
Um episódio de violência e intolerância marcou a noite do dia 14 de agosto, em Passos (MG). Durante um luau realizado no bairro Eldorado, próximo ao Bloco 5 da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), dois jovens foram espancados ao tentar defender uma amiga transexual de assédio cometido por um grupo de homens.
De acordo com informações da Luneta TV, os agressores abordaram a jovem com cantadas insistentes e chegaram a puxá-la pelo braço. Ao perceber a situação, um dos amigos interveio, o que teria irritado os assediadores. Armados com uma placa de metal, pedras e pedaços de madeira com pregos, o grupo iniciou uma série de agressões que só cessaram quando uma das vítimas se fingiu de morta para escapar.
Início do ataque
As vítimas contaram que, ao deixarem o evento, notaram um carro parado em uma rua deserta. No veículo, estavam dois homens que, segundo eles, já observavam o grupo desde a festa. A jovem recusou as investidas e demonstrou medo de revelar que era transexual aos agressores.
Irritado com a reação, um dos homens disse ser irmão do assediador, entrou em um terreno baldio e retornou armado com um pedaço de madeira. A primeira agressão ocorreu nesse momento. Um dos jovens ainda tentou usar um saco de lixo para ganhar tempo, mas não conseguiu escapar.
Violência crescente
Enquanto um era golpeado com paus, outro foi atingido por uma pedra e, em seguida, agredido com uma placa de trânsito nas costas. Mesmo machucados, os amigos tentavam ganhar tempo para fugir.
A perseguição se intensificou quando mais agressores se juntaram ao grupo, totalizando cinco homens. Um dos jovens correu em direção ao Parque Emílio Piantino, pulou a cerca e chegou a ligar para a polícia, mas foi alcançado dentro do local.
A tática para sobreviver
Durante os ataques, os criminosos gritavam que iriam matar as vítimas. Cercado e sem chances de defesa, um dos jovens decidiu se fingir de morto. Eu parei de chutar, amoleci meu corpo e joguei meu corpo pra trás [ … ] com os braços abertos e a perna meio aberta também, parecendo que eu tinha morrido mesmo. E eles continuaram batendo e nisso eu estava segurando a dor, sabe? Pra não reagir, para não me mexer’’, relatou.
O grupo só interrompeu a agressão quando acreditou que a vítima estava morta.
Resgate e medo
Após o ataque, o jovem conseguiu deixar o parque e encontrou a viatura policial, que reuniu as três vítimas e as conduziu até suas casas. Posteriormente, elas foram levadas pela família a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para atendimento médico, incluindo a aplicação de vacina antitetânica.
Apesar da gravidade da situação, as vítimas relataram receio de registrar boletim de ocorrência por medo de represálias, já que os agressores não foram identificados..
A jovem transexual, alvo inicial dos assediadores, não sofreu ferimentos físicos, mas afirmou ter vivido momentos de intenso pânico, temendo que sua identidade fosse descoberta.


Com informações de Luneta TV.