Uma confusão registrada na tarde de sábado (29) no bairro Novo Horizonte, em Passos (MG), terminou com três detidos, dois policiais feridos e viaturas da Polícia Militar danificadas após pedras e garrafas serem arremessadas contra a equipe.
Versão da Polícia Militar
Segundo a PM, o tumulto teve início quando equipes do GPMor realizavam buscas por uma motocicleta furtada. Ao perceberem a presença dos militares, dois suspeitos fugiram correndo sobre telhados e pulando muros. Os policiais montaram um cerco e conseguiram deter um deles, que caiu de um telhado e ainda tentou continuar a fuga.
A corporação afirma que, durante a abordagem, moradores passaram a interferir na ação e iniciaram o tumulto. De acordo com o relato policial, pedras e garrafas foram atiradas contra as viaturas e contra os militares, ferindo dois policiais — um atingido na cabeça por uma pedra, protegido pelo capacete, e outro machucado no momento da resistência inicial do suspeito abordado.
Ainda conforme a PM, dois homens foram presos por participação direta nas agressões: um por desobediência e incitação, e outro por arremessar a pedra que acertou o militar. A motocicleta envolvida na ocorrência também foi apreendida.
Com o aumento da confusão, reforço policial foi acionado. Para dispersar o grupo e garantir a segurança dos agentes e dos demais envolvidos, foram utilizados bastões, gás de pimenta, espargidores, granadas de efeito moral e um disparo preventivo, medida que a PM afirma ter sido necessária diante das agressões.
Após o controle da situação, os detidos foram conduzidos à Delegacia da Polícia Civil.
Versão de testemunhas
Moradores que presenciaram a ação afirmam que os policiais chegaram ao local para realizar uma abordagem, mas, segundo eles, a situação tomou outro rumo quando os militares teriam começado a agredir o homem de camiseta vermelha que aparece nas filmagens. Clientes que estavam no bar vermelho, pertencente à mãe de uma das testemunhas, relataram que se aproximaram da grade e pediram para que as agressões parassem, alegando covardia.
De acordo com os relatos, nesse momento o policial identificado como Lucas — descrito como o mais alto do vídeo — teria se voltado para o grupo que estava atrás da grade e efetuado um disparo. Testemunhas afirmam que cerca de 15 pessoas estavam naquele ponto e que o tiro só não atingiu alguém porque acertou a telha. Vídeos teriam registrado o momento e o local onde o disparo bateu.
Após o tiro, segundo moradores, a população se revoltou e passou a gravar a ação, gritando que havia crianças no local. Ainda de acordo com eles, o mesmo policial teria passado a agredir pessoas que apenas observavam ou filmavam.
Em outro momento relatado, o homem que aparece nas imagens tendo o celular jogado e levando um chute teria se aproximado de outro policial para reclamar que o aparelho havia sido quebrado durante a filmagem. Testemunhas dizem que, ao ver a cena, o policial Lucas novamente teria partido para a agressão com o cacetete, e que, em uma das pancadas, acabou quebrando a mão do rapaz.
Os moradores contam que a situação se tornou um tumulto generalizado. Outros policiais chegaram ao local e, conforme as testemunhas, tentaram entrar em algumas residências — entre elas, a casa da avó de uma das pessoas que presenciou tudo. O avô, de 70 anos, teria recebido spray de pimenta no rosto e passado mal. O mesmo produto, segundo o relato, também atingiu uma criança de 1 ano e uma bebê de 7 meses, que precisaram ser levadas à UPA por intoxicação.
Testemunhas atribuem toda a confusão à forma como a abordagem foi conduzida e à reação dos policiais durante o episódio. Elas afirmam ainda que, em determinado momento, um policial chegou a chamar a atenção de outro colega, que teria o xingado na frente de todos.