foi dos deputados Antônio Carlos Arantes e Professor Cleiton – Foto: Divulgação
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deu aval, em primeiro turno, ao projeto de lei que estabelece novas regras para a contratação de artistas em eventos financiados com recursos públicos. A proposta, de autoria dos deputados Antônio Carlos Arantes (PL) e Professor Cleiton (PV), foi aprovada por unanimidade nesta terça-feira (30), recebendo 43 votos favoráveis.
O principal ponto do texto é a criação de um teto de R$ 500 mil para o pagamento de cachês em apresentações custeadas, total ou parcialmente, com recursos estaduais ou municipais. O limite também se aplica quando houver participação indireta de dinheiro público na contratação.
Além do valor destinado ao artista, o projeto determina que o teto englobe despesas com transporte até a cidade onde ocorrerá o evento e alimentação dos contratados. Já os custos com hospedagem, produção local e deslocamento interno terão um limite específico, correspondente a até 10% do valor total da contratação.
Outra regra prevista é que eventos integralmente financiados com dinheiro público deverão ter entrada gratuita, ficando proibida a cobrança de ingressos.
O texto aprovado é um substitutivo elaborado pela Comissão de Cultura e ainda estabelece que o gasto com cada apresentação não poderá ultrapassar 1% da receita corrente líquida do município, independentemente das exceções previstas na proposta.
Durante a votação, o deputado Antônio Carlos Arantes afirmou que o objetivo é criar critérios para o uso dos recursos públicos na realização de eventos.
“Esse projeto busca criar normas, criar também teto, para esses eventos financiados com dinheiro público, principalmente shows. […] O que não pode é ter os abusos que têm tido hoje, de show custar R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões, em municípios onde muitas vezes falta recurso para áreas de saúde, educação, transporte”, declarou.
Situações em que o teto pode ser ampliado
O projeto prevê algumas exceções ao limite de R$ 500 mil. Durante o Carnaval e as comemorações de Ano Novo, o valor poderá ser acrescido em até 100%.
Nos eventos reconhecidos como de relevante interesse cultural para Minas Gerais, o teto poderá receber um aumento de até 10%.
Também estão previstos acréscimos conforme a capacidade financeira dos municípios:
até 20% para cidades com receita corrente líquida entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões;
até 40% para municípios com receita entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão;
até 60% para receitas entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões;
até 80% para municípios com receita corrente líquida superior a R$ 2 bilhões.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) também será considerado. Municípios com índice superior a 0,800 poderão ampliar o limite em até 10%, enquanto aqueles com IDHM inferior a 0,599 terão redução de até 30% no teto permitido.
Em todos os casos, permanece obrigatória a regra de que os investimentos em cada show não podem superar 1% da receita corrente líquida do município.
Penalidades
Caso as determinações sejam descumpridas, a proposta prevê a devolução integral dos recursos públicos utilizados, multa de até 20% sobre o valor do contrato, responsabilização administrativa e civil, além da possibilidade de enquadramento por improbidade administrativa quando houver previsão legal. O projeto também admite a rejeição das contas pelos órgãos de controle externo.
Projeto propõe coleiras refletivas para incentivar adoção de cães em São Sebastião do Paraíso – Foto: reprodução
A proteção de animais em situação de rua e a promoção da adoção responsável ganharam destaque durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso realizada na noite de segunda-feira (15). Entre os assuntos discutidos pelos vereadores, foi apresentado o Projeto de Lei nº 5876/2026, que cria o Programa Municipal Coleira Refletiva da Adoção.
A proposta foi protocolada pelo vereador Juliano Carlos Reis e prevê a utilização de coleiras refletivas em cães comunitários e animais que vivem nas ruas da cidade. Além de aumentar a segurança dos animais, o equipamento deverá conter informações que facilitem sua identificação e aproximem possíveis adotantes.
Segundo o texto apresentado, cada coleira poderá reunir dados sobre a condição de saúde do animal, histórico de acompanhamento pelos programas municipais e formas de contato para quem tiver interesse em oferecer um novo lar.
Ao justificar a iniciativa, o autor do projeto destacou que a medida poderá gerar benefícios em diferentes áreas. Um dos principais objetivos é reduzir o número de atropelamentos, já que o material refletivo aumenta a visibilidade dos cães durante a noite e em locais com pouca iluminação.
Outro ponto defendido é o estímulo à adoção consciente. Com informações acessíveis diretamente na coleira, moradores poderão conhecer melhor os animais e obter orientações para iniciar o processo de adoção.
A proposta também pretende contribuir para o controle e monitoramento dos cães atendidos pelo município, permitindo maior acompanhamento de ações como vacinação e castração.
Após ser apresentada em plenário, a matéria foi encaminhada para análise das Comissões de Finanças, Justiça e Legislação e de Defesa dos Direitos dos Animais. Concluída essa etapa, o projeto retornará à pauta para votação dos vereadores.
A discussão do tema reforça o espaço que as políticas voltadas ao bem-estar animal vêm ocupando no Legislativo paraisense, especialmente em iniciativas que buscam conciliar proteção dos animais, saúde pública e segurança no trânsito.
Campanha que troca óleo usado por alimentos ganha reforço do Tiro de Guerra em Passos – Foto: Ascom CMP
Cerca de 3.500 litros de óleo de cozinha usado são recolhidos mensalmente em Passos por meio do projeto “Protegendo a Vida e Diminuindo a Fome”, iniciativa desenvolvida pelo Lions Clube que une preservação ambiental, reciclagem e apoio à segurança alimentar da população. Nos últimos meses, a campanha ganhou um importante reforço com a participação do Tiro de Guerra 04-014, ampliando a mobilização comunitária e fortalecendo as ações de conscientização sobre o descarte correto do resíduo.
A iniciativa também conta com o apoio da Prefeitura de Passos, por intermédio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que atuam como pontos de coleta distribuídos pelos bairros da cidade. O objetivo é facilitar o acesso da população à campanha e ampliar o volume de material destinado à reciclagem.
O funcionamento é simples: a cada três litros de óleo de cozinha usado entregues em um dos pontos de arrecadação, o participante recebe um litro de óleo novo e lacrado ou um quilo de arroz. Dessa forma, além de evitar que o resíduo seja descartado inadequadamente, a ação gera benefícios diretos para famílias do município.
A entrada do Tiro de Guerra na campanha contribuiu para ampliar a capacidade de organização e divulgação da iniciativa. O trabalho dos atiradores tem aproximado a instituição da comunidade e reforçado o caráter social da formação oferecida aos jovens. Segundo o subtenente Eder Gonçalves Soares, o envolvimento do TG está alinhado ao propósito da unidade de gerar resultados positivos para a sociedade e desenvolver ações que tragam benefícios concretos à população.
A preocupação com a destinação correta do óleo de cozinha também está prevista na legislação municipal. Em Passos, a Lei nº 3.024, de 2 de outubro de 2013, proíbe o descarte de produtos ou resíduos que contenham gordura, óleo vegetal ou óleo mineral nas redes de esgoto, galerias pluviais ou diretamente no meio ambiente.
A norma estabelece ainda que estabelecimentos comerciais, industriais, residências, condomínios, ambulantes e prestadores de serviços que utilizam óleo ou gordura em suas atividades devem encaminhar esses resíduos para cooperativas ou empresas devidamente licenciadas para reciclagem e beneficiamento.
O descarte inadequado do óleo pode causar diversos impactos ambientais e urbanos, como entupimento de tubulações, mau cheiro, danos aos sistemas de drenagem e contaminação do solo e dos recursos hídricos. Por isso, o projeto desenvolvido pelo Lions Clube oferece uma alternativa prática para moradores e comerciantes cumprirem seu papel ambiental.
Diversos estabelecimentos do setor alimentício já aderiram à iniciativa, entre eles bares, padarias e pastelarias, que passaram a colaborar com a arrecadação do material. A proposta também avança para o ambiente escolar. A expectativa é que, a partir de junho de 2026, a campanha seja oficialmente expandida para as escolas municipais, envolvendo crianças e adolescentes em atividades de educação ambiental. A intenção é transformar os estudantes em multiplicadores das informações sobre reciclagem e preservação dentro de suas famílias e comunidades.
Após a coleta, todo o óleo arrecadado é encaminhado ao ecoponto e posteriormente destinado à empresa Brejeiro, parceira do projeto. O material é utilizado na produção de biodiesel, combustível renovável que contribui para a redução da emissão de dióxido de carbono (CO₂) e evita a contaminação ambiental provocada pelo descarte incorreto do resíduo.
Criado pelo Lions Clube de Passos, entidade sem fins lucrativos presente no município desde 1º de junho de 1969, o projeto tem ampliado sua abrangência graças à parceria com o Tiro de Guerra e ao apoio do poder público municipal. A união entre diferentes setores da sociedade tem permitido alcançar mais bairros e aumentar o engajamento da população.
Quem deseja participar pode entregar o óleo de cozinha usado na sede do Lions Clube, no Tiro de Guerra 04-014 ou em qualquer unidade do CRAS. Na sede do Lions, o recebimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h.
Para garantir o aproveitamento adequado do material, a orientação é armazenar o óleo em garrafas PET ou recipientes bem vedados. Também é importante evitar a mistura com água, restos de alimentos ou outros resíduos, o que facilita o processo de reciclagem e reaproveitamento.
Machadinhas são alguns dos objetos encontrados que fazem parte do acervo no Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite – Foto: Arquivo/Júlia Mendonça
A valorização da memória indígena no Sul de Minas é o foco de um projeto desenvolvido por uma estudante do curso de Letras – Língua Portuguesa (Bacharelado) da UNIFAL-MG, que busca dar visibilidade ao Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI), em Carmo do Rio Claro (MG).
Idealizada por Júlia Vitória Mendonça, a proposta foi desenvolvida como trabalho de seminário da disciplina “Estudos de Literatura e Cinema”, ministrada pelo professor Ítalo Oscar Riccardi León, e se insere na interface entre literatura, cinema documental e memória coletiva.
A partir da análise do documentário Histórias de Quando a Água Chegou, produção vinculada a um projeto de extensão da Universidade e de materiais relacionados, a estudante buscou compreender como narrativas orais e audiovisuais contribuem para preservar histórias locais, especialmente aquelas impactadas pela construção da Usina de Furnas.
Júlia Vitória Mendonça – estudante do curso de Letras – Língua Portuguesa (Bacharelado) e autora do projeto – Foto: Arquivo Pessoal
Segundo Júlia Mendonça, o trabalho nasce de um vínculo direto com o território e com as memórias da comunidade. “A escolha deste tema partiu de um interesse pessoal e afetivo, pois trata-se de um projeto que pretendo continuar desenvolvendo, ligado diretamente à história das minhas terras e às memórias de pessoas da região. Registrar e analisar essas narrativas é uma forma de valorizar as vozes locais que muitas vezes são esquecidas ou silenciadas”, explica.
Para desenvolver o projeto, Júlia Mendonça coletou depoimentos, investigou a memória indígena na região e analisou o papel de espaços culturais, como o museu, na preservação dessas histórias.
Memória indígena e vestígios do território
Antônio Adauto e sua filha, Suzana de Araújo Leite Hervas, durante a exibição do documentário no auditório Leão de Faria e homenagem que ele recebeu na sede da UNIFAL-MG, em dezembro de 2016 – Foto: Arquivo/Dicom
Ao longo da pesquisa, a estudante se debruçou sobre a trajetória de Antônio Adauto Leite, responsável por reunir o acervo que deu origem ao museu. Considerado um guardião da memória local, ele dedicou mais de cinco décadas à coleta de vestígios arqueológicos encontrados, principalmente, nas margens da represa de Furnas.
“O acervo do museu foca na cultura dos índios Catu-auá/Cataguases e Tupi-guaranis da região, tendo sua origem diretamente ligada à trajetória de vida de seu fundador, Antônio Adauto Leite, cuja atuação foi fundamental para a preservação da memória indígena regional”, relata Júlia Mendonça na descrição do trabalho.
Entre as 3 mil peças que podem ser conferidas no museu estão potes cerâmicos, utensílios, ferramentas e outros objetos que evidenciam a presença de povos indígenas na região muito antes das transformações provocadas pela construção da usina.
Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI) em Carmo do Rio Claro-MG – Foto: Arquivol/Júlia Mendonça
Esses vestígios, segundo a análise do trabalho, funcionam como testemunhos materiais de comunidades que tiveram parte de sua história apagada pela inundação.
Além de informações históricas sobre o museu, Júlia Mendonça fez registros fotográficos do acervo e coletou depoimentos, como o de Suzana Araújo Leite Hervas, filha de Antônio Adauto Leite, responsável pela formação do espaço histórico.
“O legado do meu pai é de um valor imensurável”, afirma Suzana Leite. “Guardar memórias é ter conhecimento da nossa história, da nossa evolução. É algo essencial”, ressalta.
Ítalo Oscar Riccardi León – professor do curso de Letras, responsável pela disciplina que originou o projeto – Foto: Arquivo Pessoal
Para o professor Ítalo León, responsável pela disciplina que originou o projeto e coordenador do documentário de 2015, o trabalho de Júlia Mendonça se destaca por ir além da proposta acadêmica e se transformar em um reencontro com suas próprias raízes.
“Com espírito sensível, emotivo e de pesquisadora, a Júlia elaborou uma proposta de investigação que busca não apenas ressignificar o vídeo/documentário, mas também abordar questões relacionadas à memória e à sua preservação”, relata.
“O trabalho dá continuidade e amplia as narrativas originadas pela inundação da barragem de Furnas, incluindo aspectos ligados à presença indígena na região, muitas vezes pouco estudada ou até esquecida, e ao papel do Museu de Arqueologia Indígena Antônio Adauto Leite (MUARI) como espaço de resgate”, completa.
Projeto desenvolvido por estudante da UNIFAL-MG destaca memória indígena e museu no Sul de Minas – Foto: Arquivo/Júlia MendonçaProjeto desenvolvido por estudante da UNIFAL-MG destaca memória indígena e museu no Sul de Minas – Foto: Arquivo/Júlia MendonçaProjeto desenvolvido por estudante da UNIFAL-MG destaca memória indígena e museu no Sul de Minas – Foto: Arquivo/Júlia MendonçaProjeto desenvolvido por estudante da UNIFAL-MG destaca memória indígena e museu no Sul de Minas – Foto: Arquivo/Júlia Mendonça
Projeto de alunos da Uemg arrecada livros para pacientes do HRC Passos – Foto: divulgação
Em meio à rotina delicada de quem enfrenta o tratamento contra o câncer, pequenos gestos podem fazer grande diferença. Em Passos, uma ação promovida por estudantes tem levado mais do que livros, tem levado acolhimento.
A iniciativa partiu de alunos do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda da UEMG (unidade Passos), que desenvolveram um projeto extensionista voltado à arrecadação de livros. A mobilização foi conduzida por meio da Agência LAR, envolvendo comunicação e engajamento social em uma causa sensível.
As doações foram destinadas ao Hospital Regional do Câncer de Passos, beneficiando pacientes e também acompanhantes que passam longos períodos na unidade.
Mais que páginas, um gesto de cuidado
A entrega, realizada em alusão ao Dia do Livro, simboliza mais do que incentivo à leitura. Cada exemplar doado representa uma pausa na rotina hospitalar, oferecendo momentos de distração, conforto emocional e esperança durante o tratamento.
A ação também contou com o apoio dos profissionais do setor de captação de recursos da instituição, que auxiliaram na organização e destinação das doações.
Comunicação que transforma
O projeto reforça o papel da comunicação como ferramenta de impacto social, mostrando que iniciativas acadêmicas podem ultrapassar os limites da sala de aula e gerar benefícios concretos para a comunidade.
A mobilização envolveu não apenas os estudantes, mas também pessoas que contribuíram com as doações, tornando a ação coletiva e ainda mais significativa.
Polícia Penal de Minas Gerais promove projeto de destinação sustentável de bens apreendidos, em Pouso Alegre – Foto: Sejusp
A Polícia Penal de Minas Gerais (PPMG), por meio do Presídio de Pouso Alegre, no Sul do estado, oficializou no início deste mês, uma parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas Gerais e com a Receita Federal para a implementação do Projeto Transformar Sustentável na unidade prisional. A iniciativa tem como objetivo a destinação social e sustentável de itens de vestuário apreendidos, por meio da mão de obra de custodiados, e possui vigência até o ano de 2028.
O projeto promove a descaracterização de produtos confiscados, como roupas e outros itens, com a retirada de etiquetas e marcas, que é feita pelos custodiados do presídio, dentro do processo de remição de pena por trabalho. Após a descaracterização, os produtos são destinados a Organizações Não Governamentais (ONGs), prefeituras e instituições filantrópicas, contribuindo para o melhor funcionamento e a manutenção de ações sociais em diferentes regiões de Minas Gerais.
De acordo o diretor-geral do Presídio de Pouso Alegre, Bruno Martins, a iniciativa integra educação, sustentabilidade e responsabilidade social, ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades de trabalho dentro do ambiente prisional. “O impacto do projeto dentro da unidade é direto, trazendo mais disciplina, menos ociosidade e um ambiente mais seguro e organizado. Ele vem dando importantes oportunidades aos detentos”, disse.
Ainda segundo Bruno Martins, a participação dos custodiados contribui para o desenvolvimento de habilidades e senso de responsabilidade, fortalecendo o processo de ressocialização. “A partir dessas iniciativas, a Polícia Penal de Minas Gerais segue firme, mostrando que segurança pública também se constrói com trabalho e recomeço”.
A parceria já está em fase de implementação e deve ampliar gradualmente a participação de custodiados nas atividades, acompanhando a demanda de materiais destinados ao projeto. As atividades serão desenvolvidas dentro da unidade prisional, com acompanhamento técnico e em respeito às normas de segurança vigentes dentro do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG).
Alpinópolis (MG), domingo (11) — O sorriso largo de uma criança tem o poder de transformar um dia inteiro. Foi assim que o domingo ganhou novos sentidos em Alpinópolis, quando o 3º Pelotão da Polícia Militar, em parceria com o Projeto Tia Josi, percorreu ruas da cidade e estradas da zona rural para distribuir brinquedos arrecadados ao longo do fim de ano.
A campanha, iniciada em dezembro, mobilizou a comunidade e resultou na arrecadação de dezenas de brinquedos — novos e usados, todos em bom estado. Cada item passou por um cuidadoso processo de seleção e limpeza antes de ser embalado com carinho, gesto que traduz o verdadeiro espírito de solidariedade que move a ação.
À frente do Projeto Tia Josi está Jorgeana dos Santos Silva, moradora do bairro Vila Betânia, conhecida por todos como Tia Josi. Muito além da distribuição de brinquedos, o projeto mantém um depósito de roupas para doações e, em parceria com a Polícia Militar, participa da arrecadação de alimentos para a montagem de cestas básicas destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade. Uma união que fortalece laços e multiplica esperanças.
A entrega começou no distrito rural do bairro São Bento, onde a chegada da viatura foi recebida com curiosidade e expectativa. Em seguida, os militares percorreram bairros da área urbana, levando alegria de porta em porta. Em cada parada, um presente; em cada abraço, a certeza de que gestos simples podem fazer toda a diferença.
A iniciativa emocionou moradores, como dona Odete Borges, do bairro Vila Betânia: “Ficamos felizes por saber que existem pessoas que se importam com os outros e com nossas crianças. Temos orgulho de uma Polícia Militar presente e solidária e de ter a Tia Josi, que nos traz tanta alegria. Que Deus os ilumine sempre.”
Para o 3º sargento Juliano Pereira, um dos organizadores, a ação vai além da entrega de brinquedos. “Projetos como esse nos aproximam da população e nos fazem crescer como pessoas e profissionais. É gratificante participar de uma iniciativa que leva alegria, principalmente às crianças, que passam a enxergar a Polícia Militar como uma amiga.”
Em um domingo marcado por sorrisos e gratidão, Alpinópolis mostrou que a solidariedade segue sendo o melhor presente — para quem recebe e, sobretudo, para quem doa.
Solidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgaçãoSolidariedade que aquece corações: PMMG e Projeto Tia Josi levam alegria às crianças de Alpinópolis – Foto: divulgação
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