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Jornal Folha Regional

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

O governador Romeu Zema participou, nesta quarta-feira (22), da tradicional audiência pública com o Papa Leão XIV, em cerimônia realizada no Vaticano, na Itália. Quando o governador abriu a bandeira do estado, o Pontífice declarou: “Abençoo todo o povo de Minas Gerais”.

O encontro, que integra a missão oficial do Governo de Minas na Europa, teve como destaque a entrega de presentes representativos da cultura e do patrimônio do estado, entre eles um terço em palmas barrocas produzido por artesãs de Sabará e um estandarte em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas. Ao receber as obras, o papa agradeceu e comentou “muito belo”.

Nas manhãs de quarta-feira o Papa recebe autoridades e fiéis na Praça São Pedro, para uma celebração ao ar livre. O chefe do Executivo estadual esteve acompanhado da secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa, do secretário adjunto de Casa Civil (SCC), Frederico Papatella, e da assessora especial Andreza Costa.

“Trouxe para ele aquilo que Minas faz muito bem: nosso queijo, nosso café e também nosso artesanato. Entregar ao Papa obras como o terço em palmas barrocas das artesãs de Sabará e o estandarte dedicado a Nossa Senhora da Piedade é, antes de tudo, uma forma de apresentar ao mundo como os mineiros preservam suas tradições e suas devoções”, afirmou o governador Romeu Zema.

Estandarte de Nossa Senhora da Piedade

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

Entre os presentes entregues ao Papa está o estandarte em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, produzido pela artista Clélia Lemos, natural de Ponte Nova, na Zona da Mata, e radicada em Belo Horizonte.

Os estandartes fazem parte da cultura cristã, ao enfeitar procissões, missas e cortejos, e das celebrações de sincretismo religioso, como a Folia de Reis e o Congado, além de também estamparem o Carnaval — considerada a maior festa popular do mundo e reconhecida pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

O trabalho da artesã Clélia Lemos representa a riqueza simbólica e material do estado, reunindo pedrarias que evocam o ouro e o diamante, além de fitas coloridas, rendas, bordados e flores confeccionadas com palmas barrocas – técnica tradicional das artesãs sabarenses, usada pela primeira vez por Clélia para o estandarte de Nossa Senhora da Piedade. A peça também traz referências à ordem agostiniana, a mesma à qual pertence o Papa Leão XIV, em um gesto de reverência e conexão entre Minas e o Vaticano.

Com mais de 30 anos de trabalho como artesã, Clélia Lemos relatou a emoção de produzir um estandarte tão importante. “Antes de começar qualquer obra, eu sempre converso com o santo ou a entidade que será homenageada. No caso de Nossa Senhora da Piedade, não foi diferente. Por intuição dela, resolvi representar as maiores riquezas de Minas: nossas montanhas, nossas florestas e nossas pedras preciosas. É um orgulho ver o trabalho final, que agradece pela proteção da nossa padroeira”, disse a artista.

Terço mariano de palmas barrocas

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

Outro presente de destaque é o terço mariano de cinco mistérios, feito à mão pelas artesãs Neusa Chagas Rodrigues, Luciana Ferreira, Dirléia Conceição Neves, Simone Viana Lopes e Hercília Herculano, todas de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Sabará, uma das cidades históricas mais importantes no ciclo do ouro de Minas Gerais, desenvolveu uma tradição própria de confecção das palmas barrocas, conservada até hoje pelas mãos dessas cinco mulheres.

As artistas utilizam uma técnica secular, introduzida no Brasil no período colonial por Dom João VI e preservada como símbolo da arte sacra mineira. A confecção envolve o corte, aquecimento e modelagem de chapas de cobre, depois banhadas a ouro, que se transformam em flores unidas na forma do terço. Cada peça leva cerca de 15 dias para ser concluída, em um trabalho minucioso que combina fé, devoção e talento manual.

“Uma das marcas mais interessantes das obras em palma barroca é que uma nunca fica igual a outra. Cada artesã tem sua forma própria de confeccionar flores e adornos. E isso reflete em obras únicas. Além de usarmos instrumentos muito antigos, de ferro e cobre, que não se encontram em qualquer lugar. Para nós, é uma emoção enorme ver o trabalho das artesãs de Sabará ser levado ao restante do mundo”, avalia Neusa Chagas.

“A maioria das artesãs trabalha com isso há mais de 30 anos, eu sou a mais nova, decidi aprender há cerca de oito e, desde então, trabalhamos juntas. Quero passar esse ofício tão especial para as novas gerações”, diz Hercília Herculano.

Sabor mineiro

No Vaticano, Papa Leão XIV abençoa povo de Minas Gerais ao receber obras de artesãs do estado das mãos do governador – Foto: divulgação

Além das obras artísticas, o governador entregou ao Papa presentes que representam a excelência da gastronomia mineira, incluindo três tipos de café especiais — Sanglard (Araponga, Matas de Minas), Salomão (Olímpio Noronha, Mantiqueira de Minas) e Campos Altos (Campos Altos); um queijo canastra artesanal da marca Lobeira, produzido pela Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) de Bambuí, no Centro-Oeste de Minas; e um doce de leite Dom, fabricado em Resende Costa, no Campo das Vertentes.

Retorno

É a segunda vez que o governador Romeu Zema vai ao Vaticano. Da primeira vez, em 2023, esteve com o Papa Francisco que abençoou a bandeira de Minas. À época, o Papa ressaltou o instinto dos mineiros pela pacificação e a bravura de lutar por liberdade.

Papa Leão XIV: ‘O senhor me chamou para carregar uma cruz’

Papa Leão XIV: ‘O senhor me chamou para carregar uma cruz’ - Foto: reprodução
Papa Leão XIV: ‘O senhor me chamou para carregar uma cruz’ – Foto: reprodução

Na manhã desta sexta-feira (9), os sinos do Vaticano anunciaram um novo capítulo na história da Igreja Católica. Um dia após sua eleição pelo colégio de cardinais, o Papa Leão XIV celebrou sua primeira missa como Sumo Pontífice na Capela Sistina — o mesmo local onde, horas antes, havia aceitado a missão de suceder Pedro. Em sua homilia, ele refletiu sobre o papel da religião e falou da missão de comandar a Igreja.

Com uma celebração marcada por simbolismo, espiritualidade e posicionamentos claros, o novo Papa encantou fiéis e cardeais ao unir firmeza doutrinária com um apelo pastoral profundo. A missa, celebrada em latim e com trechos da homilia proferidos em inglês, espanhol e italiano, foi transmitida ao vivo para milhões de pessoas em todo o mundo.

Logo no início da homilia, Leão XIV saudou os cardeais. “Cantarei um cântico novo ao Senhor, porque Ele fez maravilhas”, entoou. O Papa destacou que não se trata apenas de sua eleição, mas das “maravilhas que o Senhor continua a realizar na Igreja por meio do ministério de Pedro”.

“E, de fato, não apenas comigo, mas com todos nós. Meus irmãos cardeais, ao celebrarmos esta manhã, convido-os a refletir sobre as maravilhas que o Senhor fez, as bênçãos que o Senhor continua a derramar sobre todos nós por meio do Ministério de Pedro. O Senhor me chamou para carregar essa cruz e realizar essa missão, e sei que posso contar com cada um de vocês para caminhar comigo, continuamos como Igreja, como uma comunidade de amigos de Jesus, como fiéis para anunciar a Boa Nova, para anunciar o Evangelho”, destacou.

Leão XIV mergulhou no Evangelho de Mateus, recordando a célebre profissão de fé de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Segundo ele, esta frase resume o coração da fé cristã e o tesouro mais precioso da Igreja: o reconhecimento de Jesus como único Salvador e revelador do Pai.

Reforçando sua fidelidade ao Concílio Vaticano II, citou a constituição Gaudium et Spes, lembrando que o Filho de Deus se manifesta inclusive nos “olhos confiantes de uma criança”, oferecendo à humanidade um modelo de santidade acessível. O Papa se apresentou como “fiel administrador” desse patrimônio da fé, comprometido em fazer da Igreja “uma cidade sobre o monte, arca de salvação e farol nas noites do mundo”, não por seu poder institucional, mas pela santidade de seus membros.

Fé em um mundo cético

Com palavras fortes, Leão XIV abordou o cenário cultural atual, onde a fé cristã é muitas vezes ridicularizada ou vista como fraqueza. “Também hoje, Jesus é considerado por muitos apenas um líder carismático ou um homem justo — mas nada mais”, alertou.

O novo papa ainda denunciou o “ateísmo prático” presente entre batizados, e lembrou os perigos de uma sociedade que deposita sua esperança em ídolos modernos, como a tecnologia, o sucesso, o prazer e o poder. “É nesses contextos difíceis que a missão se torna mais urgente”, enfatizou, lembrando que a ausência de fé acarreta profundas feridas sociais, como a perda do sentido da vida e a desvalorização da dignidade humana.

Antes de concluir, o Papa citou Santo Inácio de Antioquia, considerado mártir do primeiro século do catolicismo. “Então serei verdadeiro discípulo de Jesus, quando o meu corpo for subtraído à vista do mundo”, disse. Uma frase que, segundo Leão XIV, representa o chamado à radicalidade evangélica e ao testemunho silencioso e eficaz da fé.

Ainda sem papa: fumaça preta volta a sair da chaminé da Capela Sistina; votações do conclave serão retomadas à tarde

A manhã do segundo dia de votação no conclave terminou sem consenso para decisão do sucessor do papa Francisco. Uma fumaça preta foi vista saindo pela chaminé da Capela Sistina, no Vaticano, onde 12 mil pessoas acompanhavam o resultado.

O que aconteceu

Nesta manhã foram dois turnos de votação, mas fumaça escura mostra que nenhum cardeal recebeu dois terços dos votos, ou seja, 89. Outros dois horários podem ter emissão de fumaça ainda hoje: 12h30 (somente se for branca, sinalizando que um novo papa foi escolhido) e 14h (horários de Brasília).

Os 133 cardeais votantes se reuniram na Capela Sistina pela primeira vez ontem, quando apenas uma votação aconteceu. Os ritos até a emissão da fumaça duraram cerca de 3h20. Todos eles fizeram um juramento de sigilo e se reuniram a portas fechadas.

Nenhum conclave na era moderna escolheu um papa no primeiro dia. Nas duas últimas eleições, para escolha de Bento 16 e de Francisco, foram dois dias de votação.

Fumaça branca indicará escolha de novo papa. Quando isso acontecer, sinos da Basílica de São Pedro, no Vaticano, também tocarão e o nome do vencedor será revelado nos momentos seguintes.

O que acontece se não houver consenso?

Caso não haja um consenso até o quarto dia de votação, é feita uma pausa para oração e diálogo entre os eleitores. A votação reinicia no sexto dia e vai até o 12º. Outras pausas podem ser feitas no sétimo e décimo dia.

Após 12 dias e 34 votações, o sistema muda. Nesse caso, a escolha passa a ser entre os dois mais votados no 34º turno. No entanto, permanece o quórum de dois terços.

Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio

Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio - Foto: reprodução
Conclave para eleger o novo Papa começa em 7 de maio – Foto: reprodução

O Vaticano anunciou nesta semana a data do início do conclave para escolher o sucessor do Papa Francisco: quarta-feira, dia 7 de maio.

A Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, se tornou um lugar de culto quase comparável ao Vaticano. No domingo (27), 70 mil foram ao túmulo de Francisco. O que fez o influente cardeal e teólogo alemão Walter Kasper comentar:

“O povo de Deus já votou no funeral e evocou a continuidade do pontificado dele”.

Mas há os que querem virar a página no conclave que começa na semana que vem. Habemus data: dia 7 de maio, quarta-feira, os cardeais eleitores entrarão na Capela Sistina. O grandioso cenário do século 16 foi fechado nesta segunda-feira (28) para a decepção de muitos turistas.

Nesta segunda-feira (28) de manhã, na reunião preparatória, 20 cardeais falaram da relação com o mundo contemporâneo, com outras religiões, da questão dos abusos. Também sobre as qualidades exigidas do novo pontífice. O cardeal Gregorio Rosa Chavez comentou que o próximo papa será inspirado por Francisco:

“A mesma visão, os mesmos sonhos,” disse o salvadorenho, ao entrar no portão do Vaticano.

Mas as várias correntes poderão criar uma candidatura de compromisso. O italiano Angelo Becciu, condenado por fraude financeira, desistiu de participar do conclave, mas disse que vai provar a inocência.

A política externa não fica indiferente. Além de Donald Trump, o presidente da França também pode estar tentando influenciar a escolha. Segundo o jornal francês “Tribune Chrétienne”, Emmanuel Macron teria sugerido a alguns cardeais que evitem eleger um nome mais conservador, como o africano Robert Sara.

Setenta e um países estarão representados na eleição do próximo papa. Será o conclave mais internacional de todos. No anterior, foram 48 nações. Daqui a nove dias, só os eleitores ficarão na Capela Sistina e, na porta, uma expressão em latim se tornará mais popular do que nunca: “Extra omnes” – “Todos fora”.

Papa Francisco: velório é aberto ao público no Vaticano

Papa Francisco: velório é aberto ao público no Vaticano - Foto: redes sociais
Papa Francisco: velório é aberto ao público no Vaticano – Foto: redes sociais

Mais de 20 mil fiéis se reuniram nesta quarta-feira (23) na Praça Santa Marta, no Vaticano, para prestar condolências e receber o caixão com o corpo do papa Francisco. A cerimônia de velório aberto começou às 11h (horário local) e segue até a próxima sexta-feira (25).

De acordo com a Santa Sé, o caixão foi colocado em frente ao Altar da Confissão, na Basílica de São Pedro, onde o coro cantou a Ladainha dos Santos em latim “para o repouso de sua alma”. O cardeal camerlengo Kevin Farrel conduziu uma breve liturgia que incluiu uma leitura do Evangelho de João sobre o amor de Jesus por seus discípulos.

Os horários informados pelo Vaticano para visitação de fiéis à basílica para se despedir do papa são os seguintes: na quarta-feira, das 11h à meia-noite; na quinta-feira (24), das 7h à meia-noite; e na sexta-feira (25), das 7h às 19h.

O funeral de Francisco foi agendado para o próximo sábado (26), a partir das 10h, na própria Basílica de São Pedro. De lá, o caixão será levado para a Basílica de Santa Maria Maior, onde vai ser sepultado, conforme pedido do pontífice.

A cerimônia de sábado, conhecida como Missa de Exéquias, marca o primeiro dia do Novendiali ou nove dias de luto e orações em honra ao papa. A celebração, no átrio da basílica, será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício.

Ao final, ocorrerão os ritos da Última Commendatio e da Valedictio — despedidas solenes que marcam o encerramento das exéquias.

Vídeo: Vaticano divulga as primeiras imagens do papa Francisco no caixão

O Vaticano divulgou, na madrugada desta terça-feira (22/04), no horário de Brasília, as primeiras imagens do corpo do Papa Francisco sendo velado no caixão, na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, em Roma. A cerimônia faz parte do rito de constatação da morte e da deposição do corpo, primeira etapa das exéquias papais.

O momento foi conduzido pelo Cardeal Kevin Farrell, camerlengo da Santa Igreja Romana, na Capela da Domus Sanctae Marthae, onde o Pontífice residia.

O velório público terá início nesta quarta-feira (23), a partir das 9h da manhã, no horário de Roma (4h da manhã no Brasil), e seguirá até o próximo sábado (26/04), quando será celebrada a Missa das Exéquias às 10h (5h no horário de Brasília).

A celebração será presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, Giovanni Battista Re, marcando o início do Novendali, os nove dias oficiais de luto da Igreja Católica. Após a missa, o Papa Francisco será sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, conforme desejado em seu testamento.

Morre Papa Francisco, ele simplificou o próprio funeral e será enterrado em caixão simples de madeira

Morre Papa Francisco, ele simplificou o próprio funeral e será enterrado em caixão simples de madeira - Foto: Reprodução
Morre Papa Francisco, ele simplificou o próprio funeral e será enterrado em caixão simples de madeira – Foto: Reprodução

O velório de um papa sempre se torna um evento, até pelo tempo que demora (nove dias). Mas o papa Francisco, que morreu nesta segunda-feira, 21, buscou no ano passado simplificar esses ritos. E ele será enterrado em um caixão simples de madeira e fora do Vaticano, pela primeira vez em mais de um século.

Francisco renunciou a uma prática secular, segundo a qual o chefe da Igreja é enterrado em três caixões interligados feitos de cipreste, chumbo e carvalho.

Em vez disso, Francisco será enterrado em um único caixão de madeira revestido de zinco.

O uso de uma plataforma elevada na Basílica de São Pedro para o “velório”, como aconteceu com os pontífices anteriores, também foi abolido. Os fiéis serão convidados a prestar suas homenagens enquanto o corpo de Francisco ficará dentro do caixão, com a tampa aberta.

Segundo as últimas informações vaticanas, ele optou pelo enterro na Igreja de Santa Maria Maior em Roma, em vez da Basílica de São Pedro, que abriga mais de 90 papas.

A escolha foi por se tratar da igreja que Francisco tradicionalmente frequentava para fazer suas orações em Roma (diocese da qual era, oficialmente, o bispo). Antes dele, Leão XIII, em 1903, havia optado pelo enterro na igreja de São João de Latrão.

As instruções estão no “Ordo Exsequiarum Romani Pontificis”, aprovado em 29 de abril de 2024 pelo próprio papa Francisco, que recebeu o primeiro exemplar em 4 de novembro.

“Fez-se necessária uma nova edição – explicou à época o arcebispo Diego Ravelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas dos Pontífices – antes de tudo porque o papa Francisco pediu, como ele mesmo declarou em diversas ocasiões, para simplificar e adaptar alguns ritos de forma que a celebração das exéquias do Bispo de Roma expressasse melhor a fé da Igreja em Cristo Ressuscitado”, disse. “O rito renovado, ademais, deveria enfatizar ainda mais que o funeral do Romano Pontífice é o de um pastor e discípulo de Cristo e não de uma pessoa poderosa deste mundo.”

A razão de não ser enterrado no Vaticano

Francisco declarou seu desejo de ser enterrado fora do Vaticano em 2023. “Quero ser sepultado em Santa Maria Maggiore por causa da minha grande devoção” pela Virgem, confidenciou à jornalista mexicana Valentina Alakraki. A devoção mariana é antiga: então cardeal Bergoglio frequentava a basílica ao lado da estação Termini já quando era arcebispo de Buenos Aires: “Sempre ia lá no domingo de manhã, quando eu estava em Roma.”

Voltou ao local uma centena de vezes, após cada uma de suas viagens apostólicas e nas festas litúrgicas marianas. Foi ainda o primeiro lugar em que foi após se tornar papa e que procurou durante a pandemia de covid-19. Curiosamente, trata-se da mesma forte devoção de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas, que ali celebrou sua primeira missa em 1538.

Por fim, o papa consegue deixar o Vaticano, no qual durante mais de uma vez se disse “engaiolado”. E, em uma sequência iniciada ao se recusar a ir para o Palácio Apostólico e optou por morar na Hospedaria Santa Marta, quebrou um último “protocolo” de seus antecessores.

Papa Francisco tem noite tranquila, mas segue em estado crítico, diz Vaticano

Papa Francisco tem noite tranquila, mas segue em estado crítico, diz Vaticano - Foto: reprodução
Papa Francisco tem noite tranquila, mas segue em estado crítico, diz Vaticano – Foto: reprodução

Papa Francisco, de 88 anos, passou a noite sem intercorrências e está descansando, informou o Vaticano nesta segunda-feira (24). No entanto, seu estado de saúde segue crítico devido à pneumonia bilateral que o levou à internação há dez dias. Exames recentes também indicaram um início de insuficiência renal leve.

Segundo o boletim divulgado pelo Vaticano, Francisco “o Pontífice dormiu e mantém seu repouso”. O comunicado reforça que ele segue sob observação médica e recebendo oxigênio por cânulas nasais para auxiliar na respiração.

Nos últimos dias, a preocupação com seu estado aumentou devido uma crise de asma e a uma queda no número de plaquetas no sangue, associada a um quadro de anemia, o que exigiu transfusão sanguínea no sábado (22). Os médicos também monitoram atentamente sinais de possíveis complicações, como sepse, que pode se desenvolver a partir da infecção pulmonar.

A atual hospitalização do Papa Francisco é a mais longa desde que assumiu o pontificado em 2013. Em 2021, ele ficou internado por dez dias para a remoção de parte do cólon. Apesar do quadro crítico, ele tem permanecido alerta e orientado. No domingo (23), o papa participou de uma missa privada em seu apartamento hospitalar.

Em mensagem divulgada pelo Vaticano, Francisco agradeceu aos profissionais de saúde do Hospital Policlínico Universitário Agostino Gemelli, em Roma, e demonstrou confiança na recuperação. “O repouso também faz parte da terapia. Agradeço de coração aos médicos e profissionais de saúde deste hospital pela atenção e dedicação com que prestam seu serviço aos doentes”, declarou.

Desde que foi internado, fiéis ao redor do mundo têm realizado orações por sua saúde, com manifestações na Argentina, na Itália e no Iraque. O Vaticano segue monitorando sua evolução e não há previsão para alta médica.

Em decisão histórica, Papa autoriza bênção para casais do mesmo sexo

Em decisão histórica, Papa autoriza bênção para casais do mesmo sexo – Foto: reprodução

O Vaticano anunciou na última segunda-feira (18) que os padres da Igreja Católica podem abençoar relacionamentos de casais do mesmo sexo. Esse é mais um movimento do papa Francisco de aproximar a Igreja Católica do público LGBTQIA+.

O documento, chamado de “Fiducia supplicans”, não altera “a doutrina tradicional da Igreja sobre o casamento”.

O cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do gabinete do Vaticano, explicou o documento em uma introdução.

Segundo ele, a nova norma “implica um verdadeiro desenvolvimento do que foi dito até agora sobre as bênçãos, chegando a compreender a possibilidade de abençoar casais em situação irregular e casais do mesmo sexo sem validar oficialmente o seu estatuto ou alterar de alguma forma o ensinamento perene da Igreja sobre o casamento”.

O cardeal Fernández escreveu que a nova regra considera o “sentido pastoral das bênçãos”, permitindo “uma ampliação e enriquecimento da compreensão clássica” através de uma reflexão teológica “baseada na visão pastoral do Papa Francisco”.

Por outro lado, o documento esclarece que a bênção “nunca deverá ser concedida em simultâneo com as cerimônias de uma união civil, e nem mesmo em conexão com elas. Nem pode ser realizado com roupas, gestos ou palavras próprias de um casamento”.

Em outubro, Francisco sugeriu que estaria aberto a que a Igreja Católica abençoasse casais do mesmo sexo. Respondendo a um grupo de cardeais que lhe pediram clareza sobre o assunto, ele disse que qualquer pedido de bênção deveria ser tratado com “caridade pastoral”.

“Não podemos ser juízes que apenas negam, rejeitam e excluem”, disse o papa.

Ele acrescentou, no entanto, que a Igreja ainda considerava as relações entre pessoas do mesmo sexo “objetivamente pecaminosas” e não reconheceria o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Bênção da Igreja Católica

Na Igreja Católica, uma bênção é uma oração ou apelo, geralmente feito por um ministro, pedindo que Deus olhe favoravelmente para a pessoa ou pessoas que estão sendo abençoadas.

Os bispos de vários países, incluindo a Bélgica e a Alemanha, começaram a permitir que os padres abençoassem casais do mesmo sexo, mas a posição das autoridades da Igreja permaneceu obscura.

Em 2021, na sequência de um pedido semelhante de esclarecimento, o gabinete doutrinário do Vaticano decidiu contra a permissão da prática.

Respondendo a um recente pedido, o Papa disse que a Igreja entende o casamento como uma “união exclusiva, estável e indissolúvel entre um homem e uma mulher” e deve evitar “qualquer tipo de rito ou sacramental que possa contradizer esta convicção”.

Mas acrescentou que “quando se pede uma bênção, expressa-se um pedido de ajuda a Deus, uma súplica para viver melhor”.

“A prudência pastoral deve discernir adequadamente se existem formas de bênção, solicitadas por uma ou mais pessoas, que não transmitam um conceito equivocado de casamento”, disse ele.

‘Igreja mais progressista’

Segundo analistas, essas ações do papa Francisco tentam tornar a Igreja Católica mais progressista.

O anúncio também ocorre dias após o Vaticano afirmar que pessoas transexuais podem ser batizadas na Igreja Católica, desde que isso não cause escândalo ou “confusão”.

A Igreja Católica também disse que pessoas trans poderiam ser padrinhos e madrinhas em batismos e testemunhas em casamentos.

As alterações climáticas também têm sido um pilar fundamental do papado de Francisco.

Ele lançou um documento histórico sobre o meio ambiente em 2015 e vem dizendo que o mundo pode estar “próximo do ponto de ruptura” devido às alterações climáticas.

O papa também condenou veementemente os negacionistas do clima e estará na Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP28) no final deste mês – será a primeira vez que um papa participa no evento desde que ele começou a ocorrer, em 1995.

Por outro lado, esses movimentos são acompanhados por uma resistência contra as mudanças em alguns setores da própria Igreja.

Em novembro, o papa Francisco demitiu o bispo texano Joseph Strickland, que havia questionado a liderança do pontífice e reformas que o Vaticano tem promovido em áreas como casamento de pessoas do mesmo sexo, aborto e direitos de pessoas trans.

O bispo Strickland pertence a um ramo do catolicismo dos Estados Unidos que se opõe às reformas do papa.

Strickland fez uma série de ataques às tentativas do papa de mudar a posição da Igreja Católica em temas ligados à sexualidade.

Em julho, afirmou que muitas “verdades básicas” do ensino católico estavam sendo desafiadas, incluindo o que chamou de tentativas de “minar” o casamento “tal como instituído por Deus”.

Também criticou aqueles que “rejeitam sua inegável identidade biológica dada por Deus”, referindo-se a pessoas trans.

Na mensagem para a Quaresma 2023, Papa pede aos fiéis para pôr-se a caminho no seguimento de Jesus

Foto: Papa Francisco – CNBB

Um convite a pôr-se a caminho no seguimento de Jesus para aprofundar e acolher o seu mistério de salvação. É o que afirma o Papa em sua Mensagem para a Quaresma 2023, divulgada na sexta-feira (17), na qual destaca a relação entre o caminho quaresmal e o caminho sinodal que a Igreja está trilhando, radicada na tradição e aberta à novidade.

O Papa recorda que “o evangelho da Transfiguração é proclamado, a cada ano, no II Domingo da Quaresma”. “Neste tempo litúrgico, o Senhor nos toma consigo e nos conduz à parte. Embora os nossos compromissos ordinários nos peçam para permanecer nos lugares habituais, transcorrendo uma vida quotidiana frequentemente repetitiva e por vezes enfadonha, na Quaresma somos convidados a subir a um ‘alto monte’ junto com Jesus, para viver com o Povo santo de Deus uma particular experiência de ascese”, ressalta o Pontífice.

Ascese quaresmal e experiência sinodal

A ascese quaresmal é um empenho, sempre animado pela graça, no sentido de superar as nossas faltas de fé e as resistências em seguir Jesus pelo caminho da cruz. Aquilo de que Pedro e os outros discípulos tinham necessidade.

“Para aprofundar o nosso conhecimento do Mestre, é preciso deixar-se conduzir por Ele à parte e ao alto, rompendo com a mediocridade e as vaidades. É preciso pôr-se a caminho, um caminho em subida, que requer esforço, sacrifício e concentração, como uma excursão na montanha.”

“Estes requisitos são importantes também para o caminho sinodal, que nos comprometemos, como Igreja, a realizar”, ressalta o Papa, convidando a refletir sobre a relação entre “a ascese quaresmal e a experiência sinodal”.

Refletindo sobre a “subida de Jesus e dos discípulos ao Monte Tabor, podemos dizer que o nosso caminho quaresmal é «sinodal», porque o percorremos juntos pelo mesmo caminho, discípulos do único Mestre. Sabemos que Ele próprio é o Caminho e, por conseguinte, tanto no itinerário litúrgico quanto no do Sínodo, a Igreja não faz outra coisa senão entrar cada vez mais profunda e plenamente no mistério de Cristo Salvador”.

Ao chegar ao Monte Tabor, Jesus ‘se transfigurou diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz’. “Aqui aparece o ‘cimo’, a meta do caminho. No final da subida e enquanto estão no alto do monte com Jesus, os três discípulos recebem a graça de O verem na sua glória, resplandecente de luz sobrenatural, que não vinha de fora, mas irradiava d’Ele mesmo. A beleza divina desta visão mostrou-se incomparavelmente superior a qualquer cansaço que os discípulos pudessem ter sentido quando subiam ao Tabor.

Com frequência também o processo sinodal se apresenta árduo e por vezes podemos até desanimar; mas aquilo que nos espera no final é algo, sem dúvida, maravilhoso e surpreendente, que nos ajudará a compreender melhor a vontade de Deus e a nossa missão a serviço do seu Reino”, sublinha Francisco.

O caminho sinodal está radicado na tradição da Igreja

Segundo o Papa, “a experiência dos discípulos no monte Tabor torna-se ainda mais enriquecedora quando, ao lado de Jesus transfigurado, aparecem Moisés e Elias, que personificam respectivamente a Lei e os Profetas. A novidade de Cristo é cumprimento da antiga Aliança e das promessas; é inseparável da história de Deus com o seu povo, e revela o seu sentido profundo”.

De forma análoga, o caminho sinodal está radicado na tradição da Igreja e, ao mesmo tempo, aberto para a novidade. A tradição é fonte de inspiração para procurar estradas novas, evitando as contrapostas tentações do imobilismo e da experimentação improvisada. O caminho ascético quaresmal e, de modo semelhante, o sinodal, têm como meta uma transfiguração, pessoal e eclesial. Uma transformação que, em ambos os casos, encontra o seu modelo na de Jesus e realiza-se pela graça do seu mistério pascal.

Para que, neste ano, se possa realizar em nós tal transfiguração, o Papa propôs dois ‘caminhos’ que devem ser percorridos “para subir junto com Jesus e chegar com Ele à meta”.

A Quaresma orienta-se para a Páscoa

O primeiro caminho, “diz respeito à ordem que Deus Pai dirige aos discípulos no Tabor, enquanto estão a contemplar Jesus transfigurado. A voz da nuvem diz: ‘Escutai-O’. Assim a primeira indicação é muito clara: escutar Jesus. A Quaresma é tempo de graça na medida em que nos pusermos à escuta d’Ele, que nos fala”. Portanto, escutar Jesus “na Palavra de Deus, que a Igreja nos oferece na Liturgia: não a deixemos cair em saco rasgado; se não pudermos participar sempre da missa, ao menos leiamos as Leituras bíblicas de cada dia valendo-nos até da ajuda da internet”, ressalta Francisco.

Além das Sagradas Escrituras, o Senhor nos fala também nos irmãos, “sobretudo nos rostos e vicissitudes daqueles que precisam de ajuda”, frisa o Papa, acrescentando outro aspecto, “muito importante no processo sinodal: a escuta de Cristo passa também através da escuta dos irmãos e irmãs na Igreja; em algumas fases, esta escuta recíproca é o objetivo principal, mas permanece sempre indispensável no método e estilo de uma Igreja sinodal”.

O segundo caminho a ser percorrido nesta Quaresma, é o de “não se refugiar numa religiosidade feita de acontecimentos extraordinários, de sugestivas experiências, levados pelo medo de encarar a realidade com as suas fadigas diárias, as suas durezas e contradições. A luz que Jesus mostra aos seus discípulos é uma antecipação da glória pascal, e é rumo a esta que se torna necessário caminhar seguindo «apenas Jesus e mais ninguém”. A Quaresma orienta-se para a Páscoa: o “retiro” não é um fim em si mesmo, mas prepara-nos para viver – com fé, esperança e amor – a paixão e a cruz, a fim de chegarmos à ressurreição”.

“Queridos irmãos e irmãs, que o Espírito Santo nos anime nesta Quaresma na subida com Jesus, para fazermos experiência do seu esplendor divino e assim, fortalecidos na fé, prosseguirmos o caminho com Ele, glória do seu povo e luz das nações”, conclui Francisco.

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