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Jornal Folha Regional

Agentes comunitários de saúde concluem curso “Saúde com Agente” em São José da Barra

Capacitação de 6 meses proporcionou maior eficiência e abrangência no trabalho dos agentes no município

Agentes comunitários de saúde concluem curso “Saúde com Agente” em São José da Barra – Foto: Reprodução

Os agentes comunitários de saúde e de endemias de São José da Barra (MG), alcançaram um marco importante em suas carreiras, ao concluir o curso “Saúde com Agente”. Essa capacitação, com duração de 6 meses, combinou aulas online e práticas, fornecendo conhecimentos essenciais para um trabalho mais eficiente e abrangente no município.

Durante o curso, os agentes se aprofundaram em diversas áreas fundamentais para o desenvolvimento de suas atividades. Aprendendo sobre a realização de diagnósticos das condições de vida e saúde da população, eles adquiriram habilidades essenciais para identificar as principais necessidades e demandas da comunidade.

De acordo a enfermeira e chefe dos PSF’s em São José da Barra, Ana Flávia Freire, o curso iniciou em janeiro de 2023 e foi concluído neste mês de julho, com duração de 6 meses.

“O curso teve a parte teórica online e a prática presencial. Os encontros aconteceram nos PSF’s durante o horários de trabalho deles. Em cada encontro os agentes tinham que desenvolver as atividades exigidas e apresentar para a preceptora que foi a enfermeira Cláudia. Os certificados serão entregues somente no mês de agosto. Esse curso sempre vai ter e não virou lei ainda”, informou Ana Flávia.

A enfermeira ainda frisou que o intuito desse curso é a valorização dos agentes.

“Que esses profissionais tenham um olhar apurado sobre informações coletadas através das visitas domiciliares e saibam melhor orientar os pacientes que necessitam de atendimento. Através da aferição da PA (aparelho digital) e realização do teste da Glicemia capilar”, finalizou a chefe dos PSF’s.

A capacitação também se concentrou no desenvolvimento de ações de planejamento, com foco na promoção, prevenção e controle de doenças e agravos à saúde. Os agentes foram orientados sobre como implementar estratégias eficazes para melhorar a qualidade de vida da população, por meio de ações preventivas e educativas.

O curso “Saúde com Agente” foi estruturado de forma a abordar questões práticas do cotidiano dos agentes comunitários de saúde e de endemias. Isso permitiu uma aprendizagem mais contextualizada e aplicável à realidade local, tornando o conhecimento adquirido ainda mais valioso para a comunidade.

Os participantes puderam contar com aulas online, que proporcionaram flexibilidade para o estudo, além de práticas supervisionadas, que permitiram a aplicação dos conceitos aprendidos em situações reais. Essa abordagem híbrida garantiu uma formação completa e preparou os agentes para enfrentar os desafios e demandas do trabalho diário.

A conclusão do curso representa uma conquista significativa para os agentes comunitários de saúde e de endemias de São José da Barra, bem como para a comunidade que eles servem. Com um conhecimento mais amplo e atualizado, esses profissionais estão agora preparados para desempenhar suas funções de forma mais eficiente, promovendo a saúde e contribuindo para o bem-estar da população local.

Sobre o Programa Saúde com Agente

O Programa Saúde com Agente – iniciativa do Ministério da Saúde (MS), por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), é o maior programa de formação técnica na área da saúde no formato hibrido (metodologia na qual estudantes vivenciam o processo de aprendizagem por meio das modalidades presencial e a distância, de forma integrada) do País.

O Programa tem investimento de mais de R$ 388 milhões e foi criado em atenção as leis que ampliaram as atribuições dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias, objetivando oferecer qualificação técnica para 200 mil agentes de saúde em todo o Brasil.

A formação é no formato semipresencial, com carga horária de 1.275 horas e duração mínima de 10 meses. A iniciativa visa melhorar os indicadores de saúde, a qualidade e a resolutividade dos serviços da Atenção Primária aos brasileiros. Também reforça a valorização dos Agentes, que desempenham papel relevante como educadores para a cidadania na Saúde, por meio de maior atuação na prevenção e no cuidado das pessoas. O intuito é que esses profissionais tenham um olhar apurado sobre informações coletadas nas residências e saibam melhor orientar os pacientes que necessitam de atendimento.

Bombeiros salva homem que caiu de cinco metros de altura em Passos e ficou ferido

Bombeiros socorre homem que caiu de cinco metros de altura em Passos – Foto CBMG

Um operário de 49 anos que fazia serviço dentro de um silo graneleiro de uma empresa que fica no Distrito Industrial, em Passos (MG), caiu de uma altura de 5 metros na manhã desta segunda-feira (10) e ficou ferido.

O Corpo de Bombeiros atendeu a ocorrência, imobilizando-o e levando-o para a Santa Casa de Misericórdia de Passos.

“Ele estava com dificuldade de respirar, dor no torax, nas pernas e cabeça. Um pouco confuso devido a uma breve perda de consciência. Ao chegar no hospital foram feitos exames complementares”, informou o Corpo de Bombeiros.

Ainda de acordo com os militares, a empresa informou que ele passava bem, mas continua sob cuidados médicos.

Nova vacina contra a dengue chega a laboratórios em BH; veja quanto custa

Nova vacina contra a dengue chega a laboratórios em BH; veja quanto custa – Foto: divulgação

A nova vacina contra a dengue chegou a laboratórios privados de Belo Horizonte e está disponível para pessoas de quatro a 60 anos. A novidade do imunizante, chamado Qdenga, é que ele pode ser aplicado em pessoas que nunca tiveram dengue, diferentemente da vacina que já existia para quem teve a doença alguma vez na vida, a Dengvaxia. A Qdenga chega em um momento preocupante em Minas Gerais. O Estado registrou 139 mortes por dengue em 2023 até o final de junho, mais do que o dobro de todo 2022.

A nova vacina contra a dengue é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas, e o combo tem uma eficácia de 80,2% contra a infecção. Ela foi aprovada em março pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ainda não tem data para ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O epidemiologia do Hermes Pardini, José Geraldo Ribeiro, explica o mecanismo da Qdenda: “Indivíduos residentes em áreas endêmicas podem, ao longo de suas vidas, ser infectados pelos quatros tipos de vírus. Essa nova vacina é composta por versões atenuadas desses sorotipos do vírus causador da dengue. Ou seja, nela, estão vírus vivos enfraquecidos. Depois da aplicação, o sistema imunológico identifica esses sorotipos atenuados como estranhos e começa a produção de anticorpos contra eles. Quando a pessoa for exposta ao vírus, o sistema imunológico vai reconhecê-lo e pode produzir mais anticorpos para neutralizar o agente infeccioso antes que ele cause a dengue”.

Quem teve dengue também pode receber a vacina. Ela não protege contra os vírus Zika e Chikungunya, também transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. O imunizante é contraindicado para pessoas imunossuprimidas — que vivem com HIV, por exemplo —, gestantes e quem estiver amamentando. 

Confira o preço da nova vacina contra a dengue em BH

Laboratório São Marcos

  • R$ 465 cada dose, em até sete vezes no cartão de crédito, ou R$ 900 o pacote com as duas doses.

Laboratório Lustosa

  • R$ 441 cada dose em até cinco vezes no cartão de crédito.

Laboratório Hermes Pardini

  • R$ 484,00 cada dose e R$ 890 o pacote com as duas doses, dividido em dez vezes sem juros.

Laboratório Axial

  • R$ 399 cada dose.

SES-MG confirma mais três mortes por dengue no Sul de Minas; número de óbitos pela doença sobe para 34

SES-MG confirma mais três mortes por dengue no Sul de Minas; número de óbitos pela doença sobe para 34 – Foto: reprodução

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou em boletim divulgado na última segunda-feira (3) mais três mortes provocadas pela dengue no Sul de Minas. Com isso, sobe para 34 o número de óbitos pela doença no ano.

Em contrapartida, o boletim divulgado nesta segunda-feira mostra que caiu o número de casos prováveis da doença na região. Em 18/06, eram 45.001 casos prováveis e agora são 44.934.

As novas mortes pela doença foram registradas em Bom Jesus da Penha e Ijaci, que tiveram seus primeiros óbitos. Já Itaú de Minas chegou à sétima morte confirmada pela doença.

São Sebastião do Paraíso é a cidade da região com mais mortes confirmadas por dengue em 2023: 8 no total.

Novas mortes:

  • +1 Bom Jesus da Penha
  • +1 Ijaci
  • +1 Itaú de Minas

Mortes no total:

  • Alpinópolis: 2
  • Boa Esperança: 1
  • Bom Jesus da Penha: 1
  • Ijaci: 1
  • Ingaí: 1
  • Itaú de Minas: 7
  • Lavras: 3
  • Passos: 7
  • Perdões: 1
  • Pratápolis: 1
  • São Sebastião do Paraíso: 8
  • Varginha: 1

Cidades com mais casos de dengue na região:

  • Passos: 12.367
  • São Sebastião do Paraíso: 5.837
  • Lavras: 4.040
  • Itaú de Minas: 3.011
  • Varginha: 1.936
  • Cássia: 1.318
  • Nepomuceno: 1.294

Onde mais aumentou nos últimos 15 dias:

  • +205 Cássia
  • +147 Lavras
  • +77 Passos
  • +70 Varginha
  • +69 Boa Esperança
  • +36 São Tomás de Aquino
  • +26 Três Corações

Pesquisadora encontra microplásticos nos peixes do Rio Grande

Foram coletados 275 espécimes de peixes para análises sendo que das 20 espécies coletadas apenas oito dos indivíduos não apresentaram microplástico no trato digestório


por Luciene Garcia

A bacharela Luana Silva descobriu microplásticos nas áreas de Passos, Delfinópolis e São João Batista do Glória, no Sudoeste Mineiro – Foto: Arquivo Pessoal


A influência do uso da terra sobre a presença de microplásticos nos peixes de riachos do Cerrado mineiro. Foi essa a conclusão do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) da bacharela em Ciências Biológicas da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), Luana Carolina Rabelo da Silva, de 23 anos. O estudo abrangeu área de Passos , Delfinópolis e São João Batista do Glória, no Sudoeste Mineiro.

Devido ao seu pequeno tamanho, os microplásticos são facilmente transportados pelo ar e pela água, poluindo ecossistemas como os córregos e interagindo com os seres vivos aquáticos. Esse material pode carregar diversas substâncias químicas potencialmente perigosas que, ao entrar no corpo humano, pode causar danos celulares, hormonais e respiratórios. Em peixes pequenos, pode provocar bloqueios intestinais e danos a órgãos internos.

O plástico é um material criado para suprir necessidades humanas que cresceu continuamente sua produção ao longo dos anos, e como consequência dessa expansão este material é encontrado em todos os ambientes. Como resultado da fragmentação do plástico são originados os microplásticos que podem ser criados propositalmente pela indústria estética por exemplo, ou por fenômenos naturais de degradação. Os microplásticos são partículas de cinco milímetros de comprimento que apresentam várias formas e cores, e uma ampla distribuição que faz com que este composto seja encontrado em ambientes aquáticos, como riachos, interagindo com toda a biota e impactando todo meio que interage.


“Por serem encontrados nestes ecossistemas, os microplásticos ocasionam problemas fisiológicos e metabólicos nos organismos, e por se acumularem pela cadeia alimentar este composto pode chegar até os seres humanos causando outros inúmeros malefícios”, explica Luana.

Com isso, o objetivo do estudo foi analisar a influência dos usos da terra sobre a abundância de microplásticos na coluna d’água, sedimento e nos peixes de riachos do Cerrado mineiro. Foram coletados 275 espécimes de peixes para análises sendo que das 20 espécies coletadas apenas oito dos indivíduos não apresentaram microplástico no trato digestório. Nas análises da água foram encontradas 388 partículas e no sedimento 135 partículas plásticas, tendo dominância do formato fibra na cor preta. Todas as análises feitas mostraram que o uso da terra não apresenta relação com a quantidade de partículas microplásticas encontradas, o que pode estar relacionado com alta interferência humana na área. Possivelmente este é o primeiro trabalho relacionando à usos da terra como a agricultura e a pecuária com abundância de microplásticos e mostra que as bacias do Médio Rio Grande, onde foram efetuadas as coletas, possuem baixos níveis de vegetação nativa e uma poluição generalizada. Por isso, entender estas interferências sobre os ambientes de riachos é de extrema importância para equilíbrio dos ecossistemas e a não sobreposição de espécies.


Foram coletadas 275 espécimes de peixes das ordens Characiformes, Siluriformes e Cyprinodontiformes com predominância de indivíduos nas espécies Astyanax aff. paranae (lambari),Poecilia reticulata (Guppy) e Phalloceros harpagos (Barrigudinho).
A professora doutora Naraiana Loureiro Benone, orientadora do TCC, explica o seguinte: “Notamos que a mata ciliar dos córregos está degradada e muito estreita. Essa vegetação é importante, pois ela ajuda a manter uma boa qualidade ambiental nos córregos e impede que muitos poluentes atinjam os cursos d’água. Por isso, entender como o desmatamento e a alteração dos ecossistemas estão relacionados com a poluição por microplásticos nos cursos d’água é um passo fundamental para planejar medidas que diminuam esse problema”.

Minas Gerais registra duas novas mortes por febre maculosa; estado totaliza 4 óbitos em 2023

Minas Gerais registra duas novas mortes por febre maculosa; estado totaliza 4 óbitos em 2023 – Imagem: reprodução

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou duas novas mortes por febre maculosa em Conselheiro Lafaiete, na Região Central do estado. São uma mulher de 25 anos e um homem de 23 que, segundo a prefeitura, morreram nos dias 12 e 13 de junho, respectivamente.

De acordo com a SES-MG, até o momento foram registrados 11 casos em Minas Gerais em 2023, dos quais quatro evoluíram para óbito. Outras mortes, de pessoas duas pessoas do sexo masculino, de 28 e 54 anos, foram registrados em Manhuaçu, na Região da Zona da Mata.

Ainda segundo a pasta, os casos de febre maculosa são registrados em todas as regiões do estado, com destaque para as Macrorregiões de Saúde Centro, Vale do Aço, Leste e Leste do Sul.

De 2018 a 2022, foram registrados 190 casos e 62 mortes pela doença em Minas Gerais.

A Secretaria estadual salienta que, embora os casos possam acontecer o ano todo, trata-se de uma doença sazonal – ou seja, aparece com maior frequência em determinadas épocas do ano.

O que é a febre maculosa e os sintomas

Segundo a SES-MG, a febre maculosa é uma doença febril aguda, de gravidade variável, que pode cursar com formas leves e atípicas, até formas graves, com elevada taxa de letalidade.

É transmitida por um carrapato infectado, principalmente a espécie carrapato-estrela, que pode se hospedar em capivaras.

A doença pode demorar até duas semanas para se manifestar após o contato inicial. Conforme o Ministério da Saúde, os principais sintomas da doença são:

  • Febre
  • Dor de cabeça intensa
  • Náuseas e vômitos
  • Diarreia e dor abdominal
  • Dor muscular constante
  • Inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés
  • Gangrena nos dedos e orelhas
  • Paralisia dos membros que inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões, causando paragem respiratória

Como prevenir a doença?

A pessoa pode seguir algumas orientações para evitar o contato com o carrapato quando estiver em um local de contágio, como fazer o uso de calças compridas.

“De preferência passar um elástico na calça para que o carrapato não entre. Usar roupa clara porque, se ele começar a subir em você, você identifica rápido. Depois que passou por aquela área, fazer a procura em você. Se tem carrapato, tirar ele logo. Quanto mais rápido tirar, menores são as chances da doença”, alertou o infectologista Marco Aurélio Cunha de Freitas.

Saúde destina R$ 200 milhões para serviços de hemodiálise no SUS

Saúde destina R$ 200 milhões para serviços de hemodiálise no SUS – Imagem: reprodução

Portaria do Ministério da Saúde publicada nesta segunda-feira (26) no Diário Oficial da União destina R$ 200 milhões para custear equipamentos de hemodiálise em uso no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento é indicado para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica grave.

Em nota, a pasta informou que serão contemplados serviços que tenham até 29 máquinas de hemodiálise, considerando análises e discussões com gestores municipais e estaduais sobre eficiência de custo “diante das dificuldades encontradas especialmente nesses serviços”.

O recurso é calculado com base anual e será transferido mensalmente por meio do Componente do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (Faec), devendo ser repassado aos estabelecimentos contemplados.

Nova vacina contra a dengue chega ao Brasil na próxima semana

A Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC) informou que uma nova vacina contra a dengue deve chegar ao Brasil na próxima semana. Composta por quatro diferentes sorotipos do vírus causador da doença, a Qdenga, da empresa Takeda Pharma Ltda., foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março. De acordo com o órgão regulador, a dose confere ampla proteção contra a dengue.

Em nota, a ABCVAC informou que o preço da vacina, disponível inicialmente apenas em laboratórios particulares, deve variar entre R$ 350 e R$ 500 para o consumidor final, dependendo do estado. Em São Paulo, por exemplo, o Preço Máximo ao Consumidor (PMC) autorizado pela Anvisa para as clínicas é R$ 379,40.

“As clínicas devem utilizar esse parâmetro na composição da sua precificação final, que também inclui o atendimento, a triagem, a análise da caderneta de vacinação, as orientações pré e pós-vacina, além de todo o suporte que os pacientes necessitam para se informar corretamente sobre a questão da vacinação”, destacou a ABCVAC.

Indicação

De acordo com a Anvisa, a vacina é indicada para crianças acima de 4 anos de idade, adolescentes e adultos até 60 anos de idade. A Qdenga, portanto, é a primeira dose aprovada no Brasil para um público mais amplo, já que o imunizante aprovado anteriormente, a Dengvaxia, só pode ser utilizado por quem já teve dengue.

A nova vacina estará disponível para administração via subcutânea em esquema de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações.

“A concessão do registro pela Anvisa permite a comercialização do produto no país, desde que mantidas as condições aprovadas. A vacina, contudo, segue sujeita ao monitoramento de eventos adversos, por meio de ações de farmacovigilância sob a responsabilidade da empresa”, informou.

A eficácia contra a dengue para todos os sorotipos combinados entre indivíduos soronegativos (sem infecção anterior pelo vírus) foi de 66,2%. Já para indivíduos soropositivos (que tiveram infecção anterior pelo vírus), o índice foi de 76,1%.

“A demonstração da eficácia da Qdenga tem suporte principalmente nos resultados de um estudo de larga escala, de fase 3, randomizado e controlado por placebo, conduzido em países endêmicos para dengue com o objetivo de avaliar a eficácia, a segurança e a imunogenicidade da vacina”, informou a Anvisa.

Fiocruz confirma morte no Paraná por vírus influenza de origem suína

O Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) confirmou um óbito no Paraná causado pelo vírus influenza A(H1N1)v de origem suína. “A paciente possuía diagnóstico prévio de câncer e vivia próximo a uma fazenda de suínos. Os sintomas – febre, dor de cabeça, dor de garganta e dor abdominal – tiveram início em 1º de maio. No dia 3, foi necessário realizar hospitalização devido à evolução do quadro para infecção respiratória aguda grave. No dia 4, a paciente foi transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu e faleceu no dia seguinte”, informou nota da Fiocruz. 

Segundo informações do site oficial da entidade, durante a internação, uma amostra de swab nasofaríngeo foi coletada para teste de influenza e SARS-CoV-2, como parte das atividades regulares de vigilância de vírus respiratórios. O exame, realizado pelo Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) do Paraná, detectou que se tratava de um vírus influenza A/H1.  

Ainda de acordo com informações da Fiocruz, “seguindo o fluxo da rede de vigilância, a amostra foi encaminhada para o Laboratório da Fiocruz, referência nacional no tema, para a realização de análises complementares e sequenciamento genômico. Foi confirmado, então, que se tratava de um vírus influenza A(H1N1)v com alta taxa de identidade com vírus coletados de suínos no Brasil em 2015. É muito importante ressaltar que este caso não tem correlação com o vírus H5N1, que muito tem se falado nos últimos dias. O H5N1 é o vírus da influenza aviária, atinge predominantemente as aves e até o momento não há registro de casos em humanos no Brasil. O vírus detectado no Paraná é outro, trata-se do H1N1 variante”, frisa Marilda Mendonça, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC.  

O caso foi notificado ao Ministério da Saúde (MS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS). A amostra será enviada ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) para posterior caracterização.  De acordo com as investigações epidemiológicas, a paciente não teve contato direto com porcos, no entanto, dois de seus contatos próximos trabalhavam na fazenda de suínos. Os dois contatos não desenvolveram doença respiratória e testaram negativo para influenza. Até o momento, nenhuma transmissão de humano para humano associada a este caso foi identificada. Em seu relatório, a OMS avalia como baixo o risco de transmissão comunitária.  

Sobre as variantes do vírus 

Quando seres humanos estão infectados com vírus influenza que normalmente circula entre porcos, esse vírus é chamado de “vírus variante” e é designado pela letra “v”. No caso em questão, influenza A(H1N1)v. Os vírus H1N1, H1N2 e H3N2 de origem suína ocasionalmente infectam humanos, geralmente após exposição direta ou indireta a suínos ou ambientes contaminados. Infecções humanas com vírus variantes tendem a resultar em doença clínica leve.  

Até o momento, infecções humanas esporádicas causadas pelos vírus influenza A(H1N1)v e A(H1N2)v foram relatadas no Brasil e não há evidências de transmissão sustentada de pessoa para pessoa. Esta é a primeira infecção humana causada pelo vírus influenza A(H1N1)v relatada em 2023 no Brasil, e a terceira infecção humana relatada no estado do Paraná (a primeira foi em 2021 e a segunda, em 2022). Ambas as identificações foram realizadas pelo Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC. 

Não há vacina para infecção por Influenza A(H1N1)v. De acordo com a OMS, a vacina contra a gripe sazonal, administrada anualmente, é capaz de reduzir o adoecimento a partir de infecções pelos vírus da gripe humana e variantes. 

Pesquisadores buscam vacina contra a febre maculosa

Carrapato-estrela, transmissor da bactéria causadora da Febre Maculosa. Foto: Jerry Kirkhart/Wikimedia

Estudo do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) identificou uma forma de reduzir o crescimento da bactéria causadora da febre maculosa nos carrapatos e tornar o aracnídeo mais resistente à infecção. O conhecimento desse mecanismo de interação entre hospedeiro e bactéria permite avançar em metodologias para desenvolvimento de vacinas.

A pesquisa é baseada em estudos anteriores que mostraram que a bactéria Rickettsia rickettsii, que provoca a febre maculosa, inibe a morte das células do carrapato, o que favorece o crescimento do animal, dando mais tempo para a bactéria se proliferar e infectar novas células.

O artigo, publicado na revista Parasites & Vectors, demonstrou a possibilidade de silenciar o gene da principal proteína responsável por impedir a morte programada das células, chamada de apoptose, no carrapato-estrela.

De acordo com a professora do Departamento de Parasitologia do ICB-USP e coordenadora do estudo, Andrea Cristina Fogaça, a alimentação dos carrapatos foi reproduzida em laboratório, com sangue de coelhos infectados e não infectados por Rickettsia rickettsii e, independentemente da infecção, os parasitas morriam ao se alimentar, o que indicou a possibilidade não só de bloquear a infecção como de conter e diminuir população nos hospedeiros.

“O que meu grupo de pesquisa estuda são as interações que acontecem entre o carrapato e a bactéria que causa essa doença. Nosso objetivo com a pesquisa foi o de entender quais são as interações e as moléculas que são importantes para a interação entre a bactéria e o vetor, porque queremos identificar alguns potenciais alvos para o desenvolvimento de vacinas, tanto para diminuição da população do carrapato como para o bloqueio da transmissão da bactéria”, explicou a pesquisadora.

Ainda não há previsão para a produção de uma vacina contra a febre maculosa, porque novos estudos serão conduzidos nesse sentido. “Não temos no horizonte próximo a perspectiva de uma vacina disponível. E se tivermos e quando tivermos, vamos conseguir uma redução da população do carrapato. Eu acredito que essa proteína levará também a proteção dos animais que são utilizados pelo carrapato para se alimentar, como cavalos, e termos uma redução da população de carrapatos que transmitem a bactéria”, disse.

Os próximos passos da pesquisa são confirmar que a alimentação sanguínea é realmente o fator que promove a apoptose pela produção de espécies reativas de oxigênio e, possivelmente, expandir os experimentos para outras espécies de carrapato.

A pesquisa foi conduzida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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