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Jornal Folha Regional

Segurar um espirro pode causar o rompimento de uma artéria, fissura na faringe ou até mesmo um AVC

Segurar um espirro pode causar o rompimento de uma artéria, fissura na faringe ou até mesmo um AVC – Foto: reprodução

Você sabia que o ar que sai de um espirro pode atingir uma velocidade superior a 160 quilômetros por hora? E que, ao evitá-lo, a pressão se volta para dentro da cabeça, podendo provocar tontura, fissura na faringe, AVC ou até mesmo rompimento de artéria?

O médico otorrinolaringologista do Hospital Otocentro alerta que o espirro é um mecanismo de defesa eficiente do organismo diante da presença de partículas ou micróbios que causam irritação, como poeira, pólen, ácaros, vírus, bactérias e fumaça. “Ao prender o espirro, a pessoa mantém a secreção que seria expelida dentro das vias aéreas, o que pode levar a um quadro de sinusite,” explica.

O Dr. Kitahara recomenda que, além de não evitar o espirro, a pessoa deve fazer higienização nasal com soro fisiológico para eliminar qualquer secreção que esteja se acumulando nas vias aéreas, evitando assim processos inflamatórios. Portanto, deixar o espirro acontecer é fundamental para o bem-estar das pessoas e a manutenção da saúde das vias respiratórias.

Estoque de 3 tipos sanguíneos estão em situação crítica, segundo Hemominas

Estoque de 3 tipos sanguíneos estão em situação crítica, segundo Hemominas – Foto: redes sociais/Hemominas

A Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado de Minas Gerais (Hemominas) divulgou nesta terça-feira (14) o último balanço do estoque de sangues. A imagem mostra os tipos sanguíneo O positivo, O negativo e B negativo em situação crítica

Os tipos A positivo, A negativo e AB negativo estão em estado de alerta. Já o tipo B positivo está em estado adequado. Por sua vez, o tipo sanguíneo AB positivo está em situação estável.

PASSOS DA DOAÇÃO

  • Realizar triagem clínica

Após o cadastramento, o candidato à doação de sangue passa pela triagem clínica.  Abrange a entrevista confidencia, cujo  objetivo é a segurança do doador e do receptor e a realização do exame físico e aferição dos dados vitais (pressão arterial, pulso, temperatura). É de extrema importância que o doador seja sincero em suas respostas. É o processo mais importante na manutenção da qualidade transfusional, pois ao analisar as respostas e comportamento pregresso do doador pode-se avaliar se há risco em realizar a coleta, tanto para o doador quanto para o receptor.

DOCUMENTAÇÃO
Documento apresentado no cadastro

VALOR
Não se aplica

  • Realizar triagem hematológica

Esse exame avalia se o candidato à doação possui nível de hemoglobina dentro dos parâmetros adequados. Nessa etapa, observa-se o peso e se determina a concentração de hemoglobina em amostra de sangue obtida através de punção digital para verificar ocorrência ou não de anemia. Caso esteja abaixo ou acima dos valores normais, o candidato é orientado a procurar o serviço de saúde. Pessoas com anemia não podem doar.

DOCUMENTAÇÃO
Documento apresentado no cadastro

VALOR
Não se aplica

  • Realizar a coleta de sangue

O sangue é coletado utilizando-se material totalmente descartável, estéril e de uso único. O procedimento é realizado por profissionais altamente capacitados e com segurança. A doação dura cerca de 10 minutos. Serão coletados em torno de 450 ml de sangue e amostras para realização de exames laboratoriais obrigatórios

DOCUMENTAÇÃO
Documento apresentado no cadastro.

VALOR
Não se aplica

  • Receber orientações dos cuidados pós-doação

Nessa etapa, o doador recebe orientações verbais e por escrito com os cuidados que deverá ter em até 24 horas após a doação, e também orientações para informar à Hemominas alterações que ocorram nos próximos 14 dias, como febre ou sinais de infecção.

Governo de Minas Gerais garante pagamento do Piso Nacional da Enfermagem na folha de dezembro para servidores estaduais do SUS-MG

Estado ainda aguarda resposta efetiva da União sobre os trabalhadores não vinculados ao Sistema Único de Saúde para também poder dar previsibilidade de pagamento a esses servidores

Governo de Minas Gerais garante pagamento do Piso Nacional da Enfermagem na folha de dezembro para servidores estaduais do SUS-MG – Foto: reprodução

O Governo de Minas informa que o pagamento dos valores que asseguram o Piso Nacional da Enfermagem será feito no quinto dia útil de dezembro para os profissionais da enfermagem vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) que atuam nas unidades públicas estaduais, com base no repasse de recursos feito pela União. Na data, serão pagos os valores referentes ao atual mês corrente e o retroativo contabilizado a partir do mês de maio deste ano, data da lei 14.581/2023, que viabilizou o pagamento do piso.

Importante esclarecer que, apesar dos esforços por parte do Governo Federal, houve demora no recebimento dos recursos, tendo em vista critérios de repasse, como, por exemplo, o envio para prefeituras de valores relativos a profissionais de órgãos sob gestão estadual. Além disso, algumas indefinições relativas às regras estabelecidas para o pagamento exigiram várias tratativas junto ao Ministério da Saúde para esclarecimentos e recebimento de informações, o que dificultou a adoção das providências necessárias ao pagamento por parte do Governo do Estado.

Em relação aos profissionais de enfermagem não vinculados ao SUS, o Estado está atuando para que os recursos sejam disponibilizados pelo Governo Federal, objetivo para o qual ainda não recebeu resposta efetiva. Dessa forma, ainda não é possível precisar a data do pagamento desses profissionais. O Governo de Minas reitera, entretanto, que seguirá se empenhando para que esse retorno ocorra o mais rápido possível, para que seja viável a realização desse pagamento ainda no quinto dia útil de dezembro, junto aos demais profissionais.

Assembleia debate o tratamento do câncer de mama e o cenário da reconstrução mamária no Estado

Assembleia debate o tratamento do câncer de mama e o cenário da reconstrução mamária no Estado – Foto: divulgação/ALMG

Em 2022, o câncer de mama foi a doença que causou o maior número de mortes entre as mulheres mineiras, com um total de 1.793 óbitos. A informação foi divulgada pela Agência Minas, em matéria de lançamento da campanha Outubro Rosa, de conscientização sobre a importância da prevenção do câncer de mama.

Nesta quarta-feira (25), a partir das 10 horas, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza audiência pública para debater o tratamento do câncer de mama e o cenário da reconstrução mamária no Estado.

A reunião será realizada no Plenarinho I da ALMG, atendendo requerimento do vice-presidente da Comissão de Saúde, deputado Doutor Wilson Batista (PSD). Na avaliação do parlamentar, a medicina tem evoluído muito no combate ao câncer de mama com novas técnicas e abordagens para o tratamento da doença, mas o acesso da população continua difícil.

“Grande parte da população não tem acesso a esses tratamentos porque o Sistema Único de Saúde (SUS) não implementa sua cartela de serviços. Precisamos discutir a forma como são investidos os recursos no enfrentamento à doença”, afirmou o deputado.

“A audiência será importante para que médicos, gestores e profissionais da saúde possam apontar a direção que devemos seguir no trabalho legislativo para garantir o diagnóstico precoce e o acesso aos tratamentos iniciais.”

No dia 4 de outubro, a Assembleia de Minas realizou uma audiência pública da Comissão Extraordinária de Prevenção e Enfrentamento ao Câncer para conhecer experiências exitosas de prevenção e tratamento do câncer de mama.

Na ocasião, Doutor Wilson Batista ressaltou que permanecem no País e em Minas distorções que levam o sistema público a gastar muito mais com tratamentos paliativos e ineficazes, em estágios mais avançados da doença, do que no diagnóstico precoce, que evita sofrimentos para o paciente e despesas desnecessárias para o Estado.

Segundo informações do Painel de Oncologia, atualizadas em setembro deste ano e divulgadas pela Agência Minas, desde 2019 foram diagnosticados 28.253 casos de tumor maligno da mama em Minas Gerais, sendo 6.210 no ano de 2021, 7.235 em 2022 e 3.273 de janeiro a setembro de 2023. Dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) apontam que, em 2021, 39% dos casos de câncer de mama foram diagnosticados nas fases avançadas da doença.

Ainda segundo as informações divulgadas pela Agência Minas, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, neste ano, são esperados 7.670 novos casos de câncer de mama em pessoas do sexo feminino, em Minas Gerais, com a taxa bruta de 69,80 casos novos por 100 mil mulheres.

Atualmente, o SUS oferece exames diagnósticos e o tratamento para o câncer de mama de forma gratuita. A Unidade Básica de Saúde (UBS) deve acolher e orientar a paciente de acordo com o caso.

Dados extraídos do Sistema de Informações de Câncer (Siscan), em junho de 2023, apontam que entre os anos de 2019 e 2023, 1.650.407 mulheres realizaram o exame de mamografia em Minas Gerais. Em 2022, foram feitos 423.333 exames e, de janeiro a junho de 2023, foram 176.966.

O câncer de mama é raro em mulheres jovens e sua incidência aumenta com a idade, principalmente a partir dos 50 anos. Os homens também podem desenvolver a doença, mas, a estimativa é que a incidência nesse grupo representa apenas 1% de todos os casos, de acordo com o Inca.

O tratamento do câncer de mama e do câncer do colo do útero é feito pelo SUS, que realiza radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e tratamento com anticorpos e cirurgias como mastectomias, cirurgias conservadoras e reconstrução mamária. O tratamento é feito por meio de uma ou várias modalidades combinadas.

Para reunião na Assembleia nesta quarta-feira, já confirmaram presença o vice-presidente da Associação Médica de Minas Gerais, Gabriel de Almeida Silva Júnior; a presidente do Grupo Pérolas de Minas – Grupo de Apoio a Mulheres com Câncer de Mama, Maria Luiza de Oliveira; e o presidente da Ação Solidária às Pessoas com Câncer, Marcelo Luiz Pedroso.

Senado autoriza governo a não cumprir o piso da saúde

Senado autoriza governo a não cumprir o piso da saúde – Foto: reprodução

O Senado Federal aprovou, na última quarta-feira (4), um projeto de lei que permite que o governo Lula não cumpra a exigência de pagar o piso da saúde para 2023. Foram 63 votos a favor e apenas dois contrários. A proposta segue para sanção do presidente.

O dispositivo estava inserido em um projeto de lei que autoriza a compensação de receita a estados e municípios em decorrência da redução do ICMS sobre os combustíveis, que vigorou entre junho e dezembro de 2022.

A possibilidade de revogação do teto da saúde foi inserido pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR), ainda quando o projeto tramitava na Câmara dos Deputados. A proposta não estava prevista na pauta desta quarta pelo Senado, mas foi aprovada como pauta extra.

Com a possibilidade de não se cumprir o piso da saúde, o texto retirou a obrigatoriedade de destinar 15% da receita corrente líquida (RCL) para a saúde. Para a saúde, seria preciso desembolsar mais R$ 20 bilhões.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) protocolou um destaque ao projeto — para votação posterior –, com objetivo de retirar o artigo que previa o governo descumprir o teto, mas acabou sendo vencida durante a votação no plenário.

“A exclusão desse artigo é uma medida crucial para assegurar que as políticas governamentais estejam alinhadas com os princípios e compromissos legais estabelecidos pelo Congresso, promovendo a transparência, a credibilidade e a sustentabilidade das finanças públicas”, afirmou a senadora.

Dentre os votos contrários ao projeto, apenas os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Carlos Portinho (PL-RJ) se negaram a aprovar a proposta que prevê o descumprimento do teto. Outros seis parlamentares do PL foram favoráveis ao projeto. Todos os senadores do PT votaram para aprovar a proposta.

Tratativas do governo

Na semana passada, o Ministério da Fazenda enviou uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) para deixar de aplicar, em 2023, o valor mínimo constitucional de investimento em saúde e educação.

Na consulta, o ministério questiona se o piso constitucional deveria ser aplicado já em 2023. O arcabouço foi aprovado pelo Congresso em agosto. O governo quer saber se a obrigatoriedade do piso não valeria só a partir de 2024.

Também nesta quarta-feira, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que é mais fácil para o governo aumentar a arrecadação por meio de novas medidas do que cortar gastos.

“É mais fácil até aumentar a arrecadação, como agora está sendo votado taxação de ‘offshores’, do que cortar gastos. Em um país tão pobre, não é uma decisão tão simples. É preciso ter coragem para fazer isso. Na pior das hipóteses, melhorar qualidade dos gastos. Tirar de quem não merece e dar para quem precisa. Se conseguirmos virar essa chave, teremos um novo Brasil”, declarou Tebet.

Mortes por febre maculosa mais que dobram em Minas

Mortes por febre maculosa mais que dobram em Minas – Foto: reprodução

Mais uma morte por febre maculosa foi confirmada em Minas. A vítima é um homem de 37 anos, morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata. Esse é o 13º óbito provocado pela doença neste ano. O número já representa mais que o dobro do que foi registrado em todo o ano passado.

As informações são da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O levantamento da pasta também indica aumento do total de casos da greve enfermidade, transmitida pela picada do carrapato-estrela infectado. Até 25 de setembro, 40 pessoas ficaram doentes. Em 2022 foram 27 casos.

Quem fica doente precisa de um tratamento que envolve o uso de um antibiótico específico. Em casos graves, pode ser necessária a internação. A falta de tratamento ou a demora podem agravar o quadro clínico.

Os sintomas podem surgir de 2 a 14 dias após a picada do carrapato. Veja os principais:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dor no corpo
  • Vômito
  • Diarreia
  • Mal-estar

Além disso, com a evolução da doença é comum o aparecimento de manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos, que não coçam, mas que podem aumentar em direção às palmas das mãos, braços ou solas dos pés.

Embora seja o sinal clínico mais importante, as manchas vermelhas podem estar ausentes, o que pode dificultar e/ou retardar o diagnóstico e o tratamento, determinando uma maior letalidade.

Saiba mais sobre a febre maculosa

A febre maculosa é uma doença febril aguda, que pode se manifestar com formas leves e atípicas, até formas graves, com elevada taxa de letalidade. Segundo a SES, entre 2018 a 2022 a taxa de letalidade média da doença foi de aproximadamente 33%.

Embora os casos possam ocorrer durante todo o ano, a febre maculosa é uma doença sazonal. A maior frequência é no período de seca, especialmente entre abril e outubro.

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, MG anuncia a volta do transplante de pulmão

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, MG anuncia a volta do transplante de pulmão – Foto: reprodução

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado nesta quarta-feira (27), Minas Gerais anuncia a retomada do serviço de transplante de pulmão após oito anos de serviço suspenso. A data ainda marca ações de conscientização por parte de hospitais junto à população. Aumentar o número de doadores se faz necessário, visto que mais de 6,4 mil pessoas estão na fila à espera de órgãos e tecidos no Estado e a taxa de recusa [de doações] alcança a marca de 45%, quase o dobro do que antes da pandemia de Covid-19. Quem conseguiu o transplante comemora a nova chance de vida e até mesmo por poder voltar, por exemplo, a tomar um copo de água (veja abaixo).

Em 2014, o transplante de pulmão deixou de ser realizado no Estado, conforme explica Omar Lopes Cançado, diretor do MG Transplantes, por dificuldades enfrentadas pelo Hospital das Clínicas, na capital mineira. A retomada do serviço é comemorada pelo gestor, visto que os pacientes mineiros são transferidos para outros Estados.

“Temos poucos centros que fazem transplante de pulmão no Brasil. A grande parte está concentrada na região Sudeste, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além do Rio Grande do Sul. Então, quando algum paciente necessita de fazer esse procedimento, ele tem que mudar de Estado. É muito desgastante, pois estamos falando de um paciente que se encontra em estado grave e necessita de acompanhantes”, afirma. 

Os detalhes da retomada dos serviços vão ser anunciados em cerimônia no Auditório do Hospital João XXIII a ser realizada na manhã desta quarta. “É como se fosse o lançamento da ‘pedra fundamental’, pois para que os transplantes voltem a acontecer ainda vai demorar, pois é necessário que tenha o credenciamento junto ao Ministério da Saúde”, adiantou Cançado.

Conscientização é pra já

Para que aconteça o transplante de pulmão e de outros órgãos e tecidos, a conscientização é fundamental. “Falar da doação de órgãos é essencial e precisa acontecer a todo instante. Diariamente temos pessoas entrando na fila precisando da doação para que possam voltar a vida normal. Estamos falando de pessoas que precisam de uma chance para continuar a vida”, diz o coordenador de Transplante de Fígado da Santa Casa BH, Agnaldo Soares de Lima.
 
Visando orientar a população sobre o nobre gesto, hospitais e o poder público realizam campanhas educativas com a entrega de informes para a população. O objetivo é conscientizar sobre a importância da doação de órgãos e tecidos e reduzir a recusa das famílias, pois um único doador pode beneficiar oito ou mais pessoas que aguardam um transplante.  

“A pandemia de Covid-19 fez com que tivéssemos uma queda acentuada no número de doações e, consequentemente, de transplantes. Chegamos a ter 35% a menos de procedimentos. Neste ano de 2023 e no ano passado, temos retomado as doações, mas ainda está aquém do que tínhamos antes do período pandêmico”, destaca o diretor do MG Transplante. 

Minas Gerais tem 6.404 pessoas na fila de espera por transplantes e outro dado que preocupa as autoridades de saúde é a taxa de recusa para doar órgãos. “Atualmente a taxa está em 45%, quase o dobro do que era antes da pandemia (25%). Apesar de conseguirmos aumentar os doadores, a recusa também acompanhou essa estatística. Alguns tabus ajudam a explicar isso. Um deles é que as famílias pararam de conversar sobre o desejo de serem doadoras, pois conversar sobre a morte ainda é muito evitado. Não adianta deixar nada por escrito, o fundamental é falar”, pondera Cançado.

O Brasil acompanhou recentemente o transplante de coração realizado por Fausto Silva. Diante da agilidade do procedimento, muitas notícias falsas relacionadas à doação de órgãos circularam nas redes sociais – compra de órgãos e até uma possível ‘fura fila’ por parte do apresentador. 

“O caso do Faustão trouxe à tona algo que sempre debatemos: as pessoas que esperam pelo transplante têm urgência para receber o órgão. Todos os pacientes precisam do transplante para continuar a vida. Nesta semana, na Santa Casa, um rapaz de 27 anos, com hepatite fulminante, fez um transplante de fígado. Ele estava na fila há três dias. A prioridade do sistema nacional de transplantes é salvar vidas, seja o paciente uma pessoa famosa ou não”, esclarece o médico Agnaldo Soares.   

Gratidão pela vida

“Quando acordei do transplante era como se tivesse nascido novamente”. O relato é de Geraldo Fernandes de Araújo, de 70 anos, o transplantado de coração mais longevo do Brasil. O procedimento realizado em 1988 é comemorado pelo aposentado que, agora, vive a expectativa do nascimento do primeiro bisneto.

“O meu caso era dado como desacreditado pelos médicos. Até que fiz o transplante de coração. Eu nasci de novo. Fiquei três meses internado no Hospital Felício Rocho e depois de receber o novo coração fiquei hospitalizado por mais 60 dias. Voltei à minha rotina e pude trabalhar na roça: tirar leite e ir para a lavoura de café”, afirma.

O sucesso do procedimento faz com que Araújo seja grato até os dias atuais. “A minha vontade é de dar um abraço na família que doou o coração. Ganhei 35 anos de vida e, se Deus quiser, vou viver ainda mais. Sou grato a Deus tanto pela família doadora, quanto pelos médicos que me atenderam”.

A expectativa de voltar à rotina se faz presente na vida do pescador Gildemar Santana dos Santos, de 42 anos. Há 45 dias ele recebeu o tão aguardado rim. Foram oitos anos na fila, e 14 fazendo hemodiálise três vezes por semana. Ele deixou a Bahia e veio para Belo Horizonte realizar o procedimento que tanto esperou.

“Digo que tive mais uma chance de viver. O tratamento de hemodiálise não é fácil. Tinha que viajar 250 km para fazer os procedimentos. Deixei as minhas atividades de pescador e agente de turismo para dedicar à minha saúde. Para ter ideia, sequer podia tomar água”, comenta.

Agora, o desejo é fazer tudo aquilo que ficou privado nos últimos anos. “Só de poder voltar a beber um copo de água já me deixa feliz, mas não vejo a hora de poder voltar a pescar e comer aquele peixe de água salgada. Por ele ter muito potássio, tive que suspender o consumo”.

O chamado para que mais pessoas se tornem doadoras de órgãos e tecidos é feito por Livia Vasques, médica da unidade de transplante renal do Hospital Universitário Ciências Médicas. “A vida pode continuar [após a morte], mas para isso temos que deixar claro para os nossos entes. Doar órgãos é salvar vidas. Procure tirar as dúvidas sobre o assunto, converse com a família. O procedimento é totalmente seguro”.

Transplantes realizados em Minas Gerais de janeiro a agosto de 2023

Confira os números de transplantes de órgãos e tecidos no Estado:

  • Córneas – 584
  • Rim – 480
  • Medula óssea – 195
  • Fígado – 115
  • Coração – 50 
  • Escleras – 44
  • Rim/Pâncreas – 11
  • Fígado/Rim – 5
  • Pâncreas – 5

Total – 1489

Saiba mais sobre a doação de órgãos

  1. Para ser doador, não é necessário deixar nada escrito. Basta avisar sua família. A doação de órgãos e tecidos só ocorre após a autorização dos entes documentada.
  2. Os órgãos e tecidos doados são transplantados para os primeiros pacientes compatíveis que estão aguardando em lista única da central de transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado.
  3. A retirada de órgãos e tecidos em falecidos segue todas as normas da cirurgia moderna. Todo doador pode ser velado de caixão aberto, sem apresentar deformidades.
  4. Há dois tipos de doadores:

Doador vivo – pessoa saudável que concorda com a doação de rim ou medula óssea, parte do fígado ou pulmão para um de seus familiares

Doador falecido – pode doar rins, coração. pulmões fígado, pâncreas e também tecidos, como córneas, pele e ossos, sempre após autorização dos familiares.

Onda de calor e baixos índices de umidade relativa do ar representam altos risco à saúde de idosos e crianças

Onda de calor e baixos índices de umidade relativa do ar representam altos risco à saúde de idosos e crianças – Foto: reprodução

Minas Gerais está na lista dos estados que serão mais impactados pela onda de calor que atinge o Brasil, conforme análises de meteorologistas. Além disso, a previsão de temperaturas elevadas nos próximos dias, associada à ausência prolongada de chuvas, faz acender o alerta para perigos como a desidratação, especialmente entre os mais vulneráveis, como idosos, crianças, pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou de circulação, diabéticos e gestantes.

Somados ao calor, os baixos índices de umidade relativa do ar podem impactar a saúde de todos. Neste momento, de acordo com a referência técnica da Diretoria de Promoção da Saúde e Políticas de Equidade da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Carolina Guimarães, é essencial aumentar a hidratação.

“Principalmente nestes dias de calor intenso e de umidade relativa baixa, é importante se atentar para a ingestão de água, evitando sua substituição por bebidas adocicadas, como refrigerantes, néctares, sucos artificiais e bebidas alcoólicas”, detalha.

Outras recomendações importantes neste período são:

  • evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h; 
  • utilizar roupas leves, bonés ou chapéus e protetor solar;
  • deixar as janelas abertas em casa e em veículos sem ar-condicionado;
  • manter ambientes úmidos com toalhas molhadas, umidificadores de ar ou mesmo baldes com água;
  • e tomar banhos ligeiramente mornos, evitando a mudança brusca de temperatura.


Além da sede

Onda de calor e baixos índices de umidade relativa do ar representam altos risco à saúde de idosos e crianças – Foto: reprodução

Urina escura, cansaço, pele ressecada e até prejuízo na função renal: a ingestão insuficiente de água faz com que o corpo apresente sinais que vão bem além da sensação de sede e de boca seca. Em caso de transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náuseas, dor de cabeça, cãibras musculares e diarreia, é fundamental procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de casa para atendimento.

“Para evitar um possível quadro de desidratação, em geral recomenda-se a ingestão média de dois litros de água por dia. No entanto, essa quantidade pode variar, dependendo da temperatura, atividades que a pessoa realiza e se estará exposta ao sol”, explica Carolina Guimarães.

De acordo com Daniela Dutra, também referência técnica da Diretoria de Promoção da Saúde e Políticas de Equidade, outro fator a ser considerado na avaliação da quantidade e da frequência de ingestão diária de líquidos é o ciclo da vida em que a pessoa se encontra. No caso dos idosos, por exemplo, recomenda-se uma frequência maior.

“Isso porque, com o avanço da idade, ocorre a redução da sensação de sede, bem como da percepção do calor, além do aumento da perda de líquidos pelo organismo, fazendo com que a desidratação nesse público aconteça de forma mais rápida”, salienta.

Em relação às crianças, é importante que os responsáveis estimulem os pequenos a tomarem água já que eles nem sempre sinalizam aos adultos quando sentem sede.  “É muito importante se atentar para os primeiros sinais de sede e satisfazer de pronto a necessidade de água indicada pelo nosso organismo”, reforça ela.

De janeiro a julho de 2023, foram internadas, em unidades de saúde de todo o estado, 2.301 pessoas por desidratação (depleção de volume), sendo 384 crianças de até 9 anos e 1.178 idosos com mais de 60 anos.

Aliados para reforçar a hidratação

Daniela explica, ainda, que frutas e verduras contêm grande potencial complementar na hidratação. “Frutas como melancia, melão, acerola, laranja, mexerica e abacaxi possuem alta composição de água, além de vitaminas e minerais. Sucos e picolés feitos do suco natural de frutas também são uma boa alternativa”, orienta. 

Ela ainda reforça que é preciso dar preferência a alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, legumes, hortaliças, cereais, leguminosas e carnes magras. “Especialmente nesses dias mais quentes, recomenda-se evitar alimentos e preparações gordurosas e buscar uma alimentação mais leve e saudável”, conclui a técnica.

Começam os testes de nova possível vacina contra o HIV em humanos

Vacina contra o HIV é testada em humanos — Foto: RF._.studio/Pexels/Reprodução

Uma nova vacina experimental contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV) começa a ser testada em humanos, conforme anunciou, na quarta-feira (20), a companhia norte-americana de imunologia Vir Biotechnology. A empresa espera ter os dados iniciais do teste de fase 1 no segundo semestre de 2024.

“O primeiro participante foi dosado em um ensaio de fase 1 avaliando a segurança, reatogenicidade (capacidade de gerar reação) e imunogenicidade (resposta imune ao corpo) do VIR-1388, uma nova vacina experimental de células T para a prevenção do vírus da imunodeficiência humana (HIV)”, disse a Vir Biotechnology.

O imunizante VIR-1388 é baseado na plataforma vetorial do citomegalovírus humano (HCMV) e foi projetado para estimular o corpo a produzir células imunológicas conhecidas como células T, que reconhecem várias proteínas do HIV de uma forma diferente em relação às vacinas contra o HIV pesquisadas anteriormente.

“O VIR-1388 foi desenvolvido usando aprendizados aplicados do VIR-1111, a vacina experimental inicial de células T do HIV com prova de conceito da empresa, baseada no HCMV”, relatou a companhia.

“O HIV continua a ser um grande desafio de saúde pública global, sem vacinas aprovadas, apesar de décadas de esforços de investigação”, disse Carey Hwang, vice-presidente sênior de investigação clínica da Vir Biotechnology.

“O início do nosso primeiro ensaio clínico avaliando o VIR-1388 é um marco importante na nossa busca pelo desenvolvimento de uma vacina contra o HIV, e estamos gratos a todos os nossos parceiros pelo seu apoio a este ensaio de fase 1.”

O ensaio é apoiado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), parte dos Institutos Nacionais de Saúde e pela Fundação Bill & Melinda Gates.

O NIAID forneceu financiamento durante todo o ciclo de vida de desenvolvimento do produto VIR-1388, enquanto a fundação apoiou o desenvolvimento da empresa de terapias para o tratamento do HIV, a prevenção da tuberculose e a prevenção da malária.

O que se avalia na fase 1

O ensaio de fase 1 randomizado, duplo-cego e controlado por placebo está avaliando a segurança, reatogenicidade e imunogenicidade de três doses diferentes de VIR-1388 em comparação com placebo, segundo a empresa. Ele será realizado em locais nacionais e internacionais dentro da rede de ensaios de vacinas contra o HIV, financiado pelo governo federal.

Será testado, inicialmente, em um grupo menor para avaliar os possíveis efeitos colaterais graves. Cerca de 100 pessoas devem ser divididas em grupos, com três deles recebendo dosagens diferentes e um quarto, tomando placebo.

“O ensaio foi concebido para inscrever aproximadamente 95 participantes com idades entre 18 e 55 anos que não vivem com HIV, com anticorpos específicos para o HCMV existentes e com boa saúde geral, conforme determinado pelo histórico médico, exame físico e testes laboratoriais”, completou a Vir Biotechnology.

Um estudo opcional de acompanhamento de longo prazo aumentará a participação no estudo por até três anos após a primeira dose ser administrada no participante.

Vetor HCMV

O vetor HCMV é uma versão enfraquecida do vírus projetada para entregar o material da vacina contra o HIV ao sistema imunológico sem causar doença nos participantes do ensaio. Ele está presente em grande parte da população global há séculos. A maioria das pessoas que vivem com HCMV não apresentam sintomas e não sabem que têm o vírus.

“O HCMV permanece detectável no corpo durante toda a vida, o que sugere que tem potencial para transmitir e depois ajudar com segurança o corpo a reter o material da vacina contra o HIV durante um longo período de tempo, superando potencialmente a diminuição da imunidade observada com vetores de vacina de vida mais curta”, explicou a empresa.

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), aproximadamente 1,5 milhões de pessoas foram recentemente infectadas pelo HIV e cerca de 650 mil pessoas em todo o mundo morreram de causas relacionadas com a Aids em 2021.

Câmara aprova urgência para projeto que torna todo brasileiro doador de órgãos

Câmara aprova urgência para projeto que torna todo brasileiro doador de órgãos – Foto: reprodução

A Câmara dos Deputados aprovou na última terça-feira (19) o regime de urgência para um projeto de lei que prevê que todo brasileiro será considerado doador de órgãos após a morte, a não ser que manifeste o contrário. Atualmente, mesmo com a decisão individual da pessoa, a doação só ocorre com autorização da família.

A chamada doação presumida é tema de ao menos 50 textos que tramitam na Casa com o objetivo de facilitar os transplantes no Brasil. Com a aprovação da urgência, o projeto de lei pode ser votado nas próximas sessões do plenário.

O texto destaca que ninguém será obrigado a ser doador de órgãos, a doação continuará sendo voluntária. 

“No entanto, inverte-se a presunção legal, considerando-se todos como doadores, porém, permitindo-se a recusa em doar os órgãos após a morte, desde que essa vontade seja manifestada”, justifica a autora da proposta, a deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ).

“Se todos forem doadores a priori, a garantia de órgãos para transplante será consideravelmente maior e propiciará a salvação de maior número de vidas. Nesse caso, se a pessoa não desejar ser doadora por algum motivo, como convicção religiosa, por exemplo, terá a prerrogativa assegurada em lei de se manifestar nesse sentido, por qualquer meio legalmente permitido”, disse a deputada Laura Carneiro, autora do Projeto de Lei.

O tema da doação de órgãos ganhou destaque após o apresentador Faustão, de 73 anos, passar por um transplante de coração no mês passado. Ele foi internado em 5 de agosto com insuficiência cardíaca e recebeu um coração compatível com suas condições clínicas sete dias após entrar na fila de espera por um transplante no Sistema Único de Saúde (SUS).

A agilidade no caso foi atribuída ao agravamento do quadro clínico do apresentador. Ele se encaixa no terceiro grupo de pacientes prioritários, pois estava fazendo sessões de diálise e uso de medicamentos intravenosos para ajudar o coração a bombear o sangue.

Na semana passada, a família do apresentador esteve na Câmara dos Deputados para apoiar as propostas que sugerem a doação “automática” de órgãos. 

Muito importante que esse projeto seja aprovado com urgência. Meu pai está feliz, em recuperação e vai curtir a vida ainda mais, porque essa é uma segunda chance”, comentou na ocasião o filho do apresentador, João Guilherme Silva.

Jornal Folha Regional
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