CRM-MG, AMMG, AMM e Sinmed-MG criticam postura da administração municipal e alertam para uso político das redes sociais; caso gerou grande repercussão online

O afastamento de três médicos plantonistas da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Passos (MG), após a divulgação de um vídeo gravado por um paciente dentro da unidade, gerou reação das principais entidades médicas de Minas Gerais, que divulgaram uma nota conjunta nesta quarta-feira (15) criticando a postura da Prefeitura e pedindo cautela na apuração do caso.
As entidades — o Conselho Regional de Medicina (CRM-MG), a Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), a Academia Mineira de Medicina (AMM) e o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) — divulgaram nota conjunta de repúdio à postura da Prefeitura de Passos, que classificaram como uma “ação precipitada de espetacularização e punição”.
De acordo com o documento, as instituições consideram “inaceitável que profissionais sejam expostos e penalizados sem análise e apuração adequadas”, ressaltando que qualquer medida disciplinar deve ser tomada apenas após avaliação técnica e ética das circunstâncias.
Críticas ao uso político das redes sociais
Na nota, as entidades médicas também manifestam preocupação com o uso das redes sociais por agentes públicos “como instrumento de autopromoção ou espetáculo midiático”.
Segundo o texto, esse tipo de conduta “distorce a realidade, ignora os verdadeiros problemas estruturais da atenção básica e desestimula o ingresso e a permanência de profissionais na rede pública”.
As instituições também defenderam a necessidade de condições de trabalho adequadas e relações trabalhistas respeitosas, destacando que a desvalorização da medicina impacta diretamente a qualidade da assistência à população.
Repercussão nas redes sociais
A polêmica gerou forte reação entre profissionais de saúde e internautas.
Nos comentários, muitos usuários criticaram a postura da prefeitura e prestaram solidariedade aos médicos afastados:
“Na pandemia: médicos, nossos heróis, palmas e saudações. Míseros cinco anos depois: o caos instalado na saúde pública, agressões, vereadores sensacionalistas, condições precárias das unidades, contratações duvidosas de OS para remunerar os profissionais. Enfim, lamentável.”
Outro comentário destacou a necessidade de união da categoria:
“Os médicos deveriam se unir e deixar claro que não aceitarão contratos com a Prefeitura de Passos até que haja retratação e respeito à classe. Nenhum médico é obrigado a trabalhar na rede pública. É bom lembrar que a UPA é para urgência e emergência, e o paciente que gravou a denúncia ficou apenas 23 minutos na unidade.”
Houve também críticas à forma como médicos vêm sendo tratados no sistema público:
“Médico hoje é descartável. Manda um embora, tem três esperando a vaga. Políticos mal-intencionados usam o médico como bode expiatório das próprias falhas de gestão. Conselho e sindicato têm que entrar de verdade nessa luta. Estamos jogados aos leões.”
Contexto do caso
O vídeo que deu origem à polêmica foi gravado por um paciente na UPA de Passos e divulgado nas redes sociais, resultando no afastamento imediato de três médicos plantonistas pela administração municipal.
A ação gerou intensa repercussão e debate sobre a forma como o poder público tem lidado com a exposição de profissionais de saúde e com os problemas estruturais da rede municipal.
As entidades médicas afirmam que continuarão acompanhando o caso e reforçam que qualquer apuração deve respeitar o devido processo ético e legal, sem exposição indevida dos profissionais.