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Jornal Folha Regional

Secretaria de Estado de Saúde esclarece risco de hantavirose e reforça prevenção em Minas

Secretaria de Estado de Saúde esclarece risco de hantavirose e reforça prevenção em Minas – Foto: divulgação

A investigação de possível transmissão de hantavírus entre passageiros de um navio de cruzeiro, no Atlântico Sul, acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), trouxe o assunto de volta ao debate. No Brasil, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) esclarece que o cenário é diferente, a hantavirose está associada ao contato direto com roedores silvestres, principalmente em áreas rurais, e a cepa identificada no país não é transmitida de pessoa para pessoa. 

Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, não há motivo para alarme. “Muitas pessoas ficaram preocupadas, mas é importante esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus circula em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais. São casos isolados, como já ocorreram em outros anos no estado”, afirmou. 

A doença tem ocorrência pontual no estado e exige vigilância contínua, especialmente em regiões rurais. Minas tem atuação reconhecida nessa área e investe na capacitação de equipes. Em 2024, foi o primeiro estado do país a sediar treinamento prático em investigação de doenças zoonóticas, com foco em hantavirose e peste. 

“As ações de vigilância e prevenção são contínuas. Isso leva à consolidação de estratégias permanentes pelos municípios com apoio do Estado, incluindo atividades educativas e monitoramento epidemiológico”, comenta o subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi.  

Casos no estado  

Até o momento, Minas tem um caso confirmado de hantavirose em 2026, notificado ainda em fevereiro deste ano. O caso evoluiu para óbito e teve diagnóstico confirmado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) no mesmo período. O paciente, um homem de 46 anos, era residente de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, e tinha histórico de contato com roedores silvestres em ambiente de lavoura e paiol. 

De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), base oficial do Governo Federal, Minas registrou seis casos confirmados da doença em 2025, com quatro óbitos. Em 2024, foram oito casos confirmados, também com quatro óbitos. 

Prevenção 

Mesmo sem risco de transmissão entre pessoas, a SES-MG reforça cuidados para quem vive ou trabalha em áreas rurais. 

“A principal orientação é evitar varrer locais com poeira seca, onde possa haver fezes ou urina de roedores. O ideal é ventilar o ambiente, umedecer o piso antes da limpeza e manter alimentos e resíduos bem protegidos”, destacou Baccheretti. 

 As principais medidas são guardar alimentos em recipientes fechados, dar destino adequado ao lixo e entulhos, manter terrenos limpos, não deixar ração animal exposta e retirar restos de alimentos de animais domésticos. 

Também é importante evitar plantações muito próximas das casas, ventilar locais fechados antes de entrar e umedecer o chão antes da limpeza. A orientação é não varrer a seco. 

 Sintomas 

Os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo, cefaleia (dor de cabeça), dor lombar e dor abdominal. Nos casos mais graves, pode haver dificuldade respiratória, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial. 

Não há vacina nem tratamento específico. Pessoas com sintomas após contato com roedores silvestres ou ambientes rurais com sinais desses animais devem procurar atendimento de saúde. 

Atraente e letal: vape é extremamente perigoso, alerta Secretaria de Estado de Saúde

Atraente e letal: vape é extremamente perigoso, alerta Secretaria de Estado de Saúde – Foto: reprodução

Coloridos e modernos, eles são extremamente nocivos: os cigarros eletrônicos, ou vapes, podem causar lesões pulmonares graves e oferecem até seis vezes mais riscos que o cigarro comum. O alerta é da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que reforça a importância da prevenção, especialmente entre adolescentes, no Dia Nacional de Combate ao Fumo, neste 29/8.

Os prejuízos do tabagismo são amplamente conhecidos graças às campanhas de conscientização promovidas ao longo das últimas décadas. Já os malefícios do vape ainda geram muitas dúvidas, mas o consenso científico é claro: o produto é nocivo e perigoso. “Não é só sabor com vapor e aromas: os cigarros eletrônicos causam muitos danos para a saúde”, destaca Nayara Resende Pena, coordenadora dos Programas de Promoção da Saúde da SES-MG.

Criado nos anos 2000, com design moderno e aspecto tecnológico, o cigarro eletrônico ganhou força sobretudo entre adolescentes e jovens. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2019, mostrou que 16,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam experimentado o dispositivo.

“O vape parece inofensivo, mas é 100% perigoso”, reforça Frederico Thadeu Campos, médico pneumologista. Isso porque, embora muitas vezes exale apenas um vapor inodoro, ele carrega substâncias altamente tóxicas, como nicotina, metais pesados e compostos químicos associados a lesões pulmonares graves.

Principais doenças associadas ao uso de vape

Entre os principais riscos está a Evali (do inglês e-cigarette or vaping use-associated lung injury), uma síndrome reconhecida como lesão pulmonar aguda provocada pelo uso do cigarro eletrônico. Ela se diferencia da pneumonia por não ser uma infecção, mas uma inflamação severa, que pode causar dificuldade para respirar, tosse, dor no peito e até complicações em outros órgãos.

“O diagnóstico exige uma anamnese bem feita, já que os sintomas podem confundir médicos e pacientes”, explica Campos. Duas substâncias frequentemente ligadas à Evali são o Tetrahidrocanabinol (THC) e o acetato de vitamina E.

Em março deste ano, o Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicou a Nota Técnica Conjunta nº 233/2025, orientando profissionais de saúde a registrarem corretamente os casos de Evali nas Declarações de Óbito.

Foi criado, inclusive, um código específico para a síndrome (U07.0) no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o que permitirá consolidar dados mais confiáveis sobre as mortes relacionadas ao uso de cigarros eletrônicos.

No Brasil, a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e até mesmo a propaganda de DEF são proibidas desde 2009, com reforço em 2024 pela Resolução nº 855 da Diretoria Colegiada da Anvisa.

Mobilização nas escolas

Diante desse cenário, a SES-MG destaca a importância das ações preventivas. Em Minas Gerais, todos os municípios aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), que promove atividades de educação em saúde e prevenção de doenças, incluindo o combate ao tabagismo. As ações são realizadas de forma integrada entre equipes das Unidades Básicas de Saúde e as escolas.

“É fundamental investir em informação e prevenção, especialmente entre adolescentes, que são o principal alvo da indústria do vape”, ressalta Nayara Pena. 

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