Jornal Folha Regional

Enfermagem de Passos aprova estado de greve

Em assembleia finalizada às 18h45 desta quinta-feira (08) pelo Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Minas Gerais (SEEMG), a enfermagem de Passos aprovou o estado de greve. A decisão atinge todos os hospitais do município, segundo o sindicato.

A paralisação, no entanto, não deve ser imediata. De acordo com a advogada do sindicato, Larissa Furtado, antes da interrupção das atividades a categoria deve novamente enviar uma pauta de reivindicações à Santa Casa de Passos. A principal é a manutenção do pagamento do piso salarial da categoria, suspensa por uma liminar concedida por Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Caso as reivindicações não sejam atendidas, hospitais de Passos, Ministério Público e Judiciário serão comunicados com 72 horas de antecedência do início da greve.

Larissa informa que também serão respeitados o percentual máximo de paralisação permitido por categoria, bem como a manutenção dos trabalhos de setores que não podem ter as atividades interrompidas sob qualquer hipótese. “A greve nunca é a melhor opção”, ressaltou.

Outro lado

A Santa Casa divulgou a seguinte nota, via assessoria de imprensa:

“A Santa Casa de Passos reforça sua posição de absoluto respeito à demanda dos profissionais de enfermagem, bem como o reconhecimento pelo papel fundamental exercido na nossa instituição.

Desde o início das discussões de instauração do piso salarial da categoria, a instituição demonstrou total apoio e apontou a necessidade de criação de fontes adicionais de financiamento que permitam cobrir este custo extra, estipulado em média de 2.2 milhões por mês.

Infelizmente, o Congresso Nacional e o Poder Executivo federal não deram nenhum passo concreto naquela direção. O projeto que cria o piso foi aprovado e sancionado sem qualquer menção à questão central de como arcar com os salários da equipe de enfermagem, atores mais que essenciais para o cuidado da nossa região.

Por esta razão, a Santa Casa de Passos está informando a impossibilidade de aplicação da Lei e assim como diversos hospitais filantrópicos do Brasil, buscando negociações com o Sistema Único de Saúde (SUS) para o ajuste financeiro do contrato existente com a instituição.

É um fato público e comprovado, que o setor hospitalar filantrópico tem um subfinanciamento de décadas o que expõe as instituições de saúde a dificuldades de financiamento de sua estrutura.

A Santa Casa de Passos, bem como todos os hospitais brasileiros, não está se recusando a oferecer merecida valorização dos seus profissionais, ou seja, gostaria de pagar os valores propostos. Só não tem meios para fazê-lo.

Por isso, apelamos às autoridades brasileiras para que sejam encontradas, imediatamente, formas de garantir os recursos extras de que necessitam.

A Santa Casa de Passos assume o compromisso junto com os profissionais de buscar a superação das dificuldades encontradas para cumprir a Lei de forma a construir soluções e valorizar os profissionais de enfermagem de forma sustentável e responsável.

A Santa Casa de Passos continua aberta ao diálogo em torno do tema.

  • Daniel Porto Soares
    Superintendente Geral da Santa Casa de Passos”

Via: Verboaria.

Justiça determina demolição de construções, incluindo imóveis do Clube Furnastur, às margens do Lago de Furnas

No dia 9 de agosto, a juíza competente da Comarca de Formiga (MG), despachou que fosse cumprida uma sentença em desfavor do Furnas Náutico Clube. A decisão determina que sejam demolidas, em até 30 dias, as construções que ultrapassassem a margem da cota 769.

A situação dos imóveis construídos às margens do Lago de Furnas é discutida desde 2016. Na ocasião, foi tema de um debate durante uma audiência com representantes da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Furnas e empresários, em Capitólio (MG).

Ainda na época e com base em uma resolução de 2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), o Ministério Público recomendou que construções a menos de 30 metros da margem do lago fossem demolidas.

Na reunião, proprietários de imóveis e empresários regionais participaram da reunião, os quais se defenderam com base no mesmo Código Florestal Brasileiro de 2012, que reduz as áreas de preservação permanente ao redor de lagos artificiais.

Homem é preso após atirar em casa de ex-companheira em Varginha

Um homem de 42 anos foi preso na última quarta-feira (7) após disparar cinco vezes contra a casa da ex-companheira, no Bairro Bela Vista, em Varginha (MG). Segundo a Polícia Militar, o homem foi encontrado horas depois em um galpão com armas e munições, além de uma grande quantidade de dinheiro.

Segundo a Polícia Militar, a ex-esposa do homem acionou as autoridades na madrugada desta quarta-feira logo após os disparos. A mulher reconheceu o suspeito e a polícia começou o rastreamento.

O homem foi encontrado em Três Pontas. Em um galpão de uma fazenda em Varginha, os policiais apreenderam a motocicleta do suspeito, uma maleta com R$ 308,4 mil e uma bolsa contendo seis armas de fogo, além de uma bolsa com 170 cartuchos intactos.

Uma caminhonete e a motocicleta foram removidas pelos guinchos credenciados. O suspeito foi conduzido até a delegacia junto com o material apreendido. Ele já tem passagem pela polícia por lesão corporal. (G1)

Menina de 2 anos morre após passar mal em creche municipal de Varginha

Uma menina de 2 anos morreu na manhã da última quinta-feira (8) após passar mal em uma creche municipal de Varginha (MG). Segundo a prefeitura, a criança teve convulsão e evoluiu para uma parada cardiorrespiratória no Cemei Celia Campos Tavares, no Parque Rinaldi.

Ainda de acordo com a prefeitura a menina foi atendida e recebeu os primeiros socorros por uma equipe de enfermagem que estava presente na unidade escolar. Funcionários da creche acionaram o Corpo de Bombeiros e comunicaram a família da menina.

Conforme a prefeitura, a criança chegou a ser reanimada e encaminhada para o pronto atendimento do Hospital Bom Pastor, acompanhada dos responsáveis, mas não resistiu e morreu. As causas serão apuradas pelos médicos legistas responsáveis.

Capitólio entra para a história do Brasil com a maior carreata pró Bolsonaro da região

Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) foram às ruas na última quarta-feira (7), para demonstrar solidariedade ao presidente da República, no feriado do Bicentenário da Independência.

De acordo com informações, milhões de apoiadores foram para as ruas nas capitais e diversas cidades do interior.

Em Brasília, uma multidão se reuniu na Esplanada dos Ministérios para ouvir o discurso de Bolsonaro. Em São Paulo, vários quarteirões da avenida Paulista foram tomados pelos bolsonaristas, assim como ocorreu na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Pela manhã, o presidente assistiu ao desfile de 7 de Setembro em Brasília, ao lado de ministros, autoridades e aliados. Na sequência, seguiu para a Esplanada dos Ministérios, onde discursou. O presidente disse que respeita a democracia e criticou quem está “fora das quatro linhas” da Constituição. 

Capitólio

Em Capitólio (MG), milhares de pessoas se reuniram na orla da Prainha Municipal, para a maior carreata da história da cidade. 

Entre carros, motos, caminhões e tratores, ultrapassaram mil veículos, que coloriram as ruas da cidade de verde e amarelo.

A maior bandeira do mundo, que é a bandeira do Brasil, foi uma das grandes atrações do encontro, por medir 20mts x 14mts, a qual foi cedida pela Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora (MG).

Entre os presentes no ato, estavam o prefeito de Capitólio Cristiano Geraldão, a vice-prefeita Ângela do Zé Prata, a presidente da Câmara de Vereadores Mirian Rattis, os vereadores Vandinho, Cláudio, Lucas Oliveira, Gabriel Sansoni e Cristiane Amorin, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de São José da Barra e jornalista Romulo Leandro também esteve no evento coordenando o cerimonial  juntamente com Norton da Rádio Criativa e Christian.

O movimento foi organizado por empresários e trabalhadores da cidade Rainha dos Lagos, e entrou para a história do país.

Após milhares de quilômetros viajando para conhecer nascente do rio São Francisco casal chega na Serra da Canastra

Imagens: Edson Carvalho

Um casal de idosos está desde 1º de maio em uma viagem iniciada no Alto Sertão Alagoano com destino ao município de São Roque de Minas (MG), um percurso de quase 5.300 quilômetros (km).

Os aventureiros são o senhor José Francisco, de 82 anos, e sua esposa, dona Inácia. Eles planejaram juntos a viagem, com previsão de duração de oito meses, ou de acordo com orçamento da família.

A expedição foi nomeada de como “A viagem da integração”, pois o objetivo é realizar o sonho de conhecer a nascente histórica do rio São Francisco, na Serra da Canastra. Isso porque o casal mora no Mirante do Talhado, em Delmiro Gouveia, município do Sertão Alagoano. O rio passa bem no quintal da casa onde eles residem.

A viagem é feita em uma pickup Fiat Strada, personalizada para a expedição e adaptada com tudo que o casal precisa para acampar pelas cidades por onde passam. Seu José e Dona Inácia têm feito a viagem com bastante calma. Eles param por dias em algumas em alguns pontos, deixando amizades e lembranças dos dias acampados.

Os caminhos por onde passam estão sendo narrados pelo fotógrafo Edson Carvalho, que reside em Salvador e faz remotamente um diário da viagem para produzir um documentário com imagens registradas pelos sertanejos por onde passam. Tudo pode ser acompanhado com atualizações todos os dias em um grupo criado para este fim no Facebook.

O documentário “Talhado para Viver” vai narrar a saga dos dois pelos estados de Alagoas, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais. Cada etapa do percurso recebeu um nome em alusão a um escritor com alguma marca por suas obras pela respectiva região. Euclides da Cunha, Ruy Barbosa, Itamar Vieira Filho e Guimarães Rosa foram os homenageados até aqui. O último percurso será em homenagem a Maria Carolina de Jesus.

Após concluída a viagem, a obra será lançada em festivais de cinema Brasil afora.

Trajeto

A primeira parada da expedição foi na Bahia, em Paulo Afonso, onde existe um grande complexo hidroelétrico no rio. De lá eles entraram pelo Sertão baiano até a histórica cidade de Canudos. Na sequência voltaram para as margens do rio e foram até Petrolina e Juazeiro.

Após alguns dias na divisa de Pernambuco e Bahia, eles deixaram novamente a margem do rio, cruzando mais um pedaço do sertão e toda a Chapada Diamantina, passando por Itiúba, Ruy Barbosa, Campos São João, Guiné, Mucugê, Rio de Contas, Caetité, e por último, Malhada, já na divisa com Minas Gerais, onde a viagem completou 100 dias.

De Malhada, os viajantes seguiram para São Francisco (MG), onde ficaram mais sete dias até percorrerem o Norte de Minas Gerais e desviarem novamente da rota do rio para chegar a Belo Horizonte no dia 17 de agosto, o 109º dia da expedição.

 Eles ficaram na capital mineira por alguns dias para recarregar as energias antes do último trecho. Faltam apenas 350 km para chegarem ao local da nascente do rio São Francisco, objetivo principal da expedição.

Nesta sexta-feira (09), o casal pegará estrada rumo a Vargem Bonita (MG), que faz parte da Serra da Canastra, na qual ficará até dia 11 de setembro, onde irão conhecer a nascente do rio São Francisco em São Roque de Minas.

O Sr. José Francisco e dona Inácia, serão recebidos por autoridades das cidades, inclusive com missa em ação de Graças.

Eles ficarão alguns dias na região desfrutando das belezas naturais e contemplando as bênçãos de Deus nas cidades da Canastra.

Toda a história foi descoberta pelo jornalista Romulo Leandro, diretor do Jornal Folha Regional, a partir daí a viagem do casal tomou grandes proporções na região do Lago de Furnas e Serra da Canastra.

Polícia apreende 11 quilos de crack dentro de carro de motorista de aplicativo em São Sebastião do Paraíso

A Polícia Militar apreendeu cerca de 11 quilos de crack divididos em tabletes na noite da última terça-feira (6), em São Sebastião do Paraíso (MG). Segundo a PM, essa é a maior apreensão da droga na cidade.

De acordo com a polícia, a droga estava no interior de um veículo de um motorista de aplicativo de 47 anos que foi abordado no trevo de acesso da BR-265.

A droga adquirida em Ribeirão Preto (SP) seria distribuída em São Sebastião do Paraíso (MG).

O motorista foi preso em flagrante e integrado ao sistema prisional.

Homem com 58 passagens pela polícia é preso após estuprar adolescente de 14 anos quatro vezes no Sul de Minas

Um jovem, de 19 anos, foi preso, na última terça-feira (6), por estupro de vulnerável contra uma adolescente de 14 anos em Três Pontas, no Sul de Minas. O crime sexual teria sido praticado quatro vezes contra a criança. O mandado de prisão foi cumprido no bairro Parque Brasil.

O autor já acumula 58 passagens pela polícia.

A Polícia Civil informou que denúncias levaram a instituição a investigar a prática do crime contra a garota. Os trabalhos foram conduzidos pela equipe da Delegacia de Polícia e, por meio de exame médico-legal foi confirmado o estupro contra a vítima.

As investigações apontaram que a garota foi violentada sexualmente, pelo menos, em quatro oportunidades. Ordens judiciais foram expedidas e a prisão cumprida. O homem é conhecido do meio policial e acabou sendo levado para o sistema prisional, onde está à disposição da Justiça.

Denuncie 

A Central de Atendimento à Mulher (180) funciona 24 horas por dia, de segunda a domingo, inclusive feriados. A ligação é gratuita e o atendimento é de âmbito nacional. Essa é uma das formas de denunciar violência contra as mulheres.

Os tipos de estabelecimentos que podem ser procurados são: 

  • Delegacias de atendimento especializado à mulher
  • Defensorias públicas
  • Postos de saúde
  • Instituto médico legal para os casos de estupro
  • Centros de referência 
  • Casas abrigo

Governo federal avalia retorno do horário de verão

O governo federal avalia a possibilidade de retorno do horário de verão, encerrado em 2019, após análise do Ministério de Minas e Energia (MME) revelar que o consumidor teria uma economia de R$ 100 milhões com o fim da política. A decisão final cabe ao presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a pasta pediu ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estudos sobre a medida.

Em nota, o Ministério informou que, tendo em vista a competência legal para formulação e aprimoramento das políticas públicas voltadas para o setor energético, “realiza constantemente estudos, pesquisas e avaliações técnicas das melhores medidas possíveis sobre o tema, de acordo com o contexto energético vigente, a fim de manter a segurança energética e a modicidade tarifária ao consumidor brasileiro”.

“Desta forma, ainda não há definição com relação às implicações e implementação da referida medida”, explicou o Ministério.

O ONS informou que busca, em caráter permanente, alternativas para aprimorar as políticas públicas voltadas para o setor elétrico brasileiro. “Sendo assim, o estudo solicitado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) sobre a viabilidade do Horário de Verão é atualizado anualmente para que seja avaliada a efetividade da implantação da medida”, destacou, em nota.

Setembro amarelo: Mais de 130 pessoas suicidam por mês em Minas Gerais

“Desde os 9 anos ela já falava de uma dor na alma insuportável que não passava e começou a se arranhar. Quando fez 15 anos, tentou se matar e, desde então, eu perdi as contas de quantas vezes eu corri com ela para o hospital por ter se cortado, tomado veneno, ou algo do tipo. Desde abril do ano passado ela está com os anjos e eu rezo para que ela esteja bem”. O relato, ainda carregado de uma tristeza profunda, é da auxiliar de cozinha Lucilene Marques, 47, que ainda tenta absorver o luto da perda da única filha, Raíssa Marques. A menina de 20 anos morreu oito dias após tomar mais de cem comprimidos e entrou para a dolorosa estatística de 134 suicídios a cada mês em Minas Gerais do início de 2021 até agosto de 2022. São 2.689 histórias precocemente interrompidas que acabam escancarando um problema muitas vezes escondido por um tabu: pessoas se matam e isso é uma questão de saúde pública.

Os números da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) acendem esse alerta feito há anos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que, no Brasil, ganha força com a campanha Setembro Amarelo, de combate ao suicídio. No mundo, segundo último levantamento da OMS, em 2019, pelo menos 700 mil pessoas tiraram a própria vida. No Brasil, os registros são próximos de 14 mil casos, o equivalente a 38 suicídios por dia. Em Belo Horizonte, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 268 pessoas se mataram de janeiro de 2021 a julho de 2022, sendo 81 neste ano.

Agora em 2022, em seu oitavo ano, a campanha Setembro Amarelo, encabeçada pela Associação Brasileira de Psiquiatria e pelo Conselho Federal de Medicina, tem como lema “A vida é a melhor escolha”. Segundo a porta-voz do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Minas Gerais, Norma Moreira, campanhas como essa são importantes para romper um silêncio danoso na luta contra o avanço do autoextermínio.

“A questão não é falar sobre o suicídio de João ou de Maria, mas sobre o suicídio. Setembro amarelo é muito importante para que a gente possa alertar a sociedade sobre a necessidade de prevenção. A maior parte dos casos está relacionada a um quadro de adoecimento mental e a pessoa se sentir sozinha, sem acolhimento para falar sobre essa vontade de abandonar a vida é um fator de risco que não pode ser ignorado. Sem contar que já ficou comprovado que o suicídio é um problema de saúde pública, multifatorial, que pode, em certa medida, ser evitado com políticas voltadas ao atendimento a quem sofre com depressão ou outras doenças que podem levar a esse quadro”, diz a voluntária do grupo de ajuda.  

Para Raíssa, por exemplo, a saúde mental pesou muito nos mais de dez episódios de tentativas seguidas de se matar. Diagnosticada com transtorno bipolar ainda na infância, a menina teve a vida marcada por ideações suicidas. “Quando ela tinha crises, eu nem dormia porque sabia que era um risco. Chegamos a interná-la em centros de assistência muitas vezes, tentamos vários tratamentos, tudo que estava ao nosso alcance. Só no ano passado, ela ficou internada duas vezes. Depois que passava o surto, ela nem lembrava do que tinha feito. Eu sempre a ouvi muito. Tem gente que acha que as pessoas tentam suicídio para chamar atenção, mas não é. Não é mesmo”, diz Lucilene. 

Mitos e tabus

O mito de que quem tenta contra a própria vida quer aparecer e não efetivamente se matar, citado por Luciene, é só mais um entre vários outros que só agrava a sensação de angústia e solidão de quem questiona se deve seguir. “Estamos em uma sociedade que julga o tempo todo sem saber o que o outro vive. Não dá para avaliar o tamanho da dor do outro. Não adianta falar que é falta de fé, de Deus, de louça para lavar ou todas essas percepções erradas sobre o que se passa no íntimo de outras pessoas. Temos que treinar uma escuta mais empática, sem preconceitos, livre de tabus”, afirma Norma.  

A escuta, o acolhimento e o direcionamento para uma ajuda especializada podem salvar vidas. Mas, há casos que nem todo esse esforço é suficiente e, por isso, não cabe remorso da parte de quem fica, segundo a psicóloga que se dedica a estudar o fenômeno, Esther Hwang. “Quando alguém tira a própria vida, é comum entre os que ficam as buscas por causas. Mas o suicídio é complexo demais para se nomear motivos. Temos alguns fatores de risco como doença mental, tentativas prévias, perdas, lutos, desemprego, mas têm muitas outras questões envolvidas.  Nem sempre dá para prever que o outro está prestes a se matar porque o suicídio é construído nas relações sociais, no contexto de vida e isso não é fácil de ser mapeado”, explica a especialista.  

No passado, antes de se especializar no assunto, ela já teve ideações suicidas e agora fala do lugar de quem já sentiu a dor de quem desacredita na vida. “É uma inquietação meio solitária porque existem muitos tabus nos impedindo de falar sobre a vontade de deixar a vida. Pesquisar sobre suicídio tendo tido uma vivência pessoal me coloca no lugar de lutar contra essa associação imediata entre suicídio e transtorno mental. A gente pode estar muito lúcido e escolher se matar. É um sofrimento muito intenso e desesperador, com diferentes causas e que não pode ser limitado a um único diagnóstico”, diz a pesquisadora.  

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde, reforça a multiplicidade de causas para o suicídio e cita algumas explicações, como: exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual, e identidade de gênero e racismo, agressões psicológicas ou físicas, sofrimento no trabalho, transtorno mental, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas ou incapacitantes.  A pasta explica ainda que o suicídio é “um fenômeno multidimensional, que resulta de uma interação complexa entre fatores ambientais, sociais, fisiológicos, genéticos e biológicos, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, raça/cor, idades, orientações sexuais e identidades de gênero sendo considerado um tema tabu em muitas sociedades” e que, por isso, o cuidado às pessoas que apresentem qualquer tipo de sofrimento deve levar em conta o contexto social, econômico e as vulnerabilidades que elas encontram. 

Pedidos de socorro 

No primeiro trimestre deste ano, o CVV, instituição que dá apoio emocional e atua na prevenção ao suicídio por meio de escuta gratuita, recebeu 1,09 milhão de ligações em todo o Brasil. O número é 28% maior do que os 853,4 mil atendimentos no mesmo período de 2021. Uma das explicações para o avanço nos gritos de socorro seria uma escalada das dores emocionais em função das perdas e lutos provenientes da pandemia.  

“A gente já imaginava que depois que passasse aquele susto do período de avanço da doença em que as pessoas estavam focadas em sobreviver, cuidar da saúde física, as dores emocionais sufocadas iriam chegar com mais evidência. Muita coisa mudou no mundo, as pessoas precisaram de lidar com medos, angústias, perdas irreversíveis. E ainda não temos garantia de nada, o que piora a angústia. Agora é hora de falar do sofrimento emocional”, diz a porta-voz do CVV em Minas Gerais, Norma Moreira. 

Segundo a SES-MG, o cuidado de saúde mental no Estado ocorre nos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Alguns serviços disponíveis:  

  • Atenção Primária à Saúde (APS): presente em todos os municípios com equipes de Atenção Primária à Saúde de multiprofissionais que ajudam na prevenção de agravos, no diagnóstico, no tratamento, na reabilitação, na redução de danos e na manutenção da saúde.  
  • Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): O Estado tem 395 CAPS de diversas modalidades. O local atende prioritariamente pessoas com sofrimento ou transtornos mentais graves e persistentes, incluindo necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Dados do Ministério da Saúde, de 2017, mostram que nos locais onde há CAPS o risco de suicídio é reduzido em até 14%.  

Como funciona o CVV?  

O CVV presta apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias.  A ligação para o CVV é feita por meio do 188. Também é possível acessar https://www.cvv.org.br/ para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.  

Saiba algumas frases de alerta de quem pensa em suicídio  

  • Tenho vontade de dormir e não acordar mais;  
  • Sou um peso para as outras pessoas; 
  • Estou cansado e sem razão de viver;  
  • Não há mais prazer em se viver;  
  • Tudo seria mais fácil se eu não existisse;  
  • Sou um fracasso; 
  • Essa é a última chance;  
  • Não sou amado ou querido por ninguém;  
  • Eu não estarei aqui no próximo ano.  

 Alguns sinais que demandam atenção 

  • Isolamento e distanciamento da família, dos amigos e dos grupos sociais;  
  • Atitudes perigosas que que não necessariamente podem estar associadas ao desejo de morte e atitudes para-suicidas (dirigir perigosamente, beber descontroladamente, brigas constantes, agressividade, impulsividade, etc.); 
  • Publicações das redes sociais com conteúdo negativista ou participação em grupos virtuais que incentivem o suicídio ou outros comportamentos associados;  
  • Ausência ou abandono de planos para o futuro;  
  • Forma desinteressada como a pessoa está lidando com algum evento estressor (acidente, desemprego, falência, separação dos pais, morte de alguém querido); 
  • Despedidas (“acho que no próximo natal não estarei aqui com vocês”, ligações com conotação de despedida, distribuir os bens pessoais);  
  • Colocar os assuntos em ordem, fazer um testamento, dar ou devolver os bens;  
  • Queixas contínuas de sintomas como desconforto, angústia, falta de prazer ou sentido de vida;  
  • Qualquer doença psiquiátrica não tratada (quadros psicóticos, transtornos alimentares e os transtornos afetivos de humor). 

 Como iniciar uma conversa? 

  • Aproxime-se: Inicie a conversa com uma aproximação afetuosa, sem cobranças. Nunca diga “Por que você está com essa cara?”; “Por que você está assim?”; “Você não tem motivos para isso”;  
  • Dialogue: Entenda que falar de dores e angústias não é uma tarefa fácil. Dialogue sempre calmamente e respeite o tempo do outro. Talvez a abertura para o diálogo só venha depois de várias tentativas; 
  •  Converse: Não deixe de tentar conversar assim que perceber o problema, ou seja, não deixe para depois. O tempo será crucial para evitar algo que poderia ser evitável;  
  • Escute: Lembre-se de que sua função será a de “escutar” as angústias do outro. Então, procure ouvir mais do que falar. Evite fazer julgamentos, comparações, dar lição de moral ou falar mais do que está ouvindo;  
  • Não julgue: É importante compreender a idade e as limitações emocionais do outro, adaptando, inclusive, uma linguagem específica para cada etapa. Lembre-se que cada um sente, em seu próprio corpo, a sua dor pessoal;  
  • Ajude: Seu papel é o de oferecer ajuda e apoio, mesmo que isso signifique apenas e tão somente que você sempre estará ali para ajudar. Não cobre mudanças imediatas, pois isso “não existe” quando a dor é profunda.  
  • Seja proativo: Ao perceber que o problema é mais sério, busque ajuda profissional. Pesquise, marque a consulta, indique caminhos e acompanhe a pessoa, se for possível, para garantir que o tratamento será levado adiante. 

 O que não dizer ou fazer a quem tem ideações suicidas

  • Evite dizer “Não chore!”. Demonstre atenção para o problema do outro, mesmo que isso envolva a expressão do choro;  
  • Não diga “Isso não faz sentido”. Pode não fazer sentido para quem escuta um relato pesado, no entanto, se a dor do outro está sendo forte o bastante para gerar sofrimento, respeite o momento daquela pessoa; 
  • Evite dizer “Seja forte!”. Tenha certeza de que a pessoa em sofrimento já está fazendo o possível para ser forte e, pode não estar conseguindo, ou seja, dizer isso apenas mostra o quanto o “esforço” do outro pode estar sendo “falho”, piorando suas angústias;  
  • Não diga “Entendo o que você está passando”. Cada um entende a vida a seu modo, ou seja, por mais que você tenha vivido uma experiência parecida, somente quem sofre sabe o que realmente está sentindo;  
  • Dizer apenas “Levante a cabeça!”, sem oferecer os meios, os caminhos e novas perspectivas não ajudará muito e poderá agravar a sensação de desespero;  
  • Jamais diga “Podemos conversar mais rápido”, ou “Podemos conversar depois?”: Se você realmente quer ajudar, esteja disponível para ouvir, ou seja, jamais interrompa a expressão das ideias da outra pessoa, deixe-a desabafar;  
  • Jamais diga “Você quer apenas chamar atenção!”, e, especialmente se você estiver lidando com um adolescente. A depressão é uma doença e um sério problema de saúde pública; 
  • Não diga “Isso é falta do que fazer” ou “Se você tivesse o que fazer da sua vida, não se sentiria assim”. Oferecer novas perspectivas, indicar cursos, indicar novos espaços para formar amizades sadias são mais eficientes para dar novos horizontes à pessoa em sofrimento;  
  • Jamais diga “Tudo isso é falta de fé”. Diversas pessoas religiosas, líderes espirituais como padres e pastores sofrem de depressão, que é uma doença e por isso necessita de tratamento.  

Fontes: Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e Ministério da Saúde.

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