Anvisa aprova novo remédio oral para câncer de mama avançado – Foto: reprodução
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o registro do medicamento Inluriyo (tosilato de inlunestranto), na última segunda-feira (22), destinado ao tratamento de pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático. A autorização foi publicada no DOU (Diário Oficial da União).
O medicamento será utilizado em casos específicos da doença, em pacientes que já passaram por terapia endócrina. A indicação contempla tumores positivos para receptor de estrogênio (ER+), negativos para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2-) e com mutação no receptor de estrogênio 1 (ESR1m).
Desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil Ltda., o tratamento é administrado por via oral e é indicado como monoterapia. Segundo a Anvisa, a recomendação também inclui situações em que o tumor não pôde ser retirado por cirurgia ou quando a doença já atingiu outras partes do organismo.
ÍNDICES DO CÂNCER DE MAMA
O câncer de mama permanece como o tipo de neoplasia maligna com maior incidência entre mulheres no Brasil. Estimativas do Inca (Instituto Nacional do Câncer) apontam cerca de 73.610 novos casos anuais entre 2023 e 2025, o equivalente a 30,1% dos diagnósticos de câncer na população feminina.
A doença é a mais incidente em mulheres na maioria das regiões brasileiras, com taxas mais altas no Sul e no Sudeste. Só é superada por outro câncer, o de colo de útero, no Norte.
Dados do Ministério da Saúde também indicam que a doença representa a principal causa de morte por câncer entre mulheres no país. A pasta informa que o risco aumenta com a idade, sobretudo a partir dos 40 anos, enquanto a média de idade para o diagnóstico no Brasil e de 54 anos.
OUTUBRO ROSA
Nas últimas décadas, os avanços terapêuticos e o maior acesso ao tratamento e às ações de detecção precoce resultaram em ganhos na sobrevida das mulheres e tornaram o câncer de mama uma doença de bom prognóstico, quando diagnosticada e tratada oportunamente.
Iniciativas como o Outubro Rosa e o Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, celebrado em 19 de outubro, pretendem alertar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença por meio de ações educativas e exames como a mamografia.
Com o diagnóstico precoce a taxa de cura e sobrevida é de 95%.
Ministério da Saúde aprova e SUS passará a oferecer tratamento contra o câncer que não cai cabelo – Foto: reprodução
O tratamento contra o câncer no Brasil sofreu uma mudança significativa em 2026. O pembrolizumabe, uma forma de imunoterapia, agora está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo novas opções para diversas neoplasias.
Esse avanço surgiu de um acordo entre o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD para a fabricação nacional desse medicamento. Antes, ele só era amplamente acessível na rede privada, devido aos custos elevados. Alternativa de tratamento é conhecida por não causar queda de cabelo como efeito colateral.
Este acordo, firmado em março de 2026, marca uma nova era para pacientes com câncer, que agora têm acesso a tratamentos imunológicos mais avançados.
Efeitos do pembrolizumabe no tratamento do câncer
O pembrolizumabe estimula o sistema imunológico a atacar células cancerígenas, bloqueando os mecanismos que as células tumorais usam para evitar a resposta imunológica.
Diferente da quimioterapia, que destrói as células, este método reforça o sistema de defesa do corpo. Para cânceres como o melanoma, os resultados são particularmente promissores, mas podem variar em outros casos.
Mesmo com avanços, o impacto do pembrolizumabe difere entre os tipos de câncer. Estudos mostram que a terapia pode ampliar a sobrevida dos pacientes, especialmente em melanoma, mas o efeito pode ser mais moderado para outros tipos de tumores.
Produção nacional
A nacionalização da fabricação do pembrolizumabe representa um avanço significativo. A produção interna deve reduzir custos, embora a terapia ainda seja cara em redes privadas, com valores em torno de R$ 27 mil por sessão.
Isso permitirá ao SUS uma maior oferta de tratamentos, visando ampliar o acesso aos pacientes.
Minas Gerais passa a oferecer teste genético gratuito para detecção de câncer de mama e de ovário – Foto: divulgação
O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e o secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti, anunciaram, nesta terça-feira (28/10), em Belo Horizonte, que o Governo de Minas passa a oferecer gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o teste genético para detecção de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados aos cânceres de mama e de ovário hereditários.
O Estado vai investir R$ 1,1 mil por teste, com 2 mil exames previstos por ano, totalizando mais de R$ 9,8 milhões em recursos. O investimento inclui o cofinanciamento dos procedimentos clínicos complementares, garantindo o acompanhamento integral das usuárias na rede pública.
Para o vice-governador, a possibilidade de recorrer a este tipo de teste na rede pública de saúde vai proporcionar assertividade do diagnóstico e um tratamento mais precoce e efetivo contra o câncer.
“É um exame de sangue ou de saliva e que possibilita a identificação do risco efetivo do surgimento da doença, mudando os protocolos e o acompanhamento das mulheres que são propícias a desenvolver estes dois tipos de câncer”, explicou Mateus Simões.
A iniciativa cumpre a Lei Estadual nº 23.449 e será voltada a mulheres com histórico pessoal ou familiar das doenças, consideradas de alto risco genético, conforme critérios definidos em resolução específica da Secretaria de Estado de Saúde.
Mamografia ampliada
Além de disponibilizar o teste genético gratuitamente, o vice-governador anunciou a ampliação da realização dos exames de mamografias pelo SUS em Minas Gerais para mulheres de 40 a 74 anos, com realização a cada dois anos. Até então, o procedimento era garantido apenas para a faixa etária de 50 a 69 anos.
De acordo com Simões, a disponibilização da mamografia para estas novas faixas etárias irá aumentar a identificação precoce da doença, aumentando as chances de cura.
“O governo vai pagar a mamografia para todas as mulheres a partir de 40 anos de idade, basta que elas compareçam ao posto de saúde e peçam a marcação do exame. Não há nenhuma necessidade de consulta médica para recomendação de realização do exame. Isso muda muito a nossa condição de diagnóstico precoce porque 50% dos casos acontecem em mulheres com menos de 50 anos de idade”, explicou.
Durante o evento, o vice-governador também divulgou o repasse de R$ 15 milhões para o Instituto Mário Pena para que ele possa converter a unidade de tratamento oncológico localizada no Hospital Luxemburgo para atender 100% da demanda do SUS.
Diagnóstico e tratamento
Minas Gerais passa a oferecer teste genético gratuito para detecção de câncer de mama e de ovário – Foto: divulgação
Os testes serão realizados por meio de convênio com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que também irá promover capacitações e discussões de casos clínicos com médicos e enfermeiros, especialmente por meio do Telessaúde.
O programa de testagem está previsto para começar no início de 2026, após a formalização do acordo com a UFMG e a definição das etapas operacionais junto à rede pública de saúde.
O exame utiliza uma amostra de sangue ou saliva e dispensa jejum. O resultado pode ser positivo, negativo ou inconclusivo, e um resultado positivo não significa o desenvolvimento da doença, mas indica risco aumentado que requer acompanhamento contínuo.
Além do diagnóstico genético, o SUS garante todas as modalidades de tratamento, como cirurgias, reconstrução mamária, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, conforme o tipo e o estágio da doença.
Os casos suspeitos serão encaminhados pelas Secretarias Municipais de Saúde às Comissões Municipais de Oncologia, que organizam o atendimento nos hospitais habilitados.
A SES-MG irá publicar uma normativa específica com as diretrizes, fluxos e critérios técnicos para a execução dos testes.
Esperança para as próximas gerações
Minas Gerais passa a oferecer teste genético gratuito para detecção de câncer de mama e de ovário – Foto: divulgação
A chegada do teste genético na rede pública de saúde e a ampliação do exame de mamografia para mulheres abaixo dos 50 anos trazem alívio e confiança para a educadora infantil Elania Abreu Dutra, que aos 37 anos foi diagnosticada com o câncer de mama. Para ela estes avanços vão trazer mais esperança para as mulheres mineiras, em especial as da sua família, que já teve um caso relacionado com a doença.
“Acho um avanço extremamente importante para as pacientes, principalmente, para as que fazem o tratamento pelo o SUS. A notícia do teste e da ampliação do exame traz mais tranquilidade para mim, para a minha filha, para os meus familiares e para o meu tratamento porque acredito se for detectado alguma alteração nestes exames, posso fazer alguma cirurgia de prevenção, impedindo que este tumor volte”, contou.
Cenário em Minas Gerais
De acordo com o Painel de Monitoramento do Tratamento Oncológico da SES-MG, Minas Gerais registrou 6.907 novos casos de câncer de mama em 2024, e 2.767 em 2025. No mesmo período, foram contabilizados 2.970 óbitos em decorrência da doença, 1.932 em 2024 e 1.038 entre janeiro e agosto de 2025.
Fortalecimento da rede oncológica
Para aprimorar o cuidado integral às mulheres e ampliar o diagnóstico precoce, o Governo de Minas lançou, em 2024, o programa Cuidar na Hora Certa, com investimento de R$ 24,4 milhões por ano. A iniciativa busca reduzir a morbimortalidade por câncer de mama e agilizar o acesso ao tratamento em todo o estado.
“Nós tratamos do câncer início ao fim e, além disso, nós estamos tentando desburocratizar cada etapa. Nós queremos que as mulheres tenham a autonomia de fazer, dentro do protocolo, a mamografia na hora que quiser, sem ter que ficar-se indo muito a postos de saúde, numa consulta médica, como é o direito das mulheres. E é um dever nosso garantir esse acesso”, destacou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.
O programa atua em cinco eixos principais:
• Ampliação da oferta de mamografias de rastreamento;
• Expansão da cobertura para todas as microrregiões;
• Redução do tempo entre a solicitação e a biópsia;
• Fortalecimento da vigilância e do monitoramento dos casos;
• Agilidade na transição entre diagnóstico e início do tratamento.
Além disso, o Governo do Estado destinou R$ 77 milhões à aquisição de mamógrafos digitais para os municípios, beneficiando 62 instituições em 45 cidades.
Atualmente, Minas Gerais conta com 32 hospitais habilitados como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), quatro Centros de Assistência de Alta Complexidade (Cacon) e um hospital geral com cirurgia oncológica de alta complexidade.
Ministério da Saúde recebe medicamento inédito para tratamento de câncer de mama no SUS – Foto: divulgação
Um medicamento inédito para o tratamento do câncer de mama foi incorporado ao SUS. O Ministério da Saúde recebeu nesta segunda-feira o primeiro lote do Trastuzumabe Entansina, medicamento de última geração para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, relacionado à maior agressividade da doença.
São cerca de 12 mil unidades, de 100 e 160 mg, do medicamento. Ao todo, serão quatro lotes do Trastuzumabe. As próximas entregas estão previstas para dezembro de 2025, março e junho de 2026, alcançando 100% da demanda atual. Os insumos vão beneficiar 1.144 pacientes ainda este ano.
Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento foi negociado com valor 50% abaixo do preço de mercado. O investimento total foi de R$ 159 milhões.
O Trastuzumabe Entansina é indicado para mulheres que ainda apresentam sintomas da doença após a quimioterapia inicial, em casos de câncer de mama HER2-positivo em estágio III.
O governo federal também avança na oferta de inibidores de ciclinas indicados para o tratamento de câncer de mama avançado ou metastático com receptor hormonal positivo ou HER2-negativo.
A portaria que autoriza a compra descentralizada desses medicamentos será publicada ainda neste mês, quando acontece a campanha Outubro Rosa, de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.
SUS adota novas diretrizes para tratamento do câncer de mama – Foto: reprodução
O Ministério da Saúde anunciou na última sexta-feira (6) a implementação do PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas) para o câncer de mama no SUS (Sistema Único de Saúde). A iniciativa introduz 5 novos procedimento e a videolaparoscopia aos centros especializados. O objetivo é aprimorar a qualidade de vida dos pacientes e a eficiência na gestão dos recursos de saúde.
A inclusão da videolaparoscopia no protocolo do SUS é um destaque do Ministério da Saúde. O procedimento minimamente invasivo visa a reduzir o tempo de internação e a necessidade de reintervenções. Os procedimentos adicionados abrangem inibidores das quinases dependentes de CDK (ciclina) 4 e 6, trastuzumab entansina, supressão ovariana medicamentosa e hormonioterapia parenteral.
Também inclui o fator de estimulador de colônia para suporte em esquema de dose densa e a ampliação da neoadjuvância para estágios de 1 a 3 do câncer de mama.
O ministério ressalta que o PCDT padroniza o tratamento do câncer de mama, assegurando diagnóstico oportuno e acesso igualitário a novos medicamentos. A integração da linha de cuidado do paciente com câncer de mama ao “Programa Mais Acesso a Especialistas” visa facilitar o diagnóstico e tratamento.
O OCI (Protocolo de Acesso às Ofertas de Cuidado Integrado na Atenção Especializada em Oncologia) busca reduzir o prazo para início do tratamento de um ano e seis meses para 30 dias. A iniciativa tem como meta diminuir a mortalidade associada ao atraso no tratamento.
Pesquisador e mastologista Henrique Lima Couto é autor de estudo inédito que representa esperança para pacientes com câncer de mama – Foto: divulgação
Um estudo brasileiro pode representar um grande avanço no diagnóstico e tratamento do câncer de mama. A doença é a primeira em mortes por câncer entre as mulheres no Brasil. De acordo com o INCA, Instituto Nacional do Câncer, a estimativa é de que tenhamos, no Brasil, 73.610 novos casos de câncer de mama até 2025.
O estudo, único do gênero no mundo, é desenvolvido pelo pesquisador, mastologista e presidente do Departamento de Imagem e Procedimentos Minimamente Invasivos da Mama da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Henrique Lima Couto e foi apresentado em um dos mais prestigiados congressos de imagem da mama do mundo, o EUSOBI – Congresso Anual da Sociedade Europeia de Imagem Mamária, realizado em Lisboa, no mês de outubro.
A técnica é conhecida como Mamotomia e já é usada desde 1996, no entanto, apenas restrita à biópsia diagnóstica para determinar se uma lesão é maligna. A inovação deste estudo está na possibilidade de realizar o diagnóstico e o tratamento ao mesmo tempo, o que representa um grande avanço no combate ao câncer de mama. “Essa é uma notícia que traz esperança, já que o Brasil enfrenta grandes desafios no diagnóstico e tratamento do câncer de mama. A detecção precoce é essencial para o sucesso do tratamento, e essa técnica tem o potencial de reduzir drasticamente os custos, reduzir o tempo de diagnóstico e tratamento do câncer, e melhorar consideravelmente a qualidade de vida das pacientes, evitando-se uma cirurgia tradicional com um procedimento que dura em média 23 minutos”, destaca o pesquisador.
Sobre o estudo
Segundo o pesquisador Henrique Lima Couto, o método mostrou-se eficaz no diagnóstico e tratamento de pequenas lesões únicas de até 15 mm. A pesquisa está em andamento há 10 meses, na clínica Redimama, em Belo Horizonte e até o momento, em torno de 50 mulheres foram submetidas ao procedimento com elevada taxa de sucesso.
“A grande inovação é a técnica de avaliação das margens associada a Excisão Assistida à Vácuo. Por meio dessa técnica é possível prever se o tumor foi completamente ressecado pelo procedimento podendo no futuro evitar e prescindir a cirurgia. Até o momento, estamos com 100% de ressecção completa quando a avaliação das margens é satisfatória e negativa”, afirma o pesquisador.
Resultados preliminares
Os resultados preliminares foram apresentados, em maio, no Simpósio Brasileiro de Câncer de Mama (BBCS), em Brasília e se tornarão públicos também durante o Simpósio Internacional de Tratamento Mínimo e Imagem de Mama, o Breastmit 2024, que ocorre nesta sexta (8) e sábado (9), na capital mineira.
O evento vai reunir especialistas de todo o Brasil, de outros 13 países e vai abordar as inovações inovações em diagnóstico por imagem e tratamentos minimamente invasivos para doenças mamárias, incluindo o câncer de mama.
O Breastmit 2024 é totalmente on-line e gratuito, sem fins lucrativos e direcionado para médicos e estudantes de Medicina. Entre os principais temas, destacam-se tratamentos avançados para câncer de mama, inovações em imagens e discussões sobre redução do tratamento, especialmente em câncer de mama em estágio inicial, técnicas avançadas de biópsia e ablação, novos métodos de rastreamento e prevenção, a integração de tecnologias de ponta para melhorar o cuidado; além da discussão de tópicos como inteligência artificial em imagens de mama, técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e precisão em diagnósticos para recorrência de câncer de mama.
Para o mastologista Henrique Lima Couto que também é presidente do Simpósio, o evento é especialmente relevante para os profissionais da saúde no que se refere as abordagens menos invasivas e com melhor qualidade de vida para as pacientes.
“Temos a honra de receber palestrantes de países como, por exemplo, Estados Unidos, França, Canadá, Argentina, Reino Unido, Espanha, Holanda e Alemanha, o que reforça o caráter internacional e a relevância do Simpósio. Estamos extremamente felizes em oferecer uma plataforma gratuita para que médicos, pesquisadores e profissionais da área possam se atualizar e trocar experiências”, afirma.
Governo de Minas lança programa para o enfrentamento do câncer de mama – Foto: divulgação/Governo de Minas
O governador Romeu Zema anunciou, na última sexta-feira (18), o Programa Saúde Aqui Tem Pressa: Cuidar na Hora Certa, nova iniciativa do Governo de Minas para o enfrentamento do câncer de mama no estado. O lançamento faz parte das ações desenvolvidas e realizadas, neste mês, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), em referência ao Outubro Rosa.
O programa, que é um componente do Programa Estadual de Enfrentamento ao Câncer, visa reduzir a morbimortalidade associada à doença, por meio de estratégias para a detecção precoce, o diagnóstico rápido e o tratamento adequado, em tempo oportuno, garantindo um prognóstico mais favorável.
Serão destinados cerca de R$ 24,4 milhões em recursos estaduais para o custeio anual das ações do programa, sendo que, já em 2024, serão direcionados R$ 9,8 milhões. Ao anunciar o programa, governador Romeu Zema destacou a importância da iniciativa que incentiva a realização do diagnóstico precoce da doença.
“O título da nossa campanha diz tudo o que nós queremos, que é que esse diagnóstico seja realizado o quanto antes, para aumentar as chances de cura e para que a intervenção e o sofrimento sejam o menor possível”, salientou o governador mineiro.
Ele destacou o objetivo do governo, de levar os cuidados com a saúde para mais perto da casa da população, o que já vem ocorrendo não apenas na campanha do Outubro Rosa, mas para quem precisa de tratamento oncológico como um todo, aproximando o Sistema Único de Saúde (SUS) dos resultados obtidos na rede privada.
“Se no setor de saúde privada, dois terços conseguem um diagnóstico precoce, que aumenta muito a taxa de sobrevivência e de cura, nós queremos o mesmo no SUS aqui em Minas Gerais, portanto estamos estruturando todo o nosso setor de saúde para que isso aconteça e as mulheres tenham essa oportunidade” concluiu Zema.
Caminho para a cura
Governo de Minas lança programa para o enfrentamento do câncer de mama – Foto: divulgação/Governo de Minas
A jornada da paciente para o diagnóstico do câncer de mama se inicia na Atenção Primária à Saúde (APS), que é a porta de entrada para os usuários, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Nas UBS, as mulheres são encaminhadas para o exame de mamografia. Com a nova política estadual, no prazo de até 30 dias após o resultado do rastreamento (que apresente alterações), a paciente vai realizar a biópsia para o diagnóstico.
Se houver confirmação do resultado, o encaminhamento para início do tratamento pelo SUS, de acordo com as diretrizes do Programa Saúde Aqui Tem Pressa: Cuidar na Hora Certa, deverá ser feito em até 60 dias. O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, apresentou a iniciativa lançada como sendo um passo fundamental para garantir toda a linha de cuidado contra o câncer de mama para as mulheres mineiras.
“O programa é o primeiro passo que nós estamos dando dentro da política de oncologia do nosso estado. Então nós sabemos que muitos exames são feitos todos os dias de mama, por exemplo, como é o que nós estamos lançando aqui hoje, mas não é garantido para essa mulher a próxima etapa, ou uma consulta com especialista, ou especialmente a biópsia, onde de fato há o diagnóstico do câncer”, apontou Baccheretti.
“Então aqui nessa política, além de incentivar a mamografia pagando um valor a mais e incentivo aos municípios que baterem a cobertura de mamografia, nós pagaremos um outro valor, se a gente conseguir o resultado definitivo da biópsia em até 60 dias. É o primeiro passo super importante para garantir toda a linha de cuidado para as nossas mulheres” explicou o secretário de Saúde de Minas.
Importância do diagnóstico precoce
Governo de Minas lança programa para o enfrentamento do câncer de mama – Foto: divulgação/Governo de Minas
A identificação do câncer através de um diagnóstico rápido e no início da manifestação da doença fez com que a psicóloga Camila Campos, de 35 anos, iniciasse o tratamento com celeridade, o que vem proporcionando resultados positivos. Casada com Léo, ex-jogador do Cruzeiro, Camila foi diagnosticada recentemente com câncer de mama e metástase ósseo na coluna, notícia que recebeu quando estava grávida de 7 meses.
“O fato de ser um diagnóstico precoce permitiu que eu entrasse em um tratamento e esse tratamento está sendo positivo. É um tratamento que está me proporcionando pensar na cura e eu agradeço a Deus por isso, agradeço à equipe médica. Mas eu quero ressaltar a relevância de um projeto como esse e já parabenizar o secretário, porque nós queremos trazer para o SUS a mesma proporção e agilidade dos diagnósticos”, conta.
“Nós queremos que toda mulher tenha o que eu tive, o direito de ter um diagnóstico precoce e de ter um tratamento significativo para proporcionar cura para qualquer mulher” enalteceu Camila, ao falar sobre a importância do Programa Saúde Aqui Tem Pressa: Cuidar na Hora Certa.
Saúde aqui tem pressa
Para garantir mais agilidade e eficiência na trajetória do diagnóstico ao tratamento em todo o estado, o Saúde Aqui Tem Pressa: Cuidar na Hora Certa foi estruturado em cinco eixos de atuação.
O primeiro deles visa ao fortalecimento da busca ativa e encaminhamento do público-alvo do programa para realização da mamografia de rastreamento na Atenção Ambulatorial Especializada. O foco está, principalmente, em mulheres de 50 a 69 anos, incluindo as transexuais e homens trans não mastectomizados. Já o segundo eixo diz respeito à ampliação da cobertura de mamografia para esse público.
O terceiro eixo, por sua vez, visa à redução do tempo necessário para a realização de biópsia e definição diagnóstica do câncer de mama, assegurando diagnósticos rápidos e precisos para início do tratamento em tempo oportuno.
O Profissional Integrador do Cuidado em Rede é o foco do quarto eixo, instituindo atribuições e financiamento para profissionais que atuarão na vigilância das ações necessárias para aumentar os índices do diagnóstico precoce. Entre os objetivos estão, por exemplo, reduzir o número de casos detectados em estágio avançado e, consequentemente, diminuir a mortalidade associada ao câncer de mama.
Por fim, o quinto eixo visa à redução do tempo para início do tratamento do câncer de mama, bem como a qualificação dos tratamentos oferecidos, garantindo atendimento rápido e eficaz às pessoas diagnosticadas.
Melhoria e ampliação dos diagnósticos
Em dezembro de 2023, o Governo de Minas repassou mais de R$ 77 milhões, pagos em parcela única, para compra de mamógrafos em 62 instituições do estado. O investimento permite ampliar o número de exames realizados, proporcionando mais celeridade nos diagnósticos de câncer de mama.
Os mamógrafos estão substituindo equipamentos obsoletos, identificados pelo Programa Estadual de Controle de Qualidade em Mamografia (PECQMama), e, por meio do recurso disponibilizado, os beneficiários que fazem parte da política estadual dos Centros Estaduais de Atenção Especializada (Ceae) poderão disponibilizar o exame, facilitando o acesso das mulheres mineiras.
Conforme monitoramento realizado pela SES-MG, 27% dos equipamentos já foram adquiridos (17 mamógrafos) e 63% estão com o processo de compra em andamento. Os beneficiários contemplados têm prazo de até 24 meses para efetivar a compra e instalação dos mamógrafos.
As ações de saúde da mulher em andamento no estado englobam o atendimento especializado nos Ceae e serviços de Ampliação da Média Complexidade, que prevê repasses de aproximadamente R$100 milhões para execução de diversas linhas, entre elas a carteira de propedêutica de câncer de mama.
Outubro Rosa
A SES-MG também realiza, neste sábado e domingo (19 e 20/10), na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, uma ação do Outubro Rosa, envolvendo diversos parceiros, para orientar e prestar serviços à população, como a realização de mamografias.
Durante os dois dias, das 8h às 16h, além da realização de exames, o público-alvo da campanha – com seus familiares e amigos – será orientado sobre toda a jornada para o diagnóstico e tratamento do câncer de mama, reconstrução mamária, rede de apoio às pacientes, doação de cabelo e peruca, entre outros.
Quem passar pela Praça da Liberdade também poderá aferir a pressão e receber orientações sobre cuidados e autoexame do câncer de mama, riscos cardiovasculares e linhas de cuidados após o diagnóstico.
Inédito: primeira voluntária recebe vacina contra câncer de mama – Foto: divulgação
Pela primeira vez, uma vacina contra o câncer de mama está em andamento e uma voluntária recebeu o imunizante. A medicação foi aplicada em uma idosa diagnosticada com a doença – carcinoma ductal in situ – em “estágio 0”, ou seja, em estágio pré-câncer.
A voluntária Maria Kitay, de 67 anos, recebeu o ciclo completo do imunizante. Agora, mais 50 voluntárias devem testar a nova vacina, comemorada pelos cientistas que se dedicam à pesquisa há mais de três décadas. O estudo inédito é desenvolvido pelo Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos (EUA).
“Hoje, mais de 30 anos de pesquisa nos levaram ao primeiro ensaio clínico de uma vacina desse tipo que pode mudar significativamente o diagnóstico de câncer de mama”, disse Elizabeth Wild, presidente do UPMC Hillman Cancer Center, em coletiva de imprensa na UPMC Magee- Hospital da Mulher.
Inédito: primeira voluntária recebe vacina contra câncer de mama – Foto: divulgação
Como funciona
A vacina depende da proteína MUC1, que pode desencadear uma resposta imune e ser útil para atingir certos tipos de câncer, descobriram as décadas de pesquisa.
“Nossa abordagem com esta vacina é ensinar o sistema imunológico a identificar as células pré-cancerígenas e atacá-las antes que elas se transformem em câncer invasivo”, disse a médica Emilia Diego, professora associada de cirurgia, vice-presidente de diversidade e inclusão e chefe de seção de cirurgia de mama na divisão de oncologia cirúrgica de mama do Departamento de Cirurgia.
A intenção é prevenir a doença, disse a pesquisadora.
“Esta é uma maneira muito inovadora de abordar um diagnóstico de câncer de mama, especialmente o diagnóstico pré-câncer, onde podemos preveni-lo com a vacina eventualmente. O objetivo de longo prazo é prevenir o câncer, e as mulheres que estão participando deste teste realmente vão nos ajudar a fazer isso de uma vez por todas”, afirmou.
A vacina e a voluntária
Inédito: primeira voluntária recebe vacina contra câncer de mama – Foto: divulgação
Maria Kitay recebeu três injeções da vacina por 10 semanas, a terceira dose foi administrada no dia 20 de junho.
Ela recebeu suas doses de vacina 12, 10 e duas semanas antes da cirurgia. A idosa prosseguirá em 15 dias com cirurgia e outros tratamentos do tipo padrão.
A pesquisa deve testar o imunizante em mais 50 voluntárias, como Kitay, para avaliar se elas desenvolvem uma resposta imunológica, combatendo um câncer futuro.
Os pesquisadores esperam que a nova vacina inicie uma resposta imune para pessoas com carcinoma ductal in situ (DCIS) em estágio 0, considerado um diagnóstico pré-câncer.
Como foi financiada
O teste da vacina foi iniciado por uma doação de US$ 100 mil da A Glimmer of Hope Foundation, sediada em Pittsburgh.
Depois, a clínica obteve mais US$ 2,1 milhões em doações da Breast Cancer Research Foundation, a maior financiadora de pesquisas sobre câncer de mama no mundo.
Isso permitiu que a equipe abrisse o teste para 50 pacientes em sua primeira fase.
As próximas voluntárias receberão três doses da vacina junto com os padrões de tratamento para o câncer de mama.
Aí, elas terão a cirurgia recomendada que qualquer outro paciente receberia mesmo após a vacina ser administrada, segundo a Universidade de Pittsburgh.
A Santa Casa de Misericórdia de Passos comprou com recursos próprios a medicação que está em falta para o tratamento de câncer de mama. O medicamento é o Trastuzumabe, fornecido pelo Ministério da Saúde. Minas Gerais não recebeu nem um terço das unidades do remédio, previstas para este terceiro trimestre.
Em Passos, a Santa Casa trata 79 pacientes que necessitam do remédio. Para evitar a interrupção do tratamento, a instituição assumiu os custos e comprou 228 frascos por mais de R$ 330 mil. No entanto, não é possível garantir que tenham os comprimidos para os próximos meses.
O Ministério da Saúde afirmou que fez um pedido de antecipação da próxima entrega já foi feito ao laboratório e que vai repassar as doses que faltam à Minas Gerais.
Santa Casa usa recursos próprios para comprar remédio contra câncer de mama e evitar desabastecimento, em Passos, MG — Foto: Santa Casa de Misericórdia de Passos
Leandro Ribeiro Reis, oncologista da Santa Casa de Passos, o medicamento é usado em boa parte dos casos de tratamento do câncer de mama.
“Ele é um tratamento direcionado para alguns tipos de pacientes, que a gente faz uma testagem molecular com isso, e isso aumenta em muito a chance de cura do paciente. Então, a importância se dá em correlação ao resultado, que é muito significante quando a paciente recebe o medicamento”.
Conforme o médico, há deficiência na logística de entrega do medicamento desde julho. Por isso, a Santa Casa precisou se organizar para adquirir doses do remédio.
“A Santa Casa, por meio de mobilização, por meio da direção, fez compra do medicamento com custeio próprio para que não deixassem esses pacientes desassistidos. Então, o subterfúgio que a Santa Casa usou foi a compra do medicamento”.
Falta de medicamento fornecido pelo SUS preocupa pacientes que tratam câncer de mama no Sul de MG — Foto: Reprodução
Na Santa Casa de Passos a compra das medicações tem sido feitas, por enquanto, conforme demanda semanal.
“Estamos fazendo um controle da quantidade de pacientes que já usam, dos casos novos que tão entrando em tratamento, e estamos comprando em relação à demanda de casos novos que se iniciam semanalmente, até que se regularize a entrega do medicamento”, completou o oncologista.
Outubro Rosa é uma campanha que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Essa campanha teve início nos Estados Unidos, em 1990. No Brasil, o movimento começou apenas em 2002.
O câncer de mama é um problema de saúde pública mundial, sendo a segunda principal causa de morte em mulheres por câncer no mundo. No Brasil, esse tipo de câncer é o que mais mata. Dentre os sintomas, podemos destacar a presença de nódulos e alterações na pele que recobre as mamas. Esse tipo de câncer apresenta alguns fatores de risco, como idade avançada, história familiar e hábitos de vida. O diagnóstico é realizado por meio de exames de ultrassom, mamografia e biópsia.
O tratamento pode ser realizado por intermédio de radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e cirurgia — o médico avalia o melhor tratamento para cada caso. O diagnóstico precoce é muito importante para o sucesso do tratamento. O câncer de mama apresenta alguns fatores de risco associados, assim alguns cuidados podem ajudar na sua prevenção, como uma alimentação saudável, manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividades físicas, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, entre outros.
Em outubro de 2018, a primeira dama de Capitólio (MG), Andressa Ávila, foi diagnosticada com câncer de mama.
‘’Eu estava com 30 anos na época, meu filho estava com um ano. Pra mim câncer de mama estava muito longe da minha realidade, porque na minha cabeça eu era jovem, eu tinha acabado de ter filho, então eu não imaginava isso’’, comentou.
Andressa contou como descobriu que possuía a doença e como foi sua reação.
‘’Eu estava sentindo alguma coisa diferente. Fui ao médico e fui diagnosticada com câncer de mama. Eu lembro exatamente o dia em que eu peguei o exame, eu não consegui esperar chegar até o médico. Desci, peguei no laboratório e entrei no carro com o Cristiano, ele pediu para esperar chegar no médico, mas eu estava muito ansiosa e queria saber logo qual era o resultado, e eu abri, e vi que tinha dado câncer de mama. Lembro que eu disse ‘iih Cristiano não deu, é câncer’, aí ele já se abateu. Mas logo eu pensei no meu filho, pensei na minha mãe, pensei no meu pai e o que eu ia fazer com aquilo ali’’.
Hoje em dia, a primeira dama faz campanha para o Outubro Rosa e afirma que o diagnóstico precoce salva vidas.
‘’Outubro é um mês de força pra mim, um mês potente em que me sinto mais forte e capaz. Em outubro de 2018 descobri um câncer de mama localmente avançado, meu mundo não acabou, pelo contrário, eu renasci. Fé, confiança, e resiliência fizeram parte da minha caminhada, sempre tive certeza que daria tudo certo, porque para mim esse era o único caminho e opção. Tanta gente passou pela minha vida e me ajudou nesse processo. Agradeço imensamente a toda a minha família e médicos, em especial a minha psicóloga. Lembrando que o diagnóstico precoce salva vidas, por isso se toque e conheça seu corpo. Eu descobri o câncer de mama no chuveiro em um auto exame’’, escreveu Andressa.
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