Mesmo com decisão judicial a seu favor, idoso vive há mais de 20 anos sem energia elétrica em zona rural de Delfinópolis – Foto: reprodução/G1
Há mais de duas décadas, o produtor rural João Batista Rocha, de 72 anos, vive uma rotina que parece ter parado no tempo. Sem energia elétrica em sua propriedade, localizada na zona rural de Delfinópolis (MG), ele enfrenta diariamente a falta de comodidades que hoje são básicas para qualquer cidadão — geladeira, chuveiro, celular ou mesmo uma lâmpada acesa à noite.
Rocha mora sozinho e, apesar de ter alguns eletrodomésticos, como geladeira e máquina de lavar roupas, eles permanecem desligados, servindo apenas como locais de armazenamento.
“Tem que lavar roupa na mão. Eu tenho máquina de lavar, mas não posso usar. Tenho geladeira, mas não posso usar. A comida azeda, porque é muito quente aqui durante o dia”, contou o produtor.
Para tentar amenizar o isolamento, ele utiliza uma bateria de trator para assistir à televisão e precisa esquentar a água manualmente quando quer tomar banho quente. Antes disso, no entanto, precisa andar cerca de três quilômetros a cavalo para buscar água, já que, sem energia, não é possível instalar uma bomba. O idoso afirma que, além do desconforto, vive com medo de passar mal e não ter como pedir socorro.
Apesar das dificuldades, o que mais o incomoda é a sensação de injustiça.
“É uma discriminação monstruosa, que eu não consigo entender. Gostaria de saber o motivo. Eu nunca fiquei devendo para a Cemig. Teve audiência presencial, levei vizinhos, o oficial de Justiça filmou, o juiz deu três ordens e a Cemig não cumpriu”, desabafa.
O caso já chegou à Justiça. Segundo a advogada Alilca Roberta Zanelato, que representa João Batista, uma liminar foi concedida em 7 de julho de 2022, determinando que a Cemig ligasse imediatamente a energia elétrica na residência. A decisão, porém, nunca foi cumprida.
“A liminar foi deferida para que a Cemig ligasse imediatamente a energia elétrica na residência do seu João, o que não ocorreu. Em 2024, veio a sentença judicial, condenando a companhia ao pagamento de danos morais e à ligação imediata da energia, sob pena de multa. Contudo, estamos no final de 2025 e, até a presente data, mais de um ano depois, a Cemig não cumpriu a ordem judicial”, afirma a advogada.
O produtor afirma ainda que toda a instalação elétrica da propriedade está pronta e que há um poste de energia a cerca de 30 metros de sua casa. Todos os vizinhos têm luz, o que reforça sua indignação.
Em nota, a Cemig informou que a obra foi concluída em setembro de 2022, mas que, no momento da ligação, não havia sido instalado o padrão de entrada de energia, equipamento cuja responsabilidade é do cliente.
Já a Prefeitura de Delfinópolis declarou que não tem conhecimento do processo judicial, pois não é parte na ação, mas que vai consultar o processo para verificar de que forma o Município pode intermediar ou auxiliar na solução do problema, dentro dos limites de sua competência administrativa.
Em greve, trabalhadores da Copasa se mobilizam na Assembleia contra PEC do referendo – Foto: Letícya Bernadete
Os servidores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) iniciam, nesta terça-feira (21/10), uma greve contra a PEC que retira a obrigatoriedade do referendo popular. O texto voltou a tramitar na Assembleia Legislativa, onde o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG) se reúne para acompanhar a votação na Casa e como ato dentro das mobilizações. A greve acontece até quinta-feira (23/10).
A concentração na Assembleia acontece todos os dias durante a paralisação, por conta das votações envolvendo a PEC. Nesta quarta-feira (22/10), haverá uma audiência pública na Casa para tratar do tema, e a expectativa é que a mobilização reúna entre quatro e seis mil trabalhadores na Assembleia Legislativa.
A categoria questiona a “PEC do referendo”, que retira a obrigatoriedade de consulta popular para privatização da Copasa. O diretor e coordenador de campanha do Sindágua, Milton Costa, destaca que a greve não irá afetar os serviços essenciais prestados pela Copasa, como de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Há escala mínima de funcionamento.
“A gente tem que manter um contingente mínimo para que a população não seja afetada, porque a população é a nossa maior interessada nisso tudo”, reforça.
Conforme Costa, a presença na Assembleia vem como uma pressão da categoria para que a PEC do referendo não avance na Casa e, consequentemente, a privatização da estatal seja barrada.
“Nós estamos aqui para lutar e para forçar que os deputados não votem essa PEC, que tira o direito da população de opinar se quer ou não a venda das estatais através do referendo popular.”
O temor da categoria é que a privatização da Copasa possa interferir no serviço prestado, em especial, nas cidades mineiras com Índice de Desenvolvimento Humano menor. Conforme o diretor do Sindágua, a estatal está presente em 640 municípios em Minas Gerais.
“Como o capital privado visa lucro, com certeza as tarifas de água vão aumentar, porque vai ter que ter um investimento para levar a água para a população carente, não vai ser com um subsídio cruzado. A precarização do serviço vai aumentar, o serviço vai ficar pior, porque vai acabar com o serviço de qualidade, com os trabalhadores que têm expertise nisso, porque a contratação do privado visa a economia”, pontua.
O Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG) também apoia as mobilizações contra a PEC do referendo. Conforme o coordenador geral da categoria, Emerson Andrada, a mobilização ocorre em defesa das empresas públicas mineiras.
“Onde houve privatização das empresas de água e energia, as tarifas subiram e os serviços pioraram. Nossa luta é pela soberania popular, o direito do povo decidir o futuro das suas empresas públicas”, diz.
Delegado Marcos Pimenta, chefe do 18º Departamento da Polícia Civil em Poços de Caldas, no Sul de Minas – Foto: redes sociais
Um estudante de medicina veterinária, de 23 anos, foi alvo de um mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (21), em um apartamento localizado no bairro de Lourdes, região Centro-Sul de Belo Horizonte.
De acordo com a Polícia Civil, o jovem é suspeito de ter se passado por um delegado para tentar cobrar uma dívida de uma colega universitária. A vítima seria uma estudante envolvida em um suposto desvio de dinheiro da atlética do curso de medicina veterinária da PUC Minas.
Durante o depoimento, o estudante admitiu ter utilizado o nome e a imagem do delegado Marcos Pimenta, chefe do 18º Departamento da Polícia Civil em Poços de Caldas, no Sul de Minas. Ele disse ter cometido o ato “sem pensar”, alegando que a intenção era apenas recuperar um valor que lhe seria devido.
Durante a ação policial, os agentes também encontraram porções de maconha no apartamento. O jovem afirmou ser usuário e declarou que a droga era destinada ao consumo pessoal.
O autor foi conduzido à delegacia especializada para prestar esclarecimentos. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Leia as mensagens enviadas pelo estudante
Estudante de veterinária de BH é alvo de operação após se passar por delegado de Poços de Caldas – Imagem: redes sociais
Estudante de veterinária de BH é alvo de operação após se passar por delegado de Poços de Caldas – Imagem: redes sociais
O padre Edson Augusto Teixeira, de 55 anos, da Paróquia Sant’Ana, em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas, invadiu o estúdio de uma rádio e agrediu o locutor Jésus de Carvalho Chaves, de 83 anos, durante a transmissão ao vivo do programa “Domingão do Jesão”.
Um áudio que circula pelas redes sociais (ouça acima) registrou a confusão. Conforme apuração, o padre não teria gostado de um comentário feito por Jésus sobre a restauração de pinturas e peças sacras e invadiu o estúdio da Rádio Canastra FM 89.1.
Segundo a Polícia Militar (PM), o radialista, que sofreu ferimentos leves, foi até o quartel e pediu o registro da ocorrência. Ainda segundo a PM, o padre não foi encontrado para explicar o que aconteceu. A reportagem também não conseguiu contato com Edson até a última atualização desta reportagem.
A Diocese de Luz, responsável pela Paróquia Sant’Ana, informou que acompanha a apuração do caso. A Rádio Canastra FM afirmou que não vai aceitar agressão aos comunicadores e que sempre lutou pela livre expressão e opinião. Veja as notas nas íntegras mais abaixo.
Radialista agredido ao vivo
ÁUDIO | Padre invade estúdio de rádio e agride radialista de 83 anos ao vivo em MG – Foto: redes sociais
Segundo a PM, o padre entrou no estúdio sem autorização e empurrou o radialista, que caiu e machucou o braço esquerdo e a cabeça. Jésus contou que foi empurrado de novo e caiu sobre um sofá.
Uma testemunha viu toda a cena. Durante a confusão, a pulseira do relógio do locutor arrebentou. Jésus procurou atendimento médico no Hospital Nossa Senhora do Brasil por conta própria.
A redação, o radialista afirmou que criticou a forma como o padre conduziu a restauração de peças e de uma pintura sacra, e ele não gostou.
“Critiquei certas atitudes não só desse padre, mas também dos anteriores. Mas, em específico deste, ele lambuzou, descaracterizou totalmente uma obra de arte da igreja. E tem também uma imagem sacra que ele refez e não tem nada a ver com o original. Eu questionei essa ação dele”, disse.
A Polícia Civil informou que o caso é tratado como infração de menor potencial ofensivo e que o procedimento cabível é um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Por se tratar de lesão corporal leve, a investigação só será aberta se o radialista formalizar a denúncia. Se houver representação, o caso deve tramitar no Juizado Especial Criminal.
O que diz a Rádio Canastra FM
“A Rádio Canastra FM 89.1 vem a público mostrar nossa indignação com o acontecido no dia 19 de outubro.
Quando o padre da Paróquia Sant’Ana, não conformado com os comentários do comunicador Jésus de Carvalho, ao invés de buscar os meios certos, como direito de resposta ou até mesmo a Justiça, invadiu o estúdio da emissora e o agrediu com palavras de baixo calão e até mesmo fisicamente, em uma atitude descontrolada, onde um senhor de 80 anos estava apenas usando o seu direito de expressão.
A direção da emissora mostra total apoio ao comunicador e afirma que continuamos com nossa missão de informar toda a população sobre o que acontece em nossa cidade. Afirmamos também que qualquer um não satisfeito tem seu espaço aberto na emissora para seu direito de resposta.
Não vamos aceitar, em momento algum, que nossos comunicadores voltem a ser agredidos. Nós da Canastra FM sempre lutamos pela livre expressão e opinião”.
O que diz a Diocese de Luz
“A Diocese de Luz informa que está tomando ciência do fato ocorrido neste domingo (19), em Bambuí (MG), envolvendo o Revmo. Pe. Edson Augusto Teixeira, e acompanhará a apuração com a seriedade que o caso exige. Até o momento, não há qualquer posicionamento conclusivo, uma vez que os acontecimentos ainda estão sendo verificados.
É importante destacar que, ao longo de seu ministério, o Revmo. Pe. Edson sempre pautou sua atuação por uma conduta ponderada, respeitosa e pastoral. No entanto, diante das informações veiculadas, a Diocese se compromete a acompanhar o processo e, se necessário, tomar as devidas providências conforme orienta o Código de Direito Canônico e as Diretrizes Pastorais e Sacramentais da Diocese de Luz.
Reiteramos nosso compromisso com a verdade, com a ética e com o respeito a todas as partes envolvidas, mantendo sempre o diálogo aberto e a transparência.
Dado e passado na Cúria Diocesana de Luz, aos vinte dias do mês de outubro do ano de dois mil e vinte e cinco (20/10/2025)”.
Petrobras reduz preço da gasolina em 4,9% a partir de terça-feira (21) – Foto: reprodução
A Petrobras vai reduzir o preço da gasolina em 4,9% para distribuidoras a partir desta terça-feira (21).
Assim, o preço médio da gasolina A passará a ser, em média, de R$ 2,71 por litro — uma redução de R$ 0,14 por litro. Essa será a segunda redução dos preços de gasolina feita pela petroleira neste ano. Com isso, diz a Petrobras, os preços já caíram 10,3% (R$ 0,31 por litro) no acumulado de 2025.
“Desde dezembro de 2022, os preços de gasolina para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,36 por litro. Considerando a inflação do período, esta redução é de 22,4%”, informou a Petrobras em nota oficial.
A companhia também informou que deve manter os preços de venda do diesel para as distribuidoras neste momento. Nesse caso, segundo a Petrobras, foram três reduções desde março de 2025. Em janeiro, no entanto, a petroleira havia anunciado um aumento de R$ 0,22.
Preços na bomba
Segundo a Petrobras, os preços praticados pela empresa representam apenas cerca de um terço do valor final pago pelos consumidores nos postos.
A petroleira explica que o preço da gasolina nas bombas é composto por diversos fatores, além do valor cobrado pela estatal.
São eles:
Custos e margem de lucro de distribuidoras e revendedores;
Custo do etanol anidro, que é misturado à gasolina A para formar a gasolina C;
Impostos federais, como Cide, PIS/Pasep e Cofins;
Imposto estadual (ICMS), cuja alíquota varia conforme a unidade da federação.
Veja a nota da Petrobras
A partir de amanhã, 21/10, a Petrobras reduzirá seus preços de venda de gasolina A para as distribuidoras em 4,9%.
Dessa forma, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,71 por litro, uma redução de R$ 0,14 por litro.
Com o reajuste anunciado, esta é a segunda redução dos preços de gasolina em 2025. No acumulado do ano, a Petrobras reduziu seus preços em R$ 0,31/ litro ou 10,3%. Desde dezembro de 2022, os preços de gasolina para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,36 / litro. Considerando a inflação do período, esta redução é de 22,4%.
Para o diesel, neste momento, a Petrobras está mantendo seus preços de venda para as companhias distribuidoras. Desde março de 2025 a Petrobras realizou 3 reduções. Desde dezembro de 2022, a redução acumulada nos preços de diesel para as companhias distribuidoras, considerando a inflação, é de 35,9%.
Transparência
De forma a contribuir para a transparência de preços e melhor compreensão da sociedade, a Petrobras publica em seu site informações referentes à formação e composição dos preços de combustíveis ao consumidor. Acesse: precos.petrobras.com.br
Furtos em torres de transmissão de Furnas geram risco de colapso e preocupam moradores em Nova Resende – Foto: divulgação
O furto de peças metálicas das torres de transmissão de energia de Furnas tem causado apreensão entre moradores e autoridades na região de Nova Resende, no Sul de Minas. Os crimes vêm sendo registrados em pontos de difícil acesso e afetam diretamente a segurança das estruturas que sustentam as linhas de alta tensão.
De acordo com funcionários da concessionária responsável, foram constatadas a ausência de parafusos, suportes e outras peças essenciais à estabilidade das torres. A retirada desses componentes pode comprometer a resistência das estruturas, elevando o risco de colapso e interrupção no fornecimento de energia elétrica para milhares de consumidores em diversos municípios mineiros.
O episódio mais recente foi registrado em boletim de ocorrência, e uma investigação foi aberta para identificar os autores dos furtos. A Polícia Militar reforça que o caso vai além de prejuízos materiais: trata-se também de uma ameaça à segurança pública, uma vez que qualquer dano estrutural pode provocar acidentes graves.
A linha de transmissão de Furnas, que atravessa dezenas de cidades de Minas Gerais, é um dos principais eixos de interligação do sistema elétrico da região. Enquanto as investigações prosseguem, equipes de manutenção intensificam o monitoramento das áreas afetadas e realizam reparos emergenciais para evitar novos danos.
As autoridades pedem que a população colabore denunciando movimentações suspeitas nas proximidades das torres. O apoio da comunidade, segundo os técnicos, é fundamental para coibir a ação de criminosos e preservar a integridade das estruturas que garantem o fornecimento de energia a toda a região.
Mortes causadas pelo calor podem dobrar e afetar principalmente idosos – Foto: reprodução
O calor já é responsável por cerca de 1 em cada 100 mortes na América Latina, e esse número pode mais que dobrar nas próximas duas décadas. O alerta vem de uma análise feita em 326 cidades da Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México, Panamá e Peru, que considerou o envelhecimento natural da população e cenários moderados de aquecimento global, com aumento de 1°C a 3°C entre 2045 e 2054.
Atualmente, as mortes relacionadas ao calor representam 0,87% do total, mas podem chegar a 2,06% no pior cenário.
“As pessoas idosas e as mais pobres são as que mais sofrem. Quem vive em áreas periféricas, em moradias precárias e sem acesso a ar-condicionado ou a espaços verdes enfrenta mais dificuldade para suportar ondas de calor cada vez mais intensas. As mortes são apenas a ponta do iceberg — o calor extremo aumenta o risco de infartos, insuficiência cardíaca e outras complicações, especialmente em quem tem doenças crônicas”, explica Nelson Gouveia, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores do estudo.
No Brasil, a pesquisa utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do DataSUS, e do Censo Demográfico do IBGE. Assim como em outros países da região, a tendência é de crescimento nas mortes ligadas a temperaturas extremas — tanto por calor quanto por frio. O aumento da população com mais de 65 anos, previsto para a década de 2045 a 2054, deve ampliar ainda mais o grupo de risco.
Os pesquisadores destacam que parte dessas mortes pode ser evitada com políticas de adaptação climática, como planos de ação para ondas de calor, reformas urbanas que reduzam a exposição a altas temperaturas e medidas voltadas especialmente a idosos e pessoas com deficiência.
Entre as ações recomendadas estão sistemas de alerta precoce com linguagem acessível, ampliação de áreas verdes e corredores de ventilação urbana, campanhas educativas sobre os riscos do calor e cuidados pessoais, além de protocolos de saúde pública para atendimento prioritário a pessoas vulneráveis — como já ocorre no Rio de Janeiro.
O estudo integra o projeto Mudanças Climáticas e Saúde Urbana na América Latina (Salurbal-Clima), que reúne cientistas de nove países latino-americanos e dos Estados Unidos. Com duração prevista entre 2023 e 2028, o Salurbal busca evidências sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde da população da região.
Mineiros já pagaram mais de R$ 226 bilhões em impostos este ano – Foto: reprodução
Os mineiros já pagaram R$ 226,8 bilhões de impostos, taxas e contribuições no País este ano. O volume representa 7% da arrecadação nacional, que ultrapassou os R$ 3 trilhões este mês. Os dados são do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que simula em tempo real o volume arrecadado pela União.
Chama atenção que os números estão avançando mais cedo este ano. No ano passado, somente no dia 7 de novembro, 26 dias depois, o impostômetro somou R$ 226 bilhões em Minas Gerais. No Brasil, o cenário se repetiu. O impostômetro só chegou a R$ 3 trilhões no dia 1º de novembro, 25 dias depois, revelando um aumento no ritmo da arrecadação.
A princípio, o movimento pode aparentar o aquecimento da economia, o que de fato não deixa de ser um dos motivos da maior arrecadação, porém não é o único, conforme analisa a economista do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG), Diana Chaib.
“Esse crescimento pode ser atribuído a vários fatores como, por exemplo, o aumento de alíquotas de impostos, a expansão de setores que já eram mais rentáveis ou até uma recuperação econômica de setores que, durante e após a pandemia, estavam estagnados”, explica.
Diana Chaib também ressalta o crescimento econômico de atividades de setores específicos como as commodities. “Mineração e petróleo, por exemplo, podem ter contribuído com uma parte significativa desse aumento da arrecadação no Brasil. Em Minas Gerais, a gente pode destacar a mineração, que é uma grande fonte de receita, e com o preço do minério de ferro e outros produtos estão em alta no mercado global, essa arrecadação tende a crescer”, analisa.
Assim como a economista da UFMG, o professor de gestão do Centro Universitário Una e do UniBH, Fernando Sette Junior, acrescenta o efeito combinado da inflação e da formalização econômica. A alta dos preços, segundo ele, aumenta automaticamente a base de impostos como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Serviços (ISS) e Programa de Integração Social/ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins), já que são tributos que incidem sobre o valor das transações.
“Paralelamente, a digitalização da economia e a maior emissão de notas fiscais eletrônicas facilitaram o monitoramento do fisco, reduzindo a evasão. Minas Gerais, por exemplo, vem investindo fortemente em fiscalização digital e cruzamento de dados, o que amplia a eficiência da cobrança e reduz brechas para sonegação”, relata.
Um segundo elemento, na análise do professor, é o comportamento do mercado de trabalho e do setor de serviços, que tem sido o grande motor da economia brasileira. “Com mais pessoas ocupadas e rendimentos em recuperação, há aumento do consumo e, por consequência, da arrecadação sobre bens e serviços”, observa.
Além disso, setores como mineração, energia e combustíveis, de grande peso na economia mineira, registraram receitas relevantes, impulsionadas por preços internacionais favoráveis e retomada da demanda global. Isso gera reflexos diretos na arrecadação estadual e federal.
Por fim, ele ressalta as mudanças tributárias e fiscais recentes. “A reversão de desonerações concedidas em 2022, especialmente sobre combustíveis e energia elétrica, devolveu receitas perdidas aos cofres públicos”, comenta Sette Junior.
O governo federal também obteve, na visão do professor, receitas extraordinárias com dividendos de estatais, concessões e royalties do petróleo. “Portanto, o crescimento da arrecadação não é resultado de um único fator, mas de uma combinação de melhora administrativa, conjuntura econômica favorável e ajustes normativos. O desafio, contudo, é transformar essa melhora conjuntural em base fiscal sustentável”, observa.
A economista da UFMG, Diana Chaib destaca ainda o reflexo da recuperação econômica após a pandemia. “Essa recuperação ainda está em andamento. Alguns setores não se recuperaram totalmente, e algumas empresas voltaram a produzir e vender mais e isso acaba impactando na arrecadação”, diz.
Desequilíbrio fiscal pode trazer impactos negativos na economia
Apesar desses avanços, os gastos dos governos simulados pelo Gasto Brasil, outra ferramenta das associações comerciais, estão maiores que os valores arrecadados em todo o País. O mesmo não ocorre em Minas, onde a situação está controlada. No Brasil, esses gastos já somam R$ 4 trilhões, R$ 1 trilhão a mais que a arrecadação no mesmo período.
“Esse não é necessariamente um movimento que tem sido feito de forma sustentável ou justa. É sempre importante a gente ficar atento e observar quem está contribuindo mais para esse volume. Será que essa carga tributária que tem aumentado muito, está sendo bem distribuída? Ou ela está só recaindo sobre a classe trabalhadora e as pequenas empresas?”, indaga Diana Chiab.
Se a arrecadação continuar abaixo dos gastos, ou seja, crescendo de forma insuficiente e desequilibrada, a economista da UFMG alerta para os efeitos negativos que isso pode causar. “O aumento da dívida pública pode fazer com que o governo recorra ao endividamento. E isso pode levar ao aumento da dívida pública, aumentando a dependência do crédito externo”, diz.
Ela acrescenta que pode haver ainda cortes nos serviços públicos e pode ser necessário cortar investimentos em áreas essenciais. “O governo pode adotar também políticas de austeridade para tentar equilibrar as contas públicas e isso geralmente implica em cortes em programas sociais, previdência, redução de gastos públicos de uma forma mais geral, o que é ruim para a economia”, observa.
O economista da Associação Comercial de São Paulo, Ulisses Ruiz de Gamboa, uma das entidades responsáveis pela manutenção das ferramentas de simulação, acredita que a tendência é de mais aumento de gastos. “Estamos com um modelo de política fiscal de crescimento dos gastos, além da capacidade de aumentar a arrecadação. O resultado disso é um endividamento cada vez maior, colocando em dúvida a capacidade do governo de honrar seus compromissos a médio e longo prazo, o que seria a insolvência fiscal”, afirma.
Um gesto simples, mas carregado de emoção, marcou a rotina do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), em Divinópolis (MG), nesta semana. O paciente Cássio Murilo Teixeira, de 43 anos, internado há vários dias, foi içado pela equipe do hospital até o corredor da unidade para ver e sentir o sol pela primeira vez em muito tempo.
O momento foi registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais do hospital. Nas imagens, profissionais de saúde aparecem utilizando uma cadeira adaptada, cuidadosamente erguendo o paciente até uma abertura onde a luz solar entrava. Sorridente, Cássio permaneceu por alguns minutos contemplando o céu e aproveitando o calor do sol, enquanto a equipe se emocionava com a cena.
Cássio está em tratamento contra elefantíase, doença que provoca inchaço extremo nos membros, e também enfrenta complicações respiratórias. Segundo o CSSJD, ele segue internado, recebendo cuidados contínuos, e ainda não há previsão de alta.
O que é elefantíase
A elefantíase, também conhecida como filariose benigna, é uma condição crônica causada pela obstrução dos vasos linfáticos, o que leva ao aumento disforme de partes do corpo — como pernas, braços ou genitais. O tratamento inclui medicações, higiene rigorosa, fisioterapia e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
Pacientes que convivem com a doença enfrentam limitações físicas severas e maior risco de infecções secundárias, fatores que impactam diretamente na qualidade de vida.
A madrugada da última sexta-feira (17) foi marcada por fortes chuvas em Sarandi, no Norte do Paraná, que causaram danos significativos na estrutura da Expo Sarandi. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram parte do espaço do evento totalmente afetado, com lonas e estruturas metálicas retorcidas pela força do vento e da chuva.
O temporal ocorreu poucas horas após um show histórico que reuniu grande público para assistir a apresentação do cantor Leonardo, com a presença de Ana Castela e Zé Felipe, um dos pontos altos da programação deste ano. Logo após o encerramento dos shows, a chuva atingiu a cidade e provocou o colapso de parte das instalações do evento.
Apesar dos estragos, a organização da Expo Sarandi agiu rapidamente. A estrutura danificada foi reconstruída a tempo, e os shows previstos para os próximos dias – com Jiraya Uai e Maria Marçal – ocorreram normalmente, garantindo a continuidade da programação.
A equipe responsável pela feira informou que ninguém ficou ferido e reforçou o compromisso com a segurança do público e dos artistas. As apresentações seguiram dentro do cronograma e com o mesmo entusiasmo dos dias anteriores.
A Expo Sarandi é um dos eventos mais tradicionais da região, reunindo atrações musicais, exposições e atividades agropecuárias, e segue atraindo milhares de visitantes todos os anos.
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