
A Justiça de Minas Gerais determinou, na última sexta-feira (22), a suspensão do sistema Core-MG e a retomada do SUS Fácil no estado. A decisão foi tomada após o reconhecimento de riscos relacionados à mudança no modelo de regulação e transferência de pacientes, implantado recentemente pelo Governo de Minas Gerais.
O Core-MG passou a operar oficialmente no dia 20 de maio, substituindo o SUS Fácil no gerenciamento de vagas hospitalares. O novo sistema ficou responsável pela definição de encaminhamentos de pacientes com base em critérios médicos, prioridade clínica e disponibilidade de leitos regionais.
Desde a implantação, profissionais da saúde relataram dificuldades operacionais em diversas unidades hospitalares do estado. Entre os problemas apontados estão falhas na comunicação entre hospitais de origem e destino, além da necessidade de lançamentos manuais para efetivar transferências de pacientes.
Os impactos da mudança foram sentidos diretamente em Ipatinga, onde a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) registrou superlotação ao longo da semana. Segundo dados divulgados pela administração municipal na quarta-feira (20), a unidade chegou a operar com 290% da capacidade.
Conforme o monitoramento divulgado pela prefeitura, a UPA, que possui 31 leitos, chegou a registrar inicialmente 61 pacientes internados. Em atualização posterior, o número subiu para 65 pacientes em atendimento.
De acordo com a administração municipal, o cenário foi agravado pelo aumento sazonal de casos de síndromes respiratórias e pelas dificuldades enfrentadas no fluxo de transferências hospitalares após a implantação do novo sistema estadual.
Em publicação nas redes sociais, o prefeito Gustavo Nunes afirmou que o município segue cobrando providências do Governo de Minas Gerais.
“Enquanto isso, nossa UPA segue enfrentando superlotação, agravada pelo aumento dos casos respiratórios e pela dificuldade nas transferências hospitalares”, declarou.
O chefe do Executivo municipal também afirmou que as equipes seguem mobilizadas para garantir atendimento à população e cobrou mais agilidade do Estado diante da situação.
Além dos problemas relacionados à regulação hospitalar, Ipatinga também enfrenta aumento expressivo nos casos de doenças respiratórias. Em abril, a prefeitura decretou situação de emergência em saúde pública para prevenção e enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que pacientes com sintomas leves procurem as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), preservando a UPA para atendimentos de urgência e emergência.
Como medida para reduzir a sobrecarga na rede, as UBSs dos bairros Iguaçu e Canaã estão funcionando em horário ampliado, até as 22h, oferecendo atendimento médico e medicação básica para quadros menos graves, como febre, tosse e dores de cabeça.
A pasta também reforçou que a vacinação contra a Influenza segue disponível nas unidades de saúde do município. A recomendação é que os moradores procurem a UBS de referência para atualização do cartão vacinal e proteção contra vírus respiratórios.
