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Jornal Folha Regional

Em nova fase, Projeto Queijo Minas Legal já garantiu habilitação sanitária a 88 queijarias no estado

Em nova fase, Projeto Queijo Minas Legal já garantiu habilitação sanitária a 88 queijarias no estado - Foto: divulgação
Em nova fase, Projeto Queijo Minas Legal já garantiu habilitação sanitária a 88 queijarias no estado – Foto: divulgação

Queijo em Minas é assunto sério e, por isso, tem que ser legal. O Projeto Queijo Minas Legal (PQML), que objetiva aumentar o número de queijarias regularizadas do estado, entra em uma nova fase: a da coleta de amostras do leite e da água utilizadas na fabricação dos queijos. Segundo o diretor de Agroindústria e Cooperativismo da Seapa, Ranier Figueiredo, serão feitas análises microbiológicas e físico-químicas, que são indicativos da qualidade do material. “O resultado vai subsidiar a continuidade do trabalho de assistência técnica da Emater para manter ou aprimorar os processos”. 

A análise também pode ser utilizada para dar entrada no processo de habilitação sanitária e obtenção do selo de inspeção, obrigatório para todos os produtos de origem animal. Aqueles que já têm habilitação sanitária podem usar o resultado para manter o seu registro, porque todo produtor certificado precisa repetir a análise de seu produto a cada seis meses.

 Nova etapa

A coleta das amostras está acontecendo em Patrocínio e nos outros municípios atendidos pelas regionais da Emater-MG em Patos de Minas, Uberaba e Uberlândia. A análise é gratuita para todos os produtores do projeto. O valor total aproximado de R$ 756 mil é subsidiado pelo Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, do Procon-MG.

Por meio do projeto, 88 queijarias em todo o estado já alcançaram sua habilitação sanitária.  A iniciativa é uma parceria entre o Governo de Minas, via Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Emater-MG, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público de Minas Gerais (Procon-MG/MPMG) e o Fundo Estadual de Defesa e Proteção do Consumidor.

Na avaliação do promotor de Justiça e coordenador do Procon, Luiz Roberto Franca Lima, o Projeto Queijo Minas Legal mostra aos produtores que a necessidade de regularização não deve ser vista como um empecilho para a produção, mas uma etapa importante para a valorização que eles merecem. “Ele faz essa ponte entre a tradição e a qualidade, garantindo que o produtor alcance espaço adequado no mercado, novas fronteiras e mais pessoas conheçam seu produto”.

Em nova fase, Projeto Queijo Minas Legal já garantiu habilitação sanitária a 88 queijarias no estado - Imagem: divulgação
Em nova fase, Projeto Queijo Minas Legal já garantiu habilitação sanitária a 88 queijarias no estado – Imagem: divulgação

Primeira coleta

Na fazenda Buqueirão, em Patrocínio, foram coletadas as primeiras amostras do leite e da água utilizados na queijaria Nossa Senhora Aparecida, marcando a nova etapa do projeto.

Helenice de Souza, idealizadora do empreendimento, é um dos 652 produtores atendidos pelo projeto. Quando a produtora deixou a profissão de corretora de imóveis para investir numa atividade produtiva no campo, a tradição da família na fabricação de queijos falou mais alto.

Com o apoio da Emater-MG, ela iniciou a atividade leiteira com o foco na produção de queijo e já estava no processo de regularização, quando foi selecionada para participar do PQML.

Com o início em 2022, a produtora não precisou de muito tempo para crescer e buscar a formalização. Atualmente, sua produção é de cerca de 20 peças de Queijo Minas Artesanal por dia, que têm o Selo de Inspeção Municipal emitido pelo Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Alto Parnaíba (Cispar), sendo comercializado nos municípios que fazem parte do consórcio. “Entrar nesse projeto foi um divisor de águas pela assistência que recebemos. Essa análise gratuita é fundamental para nós que somos pequenos produtores. Agora é crescer e ganhar mercado”.

 A responsável técnica pelo laboratório, em Uberlândia, Fúlvia Zardini, reforça a importância do trabalho. “As análises vão identificar se o produto está de acordo com o regulamento de identidade do produto, garantindo sua qualidade ao consumidor.”

Região possui 14 queijarias com ‘Selo Arte’ e 11 estão em São Roque de Minas

Região possui 14 queijarias com 'Selo Arte' e 11 estão em São Roque de Minas - Foto: reprodução
Região possui 14 queijarias com ‘Selo Arte’ e 11 estão em São Roque de Minas – Foto: reprodução

São Roque de Minas (MG) concentra 11 das 14 queijarias com Selo Arte, que permite a comercialização dos produtos em todo o território nacional.

Segundo a gerência de Inspeção de Produtos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a região tem queijaria com o selo em Delfinópolis, Piumhi e Vargem Bonita, sendo uma em cada município, e outros 11 estabelecimentos localizados em São Roque de Minas.

Conforme informações do IMA, para solicitar o ‘Selo Arte’, o produtor já deve possuir registro no Serviço de Inspeção Estadual ou no Serviço de Inspeção Municipal (SIM), sendo que ambos visam garantir e ampliar a área de comercialização dos queijos.

Segundo o IMA, em Minas compete ao órgão o registro e a inspeção higiênico-sanitária dos estabelecimentos que processem leite e seus derivados para a comercialização, baseado em normas e leis específicas e realizado por fiscais agropecuários/médicos veterinários.

Procedimentos

A concessão de registro no IMA e do ‘Selo Arte’, a inspeção e a fiscalização dos estabelecimentos compreendem um conjunto de atividades, com análise de documentos para obtenção do registro; análise de projetos; vistorias nos estabelecimentos existentes, em construção ou áreas a serem construídos; registro dos estabelecimentos; registro dos produtos/rótulos; inspeção higiênico-sanitária dos estabelecimentos; e coleta de amostras para análises oficiais.

De acordo com o instituto, essa inspeção higiênico-sanitária tem por objetivo preservar a saúde pública para que a população tenha acesso a alimentos seguros, diminuindo os riscos do contágio de doenças e de intoxicações alimentares.

Sisbi/POA

Um estabelecimento em Formiga, classificado como posto de refrigeração, e outro em São Sebastião do Paraíso, classificado como usina de beneficiamento, possuem o registro no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi/POA), que tem por objetivo harmonizar e padronizar os procedimentos de inspeção e fiscalização dos produtos de origem animal em todo o país.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, esse sistema: contribui para a oferta de alimentos saudáveis aos consumidores; possibilita maior inserção desses produtos da agricultura familiar no mercado formal – local, regional e nacional; fortalece os municípios, abrindo espaço para integração dos mesmos e incentivando o desenvolvimento local e dos territórios; oferece maior integração entre os serviços de inspeção federal, estadual e municipal, reduzindo o comércio de produtos sem inspeção.

Ainda conforme o órgão, posto de refrigeração é o estabelecimento intermediário entre as propriedades rurais e as unidades de beneficiamento de leite e derivados destinados à seleção, à recepção, à mensuração de peso ou volume, à filtração, à refrigeração, ao acondicionamento e à expedição de leite cru refrigerado.

Já a usina de beneficiamento “que tem por finalidade principal receber, filtrar, beneficiar e acondicionar higienicamente o leite destinado diretamente ao consumo público”, explica o ministério.

Desde 2019, Minas eleva de 20 para 155 as queijarias legalizadas

O número de queijarias legalizadas no estado subiu de 20 para 155 no período de 2019 a 2024, o que representa um aumento de 675%.

Por ter em sua composição o leite cru, ou seja, não pasteurizado, o que pode representar um risco à saúde quando elaborados sem os cuidados necessários, os queijos artesanais de Minas devem seguir uma rigorosa legislação sanitária estabelecida pelo IMA após estudos diversos em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e outras instituições.

Em 19 de agosto de 2020, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 48.024/2020 que regulamenta a produção e comercialização de queijos artesanais no estado.

A regulamentação fortalece o pequeno produtor e valoriza o agronegócio mineiro, incentivando a produção local e sustentável, já que é uma fonte de renda e emprego para aproximadamente 9 mil famílias no estado.

Recentemente, o IMA publicou a Portaria nº 2307, que estabelece o regulamento técnico de identidade e qualidade do Queijo Minas Artesanal de Casca Florida Natural. Já no último dia 17/7, o IMA incluiu, também por meio de portaria, o Distrito de Rosário de Minas, no município de Juiz de Fora, como parte da Região Serras da Ibitipoca como produtora de Queijo Minas Artesanal.

Para registrar uma queijaria ou entreposto no Serviço de Inspeção Estadual (SIE), o produtor deve iniciar o processo solicitando o registro de forma on-line no site do IMA ou em um dos escritórios do órgão espalhados por todo o estado de Minas Gerais. Esse registro permite a comercialização dos produtos em todo o estado.

“Atualmente, o prazo de resposta da solicitação de registro é de no máximo 60 dias. No entanto, o tempo total para a conclusão do registro pode variar conforme as condições apresentadas no projeto. Em caso de necessidade de alterações no estabelecimento do produtor, esse prazo pode se estender um pouco mais”, explica André.

Adicionalmente, é possível solicitar o Selo Arte, também no IMA, e neste caso o produto já deve possuir registro no Serviço de Inspeção Estadual ou Municipal. O Selo Arte é um tipo de registro que amplia a área de comercialização de um produto, permitindo o comércio em todo o país. (Clic Folha)

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