
A Polícia Federal em Divinópolis (MG), com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais, por meio da unidade de Alpinópolis, cumpriu nesta quinta-feira (19) dois mandados de prisão contra duas mulheres, de 28 e 27 anos, naturais de São José da Barra.
As investigadas são suspeitas de envolvimento na importação e distribuição ilegal de medicamentos emagrecedores contrabandeados, conhecidos como “canetas do Paraguai” ou “monjauro do Paraguai”. Os produtos teriam como princípio ativo a tirzepatida e eram comercializados com nomes como “T.G.”, “Lipoless”, “Tirzec” e “Gen-Tirz”, além da venda de outros itens, como celulares e perfumes.
Como funcionava o esquema
As investigações tiveram início em agosto de 2025, após informações repassadas pela Polícia Civil de Alpinópolis. Segundo apurado, uma das envolvidas cursava medicina no Paraguai e comandava, a partir daquele país, um esquema de envio de medicamentos ao Brasil.
Os produtos eram distribuídos por integrantes do grupo em regiões como São Paulo, São José da Barra e cidades do Nordeste. A comercialização ocorria principalmente por meio de plataformas digitais como TikTok, Facebook e grupos de WhatsApp.
A estudante de medicina foi presa no Paraguai, na cidade de Ciudad del Este, e deverá ser deportada para o Brasil, onde ficará à disposição da Justiça. Já a segunda investigada, irmã da estudante, foi presa em São José da Barra, onde residia e, conforme as investigações, auxiliava na distribuição dos medicamentos contrabandeados.
Mandado de busca e continuidade dos crimes
Em 30 de dezembro de 2025, a Polícia Federal de Divinópolis, cumpriu mandado de busca e apreensão na residência das investigadas, em São José da Barra, ocasião em que foram apreendidos aparelhos celulares e obtidas informações consideradas relevantes para o avanço das investigações.
De acordo com as autoridades, mesmo cientes das apurações em andamento, as envolvidas teriam continuado a prática criminosa, o que motivou os pedidos de prisão preventiva.
Além das prisões, a Justiça decretou o sequestro de bens e valores das investigadas até o montante de R$ 500 mil.
Produtos proibidos pela ANVISA
Segundo a Polícia Federal, os medicamentos conhecidos como “canetas do Paraguai” ou “monjauro do Paraguai” possuem importação proibida pela ANVISA, por não terem registro no Brasil. Trata-se de produtos que não passam por controle de qualidade ou verificação de eficácia, havendo, inclusive, elevado índice de falsificação.
Com a formalização das prisões, as investigadas serão ouvidas e o procedimento será encaminhado à Justiça Federal para o devido processamento.
Crimes investigados
As investigadas poderão responder pelos crimes de:
• Contrabando (art. 334-A do Código Penal);
• Falsificação de produto destinado a fins medicinais (art. 273, §1º-B, I);
• Descaminho (art. 334 do Código Penal);
• Organização criminosa (Lei 12.850/2013);
• Lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998).
Somadas, as penas máximas podem variar de 19 a 42 anos de prisão.