
As chamadas falsas continuam sendo um desafio para os serviços de emergência em Passos e em todo o estado de Minas Gerais. Dados do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) mostram que, ao longo de 2025, foram registradas 1.506 ligações classificadas como trotes no município. No mesmo período, o sistema recebeu 41.922 chamadas, o que significa que cerca de 3,6% dos atendimentos foram acionamentos indevidos.
Segundo a Polícia Militar, além de ocuparem linhas telefônicas, os trotes consomem tempo e mobilizam equipes que poderiam estar atendendo ocorrências reais, como crimes em andamento, acidentes ou situações de risco iminente. A corporação alerta que esse tipo de prática compromete diretamente a eficiência do atendimento emergencial. “Cada chamada falsa representa recursos desviados de quem realmente precisa de ajuda”, destacou uma fonte da PM local.
O problema não se restringe ao município. Em âmbito estadual, os números também chamam atenção. Entre janeiro e agosto de 2025, os serviços de emergência de Minas Gerais — Polícia Militar (190), Corpo de Bombeiros (193) e Samu (192) — contabilizaram 167.713 trotes. O volume corresponde a uma média aproximada de 29 ligações falsas por hora, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Apesar do cenário ainda preocupante, houve redução em relação ao ano anterior. No mesmo intervalo de 2024, foram registradas 228.418 chamadas falsas, o que representa uma queda de cerca de 26% nos trotes em 2025. Mesmo assim, as autoridades consideram os números elevados.
Para enfrentar o problema, o Governo de Minas Gerais passou a adotar, em 2025, o Sistema de Localização Instantânea de Ocorrências (SILOC). A tecnologia permite identificar automaticamente a origem das chamadas de emergência, utilizando dados de GPS, redes Wi-Fi e torres de telefonia, com precisão de até cinco metros, mesmo quando o solicitante não consegue informar o endereço.
De acordo com o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, o sistema representa um avanço significativo. “Ao ligar para o 190, 193 ou 192, a localização da pessoa é reconhecida automaticamente. Em situações de crise, como infrações penais ou casos de violência doméstica, mesmo sem comunicação verbal, a identificação aparece no sistema”, explicou. Segundo ele, a tecnologia também atua como fator de inibição de trotes, que mobilizam equipes de forma desnecessária.
As informações são da Superintendência de Integração e Planejamento Operacional (Sipo), vinculada à Sejusp. Com a implantação do SILOC, o estado busca aprimorar a resposta às emergências, reduzir o número de chamadas falsas e garantir mais agilidade no atendimento à população.