
A cidade de Muzambinho (MG) passou a adotar oficialmente a chamada “segunda-feira sustentável”. Uma lei municipal, já sancionada e publicada, proíbe o fornecimento de sacolas plásticas em todos os estabelecimentos comerciais do município nesse dia da semana.
A iniciativa começou há cerca de três meses em uma rede de supermercados, que testou a medida em uma de suas maiores lojas. Aos poucos, a prática foi ampliada para as seis unidades do grupo e, diante da aceitação dos clientes, acabou transformada em lei. O gerente da rede, Gabriel Isaías de Carvalho, explicou que no início houve resistência dos consumidores, mas, com ações de conscientização e informativos, a população se adaptou. Atualmente, muitos clientes continuam utilizando alternativas ao plástico mesmo fora da segunda-feira. Nesses dias, apenas caixas de papelão são disponibilizadas, embora durante a semana o comércio ainda ofereça as sacolas plásticas.
A população, no entanto, se dividiu quanto à mudança. Para o aposentado Ismael Donizetti Nadalete, a substituição do plástico é positiva, especialmente por causa dos impactos ambientais. Ele acredita que as caixas de papelão são até mais práticas para uso no dia a dia. Já o morador Cleiton Fernandes de Souza considera que a restrição prejudica os consumidores, já que muitos reutilizam as sacolas para descartar lixo ou guardar objetos.
A Lei nº 3.788, de autoria do vereador Baiano (PTB), determina que comerciantes incentivem o uso de sacolas retornáveis, caixas de papelão ou sacos de papel. O parlamentar afirma que a intenção é, com o tempo, eliminar totalmente as sacolas plásticas, reduzindo custos para os comerciantes e impactos ao meio ambiente.
O descumprimento da regra pode gerar multa de R$ 670,89 (equivalente a três unidades fiscais do município). Em caso de reincidência, o valor dobra e o estabelecimento pode até ser interditado.
Especialistas destacam a relevância da iniciativa. O professor de gestão ambiental Claudiomir Silva Santos lembra que o plástico leva séculos para se decompor, provoca danos ao solo, à água e à saúde pública e que cada brasileiro gera, em média, 60 quilos de lixo plástico por ano, colocando o país como o quarto maior produtor desse tipo de resíduo no mundo. Para ele, a legislação aprovada em Muzambinho se destaca por ser uma das poucas no país com esse tipo de restrição.
A Associação Comercial e Industrial de Muzambinho informou, em nota, que ainda não havia sido oficialmente comunicada sobre a lei e que está se inteirando do assunto para posteriores esclarecimentos.