A paisagem urbana de Uberlândia (MG) começa a mudar com os investimentos na modernização da rede elétrica subterrânea. A iniciativa busca reduzir o emaranhado de fios sobre postes, melhorar o visual da cidade e trazer mais segurança e eficiência ao fornecimento de energia.
A Cemig anunciou um investimento de cerca de R$ 4 milhões para substituir 11 dos 28 transformadores subterrâneos existentes no hipercentro da cidade. A modernização ocorre em uma área estratégica, compreendida entre as ruas Santos Dumont e Coronel Antônio Alves Pereira, e as avenidas Cesário Alvim e João Pinheiro. O projeto integra o plano de investimentos da concessionária, que prevê R$ 49,3 bilhões até 2028 em obras de infraestrutura elétrica em Minas Gerais.
De acordo com a empresa, a iniciativa faz parte de um processo gradual de modernização da rede urbana, com foco na segurança, estabilidade e eficiência do sistema. Os fios subterrâneos reduzem a exposição a ventos fortes, quedas de árvores e acidentes — causas comuns de interrupções de energia nas redes aéreas. Além disso, o projeto melhora o aspecto visual da cidade, contribuindo para uma paisagem mais limpa e organizada.
Especialistas apontam que as redes subterrâneas oferecem vantagens estéticas e funcionais, mas o custo de implantação ainda é o principal obstáculo. A instalação pode custar até dez vezes mais do que o sistema aéreo, dependendo do tipo de solo e das interferências existentes, como redes de água, esgoto, gás e fibra óptica. Além disso, a legislação brasileira limita a autonomia dos municípios para determinar o enterramento das redes, já que a Lei Federal nº 13.116 estabelece que apenas a União pode regular a infraestrutura de energia e telecomunicações.
Mesmo com os desafios, o avanço em Uberlândia é considerado um passo importante. A cidade se soma a outras que estudam ou já implantam sistemas semelhantes em determinadas regiões, como Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba, onde a fiação subterrânea é usada principalmente em áreas centrais e de grande circulação.
No exterior, esse tipo de estrutura já é comum em várias cidades, mas no Brasil ainda é adotado de forma pontual. A expectativa é de que, com planejamento e parcerias entre poder público e concessionárias, o modelo possa se expandir gradualmente.
Para especialistas em urbanismo, a modernização da rede elétrica vai além da estética: representa um investimento em segurança, sustentabilidade e valorização urbana. Em Uberlândia, a substituição dos cabos e transformadores subterrâneos reforça esse movimento e coloca a cidade entre as que buscam um novo padrão de infraestrutura — mais limpa, moderna e preparada para o futuro.
